Veja como é interressante esta louca e trivial
Essencia humana, jamais sabe o que realmente
Quer ou simplesmente cai nos seus desejos mais
Insanos e crueis, pois somente assim saciamos
Os nossos desejos mais escondido e tenebrosos
Onde a cada louco segundo vai lacerando esta
Dolda e disforme espiral da mais complexa e terna
Consiencia triste que pouco a pouco morre e some
Não mais perfeita penumbra de dor e caos que assim
Se apresenta e devora nossas almas fazendo delas
Poucas palavras de odido e rancor, que mais uma
Vez nos faz cair, sofrer, amar, viver, chorar e morrer [...]
Vamos essencia que se diz forte e incisiva, onde da
Maneira mais futil rege os atos deste meu mundo que
Com tanto esmero criei e que agora vejo se repartir em
Luz e Silencio... Vamos me parta ao meio e assim me unte
No mais doce prazer de ser morto por tais palavras que
Assim profiro no leito de minha finita e eterna morte que
Junto com as velhas estrelas se faz prisão para esta novas
Flores que assim teimei em dar a vida sem dar importancia
Para que as guardavas, pois para o inferno aqueles que
Forma a escoria dos que antes matavam os meus futuros e
Nem sequer estendiam as mãos para lançar o derradeiro
E fulminante golpe da lança que que vive em meu peito [...]
Mas digo a eles e a ela que agora, que só agora, acordo para
Destruir e cunsumir as tristezas de quem tanto me fere e
Tentar me destrui, pois tais criaturas por mais baixas que sejam
Nem sequer a minha colera merecem, já que eu devorador de
Sonhos desejo apenas o meu alimento e saciar esta minha louca
Vontade de durmi e esqueçer estas loucas palavras que assim escrevo[...]
É quase impossível que alguém não tenha medo ou fobia de algo neste mundo transfigurado. Quando existe certo exagero nos sintomas já é doença e precisa ser tratado. É óbvio que muitos casos são causados por alguma inquietação, ou até da própria imaginação. Psicólogos e psiquiatras sabem bem como é isso. Muitos casos são tão graves que precisam de intervenção medicamentosa. Mas a pergunta que se faz necessária: porque sentimos medo ou fobia?
Ninguém nasce com o problema, pelo menos assim eu penso. Os medos e as fobias são circunstâncias da vida que levamos. Não temos proteção emocional para evitá-los. Somos atacados facilmente e dependendo da intensidade só tratando. A vida tem destes sentimentos, e como evitá-los?
06.02.2010
Escrito por Graciele Gessner.
*Se copiar, favor mencionar a devida autoria. Obrigada!
(Poesia já postada ha tempos atrás.)
"Na favela era ela
quem descia a ladeira
a semana inteira.
Uma trouxa na mão,
lavava contente
as roupas com sabão
na bica, de contramão.
Em seu ventre levava
o filho que esperava
o que mais desejava
e a fazia sorrir...
Sentiu dores...
Chegara a hora
de seu filho nascer.
Deitou-se num colchãozinho
num cantinho, no chão.
Ajeitou-se sozinha...
Enfim, era Maria,
nada tinha a temer
mas sim a agradecer
pelo sonho realizado...
E os anos se passaram,
a criança cresceu...
Os trabalhos dobraram...
Pra ver o filho criado
tinha que haver sacrifício,
renúncia e dedicação...
E assim ela o fez...
Revirou-se ao avesso
pra lhe dar educação...
Mas como toda Maria,
consigo trazia triste sina;
o pior aconteceu...
Na favela anoitecia,
(ou seria em todo lugar?)
Hora da Ave- Maria!
Trouxeram seu filho querido
num lençol branco manchado
de sangue derramado,
onde jazia, sem vida,
vítima de bala perdida
que encontrou seu coração...
Hoje Maria ainda chora...
A saudade jamais vai embora
e em seu peito mora...
Ah! Saudade!
“É o revés do parto...
é arrumar o quarto,
pro filho que já morreu...”
E espera que chegue a hora
de tê-lo de novo em seus braços...
Sonho que nunca descreu.
*trecho de Chico Buarque
(Carmen Lúcia)
Molhada em lágrimas subiu o morro
Olhou pro céu, contou as estrelas
Não se atreveu a pedir socorro
Escondeu as mazelas, tentou esquecê-las
Guardou sua fome em segredo
Descansou sob um florido arvoredo
Estonteada qual louco bêbado
Vomitou na terra a bílis do medo...
Saiu em busca de alimento para a cria
Estendeu a mão implorando esmola
Seu corpo fraco por migalhas vendia...
Sofria tal qual tangida viola...
Salvar os filhos seu desejo ardente
Colheu migalhas na tosca sacola
E alimentou a cria pálida e doente
Maltrapilha, faminta e sem escola...
Entregou pra Deus a sua sina
E tombou ao som de triste toada
Deixando a cria desamparada.
Seu nome apenas Maria de tal
Sem CPF e desempregada
Negou-lhe a vida o fundamental...
Carmen Vervloet
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Metade.
Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.
Composição: Oswaldo Montenegro
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Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe".
O vento da noite gira no céu e canta.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu amei-a e por vezes ela também me amou.
Em noites como esta tive-a em meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.
Ela amou-me, por vezes eu também a amava.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi.
Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.
Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.
Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
A minha alma não se contenta com havê-la perdido.
Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a.
O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.
Nós dois, os de então, já não somos os mesmos.
Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei.
Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.
De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos.
Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.
Porque em noites como esta tive-a em meus braços,
a minha alma não se contenta por havê-la perdido.
Embora seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.
Pablo Neruda
Queridos amigos:
Hoje trago-vos dor e sofrimento, mágoa e desespero. Minha ilha foi fustigada por um temporal que a destruiu. O maior temporal em 100 anos. 42 pessoas morreram entre os escombros, provocados pelos desabamentos de terra.... pessoas continuam desaparecidas... e corpos de crianças vão dando a tona. A ilha quase desapareceu, com a força das ribeiras que saltaram dos seus leitos e levaram tudo o que se encontrava pela frente... já não existe muito da minha ilha... pelo menos do Funchal, e outros concelhos. Pontes ruiram, carros foram arrastados pela força das águas e levaram mais almas para o céu.
Hoje trago-vos o meu panico e a minha consternação, por algo que quero que seja apenas um pesadelo.... mas que é bem real... dentro de mim... e dentro de todos os madeirenses.
Gostaria de vos trazer poesia, algo que pudesse alegrar os vossos corações... mas as palavras de amor e paixão, não saem... existe dentro de mim um grande buraco, que suga toda a minha energia e capacidade de escrever.
O dia 20 de Fevereiro de 2010, dia em que até eu, quase perdi a vida, aio ser arrastada por uma mar de lama... nunca saírá do meu coração. Minha alma chora, mas não se revolta... o choque ainda é muito grande... e medo paira em todos os cantos por onde eu passo. Sinto-me em permanente estado de alerta, como se o pesadelo ainda não tivesse terminado.
Perdoem-me amigos, mas hoje... e durante muito tempo... não conseguirei escrever poesia de alegria, de amor ou Paixão. Minha alma quase morreu, junto com a ilha onde nasceu. Neste momento, tento recuperar pedaços do meu coração, tentar reconstruir dentro de mim, o que não tem capacidade de se renegerar.
Perdoem-me amigos... se não voltar tão cedo a escrever... mas a dor é tão grande e o trauma ainda é maior.... Não vos mostro fotos porque elas são mesmo terríveis.
Mas dou graças a Deus, por estar viva ainda... para poder relatar-lhes este cenário que me matou por dentro. Agora tenho qu tentar ter forças para renascer de novo... tal e qual a minha ilha.
Até uma próxima e obrigado por tudo!
Hoje estou preparado com papel e caneta na mão, dessa vez acho que conseguirei escrever... Apesar de esta sozinho suas lembranças me fazem companhia e sem você aqui quero lembrar, quero voltar no passado, quero diminuir a distancia, quero alimentar a solidão e transborda de lagrimas meu coração. Meu amor em sonhos você pode me ouvir... Peço-te apenas não tire seu amor de me... Volta... Volta logo.
Sem você minha vida é uma canção sem letra e as notas mesmo assim fazem chorar. Preciso ainda pelo menos te amar viver na esperança de um dia você voltar. Sei agora por que não conseguia escrever para você, seriam palavras de sentimentos que já os guardo comigo e se você não está aqui para ler e senti-los é para me que devo escrevê-los, quando amanhã eu se lembrar de te e não poder ver seu sorriso, e não poder olhar em teus olhos e sua imagem já estiver se apagando irei ler e chorar e te fazer voltar pelo menos nas minhas lembranças... E essas três palavras que te quero falar irão esperar, e esperar... Você precisa ouvir eu não irei escrever por que essas palavras aqui são para me. E não preciso me lembrar que “Eu te amo”
Um estampido acorda a madrugada
Predizendo na aurora, os homens do rei
Fardados, gritando: - Vigésima Brigada!
Trazendo nas mãos, o sangue da lei
Nos bolsos cheios de ouro
Choram anjinhos perdidos no céu
Nas patas vermelhas do pingo crioulo
A herança da triste ganância cruel
Mal sabem que a volta é mais curta
Para os que traçam intricados caminhos
Quando notarem a barba hirsuta
Estarão jazidos sob o ouro – sozinhos.
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