SEM PRESSA
Paulo Gondim
30/08/2010
Um solitário sopro de trompete
Invade o aconchego da sala
Num canto do sofá, um livro aberto
Perguntando por que pouco se fala
A melodia aos poucos se perde
Entre quadros de antigas fotografias
Como se perdem meus devaneios
Entre dúvidas e vãs filosofias
Outra música inicia um novo tom
Vibrando a velha estante de madeira
A solidão parece bailar comigo
Minha inseparável e única companheira
Vejo passar lentamente o tempo
A pressa já não se faz tanta assim
Os anos já me pedem até desculpas
Pelos sonhos que já se vão de mim
O trompete deu lugar ao piano
E posso sentir em cada dedilhar
A paz de quem já não tem pressa
E em cada acorde, vontade de dançar
UMA CANÇÃO DE AMOR
Paulo Gondim
17/08/2010
Dizer que te amo é pouco,
Diante da saudade que me enche a alma
Da lembrança boa e amiga
Dos momentos em que vivemos um grande amor
Tua alma de poetisa sempre soube me encantar
Nos versos leves de uma linda canção
O toque suave de tuas mãos a me acariciar
Ainda fazem palpitar meu pobre coração
Dizer que te quero é o mínimo que posse almejar
Diante da desesperança e de meu rude modo de ser
Aos poucos me sinto abandonado, a esperar
Que um dia, de verdade, você venha me querer
Ah, minha doce poetisa, que povoa meus sonhos
Que orbita em meus devaneios em noites insones
Por onde andas? Por que foges tanto?
Por que não vês a tristeza no meu pranto?
Olha para mim, minha doce menina
Recita teus lindos versos para minha alma triste
Canta para mim a canção de teu amor maior
E recebe de mim o amor que só para ti existe
ESPECULAÇÕES
Paulo Gondim
11/08/2010
Eu não vivi para ver isto
Ideologias serem negociadas
Adolescentes serem explorados
Crianças perdidas e abandonadas
Eu não nasci para ser um a mais
Apenas pessoa sem futuro
Eu não entendo tanta gente alienada
Desconfiada, em cima do muro
Muitas vezes eu quis morrer de vergonha de tanta impunidade
Meus conceitos se perderam no tempo
Eu nem sei mais a que grupo pertenço
Se meus interesses bateram de frente com a realidade
A frustração foi a paga de tudo o que eu penso
E o menino bom foi tragado pela maldade
Ah, o tempo é cruel. O tempo é imparcial
O tempo leva tudo, para o tempo não tem bom nem mau
Eu nuca pensei ver a vida com tanta ferocidade
A vida, hoje, me parece fria, implacável...
Ela não perdoa tropeço, cobra alto preço
Sua cobrança é mesmo inevitável
E no fim das contas, ela, a vida
Nos põe à prova. Não dá voltas, nos intima
E não quer saber se temos melhor o pior estima
E como ladrão, nos espera a cada esquina
Com seu maior e peculiar guardião da sorte
Não adianta lugar, seja sul ou seja norte
Haveremos de nos encontrar friamente
De forma traiçoeira, inevitável
Cada um de nós, de frente para a morte
*************
Quem tiver ideia de um melhor título, avise-me.
DIFÍCIL CONTEÚDO
Paulo Gondim
02/07/2010
Rondo por ruas, bares e museus
E vejo sempre natureza morta
Pessoas ausentes, amorfas
Distantes, na sua solidão
Escondidas no ego, fechadas
Incomunicáveis, te tudo caladas
Percebo que o falar caiu de moda
Pessoas se juntam de forma separada
O calor humano virou fobia
Ninguém se arrisca e tudo mofa
Nessa estranha filosofia
O que vale é o ter.
Embora pouco valha
O que se acumula não se espalha
E muitos se prendem ao mutismo
Escapa, talvez, um monossílabo
Como expressão única do ser
Quanto vazio, quanto dissabor
E é assim que morre o amor.
VIDA INTERIOR
Paulo Gondim
26/06/2010
Faço de minha solidão terapia
Antídoto contra tanta hipocrisia
Eis que assim que sinto e vejo
Mesmo que contarie o desejo
Ande na contra mão dos fatos
Vislumbre de longe um ex-amor
Desafie o cansaço
Limite meu espaço
Busco força e vida interior
O solo de um piano pode ser vulgar
Para almas que apenas penam
No caminhar diário, de simples penar
Mas a vida pode ser bonita e serena
E até a solidão pode ser pequena
E o frio do inverno ter menos rigor
Se há, em cada um, vida interior
LAMPEJOS DE JUVENTUDE
Paulo Gondim
20/06/2010
Acalma-me, pois meu coração sangra
Na volúpia de meu peito em chama
Que busca no grito inconsciente
Mínima compaixão de quem se ama
Espera-me, pois meu passo é lento
Já que os anos me pesam como algoz
Que impiedosamente me tortura
E até já fazem cansada minha voz
Mas na eterna busca do possível
Este ser tão ignaro não desiste
Lança-se à caça do imprevisível
E do pouco lenitivo que ainda existe
Que se faça sua dor menos visível
Na pouca juventude que lhe assiste
AINDA TE AMO
Paulo Gondim
30/05/2010
Espera.
Fala-me que me amas
Não escondas
Meus dias não são os mesmos sem ti
Acalma-te.
Não te deixes envenenar pelo instante
Vês que tens toda uma vida adiante
A vida segue seu curso lento
Ela não se apressa. Não se adianta
Apenas segue. Não se desencanta
Olha para mim.
Pelo menos uma vez, não dissimules
Não percas o restante das virtudes
Se o que sobrou de nós não vale a pena
Sepultemos de vez as desavenças
Mas não me vejas com mágoas
Ainda te amo.
OUTRO RUMO
Paulo Gondim
28/05/2010
Pressinto a noite chegar
Pelas nuvens escuras, prelo frio
Que corta a pele como lâmina afiada
E com a noite, a saudade de ti
Sinto que teus beijos já não são quentes
São apenas beijos frios, sem emoção
Toda a volúpia desapareceu
Sinto que nosso amor morreu
E é na noite que o pensar navega
Pelas lembranças de um bem-querer
Na vida que se fez encanto
Que se perdeu nas asas do sofrer
Hoje, a indiferença é a marca maior
E pior que aos poucos me acostumo
Se o amor se foi, o encanto acabou
Melhor seguir em outro rumo.
PERGUNTAS
Paulo Gondim
14/05/2010
O que há nos céus, nas nuvens, no vento?
Que mistérios se escondem no universo?
Milênios se passaram e esse enigma persiste
Em cada ser, em cada espírito, essa dúvida existe
E o homem, na sua pequenez, segue no escuro
Busca no inexistente o que a razão lhe induz
Perde-se no inevitável, age por instinto
Ofusca-se, aturdido, quando encontra luz
E segue-se na busca lenta, incerta, incontida,
Numa caminhada longa, além do imprevisível
Quantas perguntas, quantas incógnitas...
O que será a vida? E o que se vive além do possível?
E entre crenças, Seitas, dogmas e conceitos
Questiona-se o homem em meio à filosofia
O que é o homem? O que é a luz? O que é a vida?
E percebe que ainda lhe falta sabedoria.
À DERIVA
Paulo Gondim
06/05/2010
O que sou eu sem ti, senão um vulto
Que surge e desaparece na escuridão
Como linha torta, na paisagem morta
No oscilar do pensamento
Um fio de vida, perdido na solidão
E finges que me ignoras
E, como espectro de mim, espero
Vagando pelas sombras
Escondido nas noites
Sem o que mais quero
E teu silêncio continua como pesadelo
Fere minha alma como invasor
Me desaloja de meu sonho torto
Dele me expulsa e me põe à deriva
Como barco que não chega ao porto
E no meu vagar, a dor não é menor
Da saudade fria, da realidade crua
Sinto teu sangue em minhas veias
A correr, dilacerando a carne
No sangrar que em mim se perpetua
E por mais voltas que eu der, faço-me inerte
Não há, para mim, lugar seguro sem ti
Por isso, fico imóvel, calado, parado
Conto nuvens, estrelas, constelação
Tua ausência é como flecha
Cravada em meu coração.
Comentários recentes
11 minutos 58 segundos atrás
14 horas 15 minutos atrás
14 horas 19 minutos atrás
16 horas 19 minutos atrás
16 horas 29 minutos atrás
17 horas 43 minutos atrás
20 horas 43 minutos atrás
21 horas 23 minutos atrás
21 horas 38 minutos atrás
22 horas 3 minutos atrás