Enquanto o poeta dorme...Duo: Enise & Hilde

Retrato de Hildebrando Souza Menezes Filho

As palavras cruzam-se num ato de amor
E os leitores se aquecem
Os pensamentos florescem...
As letras se roçam
As vogais se coçam...

Os acentos sopram
As consoantes se espreitam...
As cedilhas deitam
As vírgulas ferem
Os pontos finais fogem...

E os tremas sobem
O vocabulário se esconde...
O verbo logo age
O sujeito aparece...
O parágrafo resplandece

O objeto se perde...
Entre o direto e o indiretamente passado
O dicionário é aberto
Para ver o mais que perfeito instalado
Mas o pretérito se explode!

E os adjetivos vibram!
Os subjetivos exageram
As interjeições promovem comoções
Na curiosidade das interrogações
Os pronomes dançam... Entre eu e você...

Os predicados são sacados
Os artigos ficam indefinidos
O presente e o futuro se confortam
As preposições arrasam...
E as silabas são seqüestradas...

Os sufixos ficam fixos
Enquanto os poemas dormem
Nos braços dos radicais
As reticências se insinuam
As conjunções não conjuminam
E os versos não terminam...

Porque brigam com as metáforas
E se assanham com as parábolas
Que insistem em fazer bagunça...
No namoro do prólogo ao epílogo
Tudo se enrola
A tese transa com a antítese
E nasce a síntese...

Então fica o dito pelo não dito...
E assim escrevemos mais um dueto
Ou será um soneto... Meio canhoto
Vai ver que é mesmo destro
Sem o respirar do ponto e vírgula
Ou o chapéu do circunflexo.

Estamos perplexos!

Mas será o Benedito?

Duo: Enise & Hilde
Navegando Amor
Publicado no Recanto das Letras em 14/08/2008
Código do texto: T1128618
http://recantodasletras.uol.com.br/poesias/1128618

Comments

Retrato de DeusaII

deusaii P/Hilde & Enise

Muito bem.... vocês brincam com as palavras...
Muito bom... Que grandes poetas, que lindo dueto.

Retrato de Hildebrando Souza Menezes Filho

P/Deusa II do Hilde

Obrigado querida Deusinha pela tua compreensão
às nossas brincadeiras. Estou até curioso para saber
como é a gramática da 'nossa' lingua aí em Portugal.
Receba o nosso carinhoso abraço. Hilde

Retrato de Teresa Cordioli

Hilde & Enise...

Meninos...depois dessa leitura só posso dizer que não me sinto capacitda para comentar tamanha beleza e perfeicão...

Beijos e meu voto aos dois, com um PARABÉNS DESSE TAMANHOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!

Retrato de Hildebrando Souza Menezes Filho

P/Tere do Hilde

Você tem a qualidade rara de dizer tudo em poucas
palavras. Sempre perspicaz e educada ao apreciar
as nossas brincadeiras poéticas. Agradeço em meu
nome e no da Enise por vc estar em nossa vida.
BEIJOS e abraços DESTE TAMANHOOOOOOOOOOOOOOO!
Hilde

Retrato de Drica Chaves

Drica / Hilde - Enise

Vocês poetizaram a gramática!!!... (rsrsrs)

Magnífico!
Um passeio "sistemático" pelos elementos constitutivos da nossa língua, dando leveza e incorporando recursos expressivos através das construções belamente poéticas!

Nossa! Coisa para mestres!

Parabéns!!!

Amei!

Meu carinho e entusiasmo, + beijos

Drica.

Retrato de Hildebrando Souza Menezes Filho

P/Drica Chaves do Hilde

Querida poetisa assim que eu receni hoje esta redação lá de Pernambuco logo pensei
em você e no que disseste aqui a respeito da nossa brincadeira poético gramatical.
Se eu tivesse lido isto antes teria enriquecido mais ainda a temática. Confira! Beijos e apareça para matar as saudades. Hilde

REDAÇÃO DE ALUNA DA UFPE*

Redação feita por uma aluna do curso de Letras, da UFPE Universidade Federal de Pernambuco (Recife), que venceu um concurso interno promovido pelo professor titular da cadeira de Gramática Portuguesa.

Redação

Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal.

Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e filmes ortográficos. O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar.

O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice. De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do
substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto.

Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar.

Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto.

Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois. Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula; ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas
palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros.

Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta.

Estavam na posição de primeira e segunda pessoa do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular. Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram
gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas. Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história.

Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício. O verbo auxiliar se entusiasmou e mostrou o seu adjunto adnominal. Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto. Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi
chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.

O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.

Retrato de Hildebrando Souza Menezes Filho

P/Drica Chaves do Hilde

Querida e talentosa baianinha...foi mesmo uma brincadeira que fizemos com a gramática e o mais engraçado foi que talvez tenha sido um dos duetos mais
espontâneos e inesperados porque nasceu na despedida que fazíamos pelo
MSN sem nenhuma intenção de poetizar, apenas curtindo com a lingua portuguesa.
Então receba o nosso abraço agradecido pela tua generosidade. Hilde

Retrato de syssy

P/Hilde e Enise

Minha nossa..................... sabe quando alguém
fica perplexo? Pois bem meus queridos, estou?!
Sem ação ou palavra para define o que acabo de
ler com tanto, prazer e emoção, carak eu estou
sem palavras vocês acreditam?

Lindo0o0o0o0o0!

Retrato de Hildebrando Souza Menezes Filho

P/Syssy do Hilde

Querida poetisa sempre delicada e generosa para com nossos rabiscos.
Nestes, em especial, eu e Enise brincamos com a gramática na hora de nos despedirmos no MSN foi saindo...e não resistimos em colocar no papel as
nossas brincadeiras. Obrigado em meu nome e no da Enise a você que sempre
está presente com tua amizade sincera em nossa vida. Beijosssss! Hilde

Retrato de EDU O ESPIÃO.

e.espião =====HILDEBRANDO M.FILHO

==POETA POSSO DIZER QUE EU ESCORREGO NESSA SUA CATEGORIA DE POETA.===PONDO-SE QUE JAMAIS ANUNCIEI SER==
===TENHO PRAZER EM ESCREVER==AS VEZES ATÉ ME SINTO MEIO POETA TORTO==
==SEU DUETO ESTA DE DIRETA EXPRESSÃO==
===ATÉ ME DA CÓCEGAS PARA RIR==TIVE UMA OCASIÃO QUE ME ATIRARAM PEDRAS PELOS MEUS RABISCOS , MINHAS SOPAS DE LETRAS==
===POUCO ME IMPORTEI, POIS NÃO SOU E NEM NUNCA DISSE SER POETA== SOU POETA TORTO==
===APESAR DE SER IRMÃO DE UM POETA===
===MINHA POETICAGEM, ESTA NOS MEUS BICHOS==
===AS VEZES POETA HILDEBRANDO== SOLTO UMAS PALAVRAS QUANDO O CORAÇÃO PULA DA RAZÃO.QUEM SABE ATÉ VIRO EM MINUTOS POETA===TUDO PELO AMOR

===MEUS PRESTIGIOS AO POETA E SUA BELA PARCEIRA==
==e.espião edu.com

Retrato de Hildebrando Souza Menezes Filho

P/Edu Espião do Hilde

Caro Edu,
Os seus escritos aos poucos vem recebendo o justo mérito
na apreciação de seus pares e no 'topo' daqui da poemas de amor
o que muito me orgulha pela tua amizade sincera. Nessa vida todos somos
aprendizes e o importante é estarmos dispostos a continuar sempre apesar
das nossas próprias limitações. Meu abraço agradecido pela tua
generosidade sempre presente para comigo. Abração! Hilde

Retrato de Carmen Lúcia

Enise & Hilde de Carmen

Enquanto os "outros" poetas dormem, vocês ficam atentos, passeando de forma poética entre metáforas, parábolas, tempos verbais, pontuações, emoções, vibrações e eis que surge mais uma insinuante obra literária.

E vocês marcam presença na frase(ou versos)...sujeito e predicado, imprescindíveis...E a ação?Ora...O que fazem os grandes poetas?

Beijos nesse duo incrível!

Carmen Lúcia

Retrato de Hildebrando Souza Menezes Filho

P/Carmen Lúcia

Querida poetisa Carmenzita devo me desculpar pela demora em te responder
mas ando sendo 'vitima' de sacrifícios revolucionários com regime
rigoroso que me tem tirado bastante daqui da poemas de amor e
forçado também a caminhadas longas, no entanto, venho acompanhando
orgulhoso da tua amizade a 'medalha de ouro' que recebeste aqui pela
tua merecida vitória no 'hino do site'. Agradeço em meu nome e no da Enise
este depô delicado e generoso para conosco. Beijossssssssssss Hilde