o blogue de Stacarca

Retrato de Stacarca

Te amo

Te amo

Por entre a trescalância linda em flôres
Que de átrios se desflora em esquecidas,
Te amo em fervor da imagem refletida
Dos quadros c'lestes dos jardins d'amores.

Te amo tanto que desferiria as côres
Dos elísios e as esp'ranças perdidas,
Pois com você em tudo nessa vida
É maravilhoso, até os dissabores...

Te amo além das fronteiras do infinito
E além, na harmonia do ser bendito
Por sonhos longos que nos levam dor.

Te amo 'inda mais, incomensurav'lmente
Mais, mais, pois a cada dia simplesmente
Eu te amo além, eu te amo além do amor.

Stacarca

Retrato de Stacarca

Oração

Oração

No fundo romanesco de seus vermelhos e parturejados cabelos, de seu avulto e penetrante olhar de olhos rubros e harmonia perfeita, que faz-me ouvir a sinfonia dos céus e a comissura do inferno dentre almas límpidas e alvas, dentre suas asas do finito e infinito das lamúrias feéricas de todos os Deuses e Satãs, dos seus sonhos, seus magníficos e soluçantes sonhos híbridos, que tornam minh'alma um ser tropel e apaixonado, que torna meu dia em uma noute de nébula escuridão gótica em perfeita sintonia com os balastros de meu ignoto coração. De sua pele virgem e clorótica, de minha contemplação benigna sob teu corpo deleite e santo. Toda a ardência de meu carinho nas ausências da tua boca palpitante, dos lábios supremos e cabalísticos onde a imaginação é a longitude de meus maiores sonhos de arcanjo, na amplidão perpétua de seu falar magnífico, o sidéreo momento peregrino de nosso encontro imortal em convulsos tronos da felicidade, das tuas náuseas humanas que formam maravilhosas e oníricas músicas santas a minha vida venusta, tuas orações, orações qu’eu proclamo em todos os palácios de vida e morte e que transformo no alimento de minha fome em fé. De teu sorriso tesourial e pomposo que me leva ao êxtase e me corta como a gemente cimitarra, de teu cheiro perfumoso e virtuoso que exala nas mais lindas flores do éden e que se compara na borrasca de nosso próprio Deus, O teu sabor absíntico que lunaticamente bebo em meus pensamentos belos e inocentes, do seu caminhar edênico que sigo na mais doutrina clara direção e que seguirei sempre e sempre, de tua história trágica e feliz, deslumbradora que magicamente faço parte agora e farei sempre e sempre e sempre. Teus sonhos e anseios que veementemente busco realizar na mais profunda mirra e estonteante limpidez.
Oh! Que tu concedas esse amor para até o final do começo e fim, que tu percebas esse sentimento que inunda meu peito em regalo, que tu possas dividir comigo esse cálix da sabedoria e que juntos possamos edificar a vida e morte. Lho’fereço esta oração para que tu, somente tu conheças a verdadeira forma do amor. E que entendas que eu te amo, te amo e te amo. Amém.

Retrato de Stacarca

solitate

solitate

Ah se tu soubesses a imensidão
Inefável e linda que sinto agora,
Co'o meu torvo e ferido coração
Clamando p'la sua linda voz sonora.

Ah se tu soubesses como compreendo
Os teus sonhos majestosos e lindos,
Como intensamente morro, morrendo
Ao me lembrar de tua face sorrindo.

O inferno pode apagar todos astros
De todo o céu e de todo o infinito,
Eu não me importo. Se dos seus balastros
Tua felicidade cont'nuar bendito.

Assim co' toda saudade a machucar,
Eu choro, choro e continuo a chorar.

Retrato de Stacarca

Amores, do amor....

Amores, do amor....

Quando amava eu ingênuo chorava
Nas tristezas d'uma vida surgindo,
Vinham beijos amargos, e sentindo...

Os lábios róseos que encostava,
Quando te amava ingênuo chorava.

Quando amo, ergo os olhos sorrindo
Na b'leza da vida que imaginava,
Os doces beijos que sempre mirava...

Nos lábios seus, róseos e lindos,
Quando t'amo, ergo os olhos sorrindo.

Retrato de Stacarca

Jardim cágado

Jardim cágado

Tão coloridas flôres de primícias
Linhagens, de tal grânulo e de beijos
Morrendo, ó que tôdos mui desejos
Nascendo em tais, míseras carícias.

Co' mimosas bromélias e boninas
E como a borboleta, relva mocha
Com actos ti' belíssimos, e nina
A tal suprema fôrça entre rochas.

E Brilha o turbilhão de ti, estrêlas
Onde do alto céu brilham gestrelas
Vagas, e no império do grilhão

A supremacia glória de um género
De factos, borbulhantes que venero
Tont'ie com tal vigor no coração!

Retrato de Stacarca

Cruz e Souza

Cruz e Souza

Ah cisne! Cisne negro de alma clara.
C'nobita a poetar do sisifismo
E dos escravocratas de talara,
Da senzala do grande simbolismo.

És tu, vil poeta de coerção funesta,
Ah grande astro de versos formosos
Tal Artista ameno, branco co'honesta
Da tristura ca' dos violões chorosos.

Gládios de crepusculares sonetos,
Sonetos e de melopéias, que ousas
O Infinito grilhão do tal cianeto.

Zoilo das ebúrneas grinaldas, cousa
Bela e macabra, co' refreado peto,
És tu, ó grande gênio, Cruz e Souza.

P.S. Gostaria de agradecer a ajuda de Godi, que me exclareceu algumas dúvidas e me ajudou em alguns versos. Abraço!

Retrato de Stacarca

Supedâneo dos enforcados

Supedâneo dos enforcados

Por entre a nébula que bimbalha
De inóspitas cintilações abrolha,
Amortalha a bimbalha e estraçalha
O hercúleo fazendo limiar bolhas,
Palpitações impolutas de mortalha,
Abrolha as bolhas, tolhas e acolhas
Por entre a nébula que bimbalha.

As cítaras sinistras que a ecoa
Dolentemente choram as chorosas,
Ecoa, entoa, destoa e esmoa
Ostentosamente as tão formosas
versificações consideradas atoa,
Tão chorosas as vaporosas cosas
As cítaras sinistras que a ecoa.

Nas brumas brumosas frementes,
Estóica os trêfegos desvelos
Frementes e doentes utentes,
Quais miraculosamente tê-los
Em pujança das estranhas mentes
Pelos desvelos, os belos zelos
Nas brumas brumosas frementes.

Retrato de Stacarca

A estrela

A estrela

Ah estrela de constelações
Áureas e formidável beleza,
Da fronte suave e delicadeza
De exorbitadas contemplações.

De tez lívida e bem tratada
Formosura, como uma gaza
Bordada de pasmadas gradadas,
Suspirando desejo a cara.

Robustas e cingidas faces,
Graves, suaves e venustas
Faces cingidas, robustas,
Venustas graves e suaves.

Que contemplam o inexorável
Estrelar absconso sideral,
Crestadas do toque feral,
Arcangélico e lindo, amável.

Espaço! Clarões sidéricos
De imensos borrões cinzentos,
Fulgurante dos céus, sérico

Retrato de Stacarca

Satã

Satã

Ei-lo, obumbra a sânie lisa,
Míngua de soluços dolorosos,
Corno dos exórdios chorosos
Soluços pitorescos que giza.

Contemplativas, ó sacrílego,
Formidolosas contemplativas,
Idéias, compêndios, inativas
Castas, extremoso coligo...

Conglobadas noções pitorescas,
Ah Funesto pancalismo imundo,
Débil, ó sentimento inundo
D'áurea elegíaca funambulesca.

Ó formas, figuradas felozes
Que fanam, fulgurando fiéis
Formas fúlgidas, felosas féis
Formas flamejantes, ferozes.

Indefiníveis flébeis de rasa,
Choro, lamúrias indefiníveis,

Conteúdo sindicado