tristeza

Retrato de Carmen Lúcia

Vida não vivida

Hoje lembrei-me de você...
Sua lembrança me veio de súbito.
Nem sei porque
invadiu-me um certo júbilo,
o mesmo que sentia anos atrás
quando ainda era tempo de amar.

Há tempos me ausentei de mim
sufocada pela vida que me fora imposta
ou que eu mesma escolhi,
desperdiçando os melhores momentos,
aqueles que a gente mais gosta,
que passamos e que passaram por nós...
Que se enroscaram nos nós
e se perderam, após,
nessa vida louca que dá e cobra,
libera e acorrenta,
atiça e não sustenta.

Hoje lembrei-me de você
e consequentemente de mim também...
Fechei-me e não me abri a ninguém,
dei-me ao luxo dos devaneios,
passeei nas emoções...
Voltei ao passado
onde o deixei parado
sem nada entender....
Que fiz a escolha errada,
que eu queria muito mais
do que simplesmente ser amada,
que só o seu amor não seria capaz
de me satisfazer e me fazer feliz...

Hoje caminho apressadamente
sem nada buscar... Inutilmente.
Tento apagar de minha mente
e de meu coração vazio
a vida que com você seria,
que não vivi ... que eu perdi...

Carmen Lúcia

Retrato de Felipe Ricardo

Poesia Em Vermelho

De repente um barulho
E tudo parece um formiqueiro

Sirenes tocam, gente fala, grita
Chora, ri e praqueja por alguem

Um silencio... Um corpo estatico
No chão e no asfalto sua ultima
Poesia se escreve em vermelho

Retrato de Felipe Ricardo

Poesia Em Vermelho

De repente um barulho
E tudo parece um formiqueiro

Sirenes tocam, gente fala, grita
Chora, ri e praqueja por alguem

Um silencio... Um corpo estatico
No chão e no asfalto sua ultima
Poesia se escreve em vermelho

Retrato de Carmen Lúcia

Doce ilusão

Amasso teu retrato de encontro ao peito
pra te sentir de novo, inda que seja assim...
Clamo por teu nome, te imagino aqui,
só por um instante trago-te a mim.

Beijo teu sorriso, colo-o em meus lábios,
lágrima e saliva deixam-no molhado...
Afago teus cabelos como fazia outrora,
aperto teu retrato pra que não vás embora.

Nesse momento intenso de grande ilusão
tento voltar o tempo, vibrar as sensações,
as muitas que vivi e não foram mostradas
porque as emoções não são retratadas.

Carmen Lúcia

Retrato de Carmen Lúcia

Marcas...

No corpo, a marca da roupa da moda
e os tênis de marca realçando os pés,
cabelos marcados de nós desatados
dos laços de fitas, em tons dégradé.
Nos lábios, as marcas vermelhas
do batom preferido
revelam um beijo que muito marcou.
Na pele a marca do sol de verão,
bronzeado de praia a marcar a estação.
No peito, coração a pulsar disparado...
marcando o compasso do primeiro amor.

No rosto, as marcas do tempo,
veloz redemoinho marcando o chão...
Cabelos marcados por lenço amarrado
guardando o grisalho e as marcas da dor.
No peito, pegadas marcadas
são rastros de amor que por ele passou...
Os olhos sem vida, sem cor, desbotados,
demarcam as cinzas de grande paixão.
Os passos se arrastam, pesados, cansados...
alastram as marcas que o tempo deixou.

Carmen Lúcia

Carmen Lúcia Carvalho de Souza
15/08/2007

Retrato de Carmen Lúcia

Qual de nós dois?

Qual de nós dois deixou primeiro de sonhar
sem sequer imaginar o que poderia causar...
Qual de nós dois se desvencilhou de todo encanto
pintando em cada olhar a dor do pranto...

Qual de nós dois deu o primeiro passo em falso
e se perdeu pelos caminhos bifurcados...
Qual de nós dois matou em si a alegria
mostrando a falsidade num sorriso de ironia.

Qual de nós dois foi se afastando sutilmente
sem apagar os rastros fincados indelevelmente...
Qual de nós dois abriu a porta errada
deixando entrar a amargura cerrada...

E hoje é ela quem comanda
a vida destinada a nós dois
que aos poucos foi ficando pra depois
restando agora apenas a saudade.

Qual de nós dois deixou que se perdesse tanto amor
ao nos atirarmos um ao outro, na ânsia de nos entregar...
E agora tudo passou, não há como voltar,
a chance de se amar já se acabou...
É tarde pra recomeçar...

Carmen Lúcia

Retrato de Marcelo Fouquet Rosembrock

Lágrimas...lembranças!

Papéis perdidos
lembranças marcadas...
Nada e nem ninguém
apagam as lágrimas!
serão as melhores amigas
do hoje...
caminhando de mãos dadas
dum passado pouco distante
o ontem mesmo
que é o hoje lembrado
imaginam bons e
maus momentos.
Sentimentos vagos...
Nenhum amigo é tão fiel
quanto as lágrimas
que rolam do meu rosto
Lágrimas lavam a alma
arrancam a dor,
acentuam minha alegria
jamais abandonam...
meus momentos sofridos
sorriso movidos pela dor,
Quem inventou as lágrimas
talvez não soubesse a importância
lacrimejar traz benefícios
Ao nascer...choramos
vivemos em lágrimas
com alegria ou muita dor
quando partimos choramos pela perda
pela falta dos amigos
daqueles amores que se foram...
Habitam todos os seres
homens e mulheres
em todos os lugares...
(Fouquet, 26 de agosto de 2010)

Retrato de robson oliveira

Máquina de escrever

Quando criança achava o máximo uma maquina de escrever
Quando a vi pela primeira vez
Fiquei maravilhado
Ia-se apertando as teclas na maquina
E as palavras apareciam no papel
Naquele tempo não tinha essas outra maquina (computador)
Então maquina de escrever era luxo
Minha professora tinha uma
E um dia eu a vi escrevendo
Eu disse um dia eu vou ter uma
Criança quer tudo
Mas eu queria uma maquina
Passaram-se os anos e eu queria maquina igual
Veio o computador e tomaram conta
Daí um dia em um trabalho que eu havia arrumado
Lá estava ela
Uma máquina de escrever
Fiz um brigue
Pobre não compra, faz brigue.
Levei pra casa e tal maquina
Feliz era eu ia escrevendo pelo caminho
Um peso
Morava longe
Cheguei lá cansado
Mas nem cabia em mim de felicidade
Coloquei no meu quarto
Feliz era eu
Pena que eu morava com minha tia
Que tinha um filho pequeno
E meu quarto não tinha porta
Quando eu voltei do trabalho no segundo dia
Não tinha mais teclas a maquina
Eu arrumei
No outro dia não tinha mais fita
Eu arrumei
No outro dia nem fita nem tecla
Não deu mais pra arrumar
Tanto quis uma maquina
E quando a tive durou apenas dois dias
Às vezes queremos tanto uma coisa
Mas quando a temos ou a conquistamos
Esquecemos o valor que ela realmente tem

Retrato de Marcelo Fouquet Rosembrock

Um instante apenas!

Por um instante
apenas chorei...
por outro instante...
depois eu pensei
sucessivos instantes se passaram
questionei se é possível
ou mesmo posso entender
O AMOR...
Outros instantes vieram
minha alma solta estava
procurando resposta
que a tempos buscava
procurava em todo lugar
se há respostas
ou se há algum remédio
para curar essa dor
que fere...e mata
destrói toda felicidade
sorrisos se apagam
a alegria vai embora
o amor...ah! o amor!
Por um instante apenas...
Eu acreditei no amor...
Instantes são assim mesmo...
vem e vão a todo momento.
(Fouquet, 22 de agosto de 2010)

Retrato de Ceci_Poeta

PRA ESCONDER O PRANTO

PRA ESCONDER O PRANTO
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Muitas são as vezes que rio, somente para esconder o pranto.
Muitas são as vezes que canto, só pra espantar a solidão.
Muitas são as vezes que grito, só pra abafar o soluço.
Quantas vezes puxo o véu do esquecimento, pra tentar te esquecer.
Quantas vezes traço esboços, tentando achar uma saída.
Quantas vezes me pego falando com o vazio.
Quantas vezes lanço palavras ao vento, que voltam mansamente se apoderando de mim.
Quantas vezes choro baixinho, sem ninguém pra me secar o pranto.
Quantas recordações se apoderam do meu coração.
Furtivas lembranças teimam em ficar, num gesto de carinho, que hoje se aninham em minh'alma.

Cecília-SP/10/2009*

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