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Trazes líricas estampadas no rosto
Gosto de carinho na saliva dos teus beijos
coincidentes
com os meus sentimentos no sério do meu rosto
clareado de segurança
Devolvendo atitudes que te fazem adorar-me
em todos os nossos momentos
lado a lado de braço dado
Acendendo as tochas de um caminho a dois
Marco encontro contigo na face da lua-cheia
No eclipse dos nossos corpos que se passeiam
por um passeio de bocas fundidas
Na mistura das nossas aguarelas roubadas
do arco-íris que une as nossas almas
pelas dimensões de quem sente ser
sentido
Na eternidade silenciosa que discursa o olhar
num tão puro acreditar
amar
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Viajo em palavras
que são estrelas de uma noite linda
cintilando a pureza dos sentimentos
mais nobres que coabitam em mim
por conta exclusiva de ti
São apenas palavras
mas apoiadas na fortuna mental
investigada pela verdade de amor
que é o móbil da minha poesia presa á pose
do teu ser majestoso na minha alma
São palavras
Não quero que as leias mas que as sintas
sobre o sol do nosso momento
Por ti permito-me optimizar o meu espaço
num espaço útil de arrumação romântica
transformado num trio de carinho
entrega e respeito
É todo o conforto válido
com que te quero conquistar
não só por uma vez
mas sim por todas as vezes
do resto desta vida de uma lua-de-mel
que não questiona quem somos
As minhas palavras
são confeccionadas nas delícias
que a vida me tem receitado
também no sofrer já suspirado
Em ti confirmo o fim da falta de mimo
Somos um original de luz natural
Deslocaremo-nos por dias soalheiros
deixando transparecer a cumplicidade
entre os meus versos e a sinceridade
que compõe o nosso interior num olhar
reflector
para o exterior de um amo-te
em nós
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Desfilo pela face da noite
Entre lágrimas prodigiosas
Escavando ravinas profundas
Na estranha sensação de irrealidade
Da força que ocupa o meu alivio
Espalhando o meu olhar a pique
No movimento das paixões que perdi
Flutuando na minha metade ruída
Para devolver a minha grandeza
Surjo lúcido no esplêndido
Aluindo o longo dos meus erros
E saio das quedas rompendo o medo
E empurro o tempo a meu favor
Dotado de limites nítidos
Sopro experiência aos meus dias
Nas intempéries dos sentimentos
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O teu amor mudou toda a minha vida
Toda a intimidade que eu escondia nos sentimentos
Fica exposta como estrelas em céu limpo
Rimado em versos de paixão entre as constelações
Os trajes de amor que exibo por ti são muitas vezes
Mal entendidos que a própria distância traduz
E a saudade dá espaço a novas certezas incertas
Refugiando o desespero em procura de tranquilidade
Acordo mal disposto por ocupar o lugar errado
Onde o longe é realçado num reboliço de carências
Que combato num abraço apertado á almofada
Sabendo que de ti chega uma espécie de força
Obrigando-me a erguer os dias acima de qualquer mal
Espevitando livre o meu espírito num compilação
Sorridente que aglomera boas sensações
Rubricadas em bons sonhos que partilhamos
Sim, porque tu me dás bons sonhos todas as noites
Sonhos oferecidos pelo conforto da nossa combinação
Ainda por saber se perfeita ou não
Saciamos lado a lado um começo atribulado
Que apesar de tudo temos cravadas nossas garras
Num vento soprado por nós com força de amar
Somos tempestade ainda na bonança
Á espera de despertar vendavais de felicidade
Num quotidiano de toques afirmando o nascer da vida
Do nosso dois em um ainda a zero materialmente
Mas já de milhões bem-dizermos na alma
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Sempre sonhei
com uma mulher que não existia
Ai o que eu procurei
por todos os recantos dos meus desejos
Nunca chorei
porque conhecia os seus beijos
Chamaram-me louco
e outras tantas coisas do género
mas sabiam tão pouco
sobre a minha confrontação
com a perseguição que fazia
dessa mulher
Sobrevivi afinal
e cá está ela á janela da minha estrada
paralela a mim para uma recta final
para o resto de uma vida apaixonada
com tanto para nos darmos
As curvas contra curvas
ficam agora para trás
tornando-me impermeável
a qualquer mal
Ela é tudo e muito mais
Ui
muito mais do que sou capaz
Agora que a conheço
Sim agora, sei que sou louco
confesso
tão louco por ela
Tu
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Procuro encontrar um novo estilo
Que sirva de machado para rachar
As portas dos confins do meu covil
Iluminado por uma luz de penumbra
Esventrando o sabor seco da sede
Escavo túneis com mãos de misericórdia
Na vontade que esculpe o que não quero
Ser selvagem domesticado da irreverência
Subsisto em batalhas entre o ser e não ser
Feito na envergadura brilhante das estrelas
Sem esgotar os elementos, júris da razão
Como gente sou componente da vida
Garantindo marcar a minha passagem
A minha alma é uma assembleia de fés
Sossegando o sentido sem opostos
Nos pontos cardeais apagados
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Ao sentir que o tempo me foge na pele
Deixo cair o pensamento num fosso de razão
Parando o meu respirar no conforto de uma reflexão
Que não desmente o sentido sem prática que me adoece
As fantasias inóspitas que me enganam o ego
Sendo tocado por um vento frio de norte
Chegado numa nortada de sentimentos carentes
E desabrigados nos meus gemidos de socorro
Que me gelam o olhar com melancolias sóbrias
Quebrando-me a voz na alma embriagada de nada
Por vácuo de silêncio que exibo nas mãos
Mantendo-as estendidas a uma esperança ténue
Que ganha corpo no longínquo que me chama
Com chamamentos de um amor que não se apresenta
Nem a mim chega através de uma cortina de medos
Ao de leve absorvo uma paixão que bate á porta
Sinto-a como um chá bem quente de loucura
Um fervor percorre a todo o vapor o meu corpo
Vigorosamente desmaiado sobre um ninho de solidão
Onde evito lamentos e atiro-me em queda livre
Ao desconhecido que tão bem conheço
Tratando por tu os mistérios dos meus desejos
Após ter reflectido sinto-me perto de um sol verenal
E caminho pelo meu defeito por defeito de sempre
Em ilusões de uma guilhotina suspensa á minha espera
Baixada por desilusão que abraça o meu chegar até hoje
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Fala-me em silêncio e deixa dançar as horas
etiquetadas nas palmas das minhas mãos
que bebem a tua volúpia sensual
Deixa-me ouvir os versos que sussurras
no meu pescoço enquanto
Ouço o meu respirar no teu cabelo
O meu peito senta-se no colo dos teus seios
preenchendo a distância que nos falta
para lá do que quero que seja
Sem palavras
minhas mãos escrevem amor nas tuas costas
expostas ao meu toque
A musica já esquecida
na descida das tuas curvas
pela recta do meu desejo
invadiu-me
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És prosa poética nos meus olhos
falante
Superas o meu ideal de mulher diante
das rosas silenciadas pelo quanto és bela
e canto
O tanto que me sabes bem
Esperei quase trinta e sete anos
pela tal que não existia
tu és
Logo existo e não insisto seres minha
Esqueço o Inverno no florir do teu sorriso
Caindo no sério merecer-me ser teu
rodopio
A céu aberto nas asas que me dás
para pousar em ti
És a coreografia do meu destino
um breve estar para sempre a cada instante
Que conquistamos nas lutas do recíproco
que ambos declamamos
Dou-me ao teu dar-me
Segurando a tua mão no meu peito
para que ouses ouvir o teu nome
na minha pulsação
Sente as cores que nos rodeiam
e em nós semeiam a vida
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