insegurança

Retrato de Jessik Vlinder

Incerteza

Por que anseio tanto
Pelo que é desconhecido?
Por que fico tão excitada
Com o que é proibido?

São desejos exagerados
Desejos intermináveis
Necessidades inconstantes
Indisciplinadas e mutáveis

Uma fissura por conhecer
Por mudar, por transformar
Como um barco sem velas
Indeciso nos caminhos do mar

Na verdade um destino impreciso
À mudanças sempre sujeito
Porque há uma certeza incerta
Incendiando dentro do peito

Certeza que está apontando
Para um caminho entre a vida e a morte
De uma alma que cheia de encanto
Viaja livre e com uma pitada de sorte

Desesperada por aventura
Suplicante por descobrir
Cheia de desejos e instintos
Esperando o momento de agir

Ultrapassando o que há de engênuo
Uma doce e exótica maldade
Acompanha todo esse movimento
Com ar de genialidade

Perigosa e dominadora
Desvia minha atenção
Como se trocasse um filme infantil
Por outro de sexo e ação!

Jéssica Gomes Andrade

Retrato de Marcelo Fouquet Rosembrock

Deixar acontecer...

Minha alma dói,
nas vezes que lembro
daqueles nossos momentos
Mas já estive pior
Meu eu estava triste
até esses dias atrás
Mas o destino sabe o que faz
Coloca as pessoas certas
quando mais precisamos
e afasta as pessoas erradas
num momento oportuno
Hoje não sei mais
não sei do meu destino
Sou total desatino
Perdido em noites sem fim
A vida passa vazia,
Sem cor estão os meus dias
Olho pra frente
e só vejo uma névoa
embaçando o meu caminho
tirando-me da rota certa
Me fazendo caminhar sem destino
Destino, o que é isso
parece não mais existir
Sonhos desfeitos
Nem tudo é perfeito
As vezes chego a pensar
Que a vida chegou ao fim...
Caminho sem rumo
sem motivos aparentes
sei que algo me espera
na próxima encruzilhada da vida
ou naquela curva ali a diante
Vou deixar acontecer...
tenho certeza
que em breve...muito breve
amarei intensamente...
(Fouquet. 1 de setembro de 2010)

Retrato de Ceci_Poeta

ROMPE-SE O VÉU

ROMPE-SE O VÉU
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Almas, despidas de gestos.
Sentimentos, pedaços de nada.
Quimeras em desarmonia,
Mãos que agarram o silêncio.
Silhuetas, dançarinas ao vento,
Perdem-se em redemoinhos.
O som, não se propaga,
A sombra, não tem mais ritmo.
A vida está adormecida.
Caem por terra, as palavras,
Os gestos e os sentimentos.
Enquanto a alma despida,
Chora seus ais ao vento.
Rasgam-se os sonhos escondidos.
Cascatas de véu se rompem,
Descobre-se novamente a vida,
Sob as cinzas adormecidas.

Cecília-SP/09/2010*

Retrato de Darsham

Alguém me ouve?

Estou cansada
De me sentir cansada
De esperar
que o nada
Se transforme
Em alguma coisa
De não ter voz
Para gritar no meio
Dos silêncios constantes
Que atravessam
Na minha mente
E dizer chega
Estou cansada
de ser sombra
Quero ser luz
Quero ser eu
por inteiro
Enfrentar
os medos absurdos
Que me incapacitam
De avançar
Não vejo cordas
Não sei como
Desatar os nós
Mas sei que estou presa
Atrás de uma tela
A preto e branco
Que nunca tem audiência
Grito!
Grito!
E grito mais ainda
Com toda a força
Que o desespero
Me dispõe
Mas ninguém ouve
Nem mesmo eu!

Vânia Santos

Retrato de Darsham

Há algo em mim que me diz…

No meio do silêncio
Que engulo
Consecutivamente…
Anulo,
O ruído insistente…
Estrangulo
A calma
Que recobra o ar,
Desesperadamente…

Há algo em mim,
Que clama,
Em desvario…
Por um dia,
Na pele de um rio…

Há algo em mim
Que cobra
Dívidas e dividendos,
Farejando
E discernindo
Desculpas e fundamentos

Há algo em mim
Que grita sons putrefactos
Em ouvidos descalços,
Sem sapatos

Há algo em mim
Que me diz
Que nada
Do que eu fiz
Ou quis
Foi reclamado
De peito aberto
Bebendo coragem
E valentia

Há algo em mim
Que profere
Que os meus sonhos
Permanecem
Atracados num porto
Que se esquecem
Deles mesmos
Num quadro
Absorto

Há algo em mim
Que desaloja a saudade
E aprisiona
As lembranças…
Lança lanças
De penitência
Congelando
A saliência
De absurdos
Que a mente produz…

Há algo em mim
Que me diz
Que eu posso ser balão
Que me segreda
Ardis febris
Enrolados
Em algodão…

Há algo em mim
Que padece de voz!
Que desembainha,
Novelos de nós,
Que à minha volta,
Se personificam
Inanimados…
Nos sonhos atracados,
À espera
Do porvir…

Há algo em mim
Que me queima
Nas esquinas
Do entretanto!
E mesmo assim…
As pernas,
Cretinas,
Permanecem
Parte do chão!
E eu,
Não me levanto!

Vânia Santos

Retrato de Carmen Lúcia

Ama-me, simplesmente...

Ama-me,
simplesmente...

Sem gestos arrojados
de alcançar galáxias,
andar na Via Láctea
ou de roubar estrelas
pra me impressionar...

Ama-me,
simplesmente...

Sem gestos tresloucados
de desbravar o mar,
galgar ondas bravias
em meio a tempestades,
tempos de maré alta
só pra me agradar...

Ama-me,
simplesmente...

Sem gestos arriscados
de transcender limites,
de transpassar fronteiras
voando um voo alado
pra conquistar o mundo
só pra me entregar...
para me emocionar...

Ama-me,
simplesmente...

Sem gestos empolgados
de recolher dos dias
os versos inspirados,
trazer-me poesias,
mostrar-te apaixonado
pra ter-me ao teu lado...

Ama-me...
Com gesto enamorado...
Docemente...
Eternamente...
Simplesmente.

Carmen Lúcia
Carmen Lúcia Carvalho de Souza
15/11/2007

Retrato de Marcelo Fouquet Rosembrock

Solitude

Meus caminhos
se cruzam todo o tempo
sem rumo ando perdido
à procura do nada,
erro na primeira enruzilhada,
só caminhos sem horizonte...
e horizontes sem caminhos
Caminho em círculo...
Volto ao ponto de partida
à procura de ajuda,
ou quem sabe de guarida
tudo se torna escuro e desconhecido,
o brilho foi-se, ficou só escuridão...
o calor do sol deu lugar ao gélido vento
Diante dessa situação,
O cansaço mina o meu corpo
falta-me terra nos pés,
estou perdido...sem rumo
Domina-me uma grande tristeza...
Sento-me sobre a rocha
a beira deu rio caudaloso
penso nesse mundo...
que não se importa comigo
não sei como encararar essa realidade
desse mundo sem amor
deste momento sem vida.
(Fouquet, 21 de agosto de 2010)

Retrato de Fernanda Queiroz

Sonhos de menina

Estou de volta...
ao meu reino encantado,
na relva molhada,
da chuva fina,
que trás na umidade do dia,
rotina, dor e tristeza.
Vem de encontro a minha solidão,
contraste profundo,
coração moribundo,
destino traçado,
de vidas que se cruzaram
na alma,
na mente,
sem ser presente.
Vivi no passado,
um mundo acordado,
que embalado no sono,
foi só abandono.
Meus olhos se perdem,
na imensidão do verde,
que como moldura,
reproduz tua face,
traduz teu riso,
tua forma quase mágica,
de existir.
Não é sombra opaca,
nem é vulto do destino,
é teu corpo traçado,
o peito tatuado,
que habita o sonho meu,
que é muito mais forte...
que eu.

Fernanda Queiroz
Direitos Autorais Reservados

Retrato de Carmen Vervloet

DILEMAS

Nos tempos de outrora, a liberdade era o melhor presente
e em lembranças de alegria, hoje, a saudade pulsa latente...
Noites enluaradas, cirandas, estrelas e violas
e nos raios do luar qualquer tristeza ia embora.

Branca era a paz, cantávamos no mesmo compasso
e nos acordes da canção solfejávamos nosso destino
envolvíamos o mundo com nossos pequenos braços
e voávamos nos nossos sonhos quais colibris bailarinos

Agora reiterados dilemas, o medo... chora a viola!
Se eu saio sou ave ferida, se fico sou pássaro na gaiola.
Em cada lampejo de liberdade, a lâmina fria ameaça
e entre os dedos do pânico, a vida condenada passa.

Os sonhos desintegrados, plúmbeos, em densa fumaça
e eu suprindo o isolamento busco na internet amigos
ancoro no mundo virtual minha solitária barcaça,
resguardo-me dos achaques eminentes, mas abraço outros perigos...

Dilemas... quantos são os dilemas que a vida moderna trás!
Se eu saio sou ave abatida, se fico sou pálido lilás!
Como viver feliz refém de sangrenta violência,
presa entre quatro paredes,
prestando aos anjos do mal total obediência?

Emudece a poesia nesta gaiola de aço,
sufocada entre tantos dilemas
e afoga-se em lágrimas, nestas linhas molhadas que traço!

Carmen Vervloet
Vitória - ES

Retrato de Carmen Lúcia

Corrida insana

Da janela semi-aberta observo a vida
acelerada, apressada, incontida...
Em movimento cíclico
voltando sempre ao ponto de partida
pra de novo recomeçar...
sem saber onde chegar,
sem saber como parar,
onde parar...

Passos incertos conduzem as pessoas
num vaivém desnorteado, descompensado...
A incerteza do caminho as levam a perambular,
vontade insana de chegar...
Em desalinho procuram uma porta,
ansiedade é o que se vê em cada olhar,
entre tropeços e arremessos elas se trombam,
mas não importa,
sonham chegar em primeiro lugar...

Nessa corrida cega e obsessiva
regada à ambição desmedida
desprezam paisagens significativas,
o belo em cada canto contido,
as cores pintadas pela primavera,
flores que sempre estão a nossa espera...
Canções entoadas pelos rios,
a relva que seus pés acaricia,
mas seguem em frente sem se importar,
sem ver o pôr do sol, tampouco o amanhecer,
indo sempre em desencontro ao amor,
sem dar a ele o mínimo valor...

Queimam as etapas mais bonitas da vida
numa competição desenfreada e descabida
sem tempo de parar e observar,
sem tempo de se render e absorver...
Sem nunca amenizar essa corrida,
sem perceber o real sentido da vida...

Carmen Lúcia

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