Blog de Letícia

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O certo do avesso

Nas tuas mulheres
Em todos os homens
No giroscópio que faz o mundo
Desgovernar
Não há paz
Mas cada sorriso insiste
E se faz desescondidamente
Gritar

Mulher composta
Decompõe tua história
E deixa o avesso se equilibrar
Em tuas curvas
Em teus rodeios
E em teu picadeiro expor

A crueza da dor amarela

(Mas, como dizia vovó:
“Amarelo é tão alegrinho!”)

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Eu não te vejo

Eu não te vejo
Sonho de minhas tardes insones

Eu não te vejo
Na chuva que me desafoga

Eu não te vejo

Mas te desejo
Como a terra seca deseja a chuva
E te procuro como a única chave
Que destranca todas as minhas portas

E me entrego nesta busca insana
E elogio a loucura
Que me atordoa
E grito teu nome
Que pela casa ecoa
Imprimindo nossa paixão em cada vão

Em cada desvão
Em todo o desvelo
Numa paixão
De se arrancar os cabelos
Nos dentes trincando os lábios
Na pele explodindo em arrepios
Em todo meu ser pulsa este homem

Que todos me abandonem
Mas que eu não o perca
Ou que eu me perca
Totalmente
Para, demente,
Continuar a busca
Nesta tortura cíclica
De chuva
De visagens
De voragens
De vertigens

Para enfim descansar

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Materialização

Por que te fizeste carne?
Enquanto espírito
Eras sensação de paz e de alegria
Agora, és também paixão

Que faço desta tua essência
Que me impregna a pele?
Sou toda em ti – realizada

Ando à roda de mim mesma
E te consumo no meu espaço

Desejos estranhos de morder
De gargalhar e dançar na chuva
Correr de ti para encontrar-te
E em ti ser feliz

Tens sido tanto...
Tão maravilhoso, tão delícia
Nem precisavas ser assim
Tão completo
Bastava-me teu humor
Tua constância
Não pediria mais que isso

Entretanto...
Estás presente
No sol na lua na madrugada
Nos sabores e na arrumação

E na desarrumação que em mim fizeste
Organizaste minha existência

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Revisitar

Visitei os sonhos que já vivemos
À procura de um sentimento que já não há.
Em tormento, vislumbrei nosso passado
E descobri dois amantes embriagados
De amor, de paixão, de luar.

Passeei por teu corpo de outrora
Estes meus olhos desaguados de agora...
Num espanto, recordei tua geografia:
Vales, montanhas, enseadas e baías,
Onde eu, suprema senhora, sobrevivia.

Degustei tua boca de olhos fechados
Como tantas vezes, no passado, eu o fiz...
E me entreguei às sensações delirantes
Que me remeteram ao tempo de antes
Quando, loucos, fingimos - gigolô e meretriz.

Tentei, desesperada, apagar tua lembrança
Que ainda me persegue e, num segundo, me lança
À mesma velha situação - irônica, paradoxal:
Matei teu amor por ódio e ressuscitaste
Para trazer-me bons sonhos e fazer-me mal.

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Há Matar

Já não velo meu sono
E tu não te encontras em meu sonhar
Apenas no abandono de nossas idéias
Perdemos o momento precioso de nos desafiar
A desfiar nossos rosários
Para em contas descobrir que queremos subtrair
Nossas dores dos amores
Que tentamos não sentir
Para parir novos poemas
Para atormentar nossas meninas
Para esquecer nossa sina
E permanecer a vagar

Recusando e forjando um beijo torto
E deixando o tosco rosto que nos repugna
Para buscar o beijo certo
E o rosto de sorriso aberto
Que nos pode restituir
A calma
A alma
Destruir o trauma e construir novos pesadelos
Para que nossos monstros possam enfim nos matar

E então, viver
A beleza da morte
Que é sorte
De quem consegue
Despir-se da candura
Deixar que a tortura seja senhora
E,
Curvado,
Receber o toque precioso
Que pode nos consagrar

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Responde

Quero teu grito, tua loucura, teu gesto insano e tua ternura
Quero tua sanidade na ponta dos dedos
E minha loucura sob teus medos
Quero todos os nossos segredos escancarados
Nos mesmos dados que nos revelam
A tua dor
A minha dor
A dor suprema
Que nos permite nunca sofrer
Posso querer?
Ou devo apenas me esconder e como tu mesmo me fingir oculta?
Nunca mais nossa permuta?
Nunca mais nós?
Apenas o segredo antigo
A dor
O desejo
E o medo?
Apenas isso?
Que tanto pergunto se não me ouves?
De que me valem meus anos se ainda me engano com uns olhos ternos?
Sejamos o que nunca concebemos
E que nossa terra bem leve apenas nos vista
E que nunca
Nunca
Niguém descubra
Que te amei

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Alternativa

Seria bom ouvir outra voz que não esta
que grita em meu interior
Seria muito bom não me oferecerem amor
É só o que peço: desprezo total –
bem melhor que uma promessa banal

Algo que desconheço me torna este ser
que teme o domínio do medo
Algo que pode ser um eterno segredo
É tudo o que temo: jamais conhecê-lo –
bem pior que um inferno vermelho

Não ter tanto temor do que causa o medo
que domina minha vida
Não ter toda essa alegria fingida
É pouco o que busco: calma reforçada –
bem mais que uma coragem falseada

Saber um outro brilho nos olhos que não este
que teme todo o desconhecido
Saber boa a vida sem ter morrido
É muito o que espero: paz espiritual –
bem menos que uma morte casual

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Finados

Não choro
Tua ausência
Choro minha desesperança por ter te perdido
Choro minha inconstância e meu ser partido
Que jamais voltará a te ter

Choro nossas alegrias
Que se esquecem
No dia-a-dia que me enlouquece

E faço uma prece por mim

Choro nosso desencontro
Choro teu tempo finito
Choro porque acredito
Que te perder foi minha morte

E não quero ser forte

Quero toda a dor de tua ausência
Quero a lembrança constante
Quero em delírio te ver na noite
Quero te sentir por perto

Sei que não é certo
No dia de hoje
Chorar

Mas choro

E faço uma prece por mim

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