Um Sonho de Liberdade
A brilhar na escuridão da consciência.
Luz tardia e ofuscada pela crença insana.
Pelas grades da prisão, uma seita profana,
De mestre e discípulos de pura demência.
Farol que nunca cede nem se apaga
Promessa urgente que o vento sopra
Um brilho ardente que o poeta afaga
Palavras e rimas que de noite obra.
Se ontem o Poeta em Espumas Flutuantes,
clamava liberdade e "fechava os mares",
Seus gritos vagam como pássaros errantes,
Pelas favelas e campos de impolutos ares.
Mas para o poeta de sonho desperto
Que de noite rasga seu verso demente,
Seu canto suave se faz ouvir bem perto.
Canto de Liberdade, sob um céu CLEMENTE.
Sou a voz que grita
nas favelas e nos campos,
estrangulada, contida.
Sou a garganta aberta
dos miseráveis e aflitos
ao clamor interrompido.
Sou a palavra não dita.
Passaro em vôo abortado.
Sombra de uma promessa
não cumprida.
Sou o canto que não ecoou
preso na masmorra do arbítrio
de uma lei que se calou.
Sou um morcego negro
esvoaçante, que cruza
os céus da cidade
em noite de lua pálida.
Sou a gargalhada sussurrante,
inaudível em meio ao caos.
Meu nome é Liberdade
Juntar palavras e emoções.
Pedaços de sentimentos
em fragmentos.
Quebra-cabeça dos corações,
apaixonados, indignados
ou desatentos.
Extrair do fundo da Alma,
em horas de tédio e lamento,
palavras loucas, emocionais
ou lógicas, frias e racionais.
Fazer do papel sua estrada,
nesta caminhada exaustiva,
buscando entre intervalos
e reticências
suas verdades...Sua vida.
Este é seu destino.
Sua caneta cavalga,
entre linhas e espaços vazios
domando emoções e palavras.
Caminho...
E este caminhar é lento, pausado,
refletido.
Sobre um piso de pedras soltas.
Passo a passo...
Sem saber para onde e porque.
Rompendo com os limites que a
matéria nos impõe.
Determinada pelo tempo e espaço.
Esta prisão que cerca nossos sentidos
E estabelece este andar pouco
e esta voz de tom rouco.
Por estradas e veredas enlameadas e ardilosas,
De sombras e olhares opacos.
Meus pensamentos, impacientes, saltam à frente
Ao refluir de ondas quânticas
E buscam o espaço amplo dos sonhos e utopias.
Uma promessa esvoaçante que teima em nos provocar
A todo instante, na tela panorâmica do córtex.
Um Universo desconhecido pelo corpo,
Mas guardado pela memória da alma
E enxergado pelos olhos do coração.
A estrada se fecha a nossa volta
Num labirinto de trilhas e curvas
Que vem e vão para lugar nenhum
Para nenhuma saída.
Quanta energia gasta inutilmente
Nesta procura de miragens e ilusões
Que uma lei implacável e egocêntrica
Nos impõe (a nós pobres humanos e mundanos).
Um emaranhado e “fios de Ariadne”
Que nos cercam e confundem como milhares
De novelos de lã entrelaçados, fragmentados
E descoloridos.
Que brilho é este que o Poeta vê
Além das aparências e dos limites da física,
Num espaço imaterial e atemporal,
Que lhe aplaca a angustia do peito e a dor da alma?
E as palavras... como bálsamo,
Saltando deste mundo imaginário, (será?),
Pousam candidamente sobre feridas
Eternas e incuráveis.
Marcas que a batalha dos tempos escreveu
Severamente, nestas almas angustiadas e inquietas.
Almas de Poetas
João Drummond
Esta noite, vou sair pela cidade,
sem rumo, sem hora, sem razão
Vou cantar minha saudade
Um poeta, um luar, um violão
Vou compor uma canção.
Sob um céu de estrelas candentes
Cantarei palavras ardentes
Chorarei minha paixão.
Avançarei pela madrugada,
sombras... duvidas...verdades
Farão coro às minhas saudades
Pássaros da noite em revoada
Um céu, hora calmo e contido,
reagindo aos meus queixumes
Cego de paixão e ciúmes
Cúmplice, soluçará comigo
Na trilha de passos errantes,
milhares de vaga-lumes ao relento
Iluminando as cordas sussurrantes
Que vibram ao acorde sonolento
O vento em rajadas geladas,
vasculhando a cidade escura
Buscando sua quadra, sua rua
Revoada de sombras aladas
Cada palavra com corpo e alma,
Fadas, Elfos, sombras flutuantes
Ao contraste de luzes vacilantes
Levadas ao vento em noite calma
Uma canção perdida na noite,
buscando uma janela solitária
Cobrando como fiel depositária
A fatura do meu pernoite
E você plácida, inocente,
passageira da nau dos sonhos
Alheia aos meus versos bisonhos
Alheia ao meu canto demente
Mesmo assim eu canto...e canto,
caminhando pela noite escura
Um poema em cada rua
Para quebrar este encanto
João Drummond
Um olhar, um sorriso, andar insinuante..
O brilho de uma estrela, a face da lua se
abrindo entre nuvens difusas. O vento em
em mágico sopro sobre seus cabelos.
Meu coração se inflama e se incendeia
Como fogueira ardente de paixão.
Que queima sem controle minhas
Verdades absolutas, minhas certezas.
Não creio em amor à primeira vista,
Então o que me atingiu em face da sua presença?
Que razão explica este seqüestro relâmpago?
O que me priva da lógica e do discernimento?
Talvez , quem sabe uma lógica diferente,
Que só o coração vê e sente, e que está além
da presença, das aparências e muito além
de um simples olhar... além do olhar.
Altas horas. A hora tardia...
O tempo parou, fecharam-se as cortinas.
Um palco vazio, uma luz tremulando.
Arrasta-se a noite em lenta agonia.
O cenário sumiu, sumiu a platéia.
O vento uivando sussurra segredos.
Em vôo rasante uma sombra sinistra,
Um morcego gigante em câmera lenta.
Um segundo congelado no infinito.
De um grito engasgado a um uivo contido.
O universo paralelo escancara suas faces
Entre expressões sombrias e retorcidas.
Meus pensamentos fragmentados em
Milhares de pedaços.
Um quebra-cabeça que nunca se fecha.
Uma vida inteira contida em um frasco,
De veneno que mata pouco a pouco a cada dia.
Primeiro um ponto quase invisível,
Crescendo e aprofundando na velocidade da bala.
Um corpo caindo em um abismo sem fundo,
Da terra ao inferno numa fração de segundo.
Dezenas de anos passando num estalo.
O tribunal faz as contas e cobra a fatura.
Uma vida, uma promessa, sementes que queimam,
Com o fumo que pulmões doentios aspiram.
Entre o lazer e o suicídio uma questão semântica.
A diversão custa caro, nem um pouco romântica.
Se bebo um trago, se uma vida estrago,
O holocausto é preço, o extermínio eu pago.
Os flashs de neurônios explodindo,
Dentro do meu cérebro condenado.
Uma vendeta implacável se repetindo,
Todo dia, a cada minuto... Até a hora zero
A hora zero. O julgamento final
A consciência face a face com SUA VERDADE..
João Drummond
Onde estão seus pensamentos?
Como o vento insinuante acaricia as flores
Brisa atrevida, onda doce, quente , ousada
Meus pensamentos, borboletas multicores
Pelos seus cabelos, desafiam em revoada
Onde estão seus pensamentos?
Estes olhos negros, tristeza e alegria
Num abismo de segredos, amores e magoas
Força potencial fermentada pelas águas
De um mar hora revolto, hora em calmaria
Onde estão seus pensamentos?
Que desafiam um guerreiro ágil e destemido
Pássaro em vôo rasante, energia latente
Aventureiro do espaço amplo e desconhecido
Que se estende entre o coração e a mente
Onde estão seus pensamentos?
Com um sorriso , meigo, calmo, cativante
Projetado entre sonhos, realidades e utopias
Num momento mulher-tigreza, sensível, valente
Noutro criança frágil entre jogos e fantasias
Onde estão seus pensamentos?
Meu olhar cruzando o espaço indolente
E com um sorriso calmo, contido, angelical
Encontra seu olhar fugidio, vago, ausente
Em caminhada peregrina no espaço astral.
Onde estão seus pensamentos?
Talvez , (quem sabe?), na doce caricia do mel?
Ou de súbito no sabor amargo, azedo do fel?
No contraste exorbitante que o movimento
Das ondas da vida nos impõe, duplo tormento
Onde estão seus pensamentos?
Diante do crepúsculo a ânsia louca de amar
No alvorecer os devaneios das vagas em tédio
Rebatendo como um insistente, verdugo cutelo
Dolorosas horas passadas, perdidas de alem mar
Onde estão seus pensamentos?
Eles estão, creio, onde a vida em vagas flutuantes
Nos redime de um passado entre agridoce e opressor
Em abraços apertados, amigáveis e aconchegantes
Com a energia de um raio a um tempo promissor.
De sorriso doce radiante, brilhos esverdeados
No olhar maroto e debochado, movimento hora
Meigo, hora insinuante. Na face, relampeados
Trejeitos infantis, sol abrindo em larga aurora?
Quem é você que é capaz de num súbito relance
Passar de indefesa gazela ao avanço exponencial
De uma tigresa. Poderosa fera fêmea na revanche
De uma luta-dança expressada no cenário germinal?
Quem é você que meiga, doce, companheira
Se transforma ao som de musicas candentes
Na musa-dançarina, alegre, flutuante, altaneira
De movimentos precisos, sensuais, insinuantes?
Quem é você mulher determinada, simples e resoluta
Que se lança no caminho dos seus sonhos e quimeras
Em busca de reconhecimento justo em injusta luta
Que se trava no campo de batalha, espaços e eras?
Quem é você que inocente, despretensiosa, alheia
Da trilha que futuros bandeirantes ainda não abriram
Aponta-me como um chamado, talvez, canto de sereia
No mapa virtual de um futuro que olhos nenhum viram?
Quem é você que faz de seus sonhos minhas quimeras
Numa promessa silenciosa, tramada em bastidores
Deste teatro agridoce, campo de múltiplas esperas
Palco de contendas, dramas, comédias e novos amores?
Não precisas dizer quem és, eu arrisco uma resposta
Nesta homenagem, arriscado jogo ou rima inocente?
Menina, companheira de jornada, parceira de aposta
Jogo franco no presente, amanhã, duvidas... somente.
Meu coração é um veleiro arisco e ligeiro
Singrando dentre tempestades e ventanias
Na imensidão de um oceano frio, traiçoeiro
Abismo de amores, paixões, desejos e calmarias
Barco valente, sem rumo. Sobre ondas espumantes
Campo de batalha de navegantes destemidos
Ventos, horas frios, horas quentes e insinuantes
Cortando as águas de mares desconhecidos
Pirata sem pátria, sem bandeira, sem companhias
Aventureiro dos sete mares, corsário da paixão
Flutua intrépido à beira de abismos, cataclismas
Desafiando suicida, irônico, os limites do coração
Navega ligeiro por denso e frio nevoeiro
Render ou fugir, o drama do incauto navegante
Em qual porto seguro ancorar-se ágil, sorrateiro?
Num recuo estratégico ou rendição humilhante?
Navegante solitário, seu olhar vigia a esteira
Ouvidos atentos aos sons das ondas e ventanias
Horizonte perdido, mar em fúria, canto de sereia
Ventos combinados que formam no mar as sinfonias
Nascer do sol, linha do horizonte, nau em fuga
Mar aberto, ventos frios e ondas inconstantes
Cristas gigantescas conduzem o pirata em luta
Para o campo de batalha de conflitos incessantes
Estratégias de combate, contra medidas, artefatos
Traçam impiedosos os limites da guerra iminente
Um guerreiro incansável se prepara para os assaltos
Em sua ultima e fatal batalha, coração versus mente
Um corsário joga toda sua força, experiência e razão
Contra um inimigo impossível de ser vencido
Como enfrentar sem riscos a força de uma paixão
Que emerge de um coração puro, meigo e destemido?
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