o blogue de Aline poeta

Retrato de Aline poeta

Quando?

Quando foi que olhei pra teus olhos
E encontrei a menina dos meus?
Quando foi que deixei seus encantos
Afastarem meus sonhos ateus?

Quando foi que te olhei diferente
E vi em você redenção?
Quando foi que segui meus instintos
E abandonei a razão?

Quando foi que me fez sorrir
Sem Ter motivo aparente?
Quando foi que o teu calor
Se tornou meu desejo ardente?

Quando foi que eu me perdi
Pra você me encontrar deste jeito?
Quando foi que eu prometi
Que desta vez seria perfeito?

Quando foi que tua rotina
Passou a ser minha medida?
Quando foi que desejei
Nunca haver despedida?

Quando foi que nossos impasses
Passaram a ser atração?
Quando foi que dei chances a vida
E ao sentimento vazão?

Diga você que teve em tudo
Carinhos, palavras que eu desejei?
Diga quando, onde e por que
Quando foi que me apaixonei?

Retrato de Aline poeta

Rosas

Trouxestes a rosa de beijos ardentes
Que queimastes insano e ébrio de mim
Deixaste em meu colo enquanto dormia
Salpicando de pétalas de início ao fim.

O sol invadia a janela do quarto
E as flores dançavam sem timidez
Faziam minha pele de palco e luz
Rindo travessas de minha nudez.

Em meus cabelos puseste outra rosa
Que firmava com engenho sobre a franja
Os anéis dos cabelos cobertos de pólen
Emoldurava-me imagem de anja.

Deixaste o vento entrar na janela
E ele faceiro, galopante e veloz;
Tratou de ornar com a rajada de ventos
Um leve assobio em ruído de voz.

Acordei em meio a um jardim de flores

Retrato de Aline poeta

Melhor É Teu Amor...

Beije-me ele com os beijos de sua boca,
Porque melhor é o seu amor do que o vinho...
(Cantares de Salomão 1: 02- Bíblia Sagrada).

A noite arde ao romper da aurora
Uma luz suave na penumbra habita
O abajur cintilante que adorna a sombra
Estremece o corpo que ainda crepita.

O cheiro doce de algodão e sândalo
Faz reascender o persistente lume
Entumeço o lábio que no ensejo abrasa
Teu lábio fresco que já têm ciúme.

Minhas mãos te procuram cheias de desejo
Na ânsia e surto de um ímpeto louco
- Estás cansado, eu bem sei, amor...
E tu por vencido vai cedendo aos poucos.

Abraça-me suave e eu me inflamo à toa
Procuro encostar-me em tuas coxas viris
Até içar teu apetite indolente
E sentir reclinar-se sobre meus quadris.

Avanço em teu corpo ainda desnudo
Da prévia de amor que engendramos há pouco
Tu olhas meu corpo surpreso, mas mudo,
E me presenteia com ardente arroubo.

Tu tomas o rumo, de mim, azimute,
E deleita-se ávido em minhas delícias
Com tal intensidade que até intimida
A ostentação de nossas primícias.

E nos largamos em nossos abraços
E te olho de corpo e alma inteira
Como barco à deriva no mar...
Ficaremos oscilando a noite inteira...

A madrugada é longa e meu amor infindo
Aguardemos as horas sem mais perdas vãs
Faremos amor até o raiar do dia
Esperando sem pressa por nossas manhãs.

Retrato de Aline poeta

Surreal

Se tu me procuras num espaço infinito
Me entrego, me prendo, eu te devoro
Me perco me encontro no teu labirinto
E como temerário eu te exploro.

Me rouba um beijo num sopro intrépido
E navega em meus mares desconhecidos
Sussurra no ouvido, promessas de amor.
Amor platônico, sentimento proibido.

Ahh, mas quando tu me beijas...
Quando tua boca me almeja
Meu mundo vira deserto
Teu lábio de açúcar cereja.

Pega-me em teu colo, cais de meu barco,
E deixa eu ouvir o pulsar em teu peito
Sentir o teu cheiro de homem ao meu lado
E suavizar minha saudade em teu leito.

Sossega meu olhos em teu refrigério
Me leve em tuas asas e seus pensamentos
Que mesmo que esse amor um dia nos separe
Guardaremos para sempre os doces momentos.

Retrato de Aline poeta

Biografia

Atrás destes olhos tão negros, estranhos
Tão misteriosos e tão atraentes
E deste olhar penetrante, inóspito
De indiferença e frigidez aparentes.

Existe uma mulher sozinha e ferida
Que chora a amargura da solidão
E espera que a salvem da selva de pedras
Em que se abrigou o seu coração.

Estas pestanas que mais parecem asas
Escondem a luz de teus olhos refulgentes
E deixam passar sobre os cílios apenas
Os raios débeis de seus sonhos doentes.

Quiçá alguém a deseje de alma
E não só teu corpo que é casca e frívola
Seu eu tem ardentes paixões e desejos
De uma mulher de vontade benévola.

Quer mãos que a toquem com tato incorpóreo
E tragam a ti uma verdade que a anele
Que com tua boca seus lábios a beijem
Sem precisar tocar sua pele.

Alguém que prometa que seus pensamentos
Serão só dela e de mais ninguém
Alguém que com ela sonhe acordado
Que só haja ela em seu mundo também.

Espera que tanto em vida ou morte
Seu nome corra solto em sua linguagem nua
Alguém que a acolha em teus braços e sombra
Alguém que pra sempre a chame de sua.

Retrato de Aline poeta

Olhos Azuis

Tuas mãos percorreram sobre meu corpo
Invasoras, escorregaram sobre minhas curvas
Deslizaram a roupa sobre as pernas trêmulas
As palavras falhando e a visão já turva.

Não era meu gosto, entregar-me a ti
Mas foi num instante em que vacilei
Olhei pra teus olhos azuis cor de anil
E sem pudores a ti me entreguei.

Tua mão era firme e teu peito acalento
Teu beijo era tácito e harmonioso
Que esqueci de meus planos, pejos e medos
E me desagüei em teu colo vicioso.

Os fios soltos do teu cabelo
Doirados e vivos como raios de sol
Misturavam-se na valsa lasciva
Que dançávamos harmônicos sobre o lençol.

Assim em teu peito debruçada
Passou-se o dia a rolar sem pressa
Seduzida por teus olhos de firmamento
Estes olhos de oceano azuis sem promessa.

Retrato de Aline poeta

Pertinente

Na noite fria o vento
Ruge
Lembranças suaves de um perfume
A luz que vejo sozinha
Rude
É a luz pertinente do vaga-lume.

Cabelos esvoaçam
Revoltos
Lembranças tristes de um olhar
Os gritos que passam sozinhos e
Soltos
São os gritos da dor pertinente de amar.

Na mente o pensamento
Vazio
Lembranças de um abraço
A febre termal de meu corpo
Frio
É a pertinente noção de espaço.

A aquarela preta e branca
Morta
Lembranças de um pecado.
A triste inércia da alma
Torta
É pertinente vazão do meu corpo alado.

A solidão que se abate
Intensa
Lembranças de um denso sofrer.
A saudade que sinto
Imensa
É o pertinente tempo que não quer correr...

Retrato de Aline poeta

Poesiando

A poesia corre solta nos varandões da vida...
Rompe as pilastras do inimaginável,
Rouba os suspiros dos amantes prometidos,
Transforma o rude dos homem mais amável.

Pinta cores vivas em forma de palavras,
As amarras caem já desinibidas,
Faz enxergar com os olhos da alma,
O que pelos olhos da carne lhe são proibidas.

A poesia vagueia e beija os pensamentos,
De quem dela esperou resposta pra suas dores,
De quem não soube dizer a dimensão,
Do sabor suave que tiveram seus amores.

Desenha os traços de um sorriso oculto,
Ou de uma tristeza que não vem a tona,
Depois de escrever debruça sobre a catarse,
E em suas estrofes se abandona.

A poesia é martírio de quem ama muito,
De formas loucas e demasiadas,
Sem Ter refúgio na realidade,
Põe em seus versos, rimas afinadas.

Revela em nudez o que sente por dentro,
Dor, amor, medo e nostalgia,
Explode em seu âmago o que está sedento,
E daí se faz o milagre da poesia.

Retrato de Aline poeta

Toda Mulher

Toda mulher carrega em seus braços
A história de luta, força e coragem
Toda mulher carrega em suas mãos
A garra e certeza com que elas agem.

Toda mulher carrega em seus olhos
A esperança de mundo e dias de paz
Toda mulher carrega em seus sonhos
A fagulha de fé que a vida lhe traz.

Toda mulher constrói seu castelo
Com tenacidade, suor e firmeza
Toda mulher é valente tal onça
Mas vence suas lutas tal como princesa.

Toda mulher é fiel a seus sonhos
Tem alma poeta e instinto materno
Toda mulher acredita que mãe
Vive para padecer no paraíso eterno

Toda mulher é suave e agradável
Mesmo que a vida a faça omitir
Toda mulher por mais calejada
Consegue chorar sem deixar de sorrir.

Retrato de Aline poeta

Sustentáculo

A brisa toca meu rosto
Como quem quer me beijar
Desliza, provoca, inebria...
Incita o tempo parar...

Sinto um cheiro de madeira verde
Que a brisa de aroma traz
O cheiro que aragem levou
O vento não traz nunca mais.

Mergulho os pés na água morna
Que da pedra escorrega em nascente
Reparo o dançar das folhas
Aguardando o sol poente.

Desejo deitar-me latente
E esperar que a noite sossegue
Deixar minhas pálpebras fecharem
Ao rumo que a vida segue.

E quando me sobrevir gentil
A vivacidade das madrugadas
Beberei o néctar da subsistência
Nas folhas verdes e orvalhadas.

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