o blogue de lua-verde

Retrato de lua-verde

Conquistei-te ao Tempo

Conquistei-te ao tempo
Meu dia sempre presente.
Procurei reter-te no meu compasso
E o mundo girou ao contrário
Apagar nas estrelas o teu brilho
E as galáxias engalanaram-se de amor por ti.
Fiz do teu ar
Meu crescer
Do teu sonho
Minha ternura de viver.
Para te proteger
Afoguei Adamastores
Construí castelos de Paixão.
Nas minhas lágrimas
Morri de sede por ti
Alimentei-me da tua saudade
Vesti-me de Vento
Soprei-te a minha alma
Enganei o amor
Com pinceladas de amizade
Imaginei no teu cheiro
Oceanos de prazer
Fiz-te um oásis de mil esperanças
Atravessamos desertos
Caminhos sinuosos.
Conquistei-te ao Tempo
Meu Amor
Tornei-te o Meu Pulsar
E continuo aqui…
Neste Sonho meu …
Esperando um sinal Teu…

Retrato de lua-verde

Comboio da Vida

Olho-me neste Comboio da Vida
Embarques de mil cores e fantasias
Bagagens salpicadas de sonhos
Percursos tortuosos
Desembarques sem destino marcado.

E enquanto a minha carruagem segue…
Percorre os trilhos da minha alma…
Fico-me neste sopro de tempo
E escrevo-te um poema…

A ti que da minha carruagem foste
Ainda te vislumbro noutras paragens
Neste comboio da minha vida
Mas sei … já não guardas o meu lugar.

E tu companheiro que viajas nas minhas costas
Anos e anos de paragens conjuntas
Paisagens partilhadas
Tendo apenas por lugar a tua sombra.

A ti meu amigo
Por ouvires o meu silêncio
Por seguires comigo nesta carruagem, sempre
Mesmo quando estás ausente.

A ti criança, adolescente
Comboio do amanhã
Vem transformar cada lágrima em Esperança
Cada vício em liberdade de Crescer.

A ti Homem
Que partilhas este meu Comboio da Vida
Vem..
Deixa de fora a tua bagagem de ódios e ambições
Vamos tornar esta viagem especial…

Olho-me neste Comboio da Vida
Sim, ainda há tempo…
Até o Desembarque chegar…

Retrato de lua-verde

Um Rio feito tempo

Olho o Rio feito tempo
Memórias levadas pelo vento
Pulam, rodopiam
Num melódico movimento.
Penso em ti
Eterno sonho ancorado em mim.
Venho soltar-te do meu sentir
Deixar-te seguir no curso do Rio
Que à minha imagem corre.
Sinto-te no cheiro da Saudade
Nas lágrimas deste rio feito tempo.
Já foi tempo dos nossos tempos...
Vai meu Amor…
Sopro-te um sonho…
O nosso…
Neste Rio feito Tempo
Neste Rio chamado Vida.

Retrato de lua-verde

Neste canto da minha Alma

Neste canto do meu quarto
Passas em mim
Em imagens de mil cores e sentidos.
Lembras-me anos que pulsavam
De ternura e paixão
De juventude e esperança.
Sinto-te no cheiro dessa vida
Quando te pensava meu
Num embalar de sonhos.
Tu eras o feiticeiro
dos meus sentires
Eu a fada
que iluminava teu caminhar.
Leio-te na Lua que espreita
Palavras afogadas
Sentimentos sofridos
Emoções proíbidas.
Nesta tela em que te olho
Não páro de te sonhar
O brilho do teu sorriso
A cor do teu olhar
O silêncio dos teus lábios
A imensidão do teu ser.
Neste canto da minha alma
Olho-te
Sinto-te
Sonho-te
Aprendo a transformar
Amor em Saudade.

Retrato de lua-verde

No sopro do teu Tempo

No sopro do teu Tempo
Sou memória passageira
Sonho desmotivado
Aventura sem sentido.
Sou compasso musical arritmado
A sombra enigmática com que te vestes
A imagem irreflectida de que foges.

No sopro do teu tempo
Quero encontrar-te meu amor
Partir contigo num cavalo alado
Saltar ventos
Correr tempestades
Voar sentidos.
Quero mostrar-te o Universo
Que construí só para nós
Feito de estrelas de saudade
Planetas de ternura
Galáxias de esperança.

No sopro do teu tempo
Amo-te como sempre
E aprendo a doer de frente.

Retrato de lua-verde

Meu Filho

Amanheceste cedo meu filho
Cheiras a botões de rosas
Que teimam desprender-se do meu solo
Que já não sei como regar.

Amanheceste cedo meu filho
Tens uns olhos de menino
Que galopam para longe dos meus
Já não sei se são mel
Se são fel.

Como amanheceste meu menino
Já não sou teu acordar
O equilíbrio de teu caminhar
O aconchego de teu sentir.

Hoje
Meu filho
Amanheceste tão cedo
Vem...
Fica comigo só um pouquinho
Deixa-me acompanhar a tua madrugada
Olhar-te, embalar-te, sentir-te.
Vem...
Aconchega o meu Medo
Aquece a minha manhã de orvalho
Vem, meu filho
Juntos fazer o Sol nascer
Chamar a tua madrugada
E...deixar-te seguir...
Nas asas do teu sonho...

Retrato de lua-verde

Meu Sonho

Nas páginas do meu Sonho
Reinvento letras de tons nossos
Que redopiam de vida e amor
Em mil sons de Ternura.
Nas letras do meu Sonho
És o delicado enigna que me antecede
A certeza com que fujo da incerteza
O caminho tortuoso que me percorre
E eu já não sei...
Se sou flor
Se sou deserto.
Nas asas com que te Sonho
Fecho os olhos e vejo
Um arco-íris de mil perfumes teus.
Como te sinto meu amor
Como me dóis meu amor
E eu já não sei...
Se é desta dor que fujo
Se dói porque te fujo.
Nas memórias do meu Sentir
Continuo tecendo o nosso Sonho
Qual Penélope fiel e persistente.
Aqui
Neste cantinho mágico
Desisto de te não esperar
E teço-te
Só para mim...

Retrato de lua-verde

Em cada momento

Em cada momento que te espero
O meu pensamento faz-se pincel
E tu és a mais linda tela
De mil arco-íris sonhados

De cada momento feito espera
O meu desejo galopa
Para lá de campos, planícies, montanhas
E o sonho do teu cheiro
Alimenta a minha fantasia

O meu desejo galopa
Num melódico movimento
Descubro novos caminhos
Vontades reprimidas

Em cada imagem de ti feita
Anseio renascer
Respirar o dia que nasce
Depois da noite invernosa
Reacreditar em ti
Cada ilusão atraiçoada

Em cada momento que te sonho
Nada mais importa
Quero apenas dar-te a mão
Entrelaçar o meu sentido no teu

Segredar-te na Alma
Não tenhas Medo
Não tenho Medo
Em cada momento...
Que o Amor acontece...

Retrato de lua-verde

Vem Amor

Vem daí amor
Juntos tocarmos
As teclas da nossa paixão
Descobrir a melodia do nosso sonho

Vem amor
Voa comigo
Para lá do brilho do Sol
Perder-nos num universo de ternura

Um universo de desejo
Só Meu e Teu
O teu abraço será meu porto de abrigo
A tua boca minha fonte de vida

Vem daí amor
Revela-me o teu sentido
Deixa-me ser tua fada guardiã
E tu serás meu tesouro ansiado

Vem meu amor
Viajar num mundo de sentidos
Feito de bolas de sabão
Num sopro de magia da nossa paixão

Sim vem
Devagarinho...
Cumprir a urgência
Do nosso querer...

Retrato de lua-verde

Contigo Aprendi...

Contigo aprendi
Que não basta ter asas
É preciso ter coragem para soltar os pés do chão

Aprendi
Que para lá do deserto
Existe o prazer de saciar a sede
De chegar a um oásis de novos sonhos

Contigo aprendi
A caminhar sempre
Tremendo de medo, de frio, de tudo
Porque o importante é chegar
Sorrindo à vida

Aprendi
A acariciar as palavras
A brincar de faz de conta
Sem ter que a nada fazer contas
A sonhar no infinito

Contigo
Aprendi a ter saudades do tempo
A sentir o Sol dizer-me Adeus
Ouvir os pássaros assobiarem à Lua
Por baixo do teu céu

Contigo aprendi
A viver
A ser o que sou hoje
Eternamente criança

Obrigada
Meu PAI

*Poema dedicado ao meu pai, recentemente falecido que ontem, tal como eu, faria anos. Aliás, fez anos pois, enquanto eu for viva, assim será...

Conteúdo sindicado