Alma

Foto de fer.car

POESIA É...

Poesia é um grito de esperança na alma
Uma alegria contagiante estampada no olhar
É quando o corpo quer padecer e ao escrever move-se em outra estação
Poesia é uma saudade nunca curada
Um beijo não dado e ansiado
Uma mão a tocar outra mão
Uma alma a completar outra alma
Poesia é o sabor intenso da maça
O calor depois do amargo e do frio
Poesia é avistar o futuro com olhos de criança
Acreditar nas pessoas, e no amor
Poesia é algo que traz em seu contexto o encanto, o brilho e a luz
Uma água cristalina num vasto lago
Um pássaro a voar alto o céu
Poesia é você abrir o coração
Abrir-se aos outros, ser transparente...
Poesia é o carinho, o amor diários
É sonhar
Acima de tudo
Sonhar

Foto de Max Seridó

Iluminada

Quisera eu estar contigo
Viver tão desvairados delírios,
Estar além da terra, céu e mar
Deleitar-me nas delícias
Desse teu intenso e envolvente amor,
Tanto que parece querer-me
Como duas criaturas juntas numa só
E perdidas nessa paixão sem limites
Feito as nuvens no seu doce e suave vagar,
Sem destino pelo firmamento sem fim
Poder saborear-te com todo o meu desejo,
Todas as minhas forças,
Todo o meu amor, louco amor
Passar minhas mãos pelas tuas
Para serem apertadas como quem sofre
Mas não de dor, sofre de paixão,
Esse sentimento possessivo, cruel,
Maldoso, impiedoso, tirano,
E ainda assim conquistador
Paixão que se arraigou
Em minha mente, vísceras,
Dominou todo o meu ser,
Paixão desvairada,
Irresistível prazer !
Olho os teus olhos,
Vejo-os tão pesados,
Sua face como a de quem
Passa por enorme cansaço, exaustão,
Tua respiração continuamente ofegante
E tua boca parece querer falar-me e fala,
Não são palavras
Mas vozes da brisa que soa leve
Em meus ouvidos e minh’alma,
Eregindo meus pêlos,
Excitando meus nervos,
Despertando minha firmeza carnal,
Fico teso,
Então entro, me adentro,
Me aprofundo, me arrebento,
Não lamento, desalento
Que tormento
Entre ser você e estar a te imaginar
No tédio ocioso e perturbador da solidão
Ouço o vento, fico atento,
Me recordo, me contento
De nosso delicioso momento,
Ai que prazeroso sofrimento
Imaginar tua pele com a minha,
Tua boca com a minha
E tuas pernas alvoroçadas
Me abraçando, me apertando,
Querendo me engolir, devorar,
Estão famintas, sedentas
De amor pra dar
Em nosso leito, que deito, me deleito
Em teu peito e gozo
Satisfeito, contente,
Feito azul do céu resplandescente
Com a luz do sol nascente,
Assim é entre eu e você
Paixão que acende,
Amor que não pode se apagar

Foto de Lou Poulit

Túrgida Lua

Túrgida lua que amamenta
Meu amor de homem em seus vagares;
No epicentro de calamares,
Nas calmarias me acalenta.
Nos pântanos no quais atraco,
Pobre Baco, bêbado e fraco
Pelas paredes fundas do céu
rosna, como o mármore ao cinzel.

Túrgida lua dessedenta
Essa sede isenta de apego;
Esse cego desassossego
De me verter aos solavancos,
Pelos sulcos que ao rocio apraz.
Luares liquefeitos, francos,
sobre peitos acesos de paz,
pacificam-me os versos brancos.

Túrgida lua que assim tenta
dentre estrelas minha alforria,
arrebata-me a noite e o dia
para que esse amor jamais cesse;
e então minha alma seja a messe
fulva, espalmada à tarde morna
e, à noite, à estrela que me adorna.
Ah, túrgida lua, vem... desce.

Foto de Lou Poulit

A Luz Que Me Desperta

A luz que me desperta cedo
Antes expulsa as sombras minhas
(Trazidas por tudo que antes fui).

Então flui a alma à própria tona,
No afã de achar uma janela,
Um vau por onde possa passar
Ao tempo destinado a ela,
Em que suas ânsias se calem,
Em que falem respostas claras
Suas malas sempre vazias.

A luz que me toca a espátula,
Antes lava cada mácula
E me desarma, e me veste.

Então flui a alma forte e creste,
Do ardor do próprio amor à vida,
Luzidia e de novo em brios,
Legada a amigos e inimigos;
À sorte, ao azar, ao dia!
Mouro alcazar grato ao nascente
Fulvo, louro... incandescente.

A luz que em meus olhos espelha
(Irrompe a centelha à cadeia)
Liberta o abraço mais aberto.

Então aperta o passo firme
Vazando a casca a alma tão plena,
Que engrena as órbitas dos astros,
Que umedece as lonas nos mastros;
E os bastos ventos fluem turvas
Curvas tuas, mosaico do mar...
Lembranças... Da luz do seu olhar.

Foto de Lou Poulit

Alma Límpida e Esgalga

A alma límpida e esgalga
Paira sobre meu ventre
E me ordena que eu entre,
Que um amálgama espera...
Desde outra era, espera.

Como um buraco negro
Despencado do espaço,
Todo o passado abraço;
Ao passo que o poço quer
Nem ser homem nem mulher.
Bem, como a poesia.

E que o canto de cada
Uma célula minha,
Libélula liberta
Liberte essa cativa,
Minha alma desaberta
Que só assim caminha
Caminhos de pássaro.

E abra o meu velho e ávaro
Peito de homem doído,
De rangentes comportas
E de escombros, ruído
Pela própria insensatez
De negligenciá-las:
A poesia e a nudez
De não ser só para si.

A alma límpida e esgalga
Que cavalga os luares
E olhares meus, profundos,
Nos pântanos escuros
Do amor leviano,
Desse vão amor humano
De ter para si e ser só,
Quer que de mim levite
Sóbrio, de amor ébrio
O verso, minha alforria.
Em que comigo habite.

Ah, minha poesia...
Minha criança alada,
No chão, de luz vasada
Por meu próprio desleixo...
Cada verso meu, seixo
De um absurdo castelo,
Há de aos homens erguer-te,
Pelas valas perdidas
Que lhe vasaram vidas.

Ah, minha amada esquece
E me perdoa, apenas
Para então assim fazermos
Alçar vôo dos ermos
Dos lençóis, testemunhas
Das unhas contundentes
Da minha covardia,
Dos meus versos de dentes...
Brancos, emersos fluidos
Para sempre perdidos.

Foto de andrepiui

Bem e o Mal

as pessoas tentam se esconder
atrás de uma maskará
que não conseguem descrever
mentem umas prás outras
mas entre o bem e o mal
não sabem escolher
o caminho das trevas e o da luz
nos aparece e jorra
como um puiz
de uma ferida aberta
e mal cuidada
entre um coração partido
e cortado por uma espada
o sol que ilumina esquenta
minha cabeça atormentada
tento fugir
mais minha alma está ancorada
trancafiada a sete chaves
na beira de uma estrada
ela está enterrada...

quem é você
que me aparece
no meio dessa fusão
transformando o dia em noite
acelerando as batidas do meu coração
sugando de uma vez por todas
a falta de sossêgo
que atormenta minha mente
cheia de pensamentos
quem é você
que me aparece
nesse imenso azul
trazendo a paz
transformando o red em blue...

olho para os lados
mas não consiguo ver
estão todos amargurados
enganam a si próprios
mas não conseguem perceber
todos olham para o céu
mas não conseguem perceber
dentro de nós há um Deus
que todo esse vazio quer preencher
a natureza é uma grande prova de amor
mais trocam essas belezas
por uma maquina chamada computador
o céu o mar as flores
tudo isso foi Deus quem criou
morte mentiras roubos
muitas juras de amor
palavras perdidas no espaço
um tempo que já se passou
crianças mortas puberdades roubadas
o mundo que o homem inventou...
(André dos Santos Pestana)

Foto de Lou Poulit

Espumas de Copacabana

Pondo a manhã nos olhos da gente
inunda luz quente a alma,
que sente vontade de possuir o momento.

Um transatlântico espumante apita ao largo.
Uma despedida sem lenço.
Pelo imenso lençol se arrasta
e se esconde na cabeceira do Forte.
Quem se despede diz “hasta la vuelta!”
e quem fica pensa “que sorte...
sou fraco, não preciso voltar”.

A densa e imensa mistura de gente
fez disso aqui um lugar diferente
e criou uma democracia de surfistas sociais.
Ou mais, uma “anarquia democrática”
onde todo comportamento é tática.
Tudo, qualquer coisa vale
para continuar fraco e não ter que partir.
Muitos não têm mesmo para onde ir.
Alguns sequer o que comer.
Mas todos de alguma forma se comem
seja mulher, fora de norma ou homem.

Pondo a noite nos olhos da gente
os brilhos múltiplos ofuscam as estrelas,
mas seus filhos últimos poderiam vendê-las,
mesmo do alto, ao primeiro incauto.
E ele compraria! Por força do encanto.
Porquê veio de longe e pagou mais.
Porquê ademais: que sorte ser fraco!
Talvez nem se dê conta do simulacro
roto (é jogo, é mão-no-saco!)
que lhe põe uma coleira no escroto.

Pondo a cara nos olhos da gente
a madrugada pressente o falo do novo dia.
A viúva mostra o calo, a vulva viva e crua
e eu a minha verborragia
que, nua, masturba a esfera da caneta e anuncia,
de humanidade até o pescoço, o termo do endosso
o salto no próprio abismo.
O ermo em que fraco lambo o fundo da louça freme,
como num sismo, a poça...
Essa sopa de talento e miséria humana
com que alimento a verve séria,
que mendiga espumas em Copacabana.

Foto de Mr. The Lazzeri

Simples descrição do sentir

Quando as palavras calam,
a natureza dos sentimentos
buscam em seu ser a índole pura,
que reserva em suspiros
a luz do esclarecimento
a verdade mais obsoleta da paixão;
O rara flor que rege minha alma
desabrocha com seu olhar
uma nova forma de ternura,
que mergulha em lava
torna faísca em brasa
ardendo em meu peito esse novo desejo;
Olhos que com o brilhar
atingem o nirvana da imensidão
roubando das estrelas
o fulgor da beleza,
que jamais fugiu do céu;
Almejado o sorriso
por tantas léguas desfrutar
daqueles que por si passam
implorando um olhar.

Foto de Zedio Alvarez

MEU RAIO X

O HOMEM ZÉDIO: Honesto e sincero
SÓ DURMO: Depois que rezo
AO ACORDAR: Contemplo um novo amanhecer
RELIGIÃO: Católico
PRATO PREFERIDO: Feijoada
O MELHOR GOSTO: Mel
O MELHOR CHEIRO: De minha mulher
O CUMULO DO DESAMOR: O desrespeito
O CUMULO DO DESPERDÍCIO: Os gastos públicos
O CUMULO DO DESCONFORTO: Não estar num lugar com a minha mulher
A VOZ: É o encantamento da alma
A PALAVRA: É a transformadora do mundo
A MELHOR NOTICIA: A queda do muro de Berlim
A PIOR NOTICIA: A reeleição de Bush
ATRIZ: Fernanda Montenegro
ATOR: Marcos Nanini
CANTOR: Geraldo Azevedo
CANTORA: Marisa Monte
FILME: Ao Mestre com carinho
POESIA: Todas que falam do amor
O POETA: É um dos mensageiros do amor universal.
PROGRAMA DE TV: Fantástico (nos moldes antigos)
POEMAS OU RECANTO: Os dois
VASCO OU FLAMENGO: “Flamengo sempre eu hei de ser”.
PETROLINA OU JUAZEIRO: “Eu gosto de Juazeiro e adoro Petrolina”
XADREZ OU FUTEBOL: Xadrez. Gosto de jogar umas peladas.
A CANÇÃO QUE ME TRANSPORTA: Todo Azul – Cantada por 14 BIS
OS VERSOS DE: Mario Quintana, Castro Alves, Érico Veríssimo e Cecília Meireles
ORGULHO DE: Ter uma família
SE FOSSE PRESIDENTE: Criaria o ministério da poesia (Não é corporativismo, pois a educação vem junto)
O QUE FALTA NO MUNDO: Muita paz, amor e justiça social.
UMA VERGONHA: A corrupção
UMA FERIDA ABERTA: A guerra do Iraque
UM BLEFE: Fernando Collor
UM EXEMPLO: Minha Mãe
UM RECADO: Vamos cultivar a paz sempre.
UM CONSELHO: Não tempere a sua mentira com as sobras de uma verdade.

Foto de Broken Wings of Butterfly

Saudade

Hoje que a mágoa me apunhala o seio,
E o coração me rasga atroz, imensa,
Eu a bendigo da descrença em meio,
Porque eu hoje só vivo da descrença.

À noite quando em funda soledade
Minh'alma se recolhe tristemente,
Pra iluminar-me a alma descontente,
Se acende o círio triste da Saudade.

E assim afeito às mágoas e ao tormento,
E à dor e ao sofrimento eterno afeito,
Para dar vida à dor e ao sofrimento,

Da saudade na campa enegrecida
Guardo a lembrança que me sangra o peito,
Mas que no entanto me alimenta a vida.

(Augusto dos Anjos)

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