Essa dor que machuca,
tira meu sono
me deixa em abandono
que me rouba a alegria
e realiza esta dolorida sangria
em meu coração...
Que não me deixa
realizar a libertação
desta tensão reprimida
em meu coração...
Pedaços de mim,
fragmentos de emoção
sepultados pra sempre
no meu coração.
Catarse que não realizo
porque a paz que preciso
nem ainda é embrião
que possa por fim
a esta terrível aflição!
Carmen Vervloet
.
Se eu for falar de saudade
Vou ter que voltar no tempo
Vou ter que retroceder na idade
E buscar guardado um ilhado sentimento.
Momento sublime que ficou pra trás
Escondido em segredo na terra do coração
E porque não fui nem audaz ou capaz
Perdi-o, num vacilo, em tumultuada estação.
Agora o busco com um nó na garganta
Chorando o meu amargo desgosto
Não soube cultivar emoção tão santa
E só em saudade vejo seu rosto.
O tempo chora o desespero da perda
Gestos impensados de um coração imaturo
Que partiu por um desvio à esquerda
Em vez de transpor apenas um muro.
Já não há mais tempo pra lamento
A dor libera o açoite encharcado em agonia
Nas lembranças faço o meu acampamento
Busco num veleiro à deriva a perdida alegria!
Carmen Vervloet
A cada dia nasce um sol no firmamento
E o meu caderno continua incompleto
E eu vagando entre as nuvens e o vento
Desenho vida nas letras do alfabeto.
Junto pedaços perdidos em algum momento
Colho lembranças esquecidas em algum lugar
A minha vida... são ondas em movimento
Que vem e vão na praia do meu mar.
São ondas fortes que arrebentam em sentimento
Que tinge em versos a voz do coração
Viola triste que chora o sofrimento
Guitarra alegre que entoa a emoção
E assim com tanto ainda por fazer
Eu peço a Deus sua divina proteção
Vejo meus dias em lírios florescer
Nesta jornada que é um palco em confusão
Ainda há muito que florir neste jardim
São tantos sonhos desenhados em poesia
É a primavera que sorri dentro de mim
É rosa rubra regada com ousadia.
Carmen Vervloet
Molhada em lágrimas subiu o morro
Olhou pro céu, contou as estrelas
Não se atreveu a pedir socorro
Escondeu as mazelas, tentou esquecê-las
Guardou sua fome em segredo
Descansou sob um florido arvoredo
Estonteada qual louco bêbado
Vomitou na terra a bílis do medo...
Saiu em busca de alimento para a cria
Estendeu a mão implorando esmola
Seu corpo fraco por migalhas vendia...
Sofria tal qual tangida viola...
Salvar os filhos seu desejo ardente
Colheu migalhas na tosca sacola
E alimentou a cria pálida e doente
Maltrapilha, faminta e sem escola...
Entregou pra Deus a sua sina
E tombou ao som de triste toada
Deixando a cria desamparada.
Seu nome apenas Maria de tal
Sem CPF e desempregada
Negou-lhe a vida o fundamental...
Carmen Vervloet
Fada de olhar profundo
que com um sorriso
conquista o mundo...
Ressurge em magia
de abismos tão fundos
e com encanto transforma
a vida num segundo!
Anjo enviado pelo Criador
que com o dom do carinho
abranda a dor!
Aconchega com doce amor...
Inebria com seu cheiro de flor.
Oferece o colo,
abre os braços,
estende a mão...
Aquece num caloroso abraço,
sinônimo de eterna proteção!
Anjo do céu
que envolve com seu véu
os filhos da terra!
Lírio da serra
que apazigua todas as guerras.
Simplesmente MULHER,
de mil faces e entrelaces
flor do alvorecer!
Carmen Vervloet
Eu sou Dalva, das estrelas a mais brilhante
Em luz pus-me fascinante, despontando pra lhe encantar...
Enamorei-me de você, meu poeta, entre versos e luar...
Colhi o amor no jardim do seu olhar.
No canteiro da sua poesia floresci rainha rosa
Regada por sonhos, inspiração e prosa
Aquecida na estufa do seu ardente versejar...
Bebi suas lágrimas que caiam em orvalho
Nas pétalas da minha flor...
Hum! Que delícia de amor!
Amei... amei tanto... que quase enlouqueci!
Entre suas rimas e versos eu me perdi!
Hoje... a sua poesia vaga na noite, no dia...
Como música ressoa nos meus ouvidos
Exaltando esse amor na minha alma aderido.
Colho pétalas de intensa emoção
Que navegam nas veias do coração
Nos seus rubros versos de paixão!
Carmen Vervloet
Quem, os bens materiais, guarda no cofre
E o fecha a sete chaves em segredo,
E em cupidez cultiva mesquinharia no seu alfobre
Esquece o amanhã sem nenhum medo...
Já velho... No seu palácio, solitário e doente
Entre sedas, jóias e moedas de ouro
Terá perdido seu maior tesouro
Um amigo que lhe ofereça um chá quente.
Carmen Vervloet
Lago que dorme tranqüilo...
E não se importa com nada a sua volta
O ócio o eterno companheiro e asilo
Um peixe que lhe chega á mão...
E o resto não importa.
O trabalho seu maior inimigo
Para ele sempre tem tranca na porta!
Carmen Vervloet
Poço de vaidade sem fim...
Fruto que alimenta o ego prepotente
Corrente que isola o eu no seu próprio camarim
Que envolve em empáfia o ambiente!
Pavão que infla o eu em arrogância sem fim...
E deixa o coração doente...
Carmen Vervloet
Um mar em frustração revolto...
Ciclone que destrói o bem...
Mediocridade seu maior desgosto!
Não para... Vai sempre além...
Tsunami onde se misturam ódio e desejo
Que arruína, mata, devasta...
E se perde em seu adejo
Suicida-se na sua própria bravata!
Carmen Vervloet
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