A verdadeira arte é nossa própria vida
esculpida e poetizada no dia a dia,
sentida e vivida no decorrer das horas
onde a sincera construção do artista
torna perfeita a execução da obra
esculpindo a sua própria alma
que vibra solta ao sopro do vento
sem armaduras, amarras ou disfarces,
sem notar a velocidade do tempo
nem se preocupar com suas marcas
que vêm aprimorar o seu talento...
E quando o vento sopra mais forte
ameaçando tamanha arte esculturada,
da própria vida recolhe as ruínas
a alma do artista estruturada,
reconstruindo a parte demolida,
dando mais vida à vida restaurada.
_Carmen Lúcia_
Hoje lembrei-me de você...
Sua lembrança me veio de súbito.
Nem sei porque
invadiu-me um certo júbilo,
o mesmo que sentia anos atrás
quando ainda era tempo de amar.
Há tempos me ausentei de mim
sufocada pela vida que me fora imposta
ou que eu mesma escolhi,
desperdiçando os melhores momentos,
aqueles que a gente mais gosta,
que passamos e que passaram por nós...
Que se enroscaram nos nós
e se perderam, após,
nessa vida louca que dá e cobra,
libera e acorrenta,
atiça e não sustenta.
Hoje lembrei-me de você
e consequentemente de mim também...
Fechei-me e não me abri a ninguém,
dei-me ao luxo dos devaneios,
passeei nas emoções...
Voltei ao passado
onde o deixei parado
sem nada entender....
Que fiz a escolha errada,
que eu queria muito mais
do que simplesmente ser amada,
que só o seu amor não seria capaz
de me satisfazer e me fazer feliz...
Hoje caminho apressadamente
sem nada buscar... Inutilmente.
Tento apagar de minha mente
e de meu coração vazio
a vida que com você seria,
que não vivi ... que eu perdi...
Carmen Lúcia
Amasso teu retrato de encontro ao peito
pra te sentir de novo, inda que seja assim...
Clamo por teu nome, te imagino aqui,
só por um instante trago-te a mim.
Beijo teu sorriso, colo-o em meus lábios,
lágrima e saliva deixam-no molhado...
Afago teus cabelos como fazia outrora,
aperto teu retrato pra que não vás embora.
Nesse momento intenso de grande ilusão
tento voltar o tempo, vibrar as sensações,
as muitas que vivi e não foram mostradas
porque as emoções não são retratadas.
Carmen Lúcia
Eu te fiz dia para clarear,
te fiz poesia pra te divagar,
te fiz ponte pra te ver descobrir
onde o Sol se esconde, onde vai dormir...
Te dei novo horizonte para teu sonhar,
te fiz caminho, arranquei espinhos pra teu transitar...
Acendi estrelas, prateei o luar sobre brumas do oceano,
pra teu navegar...
Só não percebi que ao te fazer assim, abri janelas...
e os cheiros das flores, e os demais olores, e o que te dei
fizeram do mundo, muito mais profundo, mais interessante...
Me viste diferente, um simples imprudente e não mais teu rei.
Pegaste todos meus presentes e tudo que por mim sentes e puseste num baú,
te disseste independente, te tornaste sempre ausente , me fizeste sofrer...
Fugiste para o horizonte, atravessaste a ponte, cheia de poesias,
te perdeste no oceano, ignoraste meu “Eu Te amo”, nada me quiseste fazer.
Carmen Lúcia/Wanderson Lana
No corpo, a marca da roupa da moda
e os tênis de marca realçando os pés,
cabelos marcados de nós desatados
dos laços de fitas, em tons dégradé.
Nos lábios, as marcas vermelhas
do batom preferido
revelam um beijo que muito marcou.
Na pele a marca do sol de verão,
bronzeado de praia a marcar a estação.
No peito, coração a pulsar disparado...
marcando o compasso do primeiro amor.
No rosto, as marcas do tempo,
veloz redemoinho marcando o chão...
Cabelos marcados por lenço amarrado
guardando o grisalho e as marcas da dor.
No peito, pegadas marcadas
são rastros de amor que por ele passou...
Os olhos sem vida, sem cor, desbotados,
demarcam as cinzas de grande paixão.
Os passos se arrastam, pesados, cansados...
alastram as marcas que o tempo deixou.
Carmen Lúcia
Carmen Lúcia Carvalho de Souza
15/08/2007
Qual de nós dois deixou primeiro de sonhar
sem sequer imaginar o que poderia causar...
Qual de nós dois se desvencilhou de todo encanto
pintando em cada olhar a dor do pranto...
Qual de nós dois deu o primeiro passo em falso
e se perdeu pelos caminhos bifurcados...
Qual de nós dois matou em si a alegria
mostrando a falsidade num sorriso de ironia.
Qual de nós dois foi se afastando sutilmente
sem apagar os rastros fincados indelevelmente...
Qual de nós dois abriu a porta errada
deixando entrar a amargura cerrada...
E hoje é ela quem comanda
a vida destinada a nós dois
que aos poucos foi ficando pra depois
restando agora apenas a saudade.
Qual de nós dois deixou que se perdesse tanto amor
ao nos atirarmos um ao outro, na ânsia de nos entregar...
E agora tudo passou, não há como voltar,
a chance de se amar já se acabou...
É tarde pra recomeçar...
Carmen Lúcia
Foi lindo enquanto durou...
mas na verdade, ainda permanece...
Apenas você,involuntariamente, se afastou,
sem querer, sem entender, sem me esquecer.
Não há como apagar um amor assim,
retirar com as raízes o que se aprofundou,
caminhou pelas artérias e o coração bombou
Jorrando pelo corpo inteiro sêmen desse amor
Intenso, eterno, verdadeiro...Contaminou.
Não há como sufocar lembranças assim
que de tão vivas passeiam em mim...
Riem, bailam, falam de você...
Relembram a todo instante que não existe fim...
O que nos une exala-se nos ares,
renova os pulmões, preenche os corações ,
entoa as canções que santificam os altares,
vibra e agita os sentidos
que nos fazem perceber
que o que nos encanta vai além da vida
e que a morte é apenas uma fase a percorrer.
Carmen Lúcia
Ama-me,
simplesmente...
Sem gestos arrojados
de alcançar galáxias,
andar na Via Láctea
ou de roubar estrelas
pra me impressionar...
Ama-me,
simplesmente...
Sem gestos tresloucados
de desbravar o mar,
galgar ondas bravias
em meio a tempestades,
tempos de maré alta
só pra me agradar...
Ama-me,
simplesmente...
Sem gestos arriscados
de transcender limites,
de transpassar fronteiras
voando um voo alado
pra conquistar o mundo
só pra me entregar...
para me emocionar...
Ama-me,
simplesmente...
Sem gestos empolgados
de recolher dos dias
os versos inspirados,
trazer-me poesias,
mostrar-te apaixonado
pra ter-me ao teu lado...
Ama-me...
Com gesto enamorado...
Docemente...
Eternamente...
Simplesmente.
Carmen Lúcia
Carmen Lúcia Carvalho de Souza
15/11/2007
Tantas coisas bonitas nos rondam,
belezas que nos confrontam,
passeiam sob nossos olhos
que se fecham distraídos
aos verdadeiros valores da vida
olhando mais além,
querendo sempre mais,
desprezando o aquém,
verdades que à alma convêm...
Coisas simples, sem etiquetas,
sem preços ou marcas de grife,
que marcam todo o tempo
em que durem as lembranças
da grande emoção vivida,
da paixão intensamente sentida,
do sorriso escancarado,
do simples gesto de agrado.
Um beijo, um abraço, um afago,
uma palavra de alento,
rimas sopradas ao vento,
colhidas, plantadas em versos
gravadas na alma do artista...
As cores da primavera
indecifrável e imprevista riqueza
que não tem etiqueta nem preço,
presente da natureza...
A canção da brisa que passa e inebria,
a espontaneidade sincera de uma criança
que corre a sorrir trazendo alegria,
a felicidade batendo à porta,
o sol entrando pela sua fresta
realçando a vida em grande festa,
luxo que não tem preço ou marca
e que o tempo jamais apaga,
que nos é dado gratuitamente
sem nunca perder a validade.
_Carmen Lúcia_
(inspirada no texto de pe Fábio de Melo:Outonos e Primaveras...)
Final de inverno...
Lacradas estão as folhas
que esverdearam sonhos,
derrubadas pelo vento,
sepultadas pelo rigor do frio
no silêncio das sombras
na escuridão do chão...
Embaladas pelo outono
que tristonho se foi
e ansioso espera
ver renascer a primavera
que adormecida sob o solo
nos priva da visão
de sua germinação...
Fase que não vemos
mas que nela cremos..
É o ciclo de vida e morte...
Vida que não se finda,
morte que não se acaba...
Processo que se encaminha sem pressa,
movimento que vai se cumprindo em partes,
o cair das folhas, fecundidade,
cumplicidade do tempo,
cantos das cigarras, assovios dos ventos,
o ressurgir da aquarela , o florido sobre a terra,
o renascer da primavera...
Cumprida a missão, o outono agora espera
o retorno de outra primavera...
a sua ressurreição.
Assim como a vida...
a próxima estação.
Carmen Lúcia
Comentários recentes
6 minutos 40 segundos atrás
14 horas 9 minutos atrás
14 horas 14 minutos atrás
16 horas 14 minutos atrás
16 horas 24 minutos atrás
17 horas 38 minutos atrás
20 horas 38 minutos atrás
21 horas 17 minutos atrás
21 horas 33 minutos atrás
21 horas 58 minutos atrás