Cabeca em revolta nos sentidos
Um caos sem cais
Monumento depedrado, grafitado
Um museu sem artes
Sol sem mar, sem verao
Um plano sem o verde, sem a grama
A selva em fogo, sem agua para apagar o calor
Um vendaval, uma nuvem carregada
As ondas em relevo, turvas
Casa na beira do corrego, sem esgosto, ceu aberto
Uma igreja no final da rua estreira, o sino mudo
Comecar, acertar o alvo sem tiro
Um homem sem mulher ao lado
Outro ponto de encontro em atraso
Sabao, sabonete no chao seco
A poeira no movel do quarto, da sala
A parede fria
Aparentemente sem ter
Sentir a leveza das tuas maos em meus bracos
Suavisando minha imaginacao
Criando uma expectativa de sentido bom a realizar
Teus olhos, um brilho em sol
Teus cabelos plenos em perfume leve
Uma docura nas palavras sussurando as boas palavras
Um olhar no vazio
Um som de silencio brando em lencol limpo
Suas pernas, minha boca
Um colar sem cola
Uma sensacao de bem estar em transe
Calados em seus mundos todos os sentimentos
Um sim mudo
Uma brisa de leve frescor
E o gosto do amor
Tudo de acordo
Expor ao cantar
No palco e na dor
No ato do amor
Nem tudo são flores
No palco e na dor
No ato de amar
E de se dar e querer se dar em voz ao cantar
No despir a timidez e a vergonha brotar
No palco e no amar
Entregar o segredo de querer e esgotar
Esgotar o medo de nao ter medo, mas querer conquistar
A doçura do amar e se dar em canção
Dedicar ao querer e assim
Sem forçar entregar o cantar em voz de luar
Sem se arrepender em pecar
No palco e se dar ao cantar no gostar de cantar
No entregar o olhar para outro olhar
Sob a luz a guiar o vagar da canção
E sentir o calor de um prazer
Sem ter o prazer de se dar com prazer de se dar
Sob a dor de reter
De servir sem prazer com prazer de cantar
De estar a compor e expor
Por amar e gostar de compor com prazer de cantar
Cá entre nois
O bicho ta pegano
O frio ta rachano
E o dinhero incurtano
Cá entre nois
O mar não ta mais animano
O céu não ta nuviano
Seu bejo já ta amargano
Cá entre nois
A fruta ta amarelano
Meu time ta afundano
A gente só vive chorano
Cá entre nois
O sol ta rachano
Os Passarim cantano
E eu ti amano
Cá entre nois
A vida ta passano
Minha saliva secano
E eu só escrevo enrano, me discurpa
O radio toca uma musica, num domingo de Janeiro de 2007. Uma musica de 1968, transporta uma linguagem de anos atrás. E antes de estar aqui, estive também em 1968. E esperava num dia de Janeiro, uma resposta para sair e encontrar com amigos comuns. Ouvia radio nesse dia, e no radio, tocava uma musica dos anos sessenta. Percebi, que tanto hoje e antes, não mudou muita coisa. Algumas vezes me deparei em circunstancias semelhantes, verificando algumas fotos de família e onde foram documentados outros tempos, lugares, paisagens.
Após varrer o quintal da casa, veio uma idéia, que me deram através dessa forma, digo num desses sentidos que temos de pensar e imaginar. Achei uma chave imaginativa, de tamanho médio, clara, prata, com voltas e contornos de modelo de chaves antigas. Uma chave que abriu uma porta,sustentado por colunas de mármore claro e limpo.
Uma chave imaginaria, uma porta imaginaria. Ai, uma imagem infinita, sem estrada definindo o caminho ou a dire;ao do pensamento.
Acho, que o inicio de tudo, a primeira pedra, o primeiro verde, o primeiro orvalho. Uma letra A mesmo sabendo que existia, tinha a convic;ao, que era a primeira letra A.
Um Sol primeiro, um Vale, uma nascente. Tudo bem limpo, bem calmo,bem inicio,um primeiro.
Fui seguindo, dentro de um plano pensante, sozinho, um só, andando a esmo. Nada de vida, nada de seres, somente a natureza viva de um plano. A minha natureza, organizada, como foi criada, como foi percebida após a imagem ao descobrir, do encontrar a chave de prata.
A chave de partida, da igni;ao, da primeira partida, do tranco, do primeiro passo de pensar e criar.
Ai, se colocar dentro de um plano sintonizado, sem mudan;as de caráter ou atitudes. Coisas, como, dar e receber, acreditar nas questões simples.
Outra musica, outro domingo, umas falas, uma outra passagem de tempo. Sem estradas, sem caminhos determinados, sem cidades, ruas, prédios, lojas, hospitais, restaurantes, consultórios médicos, bares. Transpus uma fronteira, onde um aqui se distancia do agora, aquele mesmo, onde encontrar pode ser um achado determinante, consistente, seguro.
Achei o inicio, onde nada ainda poluiu, nada ainda esta sem nome, o embrião, a semente nova, de cor verde claro, e pele macia ,a origem do pensar.
As matérias, tudo do primitivo ainda iniciando. Arvores, para as madeiras, minério, para o ferro e o a;º As pedreiras, para os mármores e granitos, o cimento para os blocos, tijolos. A areia, para as ligas das massas, do reboco. O barro, para as telhas, também o amianto. São as primeiras letras para transforma;ao global, a transforma;ao do universo, da natureza. Então vem se transformando outras matérias em vidro, plástico, cobre, zinco, pólvora, ácidos,produtos químicos, produtos de limpeza, de higiene, eletrônicos.
Outra musica, outro domingo, outro momento.
Uns passos, mais outros
Passou a calcada, outra rua
Desprendeu-se do limite
Do domínio familiar
Achou um caminho maior, mais longo
Bancas de jornal e revistas, um ponto de táxi
Umas sombras e arvores
Uma praça com jardins bem cuidados
Um chafariz com água fria
Um calor no tempo, nesse dia
Mais espaço, outra rua, um cachorro late
Sai correndo a criança, confusa, perdida
Um choro, uma freada
A morte sem aviso, veio da distancia
Depois do portão
Acreditava que o seu querer
Havia espaço para a solidão
Porque na vida o que faz viver
É escutar a voz do coração
Uma pergunta pode ser conquista
Um sim, um não, não vai me magoar
Não quero ser a capa de revista
Para chamar sua atenção
Eu quero alguém que esteja de bem
Com o seu conquistar
E queira também estar com alguém
Em algum lugar
Que tenha o sol, a terra e o mar
E queira também
Buscar com alguém
Um lugar ao sol
E vá mais além,do que lhe convém
No querer do amar
Arvore
Sou uma arvore
Nem alta nem baixa, mas vejo bem longe
Alguns campos verdes, outros morros e serras cinzas
Aos meus pés, incomodam uma grama amarelada e seca
Como estou agora, seca e com sede
Minha pele, digo minha casca está ressecada
Não uso cremes e hidratantes como os humanos
Meus braços, digo minhas galhas estão encolhendo
Os meus cabelos, digo minhas folhas andam caindo
Tenho sentido falta de ar, não estou respirando bem
Tenho notado a falta das estações
Aquele calor agradável dentro do seu tempo, o frio que a noite nos faz dormir bem
Sinto falta do sol claro e brando, uma névoa amarelada não me deixa ver mais o sol
A agua que tem vindo das chuvas estão pesadas, estão densas
Não estão mais suaves e leves, transparentes e saudáveis
Sei lá, acho, que deva estar acontecendo alguma anormalidade com o planeta
Mas deixa pra lá, são coisas da minha cabeça, digo das minhas raízes
Vou esperar, talvez um pássaro pouse em mim
E me diga o que está acontecendo...
Num Piscar de Olhos
Catou um monte de ideias
Saiu pelas ruas, viu arvores, esquinas e comercio
Muita gente em vestes
O calçamento, cores nos carros, nas casas, em tudo
Cheiro de café, de flores
Um grito, uma musica e o canto dos pássaros
Ruido de motores, uma velha varrendo a calçada, folhas secas caidas
Uma praça, uma torneira aberta
Um céu azul e nuvens brancas
Um varal com roupas ao vento
Um Sol, nem quente, nem morno
A alma e as batidas do coração
Uma oração na mente
Um sonho, uma vida em frente
Uma brisa leve
Um dia, um tempo nesse momento, na memória, na historia
Num piscar de olhos atentos
E as mãos em poesia
Quebra e Cola
De sobra, só tem uns papeis que embolei
E os truques do meu coração não revelados
E as lembranças, de que um dia fui Rei nem passara perto
E não inventei, só recomecei e voltei ao inicio
Naqueles caminhos que um dia passei, e novamente passei
E se o mundo deu voltas, parei
Não encontrei, mas agora sei, e sei
Quem domina é o destino, e isso é lei
Se foram as aventuras que me entreguei
E não terminei de sofrer e de chorar pelas ruas
Já se vai o pensar de que um dia errei
E já paguei por todos os desacertos
Aqueles amores, aquelas torturas no meu andar por ai
E se ficaram algumas ranhuras, todas já colei
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