o blogue de Edson Milton Ribeiro Paes

Retrato de Edson Milton Ribeiro Paes

"MONÓLOGO DO VELHO MOTOQUEIRO" " DE CARA PRO VENTO"

“MONÓLOGO DO VELHO MOTOQUEIRO”
“DE CARA PRO VENTO”

Cento e cinqüenta no velocímetro...
Tenho pressa...
Minha idade é meu termômetro...
Atropela-me!!!

Quase sessenta na certidão...
Ainda dá tempo...
Vou correr da solidão...
Vou acelerar meus sentimentos!!!

Vou atrás do meu eu...
Vou encontrar comigo...
Vou de encontro ao que é meu...
Não tenho medo do perigo!!!

O vento bate mais forte...
Já é hora de abastecer...
Estou rumando pro meu norte...
Quero meu limite conhecer!!!

Cento e cinqüenta no velocímetro...
Que maravilha...
A velocidade é meu delírio...
Estou de volta na trilha!!!

Vou conhecer o jovem...
Que há muito deixei de ser...
Estou reunindo coragem...
Para a morte entender!!!

Que esta reluzente companheira...
Me leve através do caminho...
Um caminho que me de a certeza...
De encontrar meu destino!!!

Cento e cinqüenta no velocímetro...
Estou chegando...
Já reconheço eu menino...
Estou chorando!!!

Chorando de alegria...
Ou talvez de saudade...
A vida me deu uma anistia...
Para entender o que é idade!!!

Dento e cinqüenta por hora...
É pouco...
Não tenho mais medo do agora...
Estou louco!!!

Estou indo atrás da juventude...
Que teima em escorregar por entre os dedos...
Vou viver na plenitude...
Sou o carrasco dos meus medos!!!

Vou enrolar o cabo...
Vou engolir asfalto...
Vou ver a vida de fato...
Vou viver lá no alto!!!

Cento e cinqüenta no velocímetro...
Já é hora de acelerar mais...
O caminho esta tão lindo...
Desistir, jamais!!!

Retrato de Edson Milton Ribeiro Paes

"QUADRO NO CENTRO DA SALA"

“QUADRO NO CENTRO DA SALA”
A noite já ocupava o seu lugar...
Quando meu sono foi interrompido...
Um mensageiro cruel veio anunciar...
Que uma triste tragédia havia acontecido!!!

Se foi o nosso melhor...
Junto também nosso mais precioso projeto...
O que será menos ruim...
Desistir, ou continuar será o certo!!!

Ela acelerou suas conquistas...
Mas não deu tempo de deixar sua mais rica herança...
Partiu para sempre deixando-nos tristes...
Saudosos e sem esperanças!!!

Carregou em seu ventre nossa alegria...
Deixando-nos órfãos e vazios de amor...
Aqui ninguém mais ri ou sente euforia...
Apenas vivemos com o peso da dor!!!

Ela era a graça em pessoa...
O orgulho de nossos pais...
Fazia a família sorrir a toa...
Coisa que não fizemos nunca mais!!!

Era uma rainha entre todos...
Uma jóia muita rara...
Tal e qual um lírio que nasce no lodo...
Hoje um quadro no centro da sala!!!

Mas sua historia não vai se apagar...
E por certo viverei para isso...
Toda sua memória vou resgatar...
Com certeza esse é o meu compromisso!!!

Mana, hoje entendo o ocorrido...
Os bons partem muito cedo...
Fizestes tudo no pouco tempo vivido...
E até da morte não teve medo!!!

Homenagem a minha irmã Elisabeth Ribeiro Paes.

10/01/49 -26/12/71

Retrato de Edson Milton Ribeiro Paes

"COM MAIS DE CINQUENTA"

“COM MAIS DE CINQUENTA”

Diria eu que estou muito bem assim...
Que meu coração bate no ritmo de minha mente...
A euforia já não tem mais lugar em mim...
Com pouca festa fico contente!!!

Diria também que a vida passa mais devagar...
Que tudo me parece muito conhecido...
A insegurança deixou de me incomodar...
Tudo que vivo, é por mim escolhido!!!

Diria ainda que já não preciso mais me esforçar para agradar...
As pessoas que ficaram me admiram como eu sou...
A convicção do que represento me dão o respaldo para acreditar...
Que posso falar o que quiser e também decidir onde vou!!!

Diria talvez que erro muito menos do que antes...
Normalmente o que falo vira lei...
Já não tenho sonhos tão distantes...
E só arrisco a fazer aquilo que sei!!!

Experimento hoje com mais de cinqüenta...
Sensações antes desconhecidas...
Já entrei para o rol daqueles que viram lenda...
Minhas historias já estão repetidas!!!

Como é bom olhar o mundo de cima...
Nem que seja do pedestal da avançada idade...
A sensação que tenho é que a vida nos ensina...
Que quanto mais se vive mais se tem vivacidade!!!

Retrato de Edson Milton Ribeiro Paes

"PRESENTE DE NATAL"

“PRESENTE DE NATAL”

Hoje eu quero um presente...
Um presente muito especial...
Quero o perdão de todos que ofendi...
Como um lindo presente de natal!!!

Quero o carinho de uma lagrima verdadeira...
Quero o olhar de pureza total...
Quero pro resto da vida inteira...
Viver como sempre se fosse natal!!!

Quero o milagre da solidariedade...
Estampado na face das pessoas...
Quero viver com simplicidade...
E que todos vivam uma vida muito boa!!!

Quero a paz entre todos os povos...
Que a vaidade seja moderada...
Quero que os homens renasçam de novo...
E parem de fazer coisas erradas!!!

Quero também como presente...
Que o amor vire epidemia...
E que nunca mais ninguém se ausente...
E que vivamos em plena harmonia!!!

Quero a inocência das crianças...
Permeando a vida de todo ser vivente...
Que seja extinta toda ignorância...
Quero tudo isso como presente!!!

Retrato de Edson Milton Ribeiro Paes

"PARATY"

“PARATY”

Dos casarios centenários...
Das igrejas a beira mar...
Do piso em mosaicos...
Obriga-nos a recordar!!!

Recordar de algo que não vimos...
Mas que gostaríamos de acompanhar...
Historias que nos contam os antigos...
Que começam e terminam além-mar!!!

O ouro que passou por seu porto...
A cultura que insistiu em ficar...
Os homens que tombaram mortos...
Tentando riqueza conquistar!!!

Paraty de muitas lendas...
Muitas dão orgulho de escutar...
As tropas descendo a serra por suas fendas...
Nossa riqueza dando adeus a este lugar!!!

Hoje o mundo te visita...
Através de turistas de muitos lugares...
Trazem de volta tuas divisas...
Tentando tua riqueza restaurar!!!

Paraty terra querida...
Teu lugar jamais será tomado...
Teus herdeiros defendem tuas fronteiras...
Reconquistando todo teu ouro roubado!!!

Retrato de Edson Milton Ribeiro Paes

"SEM RUMO"

“SEM RUMO”

Ando, ando...
Penso, penso...
Escondo-me e repenso...
É por aqui...
É por ali...
Chego ao fim antes do começo!!!

Ando, ando...
Penso, penso...
Descubro um jardim...
Ou é só um gueto!!!

Ando, ando...
Penso, penso...
Alguém tem dó de mim...
Ou sou eu que não me agüento!!!

Ando, ando...
Penso, penso...
A vida é assim...
Todo dia um recomeço!!!

Um dia estou assim, assim...
No outro, estou do avesso!!!

Sem rumo, sem destino...
Sem prumo, sem estima...
Um eterno duvidar...
E ninguém me reafirma...
A vontade de lutar!!!

Retrato de Edson Milton Ribeiro Paes

"RELAÇÕES INTERNAUTAS"

“RELAÇÕES INTERNAUTAS”

Amigos cibernéticos...
Sentimentos virtuais...
Reações instantâneas...
Orgasmos artificiais!!!

Promessas eternas...
Duram até cair à conexão...
Paixões avassaladoras...
Sem ao menos sentir tezão!!!

Mentiras verdadeiras...
Tudo obra de ficção...
Momentos mágicos...
Frutos da imaginação!!!

Amigos de infância...
Que descobrimos agora...
Tudo sem importância...
Tudo sem memória!!!

Vitimas da carência...
Ou do medo talvez...
Adultos sem experiência...
Se decepcionam outra vez!!!

Retrato de Edson Milton Ribeiro Paes

"VERSO"

Verso que no reverso...
Versa o verbo do versejador...
Verbo que na loucura...
Versa a amargura...
Da palavra amor!!!

Verbo que entristece...
Mas que enaltece...
A verbalização do orador!!!

Oratória que de tão simplória...
Suplica palavras para o orador!!!

Grito que de tão esquisito...
Péde a réplica para o locutor!!!

Suplica que de tão baixinha...
A pobre coitadinha...
Engasga na vóz do suplicador!!!

Grunhido que de tão exprimido...
Ganha o mundo com sua dôr!!!

Verso que no reverso
Versa o verbo do Versejador!!!

Retrato de Edson Milton Ribeiro Paes

"PARADOXO UNIVERSAL"

"PARADOXO UNIVERSAL"

Sêr ou não Sêr...
Eis a questão...
Matèria ou essência...
Óh cruél indecisão!!!

Matar ou morrer...
Que béla indefinição!!!

Morremos ao nascer...
Ou nascemos ao morrer...
Quanta confusão!!!

Somos parte de um tôdo...
Ou tôda parte de um nada...
Que injusta comparação!!!

Somos obra de um criador...
Ou vitimas de um predador...
Quantas duvidas!!!

Decidimos nosso destino...
Ou somos conduzidos através dele...
Quantas duvidas!!!

Escolhemos nossa historia...
Ou cumprimos metas inglórias...
Quantas duvidas!!!

Por fim, podemos morrer...
Ou somos obrigados a nascer...
Quantas duvidas!!!

Retrato de Edson Milton Ribeiro Paes

"SEGUNDA E ULTIMA PARTE DO CORDÃO UMBILICAL"

“SEGUNDA E ULTIMA PARTE DO CORDÃO UMBILICAL”

E o ocaso era uma certeza...
O tempo antes tão voraz...
Agora se arrastava com extrema vagareza...
E eu sentia esgarçar as minhas vísceras!!!

O vazio que ora se instalava em meu peito...
Era maior do que a minha existência...
Era maior do que tudo que já havia feito...
E eu ali, sem entender nada perdia toda importância!!!

Encerrava-se o meu grande amor...
Antes tão presente e rico...
Agora o sinônimo da dor..
Final ou começo de um caso tão bonito!!!

Ali inerte sem nada dizer...
Eu sentia romper um elo...
Um elo carnal...
A segunda e ultima parte do cordão umbilical!!!

Mas se estabelecia um acordo...
Um lindo acordo existencial...
De sermos partículas de um mesmo todo...
Um grande pacto universal!!!

Mãezinha em algum lugar nos encontraremos um dia!!!

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