Oh ventos e chuvas!
Montes e vales e neves.
Pássaros, árvores e curvas!
Cavalos e bruxas e pesados e leves.
Não posso calar!
Tenho de falar!
Tenho que contar.
Tenho que pregar!
Sim vou! Vou! Vou!
Continuarei! Continuarei!
Continuarei! Continuarei!
Não posso! Não posso!
Calar, calar, calar!...
Mas d'ele, sempre, vou falar,
Até, qu'ele tome, posse!...
Luto ainda! Ainda! Sim!
Luto, por aquilo que não consegui.
Mas que um dia terei, enfim!
Pois, não o tive, neste tempo aqui.
Mas luto, contra mim!
Contra, tudo e todos!
Pois, vim cá, para lutar, assim.
Contra, vós e outros…
Ele, me ordenou, pois:
Luta, ainda, ainda, sim,
Ontem, amanhã e hoje!
Eis qu’essa luta, findará
E virás, um dia a mim!
Onde, não há lutas, cá!
Ai que lindo qu’eu sou…
Pois sou! Pois sou! Sou…
É verdade qu’eu estou,
Contra, mim, estou…
O mundo também, pois…
Vós ainda todos. Mais ela.
E ainda a Manuela, hoje.
E ainda aquele e aquela.
Mas oh tu e vós e nós!
Sabei! Pois qu‘eu sendo…
Louco. Sou lindo! E entendo,
Tudo! Sou lindo, lindo!
Porque crê! Nisto que tenho…
Um amor por ti infindo!!!...
"Belos textos«
Caminha placidamente entre o ruído e a pressa. Lembra-te de que a paz pode residir no silêncio. Sem renunciares a ti mesmo, esforça-te por seres amigo de todos. Diz a tua verdade quietamente, claramente. Escuta os outros, ainda que sejam torpes e ignorantes; cada um deles tem também uma vida que contar. Evita os ruidosos e os agressivos, porque eles denigrem o espírito. Se te comparares com os outros, podes converter-te num homem vão e amargurado: sempre haverá perto de ti alguém melhor ou pior do que tu. Alegra-te tanto com as tuas realizações como com os teus projectos. Ama o teu trabalho, mesmo que ele seja humilde; pois é o tesouro da tua vida. Sê prudente nos teus negócios, porque no mundo abundam pessoas sem escrúpulos. Mas que esta convicção não te impeça de reconhecer a virtude; há muitas pessoas que lutam por ideais formosos e, em toda a parte, a vida está cheia de heroísmo. Sê tu mesmo. Sobretudo, não pretendas dissimular as tuas inclinações. Não sejas cínico no amor, porque quando aparecem a aridez e o desencanto no rosto, isso converte-se em algo tão perene como a erva. Aceita com serenidade o cortejo dos anos, e renuncia sem reservas aos dons da juventude. Fortalece o teu espírito, para que não te destruam desgraças inesperadas. Mas não inventes falsos infortúnios. Muitas vezes o medo é resultado da fadiga e da solidão. Sem esqueceres uma justa disciplina, sê benigno para ti mesmo. Não és mais do que uma criatura no universo, mas não és menos que as árvores ou as estrelas: tens direito a estar aqui. Vive em paz com Deus, seja como for que O imagines; entre os teus trabalhos e aspirações, mantém-te em paz com a tua alma, apesar da ruidosa confusão da vida. Apesar das tuas falsidades, das tuas lutas penosas e dos sonhos arruinados, a Terra continua a ser bela. Sê cuidadoso. Luta por seres feliz.
(Inscrição datada do ano de 1692. Foi encontrada numa sepultura, na velha igreja de S. Paulo de Baltimore - hoje já não se pensa que seja esta a origem, mas assim é mais bonito...) "
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Ele me disse:
vai ao mundo e suja-te!
Com o lodo e lixo lava-te!
Sim. Faz isso!
Porque eu o mandei!
Eu sei, o porquê!
Eu contigo sempre estarei!
Vai porque teu és santo.
Em ti há paz...
Em ti, há um novo canto!
Vai , porque eu venho.
Tu fostes capaz!
Eis, que não, da verdade, de Deus, me detenho!
Oh China, eu estou contigo!
Lembro-me de teus filhos, que morreram.
Digo eu, Helder Duarte, teu amigo.
Morreram e sofreram.
Mas oh China, lembra-te também d'eles.
E de ti também...
E dos que matastes, por serem do bem!
Volta-te, China! Para o Senhor, destes!
China, Japão e vós outras, nações!
Temei ao Deus, do céu!
Em vossas acções!...
Lembra-te de Noé,
Vosso pai...
E de outros, como Jafé!...
SABEI
Sabe tu terra e universo!
Que estando, como estou.
Num abismo, tão perverso!
Nesta vida e morte que sou!
E tu Pai e Deus meu!
Sim criador e vós criatura!
Aqui fala a vida que, Deus nos deu.
E que é mais alta, que minha amargura!
Estou mal, mal, mal!
Nem morto, nem vivo!
Nem nada em mim sou afinal
Mas sabei ainda: Vós Pai, Filho
E Espírito Santo, divo!
Em vós creio! E convosco, vida eterna, partilho!
DANÇARINA
Dança já dançarina!
Sim, tu menina, menina!
Que não fostes mulher!
Nisso, que me deste a perder!
Tira essa viuvez, já!
Antes ainda, que o sejas!
Veste roupa nova e vai lá!
Ao, que desejas! Vai.
Não sejas viúva! Pois!
Nem agora, nem nunca!
Nessa tua dança, sem dois!
Caminha, p’elos verdes trigais!
Dançarina, dança! Contigo comunga.
Já que para mim, nunca fostes aos belos ais!
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