O que é que podes ainda dizer que é teu? O pedaço de alma que sempre conservaste na pele, até isso caiu. Certo? Já se calaram os assuãos que, outrora, brotavam do teu coração. E deixaste de ser alegre, com aquela alegria de uma criança quando lhe dizem que gostam dela. Sabes de boas maneiras. Até te sentas do lado certo da mesa quando vais a um restaurante, dos tais piéce de resistance. E gozas com o waiter, dizendo que o mundo não nasceu para quem arrisca. Só para os que sabem esperar por aquilo que pretendem.
Já desapareceu o arco e flecha do teu lado belicoso. Deixei de ver aos teus pés, o Bufallo Bill assassinado após batalha gloriosa com os Sioux. Machetes de guerra que te viam, e que tu não escondias, onde estão? Respondes que a vida faz as rotundas pela esquerda. Que o Sol chora lágrimas de cal quente, da mesma com que se dá banho aos mortos depois de eles se despedirem de nós. Resumindo, a cobardia fez de ti uma bitch. Dás o esfincter, numa posição de pato assustado, e em troca recebes cautelas quentinhas. Tipo castanhas que saltam no crepitar do forno outonal do universo. Não tens o nada, que faz as pessoas explodirem em busca do tudo. E com certeza que também não terás o tudo, responsável pelo friozinho na barriga das pessoas realizadas.
Já foste capaz de matar à velocidade do som. Carregavas, pelo cano, uma escopeta imaginária que guardavas aos pés do sofá da sala. Bastava um violador escapar sem condenação à justiça da mais pequena cidade do interior americano, que tu fazias justiça pelas próprias mãos. Despedaçavas rostos finos. Homens de feitio aquilino saíam despedaçados às mãos do teu instinto de Charles Bronson de 1.º andar da Rua dos Passarinhos. Não contente, partias pescoço, e depois serravas o corpo em seis, para melhor o empilhar na bagageira da tua Renault 4L. Hoje, nem o rato que tem ninhadas de vermes à entrada do teu quintal, tu consegues matar.
Cansei de ver-te a confraternizar com o diabo dos irresponsáveis. Com um satanás velho, que mandria porque já se cansou de fazer mal, e está reduzido a tirar o olho de vidro da órbita esquerda, e dar-lhe lustro para parecer mais magnânime.
A ti, e a quem anseia por menos suavidade, eu respondo.
-Raio que os parta a todos!!!!
Cansei-me de esperar que os coitadinhos arranjem forças para mendigar pedacinhos de terra prometida, à luz de ideologias que promovem o desmembramento dos sonhos. O homem não é de iniciativas. O homem é social. O colectivo manda mais que o chico esperto que explora 100 chicos espertos, só para se tornar mais chico esperto.
a condenação da torção,
de pescoço do suez,
é menos que o chupão,
na pila do burguês....
O cão é inteligente. É uma pena que seja indolente. Talvez até seja boa gente. O problema é que nem tem frente. Ninguém diria realmente,...mas o animal perdeu-se tristemente. Mordeu um gato indigente.
Que se voltou a ele ferozmente. O rabo caiu-lhe, e o coto ficou dormente. As orelhas tombaram circularmente. O corpo pediu toda a paz e, sinceramente.... Deus estava num dia carente. Pediu o amor daquela criatura em tom pungente. Em troca, recebeu um olhar pintado negativamente. O cão é ateu,....não registou qualquer dúvida premente.
Talvez aceite um funeral feito singelamente. Nada de flores oferecidas pedantemente. Amor em doses produzidas industrialmente. O último suspiro, como é evidente, será dado a remar contra a corrente. Felizmente.
cair,
caído,
flectido,
impossibilitado,
cardado Sol,
caiu,
descaiu,
furado céu,
desmontou,
o que elencado,
desdobrado,
e vociferado,...
nunca entabulou,
conversas,
avanços,
recuos,
memórias simples,...
menor substância,
para emendar,
títulos mal dados,...
somos o que fondo,
nunca aconteceu para bem,...
e mesmo que,...
caído,
flectido,
impossibilitado,...
cardado Sol,
é o que não nos resta,
em paralelo,
ao que ficando,
morreu,
de inanição....
A morte discursa sempre numa sala repleta de sombras. Requisito essencial: janelas encerradas, e paredes ‘besuntadas’ de um cinzento entristecido, quase como se tratasse de um pedido de desculpas formal aos conferencistas.
São temas esparsos que nunca abrangem a compreensão de todas as multidões. Com o pé fincado no púlpito, a oradora só sai quando a retórica se esgota.Diz que tem pressa, e receio de invasões. As salas têm, por isso, de ser estanques. Em causa estão eventuais violações protagonizadas por elementos estranhos.
Especialmente receado é o arrependimento. Figura difusa, por vezes multiforme, capaz de estragar o encadeamento de um raciocínio.Por decreto, estão proibidas todas as manifestações deste sentimento durante sessões oratórias da morte. Devem evitar-se possíveis caminhos de retorno dos conferencistas convidados para os eventos periódicos.
fruto do apaziguamento da criança que ruge,
levantaram-se do chão as dúvidas de um homem classificado,....
ordenaram-se princípios de racionalidade por cores mortiças,
e o sonho descarnou,
infectou,
desnutriu,...
sonora paz,
distinto sentir,
foi um tumulto dos roídos de espírito que
polvilham o núcleo do planeta,...
o dia ressuscitou depois de um longo arroto de todos os capitéis dos monumentos que contam,...
cláusulas postas em chaga porque o homem,
recusa esmagar as insensibilidades deste pedregulho.....
Estavam lado-a-lado. Os pêlos do braço esquerdo dela, enliavam-se com a penugem do braço direito dele. Tinha acabado de aplicar cera, e a masculinidade latente fazia uma pausa,...indiscriminada. Queriam unir tesões. Não sabiam como. Auras de sabor a morango, apostavam que se reconheciam se fizessem sexo anal. O vento encontrava pouso entre a janela de alumínio semi-aberta.
Os caçadores de pérolas de Bizet estavam tímidos.
Embalavam exdrúxulas pepitas de pó que baloiçavam por entre o mobiliário vitoriano de um quarto que nunca se havia rido de ver rir. Baque, dois baques, emancipação de fluidos. Sexo anal fora de questão.Peidar é bom, atenua precipitações, e dizem que dispersa o pó.
Continuam lado-a-lado. Agora as auras engendram pelo menos dois estratagemas opostos para terminar o que nunca devia ter começado. Talvez azeitonas podres em sopa de poejos. Dizem que acidifica a urina, e precipita o desentendimento. Ou os desentendimentos religiosos ancestrais. Para já, banho. Estio com pó, dá sempre irritação na púbis.
Na noite em que me disfarcei de soletrar,
caíram-me as calças,....
fiz-me de tarado,
sorri, meti dois pingos
de solidão nas retinas,
e lá fui eu ao desvario,...
encontrei a vida deprimida a copiar
registos de plena realização da morte,....
abri o casaco e senti-me
gozado no meu sentimento de homem
que espera vícios do
ar que respira,...
ventou,
soprou tanto o bafo do
desprezo que só tentei
mais a criatividade,...
pintava sóis atrás de um
corpo em putrefacção da
criança mais adorável do mundo,....
apaixonámo-nos, e hoje
somos quem manda no mundo,...
eu, o fazer bem a olhar
para o quem cá de dentro,....
ela, gosta de comer
sonhos congelados para sobreviver.....
tinha a fornada de sorrir
sem saber porquê,...
tremeluzia um brilho
desnecessário,
como que pudesse rir
da morte violenta
do melhor amigo
da nossa sombra,...
sorria,
descolava insultos,
percebia que o perceptível
são mesmo situações de
excesso descabeladas
e com travo a pebre,....
e quando a noite caía,
fusíveis,
resquícios de reagir
quando o cheirar mal
deixava marcas de mel
na ferida da solidão,....
para trás anos passados a andar
para trás,
agora fim,....
tinha a fornada de sorrir,
teve-a quando já se esgotava o riso de viver....
Não há água feita de sorrisos,
Há vento que escorre lamentos,
E há esquinas com mel azedo,
Existo eu a trigonometrizar um caminho,
Para te ver sentada num trovão,
Denso,
com forro de lambrim,
Já acabei o desnorte,
Agora ouve-me,
Tenho um dia para contar-te...
Frugais,
Nunca menos que simples
relatos de bem-estar,
o assuão do querer aqui,
desnortes complexamente
descomplexados de tudo
por menos que
pensas ser impossível,
com sopros de
longe maneira
de dizer amor,
está desenhada,
aqui o agora sabe
menos a tristezas vãs....
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