o blogue de pedrobito

Retrato de pedrobito

Comer uma maçã exercita os neurónios e faz pensar!!!

Envolvo uma maçã nas minhas mãos:
vermelha, redonda, bela, suculenta.
E aproximo-a com carinho dos meus lábios,
mordo-a com os meus dentes, e sinto o seu paladar.

Sabe bem, sabe!
Mas a sensação faz-me pensar em algo mais do que um sabor,
e começo a divagar, a imaginar-te nua, bela, encostada a mim.
Ah, o desejo! Ah, a paixão! Ah! Ah! Ah!

Mas porque penso eu nisto quando como uma maçã?
Serei uma mente perversa, uma fonte de pensamentos constrangedores?
Não! Afinal não foi Adão que mordeu o fruto proibido?

E se ele pecou, e se eu peco, e se isso for pecado, então peco e pecarei,
sem medos, sem remorsos, sem receios,
e em pecado morrerei, mas feliz com a vida.

Retrato de pedrobito

Momentos

Momentos são histórias, são desejos, são caprichos.
São segredos, são verdade e esperança.
São dias de chuva e tempestade, ou sol e calor.
São horas de verdadeiro amor.

E traçam o caminho do destino de alguém
e também o destino do caminho que percorro,
palmilhando o terreno que calco e pelo qual ando,
tornando-o seguro, belo e visível.

Trazem expectativas infundadas e surpresas agradáveis.
São formas de expressão silenciosas ou faladas.
Aproximam pessoas, são beijinhos, são carinhos.

São o simples gesto de escrever numa folha dobrada,
são o finalizar de um poema, ou de um texto de amor,
é o pensar em momentos passados com quem se ama.

Retrato de pedrobito

Basta um olhar, basta um sorriso

Perco-me todos os dias, ao olhar para ti.
Distraio-me, evaporo, desmaio, voo...
e sigo para um labirinto sem saída,
para uma prisão da qual não há fuga.

Fico rodeado de pedras imóveis e frias,
de caminhos sem fim, desertos e escuros.
Mas sobrevivo a esta solidão pensando em ti,
apesar de envelhecer e me unir a este local.

Se o detesto? Não. Pois sei que serei libertado,
e que basta um sorriso para me retirar dos escombros,
e me fazer rejuvenescer para te poder olhar novamente.

Tantas vezes já me prendeste com um olhar.
Tantas vezes já me libertaste com um sorriso.
E digo: basta um olhar, basta um sorriso.
E vale a pena arriscar!

Retrato de pedrobito

O teu sorriso...

Ver-te sorrir para mim, é loucura, é paixão, é pecado.
É um gesto espontâneo, é uma transmissão de alegria,
é uma prova de amor, é o culminar do sentir,
é um sopro quente no rosto, que me acalma.

E é mais forte que o olhar pois consegue prende-lo,
é como uma luz ao fundo do túnel, que rasga a noite,
e ofusca-me, cega-me, mas não me permite pestanejar.
E deixa-me confuso, a pensar que afinal não me deixa pensar.

E é mais que palavras. Talvez frases, ou textos.
Conta histórias e vidas, canta e sussurra-me ao ouvido.
E escreve poemas através de mim, apesar de ser já poesia.

O teu sorriso emociona, e por ser teu, é meu.
E por ser meu tento fazê-lo permanecer sempre no teu rosto.
E é algo que quero, algo que desejo, algo que amo.

Retrato de pedrobito

O pescador de sentimentos

Acordo-te com um beijo, quando da noite nasce o sol,
e este penetra no quarto escuro, pela janela de vidro,
pela qual olhas, e me esperas com saudade,
todas as noites, todos os dias em que nos amamos.

E o beijo que te dou, em todas as manhãs quentes de verão,
são suaves, frescos e molhados, e misturam-se nos teus desejosos,
sedentos de te saborear, de te prender, de te atordoar,
Como se fosse pescador e te enviasse o anzol em forma de amor.

Mas não é como pescador que actuo depois do beijo. Não!
Depois do beijo, vem o abraço. Depois do abraço... tudo segue!
O anzol já foi lançado e o peixe capturado e colhido,
e o momento transforma-se numa chuva de sentimentos,
sentimentos límpidos, belos, brilhantes, sinceros, ardentes,
sentimentos cantantes, que dançam, que transbordam amor,
o nosso: o meu e o teu.

Retrato de pedrobito

O amar dos amantes

O não dormir, o acordar cansado,
o sentir, o tocar, o beijo, o abraço feroz.
As carícias e os suspiros molhados, apaixonados,
a envolvência, o reboliço, o entrelaçar dos dedos.

Os corpos unidos, que transpiram amor,
vibrando e dançando a um ritmo próprio, louco.
As bocas sedentas cantando vitória,
o olhar enevoado, a visão distorcida.

O escalar da montanha, o lançar do foguete,
a viagem espacial, a procura do infinito inalcançável.
O disparar de uma arma, o sangue derramado.

A dor, o sofrimento, a alegria, a euforia.
O desejo, a demência, a incerteza, a verdade...
Todos culminam no prazer, no amar dos amantes.

Retrato de pedrobito

Insónias!!...

Já pensei por várias vezes, como seria não ter que dormir,
como seria estar sempre acordado e não perder tempo,
nem ficar horas a fio deitado, imóvel, estático, de olhos cerrados,
alheio à realidade, envolto em sonhos ou pesadelos.

E analiso os prós e contras deste pensamento, as vantagens e desvantagens.
Por um lado, perderia a capacidade de sonhar, com a qual estou habituado.
Mas são tantas as vezes que sonho acordado, que não faria diferença.
E poderia permanecer sempre vivo, sempre atento, e nunca ausente.

Aproveitaria as horas, os minutos e os segundos do dia, na sua totalidade,
poderia fazer algo útil, e perderia este cansaço que me impele a dormir.
Ah! E nunca mais teria de bocejar, ou sentir sono no meio de algo importante.

Quem me dera sofrer de insónias prolongadas,
e vaguear pela noite como sonâmbulo acordado e consciente,
e aproveitar todo o tempo de uma vida, sem o desperdiçar com banalidades.

Retrato de pedrobito

Poderia ser nada... e isso bastaria!

Quando te sinto nos meus braços, quando me enrosco em ti,
quando te beijo com firmeza, quando te amo naquela cama,
quando te olho, quando te espero, quando te toco, quando te busco,
quando enlouqueço, quando penso, quando sonho contigo,
o meu corpo reage, a minha mente viaja para longe,
e sei que poderia ser nada... e isso bastaria.

Poderia ser amarelo, vermelho, azul ou verde,
poderia ser um ET e viver noutro planeta ou galáxia,
poderia ser um simples animal, irracional, como um cão ou um gato,
um leão ou um elefante, um rato, um lagarto ou uma doninha fedorenta,
poderia ser uma simples partícula de ar que respiras, um átomo,
ou um ácaro com o qual te deitas sem saberes,
poderia até não existir sequer, que apaixonado como estou,
te buscaria e te alcançaria, onde quer que estivesses,
mesmo que não existisses na realidade,
recorrendo a todos os meios possíveis

E se isso fosse impossível, de nada passaria a tudo,
e tentaria novamente, e daria continuação à minha incessante busca,
porque te amo, porque que te quero sentir nos meus braços,
porque és parte de mim.

Retrato de pedrobito

A louca desconfiança!

A desconfiança vive em mim, e hospeda-se na minha mente.
É causadora de ilusões e ciúme, é sugadora de emoções e bem-estar.
Provoca indecisões, gera conflitos, origina a dúvida,
e faz-me desconfiar de tudo e todos, menos de mim mesmo.

Desconfio de um riso escondido, de um segredo contado.
Desconfio de um trocar de olhares, de um beijo corrido.
Desconfio da verdade, desconfio do próprio silêncio.
E até desconfio do tempo, da chuva, do sol e da luz.

E a minha desconfiança é de tal forma louca e exagerada,
e está de tal forma à flor da pele, que me irrita profundamente
e me dá vontade de puxar e arrancar os cabelos de frustração.
“Irra, que já enerva! Vai-te embora, ó desconfiança!”

Se a minha desconfiança tivesse cabeça diria que tinha parafusos a menos.
É que vai e vem. Por vezes vai tão alto, tão alto, que sufoca
no centro do universo, sem ar nos pulmões,
desvanecendo, como se nunca tivesse existido sequer.

E eu volto a confiar novamente, aproveitando este momento de liberdade,
em que a minha mente vagueia novamente independente,
e já não hospedeira da minha própria revolta, da minha desconfiança.

Retrato de pedrobito

Morro feliz, se continuar vivo no pensamento...

O vento sopra lá fora, suspirando lamúrios,
a chuva cai no solo, chorando infortúnios,
a tempestade troveja maldições e impropérios,
e o tempo impiedoso gagueja e avança a um ritmo louco.

Mas eu, permaneço no meu quarto, alheio à realidade.
Poderia tremer a terra, e desabar a casa onde habito,
poderia cair-me um trovão em cima, rachando-me a cabeça,
poderia ocorrer um incêndio que me queimasse e dissipasse,

que eu continuaria impávido e sereno (talvez já morto),
mas vivo no pensamento e em textos e em poemas que escrevo,
como o herói, quiçá, ou um simples espectador.

E com essa certeza viveria feliz, sabendo que parte de mim estaria viva,
em alma e espírito, naquelas letras, palavras, versos, estrofes, poemas,
nos meus devaneios loucos e apaixonados que demonstram o que eu sou.

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