Alma

Foto de Elias Dall Agnol

Ausência

Pressuponho que a ausência seja a não existência e não o afastamento...
Ausência se confunde, muitas vezes, com melancolia...
A não existência provoca vazio, atormenta a alma...
Por maior que seja a distância, se existe um alguém, jamais haverá ausência...
Pois a saudade acontece, mas quando fecha-se os olhos, lembra-se que existe alguém...
O calor desta presença percorre o corpo acalentando a alma...
A tormenta da ausência se dissipa, a saudade acalma-se e o amor floresce transformando qualquer resquício de ausência em presença de espírito...
Se não houver a lembrança, a saudade, aí sim haverá ausência, vazio frio da solidão...
Não há vitalidade teimosa que resista a falta de saudade...
Apenas persiste, uma esperança triste e distante de, quem sabe um dia, sentir a saudade de alguém...
Pobre do ser, que mesmo sem querer, não sabe amar...

Foto de Elias Dall Agnol

Permaneço em ti...

Permaneço em ti...
Pensamentos ao longe...
Perdidos, distantes...
exausto, meu corpo clama tua presença...
Iluminado ser, sintilante...
Acalma minha alma...
Tranquiliza meu corpo...
Sopro leve do destino...
Brisa leve da manhã...
Semente nova, fecunda...
Amor existente, presente ...
Suave magia...
Doce melodia...
Tua voz , minha calmaria...
Teu corpo, meu santuário, refúgio...
Serena, és tú, anjo dourado...
Meu amor encantado...

Foto de Carmen Lúcia

Quero...

Quero o revoar de pássaros
O carinho imbuído num abraço
Quero a minha alma leve
Deslizando sobre a neve
Quero o matiz das cores
A essência de todos os amores
Quero a vida me acenando
Toda a paz me embalando
Quero alma de bailarina
E dos versos, ricas rimas
Quero o esplendor do alvorecer
E ver o céu escurecer
Quero o beijo da chegada
O calor da pessoa amada
Quero as mais lindas canções
Viver fortes emoções
Quero o murmurar das fontes
Revelar onde o sol se esconde
Quero acender estrelas
E não me cansar de vê-las
Quero todas as belezas
Quero tudo, quero o mundo
Pra te ofertar, te deslumbrar,
Te enfeitiçar...e me entregar!

Foto de Carmen Lúcia

Visconde de Mauá

Um recanto de encantos,
De magia, misticismo,
Desenhado nas entranhas
Da Serra da Mantiqueira,
Pelo Artesão da Vida;
Eis, Visconde de Mauá...
Quem não crer, vá até lá!

Cachoeira Véu da Noiva,
Festival dos festivais!
A grinalda pura e branca
Se desliza pela serra,
Espumando sobre a terra
De Visconde de Mauá...
Quem não viu, vá até lá!

No morro Pedra Selada,
Lugar de mata fechada,
Onde as trilhas são mistérios,
Os caminhos têm fascínios,
De duendes e regatos,
De cipós, jacus, macacos.

Rio Preto corre manso,
Contribui com o descanso,
Mas, se cheio, as corredeiras
Dão vazão para a coragem,
Estimulam à canoagem.

Um rincão onde o poeta
Busca sua inspiração...
E foi lá, se não me engano,
Com lirismo e eficácia,
Que da alma de Caetano
Nasceu "...Choque entre o azul
e o cacho de acácias..."

Nas flores, em exuberância,
Há um toque de arrogância,
Exalando pelos ares
Suas essências e fragrâncias...
Como ornatos, pelos matos,
Brincam as cores das begônias,
Revelando esconderijos,
As marias-sem- vergonha.

Quando o sol pinta cedinho,
Degelando a geada,
Passarada deixa o ninho,
Principia um escarcéu...
Maritaca, gralha-azul,
Fazem baile lá no céu.

Chega a noite, branca e nua
Vem a lua se mostrando
E na fusão dos pisca-piscas
De estrelas e pirilampos,
Só se vê pra todo canto
Mil pontinhos cintilando.

Num lugar onde a beleza
Vai de encontro à natureza,
Tecnologia se esconde,
O progresso...nem de longe!
Só ar puro em demasia,
Tanta diversidade em harmonia
Onde mora a poesia,
Eis, Visconde de Mauá,
Quem não foi...vá até lá!

Foto de Carmen Vervloet

Valsando

Valsando

Meu coração está recluso...
Minha alma em oração...
Silêncio!... Procuro a paz...
No sorriso da criança...
No volteio de uma dança...
Silêncio!... Procuro a paz...
Na alegria do idoso...
No miosótis mimoso...
No vôo do passarinho de volta
Ao aconchego do ninho...
Silêncio!... Procuro a paz...
Fecho a porta de expostas feridas...
Abro a janela pra vida...
Surge a aurora colorida...
Trazendo o bálsamo da cura...
Só a esperança perdura...
Flores desabrocham em profusão
Inseminando a semente do perdão
No meu fértil coração
Agora em festa
Ritmado pela orquestra
Regida com maestria!
Em harmonia
Valsam o amor
E a paz encontrada!...

Carmen Vervloet

Foto de Carmen Lúcia

Papel em branco

Vem, inspiração...
Onde te escondes?
Não vês minha aflição?
Minh’alma lateja,
Meu sonho te almeja,
Acolhe-me em tua mansidão!
Navega em meus devaneios,
Voa com meus anseios
Vem depressa...(di)vagar...
Vamos juntas caminhar.
Ouve os meus apelos
Que clamam teu inspirar!
Transforma-te num manto
A me envolver, sensibilizar...
Sinto-me um papel em branco
Não sei mais poetizar...
Pobres são meus versos
Molhados pelo meu pranto,
Esvaindo-se no ar...
Sem rimas, sem vida, a vagar...
Vem, inspiração...
Não me deixes esmorecer
Sem poesia já não posso viver
E sem ti, melhor morrer.

Foto de Maria Flor e Rabiscos

Imortal...

Seus olhos são imagem,
de tua alma ansiosa.
Tua pele em corpo sedento
de contato me faz relembrar,
que possivelmente não terei
tuas mãos fortes,
nem te sentirei a altura dos
meus quadris.

O licor que escorre do teu corpo
não é ao meu que ungirá.
A curva de teu tórax exala
perfume de mar que pressinto
ao longe.
Tuas pernas e teus quadris
não estremecerão sob mim,
e ainda assim saberás
nunca te esqueci.

Amarei muitos homens,
não como tu,
por que a ti não tive.
Bem aventurada quem te amar
mas não serei eu.

Beberei vinhos e seus destilados,
amarei homens e seus segredos,
escreverei loucuras e meus anseios.
E quando eu fechar os olhos
não será em gozo,
consolo único de tua ausência.

Em meu último suspiro,
olharei teus lábios e pedirei um beijo.
Fecharei meus olhos e direi em
confissão:
- A ti somente a ti
nunca te esqueci.

Não despirei tuas vestes,
nem te tocarei por dentro,

Mas te farei imortal em mim...

Foto de Osmar Fernandes

Sou a vida

Dona morte!
Não sou seu rapaz.
deixa-me em paz.
Não sou sua sorte...
Dona morte!
Sou seu mistério.
Sou eterna, sou forte,
Sou metamorfose...
Dona morte!
Sou obra-prima de Deus.
Sou dona do mundo...
Que nunca morre.
Dona morte!
Sou sangue que corre
Na alma do artista...
Sou etérea... Sou a vida.

Foto de Sirlei Passolongo

Alma Negra - Dia da Consciência Negra

Alma Negra 

Minh’alma negra
Inda chora...
Chora a crueldade do
Preconceito.
Que há muito o mundo,
Miseravelmente,
Tem feito.

Meus olhos choram
Lágrimas de sangue
Pois só vêem dor e
Maldade...
Irmãos negros, pela cor
Subjugados,
Mundo afora humilhados.

Meu coração negro
Clama justiça ao meu povo
Milhares morrem de fome
E infinitas doenças...
Esmagados no esquecimento
Por preconceito e violência

Minh’alma negra e forte
Grita por respeito e igualdade
Não apenas
Um dia de consciência
Direitos a dignidade...
Por toda a nossa existência!

(Sirlei L. Passolongo)

Direitos Reservados a Autora

20.11
DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA
 
 

Foto de Civana

Espelho

Se pensares em perguntar porque estou aqui,
não saberei responder...
Pense somente que estou!
Os olhos não são mais os mesmos da foto,
Talvez agora com menos brilho.
O sorriso também não é mais o mesmo,
Aliás, onde foi parar meu sorriso?
Meu corpo tampouco é o mesmo,
A juventude passou batida.
Mas minha alma permanece a mesma,
Quando fecho os olhos a vejo no espelho,
Linda, olhos iluminados, sorridente,
Dançando e voando...
Voando cada vez mais alto!
Pena que nem todos saibam enxergar assim,
Com os olhos da alma.

(Civana)

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