Solto do peito a dor reprimida
Mágoas escorrem em lágrimas cristalinas
Vou caminhando pelas veredas da vida
No rastro da poeira que pousa umedecida.
Nem sei bem a quem procuro
Nem aonde vou nesta solidão
A ti eu não quero mais, eu juro...
Fechei meus ouvidos pra tua sedutora canção.
No silêncio eu procuro minha cura
Busco em Jesus a minha direção
Sob rochas enterro minha loucura
Debelo a febre ardente desta paixão.
Carmen Vervloet
O sumo do bem só no amor perdura
E não está no quanto dá a criatura
Mas no gesto que não busca recompensa
No que dá secretamente e agradecimento dispensa.
Na voz de Deus se fia o bom coração
E em sossego mantém a sua alma
E dos céus recebe Divina proteção
Se o pouco que dá ao seu irmão acalma.
É em tijolos que se constrói a casa
É em gestos que se constrói a vida
No Espírito Santo eu inspiro minhas asas
E sigo feliz cumprindo a minha lida.
Carmen Vervloet
Tem dias que fico pensando na vida
e logo chego à mesma conclusão
a vida é um mistério tão grande
e nem sempre encontro sua real razão.
Nascemos caminhando rumo à morte
logo, a vida é efêmera bolha de sabão...
Já nem sei o que esperar da sorte,
diante da hipótese de que a vida é só ilusão.
Enamorei-me dela
e urge afinar no seu tom meu coração
mas seu ritmo é fugaz, intrincado e passageiro
perco-me nos acordes da sua indecifrável canção...
Sei lá... creio que a vida é mesmo pura ilusão!
Carmen Vervloet
Uma estrelinha nasce no céu
E mais outra... e mais outra...
E vou dando nome a cada uma.
A uma chamo amizade,
a outra chamo esperança,
a outra amabilidade,
a outra bem aventurança
e todo o céu se acende
em felicidade!...
Carmen Vervloet
Não resumo minha alma a um só breviário...
Não me importa se é agosto ou setembro
Fujo de regras, imposições ou calendário
Livre, vou e volto de janeiro a dezembro.
Renasço em esperança a cada sol
Velo-me num véu de em fumaça quando me convém
Canto num coral de anjos em cada arrebol
Nas asas da liberdade à alegria digo amém.
Se, cortinas de nuvens impedem minha visão
Desvio o rumo, busco outra direção...
Vôo entre massas polares, contra correntes de vento
Ou faço-me pálida estrelinha no firmamento.
Neste céu ingente de liberdade
Que plena de ousadia fui devassar
Encontrei um pote de mel de felicidade
Que adoça minha vida e renova meu ar.
Carmen Vervloet
Alço vôo nas asas da paixão,
perco-me nos céus...
Não faço ninho.
Nas asas do amor
vertebro-me em tronco,
finco raiz,
abro-me flor
e na fidelidade
à vontade Suprema
dou frutos
e lanço sementes...
Carmen Vervloet
Sou violeta da serra
delicada e sedutora
no meu decotado vestido lilás...
Adocei-me em mel,
abri-me em pétalas,
perfumei-me
com a mais pura essência
e sorri para a vida...
Alimentei abelhas e beija flores...
Na delícia do meu néctar,
no perfume de minha flor,
na maciez de minhas pétalas,
fiz-me sua promessa de ventura!
Carmen Vervloet
Queria falar...
Mas eram tantas vozes,
gritos, discursos,
pregões, lamentos
que até meu anjo guardião
fechou os ouvidos...
E na solidão de meus versos,
na minha voz inaudível,
emudeci!...
Carmen Vervloet
O tempo engendra o fim, mas não me assusta.
Caminho paciente, semeando meu jardim
num mundo de demônios e anjos...
Faço das cordas da vida um mágico bandolim,
dedilho as surpresas tirando delas belos arranjos.
Colho rosas sangrando a mão em seus espinhos
sei que sobreviver não significa estar a salvo...
Mas não me entrego, nem definho,
confio em Deus que acende em luz o meu alvo
e veste em esperança meu medo velho e calvo.
Uma estrela pequenina brilha dentro de mim,
às vezes ofuscada por fortes faróis
quase me perco dentro de um mar sem fim,
mas desvio meu veleiro dos perigosos atóis...
Se o leme está em minhas mãos,
sou totalmente responsável pela direção.
Sobrevivo a cada nova tempestade,
vou me fazendo forte na minha fragilidade...
Na tristeza descubro símbolos ocultos,
penso, repenso, mas vivo cada minuto.
Vida é dádiva de Deus e Dele eu sou o fruto!
Nas fúrias de cada tempestade
morre sempre um pouco de mim
mas renasço mais forte, em liberdade
nas cinzas do meu fértil jardim.
Carmen Vervloet
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