ternura

SORRISO DE CRIANÇA

SORRISO DE CRIANÇA

Sorriso de criança,
minha inspiração.
Olhar bonito com ternura,
espanto à solidão.

A criança sai correndo
procurando o que fazer,
beija o pai beija a mamãe
pede colo pra comer

Chato e pirracento,
chora com malcriação.
Fica amamãe preocupada
com amor no coração.

Mas a criança vai crescendo,
lentamente sem parar.
leva a vida em brincadeira ,
se recusa a estudar.

Com olhar de garanhão,
hije, é adolescente.
Faz da vida um vai e vem,
leva a vida displiscente.

Com o tempo atropelando,
o destino lhe pregou.
Com uma moça inteligente
na igreja ele casou.

Deste belo casamento
o vovô virou criança,
a vovó, toda feliz,
vê o neto com esperança.

Mas o tempo não espera
vai correndo sem parar.
Faz o moço ficar velho
e outras vidas vai marcar.

Quando olho no espelho
meu cabelo prateado,
me espanto com o que vejo,
o meu rosto, já marcado.

Sou um cara orgulhoso,
com o que me aconteceu.
E você fique sabendo,
esta criança sou eu.

De Antonio Rosendo

Retrato de Hildebrando Souza Menezes Filho

Delírio das bocas - Duo: Salomé & Hilde

As bocas dos poetas

São sábias e faceiras...
No escuro procuram
Pelo percurso tateiam

Entre aranhas e teias
Num leve sopro de sensações...
Vencem as sombras das ilusões
Derretem as chamas dos labirintos

Nos rios que transbordam de prazer...
Querem o fruto proibido
Mesmo que por viés errante
Lançam seus lábios alucinantes

Vulvas, membros, gritam vibrantes
Olhos escondendo-se na miragem
Dos caminhos errantes da magia...
Torpores... liberando-se na margem

De dor e gozo em perfeita sincronia
Veias acesas e pulsantes
Deliram intensas... presentes
Bocas propensas aos mergulhos

Tecem fios em agulhas...fagulhas
Nossos nomes... sussurros de languidez
Bendizendo, embriagando nossos corpos,

Vultos que seduzem...acariciam,
Sedução em seu indomável feitiço
Surtam nas ondas das amarguras
Dos indeléveis prazeres mundanos

São santas e profanas... as bocas...
Lânguidas e labiosas...curiosas
Sensações no margear da loucura,
Libidos em chamas se alimentando

De delírios causando rios de tonturas,
É o amor saqueando toda resistência
No frenesi sensual das buscas
Cospem a água benta ou veneno

Das palavras eróticas e obscenas
No passeio das salivas e cenas
Carícias sem acariciar, sopro da brisa,
Arrepiando, alucinando... queimando

Penetrando, passando em cada veia,
Delírio abismal... que teima em ficar
Engolem e roçam gengivas
Letras em impulsos de ogivas

Contato do gozo e do orgasmo
Rangem frenéticas mandíbulas
Pele ardente seduzida como seda

Nas trilhas alucinantes das bocas secas,
Saciam nossa sede sem nenhuma timidez
Febre ardendo eliminando toda lucidez

Ah! bocas profanas, santas, marginais,
Atrevidas em seus delírios vagabundos
E em seus versos eróticos e marginais

Que se fundem no tesão... em ebulição
Sevícias em carícias e malícias
Mastigam o remédio da cura

Indo ao encontro d’outros lábios
Na dança celestial das línguas
Festejam no tablado do céu

Na pele, na coxa, na gruta...em véus
Saciam o apetite feroz da fome
Ah! Desbocadas...ousadas...sem nome

São carícias abismais em ritmos sensuais,
Trilhas úmidas de prazer e ousadia...
Fome libertina sem poder ser saciada
No auge da colheita libertina e vadia

Atrevidas, bagunceiras, sussurrantes...
Não há quem não se quede aos teus encantos
Sempre insinuantes...estão em todos os cantos
Satisfeitas, carentes como loucas e delirantes

Euforia de corpo a corpo em nossas bocas,
Nossos atrevimentos de pura e fiel satisfação
Das fomes devorando milhões de encantos

Nesse nosso último ato nos domando...
Nossas bocas delirantes não são santas
Mas bocas de prazer... que buscam saciar
No auge duma noite de luar estão a cantar

Nos embriagando e nos fazendo delirar...
Assim é a minha...a tua...a nossa boca?!
Na procura do beijo sensual e ardente
Na terra...no ar ou no mar querem apenas amar...

E se beijar...beijar muito...nas bocas!

Duo: Salomé&Hilde
Navegando Amor
Publicado no Recanto das Letras em 17/05/2008
Código do texto: T993333
http://recantodasletras.uol.com.br/duetos/993333

Têxto em construção...sujeito a aprovação da Salomé

Retrato de Hildebrando Souza Menezes Filho

Perfume de mulher

No salão propagava
Aromas pelo ar
Numa adorável sensualidade

Entre tatos um convite a dançar...
Seu olfato a chamava como brasa
Sentindo uma agradável sensação

Nascida da pulsante emoção
Entram garbosos no salão
Estremecem com tamanha sedução

Toda entregue em suas mãos
Ele a protege...circula e rodopia
Pernas, braços, corpos entrelaçam

Rostos colados...devotados...na canção
Entre os acordes dos violinos
Piano e acordeom acompanham o tango

Que enternecem... movidos pela ação...
O espetáculo de beleza que se vê...
Naquele par a bailar na pureza de ser

Compasso, passo a passo alucinante
Fascinante, estonteante...explosão!
Em círculos, rodopios, lado ao lado

Com a agilidade nos braços
Colam os rostos, trançam as pernas...
O perfume que evapora na imaginação

Silêncio abafado nas mesas, cadeiras
Os olhares atentos brilham, sorriem...
É a magia da música...da musa portenha

Domínio pleno... do macho e fêmea
Adornados pelos passos
Ela vibra no toque dos ternos abraços

Cenário...imagens...momentos perfeitos
Nunca o amor dançou tanto e tanto...
O par viril é arte pura

São duas almas dançantes
Voando ritmadas delirantes
No ambiente ...pulsantes!

Em estado sutil de encantamento
Nessa noite dos mais elevados sonhos
Coroada com aplausos dos presentes

Aos dois bailarinos intensos e contagiantes

Hildebrando Menezes

Navegando Amor
Publicado no Recanto das Letras em 16/05/2008
Código do texto: T992816
http://recantodasletras.uol.com.br/poesiasdealegria/992816

Retrato de Hildebrando Souza Menezes Filho

Seo Bastião...

Verdureiro...É o rei da feira
Abre a boca e solta a fera
Cantarola com suas caçarolas
Cantigas para vender calçolas

Faz de tudo para ganhar uns trocos...
Sua goela é poderosa...como soco!
Ao soltar a sua voz forte e estridente
Alegra a garotada...risos nos dentes

Tem uma dúzia de filhos dependentes
Que vivem sempre magrelos e doentes
Mas Seo Bastião não amolece, não!
Vai à luta e grita com todo seu pulmão.

É da sua labuta...do seu suor que ganha o pão.
Não se importa com as chacotas, nem lorotas...
Dos ricaços das cidades...faz até troça...
O que importa e o conforta é a tralha

Planta, colhe e vende a sua verdura
No seu 'carrinho quitanda'...vida dura!
Lá vai Seo Bastião com seu bocão
Se alguém rir dele...coça os 'culhão'

Ah! Seo Bastião o que seria da emoção...
Se não fosse o seu enorme vozeirão?
Nesse mundo tão perverso e desigual
Onde todos se calam...não lhe dão a mão?

Chova ou faça sol... tem que vender a sua fruta
Faltam-lhes outras rendas...além dessa quitanda
A vida lhe foi injusta...sem estudo...nem conteúdo
Só lhe restou botar a boca no mundo

Hildebrando Menezes
Navegando Amor
Publicado no Recanto das Letras em 15/05/2008
Código do texto: T991403
http://recantodasletras.uol.com.br/poesias/991403

Retrato de jeffsom

paradigma da agonia

Eu jamais esqueço, mas odeio que quer me lembrar...

coisa que a vida me fez ter em comum com a parodia de ser um alguem simples é ter que suportar a agonia de jamais saber o motivo do que tento intensivamente esquecer...

Nunca pensei que as coisas uma dia pode-se chegar a ser um paradigma que eu mesmo criei e eu mesmo enrolei, teci e agora não imagino um motivo para ainda estar aqui olhando pra o céu de estrelas claras e onividentes que prevêem não meu futuro mas o passado que o tempo não nega e as opções que jamais fiz...

Saber que o tempo é amigo do meu pior inimigo e dono do relógio que rege minhas forças me faz pensar se eu controlo o que faço ou se faço o que penso ser correto sendo controlado, será tudo isso uma maquina que é movida pelo ,meu imenso desejo de acreditar que sou eu que manejo o chicote e não o burro que puxa a carroça...

Penso que penso e acho que o rumo da estrada sou eu que trilho mais a duvida que me rege é se o controle é meu ou se sou eu o controlado.

Retrato de Hildebrando Souza Menezes Filho

BOCA DELIRANTE

Sábia e faceira...
No escuro procura
O percurso tateia
Entre aranhas e teias

Quer o fruto proibido
Mesmo que por viés errante
Lança seus lábios alucinantes
Vulvas... gritam vibrantes

Veias acesas e pulsantes
Deliram intensas... presentes
Bocas propensas aos mergulhos
Tecem fios em agulhas...fagulhas

Surtam nas ondas das amarguras
Dos indeléveis prazeres mundanos
São santas e profanas... as bocas...
Lânguidas e labiosas...curiosas

No frenesi sensual das buscas
Cospem a água benta ou veneno
Das palavras eróticas e obscenas
No passeio das salivas e cenas

Engolem e roçam gengivas
Letras em impulsos de ogivas
Contato do gozo e do orgasmo
Rangem frenéticas mandíbulas

Sevícias em carícias e malícias
Mastigam o remédio da cura
Indo ao encontro d’outros lábios
Na dança celeste das línguas

Festejam no tablado do céu
Na pele, na coxa, na gruta...em véus
Saciam o apetite feroz da fome
Ah! Desbocadas...ousadas...sem nome

Atrevidas, bagunceiras, sussurrantes...
Não há quem não se quede aos teus encantos
Sempre insinuantes...estão em todos os cantos
Satisfeitas, carentes como loucas e delirantes

Assim é a minha...a tua...a nossa boca?!

Hildebrando Menezes
Navegando Amor
Publicado no Recanto das Letras em 15/05/2008
Código do texto: T990621

http://recantodasletras.uol.com.br/poesiasbucolicas/990621

Retrato de Hildebrando Souza Menezes Filho

Entre os cafunés...

Teus versos tão bonitos
Burilados, bafejados, sussurrados
Entraram em meus ouvidos...

Como sopro de uma brisa
Acalentando veias e ossos
Fiquei em estado de encanto...

Como se as palavras roçassem
Dos pés à cabeça... tocassem!
Em carícias suaves e delicadas

Inebriado estou... como gato afagado
Rosnando...espreguiçado pra todo lado
Meio tonto...’troncho’... abobalhado

Pêlos eriçados entre bocejos
Foram letras repletas de beijos
Solfejos de mil desejos

Que do sol... à lua...tudo brilhou!
Nuvens sorriram...gotas de orvalho caíram
Flores abriram e pássaros cantaram

Tudo verteu fantasia e poesia...
A noite se fez dia de alegrias
Árvores, montanhas, planícies

Paisagens, cidades, miragens
Orquestras tocaram sinfonias
Queixos caíram...bocas se abriram

Sentindo...inalando o teu perfume
Multicores desenharam esplendores
Colorindo, esculpindo os amores

Esquecidos dos queixumes e dores
Descobertos os caminhos e veios
Fulgurando horizontes distantes

Saciando a saudade das ausências
Lambidas as emoções e carências
Embebido no suco da fruta e da labuta

Degustadas as sanhas e suas manhas
Que gotejaram de minhas pálpebras
Da abelha... mel escorrido das favas...

Adocicaram meus lábios salgados
Dinamitando todos os meus enfados...
Fazendo o vulcão interior cuspir lavras

No carinhoso ensandecido movimento
Realizando sonhos...matando lamentos
Que sentimento gostoso e sem protocolo

Planastes... da tua alma... à tiracolo...
Agora já posso alçar vôo neste solo
Embevecido ao encontro do teu colo

Sem teias de aranha no sótão...
E nem o veneno das lágrimas
Adormeço em teus braços...

Já pulsando o enlaço dos abraços

Hildebrando Menezes

Obs: Inspirado no vídeo ‘Cafunés’ da Enise
http://www.youtube.com/watch?v=4i88NQ-yFgo
Navegando Amor
Publicado no Recanto das Letras em 14/05/2008
Código do texto: T988668
http://recantodasletras.uol.com.br/poesiasdeamor/988668

Retrato de Enise

Cafunés...

E viva o romantismo...


Retrato de CarmenCecilia

QUERO

QUERO

Quero...
Uma nova esperança
Quero...
A alma de criança
Quero...
Um novo amanhecer
Quero...
Renascer!
Quero...
Voltar a sorrir
Quero...
Um novo porvir
Quero...
Iluminar... Sonhar
Por mim me apaixonar
Quero...
Desabrochar e me achar...
Reencontrar!
Quero...
Um novo caminho
Sem desalinho
Quero...
Prosseguir
Sem retroceder
Sem ceder...
Quero...
Encantar-me
Fascinar-me
Cantar... Dançar
Quero...
Avançar...
E novamente
Minha felicidade buscar...

Carmen Cecília
11/05/08

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