FANTASIA
Paulo Gondim
16/03/2010
Um pensamento distante
Uma lembrança que se perde no tempo
Uma vontade contida, que amarga
Um aperto, um nó no peito
De longe, uma possibilidade
Um lapso de sonho desfeito
Tudo me leva à tua saudade
Os dias não parecem os mesmos
E árvore da janela pouco balança
Tudo silenciou com tua ausência
E aos poucos me vem a impaciência
Desejo-te, mesmo sabendo em vão
Meus olhos te procuram
E sinto o leve toque de tua mão
É assim que me sinto sem ti
Como noites longas de inverno
Um inverno que nunca chega ao fim
Nem o outono de tua lembrança
Aplaca o frio de minh’alma vazia
Morre em mim um resto de sonho
Desfaz-se aos poucos minha fantasia
INCÓGNITAS
Paulo Gondim
12/03/2010 desfraldado
O que sou? Senão esse ser inacabado?
Exposto ao destino
Num barco desgovernado
Que se joga ao mar, desfraldado
Diante do mar, um ser pequenino?
E o que é a vida? Ah, a vida...
Esse mistério indecifrável,
Ora se faz calma, ora perdida
No seu andar incansável...?
E o que é o tempo? Senão nossas marcas?
Das dores diárias, do sofrer calado
De nossas angústias, de nosso pesar
E o tempo passa. Impossível contê-lo
Impossível não vê-lo
O tempo nos cobra no seu caminhar
E o que é o sonho? Ah, o sonho...
Resumo de tudo. Um ponto no escuro
Que nos contraria
E em cada porfia, mais um desafio
Esfola-se a alma, rasga-se o brio
E o homem só, na sua utopia
Pergunta a si mesmo, na sua procura
De que vale a vida, de que vale o tempo
Se o que só lhe resta é sua loucura?
SONHOS
Paulo gondim
26/02/2010
Será que ainda tenho direito a sonhos?
É possível. E você faz parte deles
Chegou de surpresa, parou o tempo
Fez gentilezas, abriu um sorriso
E me mostrou o paraíso
Ah, como e bom ter você!
Eu me lembro bem.
Quantas angústias, decepções
Lágrimas perdidas, tantas emoções
E a menina indefesa, insegura
Na sua doce amargura
Corria para mim
Simples criatura
Pura e doce como flor de jasmim
E na minha indiferença, fingia
Apenas fingia que nada via
Embora me custasse a vida
Morria por dentro em vê-la tão triste
Sem saber o que fazer, apenas ouvia
Hoje, reaparece alegre, feliz, realizada
A vida lhe foi amiga, sente-se amada
Olha para mim e abre os braços
Sinto seu perfume em seus abraços
Esquecemos dos anos, sem nenhuma virtude
E revivemos, juntos, nossa juventude!
LEVEZA
Paulo Gondim
23/02/2010
Meu coração voa leve, quando penso em ti
Tudo parece mais calmo e simples
E a vida corre mais suave
A alegria passa a fazer parte do momento
Impossível não sorrir, não demonstrar
A beleza do contentamento
As lembranças são muitas e especiais
Elas vêm como nuvens ao vento
Enchem-me de prazer
Dão-me a certeza do querer
Nesse doce envolvimento
Assim é tua presença em mim
Forte, possessiva, abrangente
Preenche todos os espaços
No sentir de teus abraços
Aqueles que deixam teu cheiro
Que me toma o corpo por inteiro
E nessa sensação de calmaria
Minha alma descansa em paz
Olho céu, as estrelas, a lua
E neles, sinto a presença tua
E todo bem que tua lembrança faz
Senha
Paulo Gondim
19/02/2010
Segui por vias e ruas vazias
E em esquinas desertas
Busquei restos de um sonho
No frio da noite
Na minha solidão
Só o vento em rajada fria
Aumentava o tédio
E tornava maior
A necessidade
De tua companhia
Impossível não pensar em ti
Se tua lembrança me ronda
Dá voltas em órbitas
Vai e vem em mil voltas
E chego a pensar que estás assim
Aqui, bem pertinho de mim
E nos devaneios da mente
Sinto-te à luz de vela
Num romantismo intenso
Invento, finjo e penso
Com as piores intenções
Que a volúpia revela
Espero por ti e como senha
Ansiando que voltes
Deixo o pano por fora da janela
O vento da serra
Paulo Gondim
07/05/2000
O vento sopra bem leve
Trazendo a brisa fresca da serra
Sozinho, rumo incerto, deserto
Lá vou eu, errante nesta terra
No sertão é assim
No duro fio que interrompe o passo
Do caminhar lento, do olhar perdido
De pouca esperança em descompasso
E vejo homens da terra
Bravos, corajosos, grandes guerreiros
Numa luta desigual, quase impossível
Porque aqui são sempre derradeiros
Mesmo assim, sopra o vento
Embalando o pouco sonho sertanejo
Um sonho bom, sonho de vida, de paz
Como miragem, que ao longe sempre vejo
No sertão a esperança foge
Na sobrevida cruel, fria e desumana
O homem é forte mas já se faz descrer
Na mudança desta sina tão tirana
E o vento da serra ainda sopra
Desta vez mais quente, nas savanas
Já não há mais homens fortes, lá se vão
Tristonhos, feios, fugindo em caravanas.
JURAS PERDIDAS
Paulo Gondim
11/02/2010
Remexi no baú de meus sonhos
Lá encontrei, na minha saudade,
Tua lembrança boa e amiga
Que faz de meus sonhos realidade
Na caixinha da lembrança, teus beijos
Teu sorriso e olhares insinuantes
No calor terno de tua voz
Em sussurros tão inebriantes
Encontrei a juras perdidas
Que não passaram de ilusões
O lenço manchado de sangue
Que verteu de nossos corações
Mas foi tudo muito rápido
Vi teu vulto sumir na multidão
Num segundo, vi cair meu mundo
Me senti só, sem os pés no chão.
PENSAR EM TI
Paulo Gondim
11/02/2010
Não estou a reacender fogueiras. Estão vivas!
Só quero desfrutar esse momento lindo de minha vida.
Um momento só meu, no segredo de minha alma tão dura
Acostumada à frieza do viver só, esta simples criatura.
E, como anjo, agasalho-te nas asas de minha imaginação.
Serei teu guia, tua luz, teu querubim na minha proteção.
Ficarei assim, como vigia, de longe, como fêmea que olha a cria
Seguirei em segredo todos os teus passos
Abrirei veredas, retirarei embaraços
Para te ver passar livre
Sorrindo a cada novo momento
Na beleza desse encantamento
Que é meu pensar em ti
DEVANEIO
Paulo Gondim
06/02/2010
Imagino como seriam teus beijos...
E o pulsar de teu peito arfante
Imagino como seriam teus abraços
Se tivesse sido teu amante
Imagino teu corpo pequeno
Embebido em puro veneno
De tanta volúpia a me envolver
No calor de teus abraços, como laços
Me deixando inerte de tanto prazer
Imagino como seria leve teu sono
Depois de todo o abandono
Da entrega sem igual,
Do permissivo momento
De todo o encantamento
Da fusão dos corpos
No êxtase total.
Imagino como seria o tempo
Uns anos a frente, bem mais além
No espaço da vida, os cabelos brancos
Apesar do cansaço, teria em teus braços
A felicidade de chamar-te meu bem
Só eu sei...
Paulo Gondim
04/01/2010
Guardo em segredo para mim
Todos os abraços que não te dei
Os sorriso que de longe me davas
E todos os beijos que não roubei
Guardo a lembrança terna e boa
De tua boca ávida por beijos
De teu corpo belo, exposto
A despertar-me desejos
Me vias em gestos planejados
Num toque de leve insinuação
Teus olhares te traiam
Nesse belo jogo de sedução
E na minha quase indiferença
Fingia sempre que não te via
Ah, meu Deus, quanta mentira...
Só eu sei quanto eu sofria...
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