Eu sei que não há nada que possa fazer
Agora para te fazer ficar,
Mas onde está o teu coração face ao meu sofrimento?
Como pode uma pessoa amar e ser indiferente à sua dor?
Enquanto lutas pelos teus sonhos,
Eu luto por evitar que eles destruam os nossos,
Enquanto, com tanto egoísmo, gritas
Deixa-me em paz!
Eu grito Anda cá e ama-me, preciso de ti!
Esses fantasmas que te cegam
Não te deixam ver, para além de um peito dorido,
Um coração partido
Que chora a tua frieza, com saudades do teu calor.
Não duvido, nem por um segundo,
Que o teu amor por mim exista
Mas essa doença corrói todo o bem da tua alma
E só deixa existir uma dura carapaça.
Mas, qualquer dia, as minhas mãos cansar-se-ão,
As minhas lágrimas secarão
E o meu coração curar-se-á dessa maldade...
Caminho por estas ruas sozinha
E piso as folhas verdes que, por descuido, caíram,
Sabendo, agora, que alguém me espera do outro lado do muro.
Recordo naquela cor o frio que já passou
Fortalecendo cada árvore para a retoma do ciclo.
Começo a sentir o calor da estação
Que me aquece o coração
E sei que, mesmo no frio, alguém segurará um cobertor para me confortar.
Tudo muda, menos tu.
Continuas o mesmo, só os meus olhos mudaram
E agora conseguem ver a tua alma para além da tua pele.
E a Primavera está sempre presente no meu coração.
Ofereço-te um nascer do sol todo o dia,
Um florescer, duas crianças no parque,
Um cachorrinho a correr e melros a cantar,
Em troca dessa Primavera que tu me deste.
Agora, mesmo caminhando sozinha,
Piso folhas verdes que, por descuido, caíram
E sei que, para dar, temos também de receber
Para que não fiquemos vazios.
E do outro lado do muro, encontro a Primavera,
Qual caixa de embrulho com um lacinho...
Obrigada pelo presente!
Os nossos caminhos separaram-se
E compreendo que a partir do momento
Em que desistimos de conquistar,
A luta terminou!
Percebi-o mais cedo do que queria!
Agora sei que já perdemos o brilho
Que ofuscava os olhares da vulgaridade.
Deixaste de ser especial!
Vi-a passar por mim
- Alada, pesada. -
E a escuridão do seu toque
Ofuscava a luz que eu procurava.
Ó alma minha,
A tua tristeza desfaz-me em pedaços
De um medo corajoso.
Como consigo manter um triste sorriso
Se a tua frieza me gela o sangue?
Tento mentir à minha alma mas...
- À alma não se mente!
A alma, cativa-se.
E antes que o relógio bata
As doze horas,
E antes que o calendário mude,
Vou redefinir paixão
E alinhar a minha alma
Com o meu coração.
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