o blogue de Mendo Gabriel

Retrato de Mendo Gabriel

Infortúnio e Fortaleza

Refém do acaso nunca serei,
Enquanto correr por minhas veias,
O sangue quente que me faz vencer.
Dos distúrbios causados por erros,
Emanam um poder avassalador,
Tempestade impetuosa,
Que brinca de volver a terra,
Crendo que o frágil ser,
Se dissolveu ao pó,
Sua vítima primeira.
E não sabe ela,
Que quando o infortúnio não estanca,
Prova, fortalece e incendeia,
Como ao se combinar,
Relva seca e candeia.

Mendo Gabriel

Retrato de Mendo Gabriel

Prisão e Liberdade

Vivo em constante expectativa,
E a cada chance em potencial,
Sinto que estou prestes a lançar tentáculos,
Ou ser capturado por outros mais.
É como se o rumor de cada possível chance,
Fosse um visgo a espera que eu me lance,
Para passar de livre expectador a cativo,
E o que surpreende,
É que não conheço pássaro em livre arbítrio,
A se deixar emoldurar por grades,
Em busca da felicidade.
Paradoxo ou incompatibilidade de mundos?
Creio já saber a resposta,
Por isso sigo,
Meio claustro, meio vagamundo,
Meio grade, meio vida exposta,
Peixe ora em aquário raso,
Ora em mar profundo . . .

Mendo Gabriel

Retrato de Mendo Gabriel

Ponte de Ternura

Que o nosso começo seja,
Nossa primeira testemunha,
Marco divisor entre os eus e o nós,
Duas margens reunidas, antes sós,
Pela ponte de um desejo,
Por onde transitarão amizade,
Cumplicidade e boa vontade,
E tudo isto ao invés de sobrecarga,
Será ainda mais um unificador,
Dos blocos desta construção,
Numa lógica contrastante a material,
Por estar firmada nas leis de um mundo,
Com dimensões,
Que fogem ao nosso habitual.

Mendo Gabriel

Retrato de Mendo Gabriel

VOX CORDIS

Ouço tua voz, coração,
Cheia de ímpeto e paixão.
Pesa-me a falta contigo,
E constrangido te digo,
Que busquei, busquei,
Mas fracassei . . .
Só repousarás em par,
Quando eu tiver alguém para amar,
Para compartilhar sentimentos,
E até sofrimentos,
Mas reemergindo ao presente,
Ofereço-te um precário consolo,
E a viva promessa de que amanhã,
Buscarei do amor um "sim".
Então minha tristeza,
Nossa tristeza,
Terá fim.

Mendo Gabriel

Retrato de Mendo Gabriel

Amor, Dor e Novamente Amor

Acostumada ao que era doce,
Estranharia o amargo,
O mínimo que fosse.
Confesso sentir a falta,
De teu antigo estado,
E isto faz sentir-me culpado,
Por algo que doeu,
Mas converge para o bem,
Qual ferida de arado,
Pois machuquei mas cubro a reparar,
Revolvo mas fecundo,
E no tempo de latência,
Vigio a cada silencioso segundo,
Até o desabrochar do nosso novo mundo,
Que consumiu amor e dor,
Para produzir,
Muito mais amor.

Mendo Gabriel

Retrato de Mendo Gabriel

Terra em Chamas

Arredondada não por acaso,
Mas para aproximar-se da perfeição,
Reuniste os elementos para a vida,
Berço, começo de nossa evolução.
E o calor reconfortante,
Feito calor materno,
Hoje por culpa da obsessão,
De cada povo a lutar por seu quinhão,
É motivo de preocupação,
Mas não de comoção,
Pois aviltado continua a ser,
O palco da vida, agora ninho em chamas,
Pelos atores principais da evolução,
Paradoxalmente,
Protagonistas da ingratidão.

Mendo Gabriel

Retrato de Mendo Gabriel

My Autumn

Leaves falling from trees,
Lovers in a prelude to a kiss,
And a guy wander through this scene,
Understanding both,
Leaves and lovers,
Sadness and happiness,
Departures and arrivals,
Because himself have,
A bit of leaf,
And a bit of lover:
As the leaves he is leaving,
But as the lovers he is loving ...

Mendo Gabriel

Retrato de Mendo Gabriel

SEMPER FIDELIS

Prometo-te ser fiel,
Guardar teu paladar,
De todo e qualquer fel.
E quando do inevitável,
Serei companhia estável.
Tuas lágrimas serão as minhas,
Teu sorriso será o meu,
O meu calor se confundirá com o seu,
E seremos um.
Não te abandonarei em momento algum,
Respeitando sua identidade,
Pois te amo livre como a verdade,
Pássaro que desconhece a gaiola,
Sendo tua companhia a eterna escola,
Onde nunca cansarei de ser aprendiz,
Isto, é meu coração quem diz.

Mendo gabriel

Retrato de Mendo Gabriel

Amor Xadrez

Retina inundada e vislumbrada,
Diante de um jogo no qual,
Fui muito pouco adestrado.
Cada movimento joga luz,
Na ignorância fotofóbica,
E excita meus neurônios,
Numa espécie de aula aeróbica,
A tentar decifrar por movimentos,
Muito mais do que por palavras,
A regra deste estabelecido jogo,
Que comparo o amor,
A paixão,
Que até permite movimentos vãos,
De um exército a conquistar o outro,
Mas, na iminência da vitória,
É apresentada uma sorte de ás,
Trunfo escondido,
Que firma um tempo de paz,
Entre duas almas que lutaram,
E individualmente não venceram,
Mas,
Tampouco perderam...

Mendo Gabriel

Retrato de Mendo Gabriel

LUX SOLARIS

Fiz-me rude para não desmoronar,
Feito de blocos e cascalho,
Como os antigos castelos enfossados,
E de portas de carvalho.

Agigantaram-se os degraus,
Que antes eram para ajudar,
Fui metamorfoseado em alpinista,
Para a todos eles poder escalar.

Sei que demorarei mais que o usual,
Mas não permitirei que nenhum mal,
Dite as regras de meu jogo.
A fazer-me refém do ocaso,
Num teatrinho obscuro e marginal.

Ver a luz do sol é minha regra,
O eclipse é apenas excessão,
Remota, pontual, sem expressão.

Mendo Gabriel

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