Retrato de José Bento

VIDA VIVA POEMAS

VEJA EM VIDA VIVA POEMAS: TOPICOS GERAIS
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Definição de Poema e poesia.
Que são estrofes?
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"Ah, esse olhar que me tonteia, me ofusca, me busca e me faz te querer!"

José Bento

Retrato de Alexandre Montalvan

Quanto é a Dor


Retrato de Lonely silence

O calor do luar

Dizia o sol ser Arrogante
Ele se dizia ser ignorante
Falava também que não iria amar ninguém
Esquecera que em meio a fogo e explosão

Batia um coração, quente
Invejava os mortais humanos
Por terem o direito de realizar seus planos
Queria ser gente ...

Queria declarar usando o oceano
No reflexo da imensidão azul
Queria sussurrar o que seus raios amarelos tinham a dizer
Queria se abrir a quem não podia ver

Queria dizer que gostava de sua imagem
Projetada naquele mar
Que se perdia quando em sua direção se punha a olhar

Queria que a distância entre os astros
Não o impedisse de lhe abraçar
Imaginava com o seu calor lhe esquentar

Mesmo com diferenças
Distância e obstáculos
O Grande Sol não desistiu de seu objetivo

De se declarar para seu oposto
De dizer e ouvir que o que a lua tem a falar
De começar a viver as cenas que sua mente pois-se a imaginar.

Retrato de Marilene Anacleto

Cheiro

Cheiro de terra, cheiro de mato,
Cheiro de grama, cheiro de pasto,
Cheiro de cascata, cheiro de regato.

Cheiro de santidade, cheiro de maldade,
Cheiro de flores, agradáveis odores
Pedra molhada, terra lavada,
Feliz borboleta na rocha seca.

Cheiro de Jair, cheiro de Nair,
Cheiro de Adair, cheiro de jasmim.
Cheiro de rosa, pessoa ou flor,
Amar o cheiro, prova de amor.

Não há dinheiro que a alma engane
Ou troque pelo cheiro de alguém que se ama.

No universo de cheiros, muitos olores,
Da flor da juventude à calma do regato.
Do jasmim, a doçura, do amor à loucura,
O cheiro mais doce é o som do abraço
Encontrado sem querer no teu regaço.

Concha na qual me apoio
Levemente, contente, dormente,
O colo de brilho infindo
Que sempre faz sentir-me gente.

Retrato de Oliveira Santos

Duas Semanas

Vivi dias de sonho contigo
Com teu sorriso ofuscante
Tua pele, teu corpo
Tuas mãos confortantes

Vivi dias de sonho contigo
Com teu falar macio
Teu olhar instigante
Teus beijos, teu cio

Vivi dias de sonho contigo
Com tuas roupas sensuais
Tua maquiagem perfeita
Teus saltos mortais

Vivi dias de sonho contigo
Com tuas frases sacanas
Tuas promessas além
Tuas duas semanas

27/01/12

Retrato de Arnault L. Dias

Ave do paraiso

Pousou um passarinho em mim
e fez-me de seu ninho,
e me encheu de canto,
claro toar de clarim,
ou embriaguem de vinho
que faz repouso em acalanto.

Aqueceu-me em suas plumas
e me despiu de duras penas.
Um par de asas me deu.
Que me eleva sobre as brumas
ao céu aberto, num aceno.
Tornou-se o pássaro eu

CHUVA DE VERÃO

O barulho da chuva batendo no telhado
E essa vontade absurda de estar ao seu lado
E ouvir aquela sua risada
E não pensar em mais nada

Sonhar em novamente ser feliz
E junto contigo ser um eterno aprendiz
Aprender a decifrar seu cheiro seu gosto
Observar o prazer no seu rosto

seu sorriso parece uma tarde de verão depois da chuva
Tranquilo e misterioso
fascinante e perigoso

CARLOS LOURES
ITAPEVI
VERÃO 2012

MUDANÇA

vou embora abraçado à incertezas
na esperança de novas belezas
Vou abandonar pelo caminho
Tantos sonhos que guardei com carinho

É necessário o recomeço
Mesmo longe e distante de tudo que conheço
Deixo para atras muita tristeza e solidão
Angustia e desilusão

O coração vai cheio de amizades
Esperanças e saudades
Também levarei pra onde eu for
A lembrança do seu sorriso
A única descrição que conheço para a palavra amor.

CARLOS LOURES
ITAPEVI
VERÃO DE 2012

NOITE DOS MORTOS("De Vozes do Aquém")

Não acredite em vida,
depois da morte.

Só há a morte
lá do outro lado.

Viva a vida onde há vida.

Não haverá lembranças e nem sinais,
apenas uma noite contínua e silenciosa.

A alma acaba.

Finda com a vida,
pois a ela é inerente.

O mundo dos mortos
não é como o nosso.

Não é nada,
apenas o que sobrou,
enquanto persiste o eco
daquilo
que eventualmente foi.

Não poderiam caber
todos
no mesmo Paraíso,
por isso já foi tudo criado
como é,
sem nenhuma esperança
de ser diferente.

Ser é um prêmio,
mas perceber, um castigo.

Antecipar o desfecho
pode parecer razoável,
mas também
inútil.

Não resta à Inteligência
senão permanecer
inerte,
ou seja
burra.

Força a consciência
a farsa.

E resulta em uma farpa,
doída.

Saudade não constrói.

Toca.

Pedra tapa,
mas não garante
que escape
o desejo.

Talvez supere a vontade
o limite
e traga
esperança
para quem tenha
ousadia.

Nada garante,
mas vale a pena
plantar
a semente
no solo
que os pés
consagram,
ao marcar com a pegada
onde antes
havia
somente pó.

Evito,
mas também insisto
em chamar.

Não ouço,
mas prefiro
manter as portas abertas.

Confesso
que acho
que não creio,
mas acalento
algo
frágil,
como o movimento
repetido
perto
da minha
sombra.

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