A ESPERA (ZÉ POLINÕMIO)

Foto de manoel pereira da silva

A ESPERA (ZÉ POLINÔMIO)

A primeira moça passa e não diz nada
A outra moça passa apressada
O homem esnobe passa
Ela que devia passar não passa

A decepção chega e depois passa
A dor que não esperava chega e não passa
O homem com fome passa
E minha fome passa

Tudo passa na longa estrada
Deixando em mim a lembrança
Passa o encanto e o desencanto
Deixando só esperança

Passa o velho e passa o novo
Entre a multidão que passa
Todos passam de volta
Somente ela não passa

Passa rico e passa pobre
Passa o palhaço e faz graça
Passa o sorriso de meus lábios
E ela nunca que passa.

Passa-me a vontade de comer
Passa o dia e passa a noite
Passando não sei pra que.
Somente ela não passa
Não passa não sei por que.