Diga-me o que fazer...
a quem clamar...
se aqueles que deveriam nos proteger
fazem, pelo ofício, nos extorquir
E, pelo despreparo, nos matar.
Diga-me o que fazer...
a quem clamar...
se aqueles que deveriam mandar prender
parecem não querer punir
e mandam soltar.
Diga-me o que fazer...
a quem clamar...
se aqueles que nos representam como cidadãos
nos reconhecem apenas como uma sequência de números
com zona e seção.
... E assim vicejam os nossos poderes
num pleno Estado de putrefação.
(Vlad Silva)
Vejo-te como uma barca,
À deriva em um revolto mar,
Posto que meu coração
É a linha do horizonte,
Por mais que tu navegues para alcançar,
Ela sempre te parecerá distante.
Vlad Silva
Dentre muitas,
Foste tu a escolhida
Para dar sopro de vida
A estes pedacinhos meus
Ama meus amores,
Sente as minhas dores...
Vejo as mesmas cores
Que os olhos teus
És a mais perfeita imperfeição
Tua alma e o coração
São pinturas surreais
Sou uma andorinha em tua mão
Para que eu não voe no verão,
Basta que não me apertes demais.
(Vlad Silva)
Uma garrafa de vinho gelado,
Caminho traçado sem mão pra voltar.
Eu só queria deixar o pecado na porta do quarto
E ao seu lado deitar.
Já não me sinto solteiro ou casado,
Eu só sinto ao seu lado um prazer singular.
Não admito meu estado civil fazer de um grande amor
Um sentimento vil.
VLAD SILVA
Bahia, terra concebida por todos os santos,
De rara beleza, de vários encantos.
Bahia da força, da raça e da fé.
Bahia, do elevador e das escadaria,
Berço de poetas e da poesia.
Ba-Vi, futebol, carnaval e axé.
Bahia, provei teu tempero, tuas iguarias.
Teu povo festeiro e de calmaria,
Tal como a Lagoa do Abaeté.
Bahia, fiquei encantado com a tua magia,
Tua batucada, tua simpatia.
Adoro teu show e te aplaudo de pé.
Bahia, fui no Pelourinho e joguei capoeira,
Subi cada uma das tuas ladeiras.
Morena de pele, alma e coração.
Bahia, tu és, hoje, a uva e também a videira,
De todas as terras, a mais brasileira.
Tu és nascedouro da minha nação
(Vlad Silva)
Amores eternos
são como noites quentes de inverno,
fenecem com o tempo
como as folhas secas ao vento.
O que fica é a amizade,
a lealdade e a cumplicidade.
A paixão, o tesão e a emoção
Dizem não à eternidade;
Fazem parte de um outro mundo,
São espécies de um gênero:
Sentimentos efêmeros
(Vlad Silva)
Desprovido da sã consciência,
Sem vergonha ou decência,
Faz um anjo de candura
Perder toda a compostura
e proferir palavras vis
de maneiras tão sutis
que pedidos proibidos
ganham tons imperativos
até o corpo florescer
no epicentro do prazer
Vlad Silva
Sei que, se a natureza tivesse lhe concedido
mais alguns milhões de anos,
sob determinada pressão,
hoje, tu serias um belo diamante,
não apenas uma pedra de carvão.
Mas não há motivos para lamúrias
se o destino a quis assim.
Não é menor a serventia do vermelho fraco,
Face ao magenta e ao carmim.
Para aquecer meu corpo neste instante
De nada me serviria ter um belo diamante.
Vlad Silva
Cinco horas da matina,
Inicia-se a rotina,
Clama o despertador:
Acorda, pobre trabalhador!
O café da manhã é parco,
Só o tira do jejum.
Agradece pelo pouco,
Sabe que está no sufoco,
Mas há quem não tenha nenhum.
Despede-se de seu rebento
Com um terno e suave beijo
Promete-lhe um brinquedo
E pergunta o seu desejo.
Ele escolhe, sem pestanejar:
Quer que o pai fique em casa pra brincar.
Mas, esse presente, o pai não pode dar.
Ao pôr os pés fora de casa,
Já começa a preocupação:
Mora em área de risco
E o clima é de tensão.
Faz o sinal da cruz
E uma breve oração,
Pedindo, mais até para os que ficam,
A divina proteção.
O aceno da esposa
Da janela do barraco
Faz dele um homem forte,
Apesar do corpo franzino e fraco.
A primeira das batalhas
É encarar o transporte.
É uma tarefa árdua,
Requer força, destreza e sorte.
Se o patrão imaginasse
Como é penosa a jornada,
Por cada hora de transporte
Pagaria o dobro da trabalhada.
Mas o patrão vem de carro,
Com ar-condicionado,
E diz que não entende:
Como alguém já chega no trabalho cansado?
E assim se inicia
Mais um dia de labuta.
A hora rasteja-se ao passar,
Retardando o fim da luta.
Findo o primeiro turno,
É a hora da refeição.
Ao se benzer ele agradece
Pelo arroz com feijão.
O descanso é breve
E não faz do fardo
Algo mais leve.
Coragem, Camarada!
O segundo turno te aguarda.
Dez para as cinco da tarde,
Ele é chamado na administração:
Será mais uma bronca?
Ou a escala para o próximo serão?
Quiçá até um aumento ou promoção?
Ouviram-se rumores e boatos:
“Mudanças ocorrerão!”
Chega em casa cabisbaixo
E coloca sobre a mesa,
Onde deveria pôr o pão,
Uma folha de papel,
Que é a missiva mais cruel,
Sua CARTA DE DEMISSÃO.
(Vlad Silva)
Eu sou um rio...
e te afogo com meus beijos,
te molho com meus desejos,
mas seco se você não cuidar
Eu sou um rio...
mas não tolero represa,
sou livre na natureza,
basta você se banhar
Eu sou um rio...
e, se passares por mim,
saiba bem aproveitar
Eu sou um rio...
as minhas águas não passam
duas vezes no mesmo lugar.
Vlad Silva
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