Somente ela pode nos relatar toda verdade que houve entre nós dois.
Ela é a única que pode descrever minhas loucuras, ao vê-la naquele momento, em total êxtase, apaixonada, invocando meu nome, para que eu, como se fosse uma criança me despojasse em seus braços.
Ninguém, mais do que a própria, poderá desenhar todas as suas curvas, seus gestos, sua Dança da Sedução, seguidos de suspiros e gemidos que me excitavam a cada instante.
Ela é a única testemunha da noite do nosso amor, somente ela viu quando você me olhou com esses olhos ardentes de paixão, e exalou todo o seu cheiro, aquele mesmo cheiro que uma fêmea apaixonada e disposta a se entregar ao seu macho, exala por todo o ambiente.
E os nossos beijos? Pareciam que estávamos sugando néctar, um da boca do outro, de tão doces que eram. “Beija-me, beija-me...” pedíamos um ao outro, deixando de lado todo o pudor, a vergonha e a latêntica e esquecida timidez que houve entre nós no primeiro “oi” que trocamos.
Com certeza, ela não esquecerá jamais dessa noite em que nós dois fomos protagonistas,
e ela, uma bela, linda e importante telespectadora, da qual, lhe devemos muito.
Ficaremos velhos, poderemos nos separar, porém nosso momento de amor, talvez o mais sublime de todos, ficará registrada por toda a eternidade naquela árvore, que foi a maior testemunha do amor vivido por dois corações flamejantes de amor.
Nada ouço. Melhor, apenas me vem uma melodia, o silêncio entoa. Silêncio esses que me ensina a ouvir a mim mesmo, a distinguir os tons do certo e do errado.
Não há 7 notas musicas, e sim uma infinidade de notas, na qual aprendo a compor a minha própria sinfonia.
E os instrumentos? Minhas mãos, minha imaginação, e acima de tudo, o tema: VOCÊ
Ela não anda, nem tão pouco desfila. Ela levita, transcende. Seus olhos, ou melhor, imãs, atraem olhos, olhares dos que passam próximos dela. Impossível não parar, olhar, contemplar e sonhar com um olhar carinho lhe sendo dirigido.
Simples, ingênua, cândida, sem malícia. Leva consigo a expressão da felicidade, a equação do amor e o segredo da paz . Seus pensamentos são como os desenhos que se figuram nas nuvens, quando uma criança está olhando o céu, e criando seu próprio mundo, “o doce mundo, feito com Algodão Doce”.
E eu? Apenas admiro, venero, faltando somente me genuflexa diante dela. Sei que não é prudente fazer tal gesto, e que ela, ao me vê fazendo tal ato, iria se ajoelhar ao meu lado, demonstrando respeito e amor por mim, e pelo que fiz. Porém, por ela não há limites, nem barreiras para que eu possa expressar o meu puro sentimento, minha total felicidade ao vê-la, através de tal gesto.
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