tormento

Retrato de Hildebrando Souza Menezes Filho

Seo Bastião...

Verdureiro...É o rei da feira
Abre a boca e solta a fera
Cantarola com suas caçarolas
Cantigas para vender calçolas

Faz de tudo para ganhar uns trocos...
Sua goela é poderosa...como soco!
Ao soltar a sua voz forte e estridente
Alegra a garotada...risos nos dentes

Tem uma dúzia de filhos dependentes
Que vivem sempre magrelos e doentes
Mas Seo Bastião não amolece, não!
Vai à luta e grita com todo seu pulmão.

É da sua labuta...do seu suor que ganha o pão.
Não se importa com as chacotas, nem lorotas...
Dos ricaços das cidades...faz até troça...
O que importa e o conforta é a tralha

Planta, colhe e vende a sua verdura
No seu 'carrinho quitanda'...vida dura!
Lá vai Seo Bastião com seu bocão
Se alguém rir dele...coça os 'culhão'

Ah! Seo Bastião o que seria da emoção...
Se não fosse o seu enorme vozeirão?
Nesse mundo tão perverso e desigual
Onde todos se calam...não lhe dão a mão?

Chova ou faça sol... tem que vender a sua fruta
Faltam-lhes outras rendas...além dessa quitanda
A vida lhe foi injusta...sem estudo...nem conteúdo
Só lhe restou botar a boca no mundo

Hildebrando Menezes
Navegando Amor
Publicado no Recanto das Letras em 15/05/2008
Código do texto: T991403
http://recantodasletras.uol.com.br/poesias/991403

Retrato de jeffsom

paradigma da agonia

Eu jamais esqueço, mas odeio que quer me lembrar...

coisa que a vida me fez ter em comum com a parodia de ser um alguem simples é ter que suportar a agonia de jamais saber o motivo do que tento intensivamente esquecer...

Nunca pensei que as coisas uma dia pode-se chegar a ser um paradigma que eu mesmo criei e eu mesmo enrolei, teci e agora não imagino um motivo para ainda estar aqui olhando pra o céu de estrelas claras e onividentes que prevêem não meu futuro mas o passado que o tempo não nega e as opções que jamais fiz...

Saber que o tempo é amigo do meu pior inimigo e dono do relógio que rege minhas forças me faz pensar se eu controlo o que faço ou se faço o que penso ser correto sendo controlado, será tudo isso uma maquina que é movida pelo ,meu imenso desejo de acreditar que sou eu que manejo o chicote e não o burro que puxa a carroça...

Penso que penso e acho que o rumo da estrada sou eu que trilho mais a duvida que me rege é se o controle é meu ou se sou eu o controlado.

Retrato de CarmenCecilia

QUERO

QUERO

Quero...
Uma nova esperança
Quero...
A alma de criança
Quero...
Um novo amanhecer
Quero...
Renascer!
Quero...
Voltar a sorrir
Quero...
Um novo porvir
Quero...
Iluminar... Sonhar
Por mim me apaixonar
Quero...
Desabrochar e me achar...
Reencontrar!
Quero...
Um novo caminho
Sem desalinho
Quero...
Prosseguir
Sem retroceder
Sem ceder...
Quero...
Encantar-me
Fascinar-me
Cantar... Dançar
Quero...
Avançar...
E novamente
Minha felicidade buscar...

Carmen Cecília
11/05/08

Retrato de CarmenCecilia

QUANDO EU SONHAVA VÍDEO POEMA

POESIA
JOANINHA VOA

EDIÇÃO
CARMEN CECILIA

MÚSICA
UN NOM D' UNE FEMME

Quando eu sonhava

Sempre que eu sonhava
Pensava ter teus sonhos
Nos meus!...
E no sonho
Eu via-te e sentia-te
E quando acordava
Tu estavas lá
Não eras uma imagem
Fugidia
Eu tocava-te
E alcançava-te
Sabia de prazer
E de dor
Agora desperta
Que vejo eu?
Raio incerto
Um trajecto
Descaminhado
Vagão descarrilhado
Imensa solidão
D´um pensamento
Atrofiado
Que nunca foi projectado
No tempo que era tempo
No tempo que era dado
Quando eu sonhava
Pensava que tínhamos
Os mesmos sonhos
Os dois!...


Retrato de Hildebrando Souza Menezes Filho

Mãe... doação da vida!

Saltitam múltiplas e variadas emoções...
Dos filhos às mães em todas as nações
Não só pelo simbolismo do significado
Mas pelo realismo tocado e vivenciado

Foi lá do ventre...do âmago...do nascimento
Por onde fomos tecidos...cuidados...paridos!
Amar a mãe é louvar à sua própria origem
O mesmo que rezar e abençoar à terra

Por fazer brotar das suas entranhas...
O alimento suculento que nos sustenta
Sim! A maternidade é algo sacrossanto
Colo...berço...doçura...começo do começo

Formação do caráter e seus avanços
Poço de ensinamentos e sentimentos
Pedra lapidar dos mais variados encantos
Todos nós devemos nos prostrar com cantos

Louvando a Deus e às mães em muitas orações
Pela vida...suas feridas...carinhos e devoções
Não consigo imaginar...versar...vibrar o coração
Sem surgir a imagem de minha mãe na pulsação

Embora entristecido por não vê-la aqui em ação...
Poder dizer-lhe ao seu pé d’ouvido minha gratidão
Entoar-lhe carinhos, afagos... mimos em profusão

Adoto a todas as mães como se minhas fossem...
Enviando-lhes o meu sincero e melhor dos desejos...
Aperto quentinho de abraço...num cheiro...num beijo!

Hildebrando Menezes
Navegando Amor
Publicado no Recanto das Letras em 04/05/2008
Código do texto: T974554
http://recantodasletras.uol.com.br/homenagens/974554

Homenagem: Permitam escolher 4(quatro) mulheres mães
para ofertar este poema, sem demérito às outras:

Ceci_Poeta
Fernanda Queiroz
Rosana Buarque
Enise...

Sintam-se todas as demais mães, aqui também representadas,
e a minha, lá do céu (Aida Nardi Menezes) acariciada.

Retrato de Martorano Bathke

Por quê?

Por quê?
Por que me fascinas tanto ó Luz?
Ao amanhecer rasgando a aurora? Não sei, eu acordo tarde. Ao anoitecer se escondendo na escuridão? Sinto-me como o espião que espia pelo buraco da fechadura e a Luz esta apagada.
Quando mergulho em águas cristalinas e te olho de baixo e te vejo marulhada? Se te olho de cima a refletir nestas águas, só Tyndall, explica. Para ver as confusões que fazes no interior das estrelas tenho que ter o longo olho de Galileu.
Por que se sabe tão pouco sobre o Rei Salomão? Uns dizem que Deus te concedeu o dom da sabedoria e do conhecimento. Outros te chamam de extraterrestre. Os que tentaram subir no teu trono os teus leões e águias, feitos de uma liga de metais ou minerais que os alquimistas perderam a fórmula, trituraram a perna do Rei Manco. Mas só a Rainha de Sabá, sabe, ela é quem te viu sem roupa.
Por que tantos ficam querendo explicar como os egípcios ergueram blocos tão pesados tão altos? E poucos dizem que foram moldados in locu, com areia calcário e mais uma pitada do outro alquimista que o Faraó jogou dentro do caldeirão da feiticeira.
Se Freud explicou eu não consegui entender.
Por que você tem que pagar para o médico te introduzir aparatos metálicos e escancarar a tua vagina, ou enfiar o dedo no teu ânus, e você, sai rindo e lhe puxando o saco? Dos outros dois não vou falar, mas vocês sabem quem é. A versão da Santíssima Trindade terrena. É porque tenho que ter cuidado, sou pirilampo, a minha Luz é pequena. Nuno Cobra falou do tripé da castração humana. Mas este é outro.
Muitos pagam o Fisco, eternamente desde que o mundo é mundo, para poucos se esbaldarem na “Festa das Mil e Uma Noites”. Deve ser porque eu e vocês meus amigos que somos maioria, de nós ó Luz tu te escondes, sem você não temos conhecimento, dinheiro e poder. Mas se conforme pirilampo não tem caviar para todos, o que tínhamos de graça e em abundância a água, defecamos nela. A Rainha é uma só e para poderes fornicar com ela, tens que ser tratado com geléia real.
Ó Luz estas aqui e não te vejo, é porque estás dentro e eu olho para fora? Ou é porque só a matemática consegue condicionar um evento a outro? Pois na vida real, quando condiciono um evento ao outro inibo os dois!
Marorano Bathke
e-mail: ronald@ps5.com.br

Retrato de Hildebrando Souza Menezes Filho

Uma prece a Deus - Video: Enise e Texto:Hilde


Uma prece

Quero pedir ao Espírito Divino...
o dom de olhar, sonhar, orar
e escutar mais. Falar e chorar
cada vez ainda menos.

Olhar nos olhos de quem sofre,
ama, padece, crê e se admira...
sem inveja, desprezo ou ira.

Quero meus ouvidos em sintonia...
sem fazer juízos...mas com atenção...
aos gestos, carinhos e emoções.

Que eu tenha a sabedoria de saber ouvir...
mesmo quando a palavra me seja dura,
áspera, injusta e caluniosa. Apenas ouvir...

Que eu deixe meus sonhos fluirem sem
os ruídos do insensato pessimismo...
mas que façam re-nascer em mim
o amor mais puro, vigoroso e sublime.

Que de tanto sonhar... meus
sonhos se realizem e eu possa
amar e ser amado...e se isso
não ocorrer... que eu não perca
o encanto de continuar amando .

Que eu ressuscite a todo instante....
quando meu coração estiver morrendo,
de sofrimento ou de desengano. Que
eu me levante, estufe o peito e vá em
frente...sempre corajoso e valente.

Que tudo continue a me fascinar...
minha inspiração a brotar e não
deixe nunca de conjugar o verbo
amar...amando e amando somente.

Que eu faça do silêncio...meu amigo...
que meus movimentos sejam de paz.
Que eu busque sempre o bem...mas
que também esse bem não me deixe.

Que eu não canse de versar...
e escreva sempre os meus poemas.
Que a luz da inspiração brote lá no
mais profundo do Espírito Santo.

Que eu seja mais sentimento...
que meros e simples pensamentos.
E que a compreensão seja a morada,
onde possa descansar a cabeça cansada.

Que meus atos sejam amorosos...
menos raivosos, mais ternos e dadivosos.
E que minhas palavras alimentem...
outras mentes... plantando sementes...
de consciência, sabedoria e plenitude.

Que os frutos que nasçam dessa seiva...
sejam doces e saborosos e a sua colheita,
as suas plantas dêem o sustento aos
velhos famintos e às crianças.

Que minha oração saia do fundo d'alma...
voe leve rumo aos céus e retornem à terra...
com a sua benção...curando aos
doentes e dando esperança aos
descrentes e dementes.

Que em todas as dimensões...
planícies ou montanhas...estradas...
terra, mar e ar...o calor do afeto
me acompanhe e eu o re-distribua
com sinceridade e exuberância.

Que a harmonia da natureza viva
comigo em todos os instantes...
criando e recriando constante.

Que minhas lágrimas sejam de alegria...
cessando às de sofrimento e lamento.
E que as minhas dúvidas se dissipem.

Que a dignidade do empenho e esforço
pelo meu trabalho... me recompensem...
numa velhice tranqüila e serena...
e que eu tenha o calor do seu amparo.

Que eu nunca sofra do mal....
do medo, da morte, ou abandono,
mas que eu o aceite como dono...
Deus Todo Poderoso...
dos meus passos e do meu destino.

AMÉM!
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Hildebrando Menezes
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Veja em video
Uma prece...
http://www.youtube.com/watch?v=yYCMbGQclUY

Retrato de Hildebrando Souza Menezes Filho

Centelhas...

Com seus nervos em frangalhos
Todas suas veias se incendeiam
O poeta está calado...assustado!
Meio trôpego... meio baratinado

Está entorpecido...pobre coitado!

Sonhava, aspirava, ansiava,
Desenhava, previa, queria,
Desejava, rascunhava, antevia
Pelo amor da sua triste vida

E como versou enlouquecido...
Seus gritos, sussurros, murmúrios
Palavras com e sem sentido...incontido!
E distraído...sem nenhum alarido...

Pela milimétrica fresta... ela entrou!

E o atingiu bem no alvo
Ele baqueou e quedou...
Seu coração irrequieto...pulou!
Num acelerado movimento pendular

Ritmo ensandecido da paixão a pulsar

Agora cambaleia como ébrio louco
Anestesiado...atingido...pelo torpedo!
Está invadido por imagens e sons
Sonhos e realidade se misturam...

No vazio...no conteúdo...da sua poesia
Nos impulsos...desse susto...fantasia
Projeta seu mais alto vôo ao paraíso...
Onde a terá em seus braços cansados

Àquela amada por tanto tempo sonhada
Cantada e decantada pela estrada...
Nas suas caminhadas...nas disparadas
Almejando a felicidade como morada

E tudo agora como num passe de mágica
Se aquieta à sua volta...como reviravolta
Porque ela acenou... chegou! Sim! Ela mesmo!

A sua doce poetisa... sua eterna namorada.

Hildebrando Menezes
Navegando Amor
Publicado no Recanto das Letras em 27/04/2008
Código do texto: T964075
http://recantodasletras.uol.com.br/poesiasdeamor/964075

Retrato de Sonia Delsin

NEM MAR, NEM CÉU

NEM MAR, NEM CÉU

Nuvens negras cobrem o sol que tu buscavas
Nem mar, nem céu...
Quebrado o cristal mais caro
O bem tão raro
Se explica um fato?
Se queima a casa por causa de um rato?
Nem mar, nem céu
Pensamento ao léu
Quem imaginava mel se estanca em fel
Embaixo da casca, lá no fundo do cerne um verme
A corroer os dias
Adeus a todas as alegrias
Se inventa, tenta
Fantasias

Retrato de CarmenCecilia

ANJO

ANJO

Anjo venha e me guarda
Não fique na retaguarda...
Livre me de maus fluidos
Do que não tem sentido...

Sentimentos em turbulência
E de qualquer má influencia
Venha e pouse sua mão...
Mesmo na contramão...

De todo o senão...
Diga não e dê-me a mão
Orienta meu coração...

Voe o mais alto possível
E me leve invisível...
Desse tudo que é instável

Carmen Cecília

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