Coração

Foto de DeusaII

Tudo o que sou!

*
*
*
*
Subo a rua devagar,
Um cheiro a terra molhada,
Penetra em todo o meu ser.
Olho para todo o lado,
E apenas vejo restos de ti,
Restos de algo que ficou no ar,
Desde o dia em que surgiste na minha vida.
Minhas memorias transformam-se em divagações,
Ora vivas ora mortas.
As ruas estão desertas,
Sem sinais de vida, ou de morte,
Paira no ar, um quase sentimento de medo,
De insegurança, de pavor,
Sentimentos crescentes,
Que destoam entre os dias que passam.
Algo cresce então, dentro de mim,
Um sentimento qualquer que me assusta,
Que quase me torna num ser de outro mundo.
E no entanto,
Não impeço que cresça, deixo avançar....
Algo de ti, está dentro de mim,
Talvez a tua alma, que se colou a minha,
Talvez, o teu coração, que se pegou ao meu...
Minha cabeça anda à volta,
Sinto o mundo a rodopiar em torno de mim.
As ruas estão desertas,
E uma fina chuva começa a cair suavemente,
Como lágrimas de amor,
Que surgem das nuvens cinzentas,
E que fazem-me relembrar os dias passados contigo.
Minha face, começa então a ficar molhada,
Cada gota que cai do céu,
Refresca meus pensamentos,
E quando dou por mim,
Danço à chuva,
Como se estivesse a festejar o nosso amor,
E então, uma onda de felicidade percorre-me por completo.
Meu corpo, em movimentos ritmados
Tenta transmitir-te tudo o que sinto por ti,
E tudo aquilo que sou contigo,
Como se me conseguísses ver, de onde estás.
Meu sorriso se abre,
O céu clareia,
E um pequeno raio de sol envergonhado,
Surge na minha alma,
E faz de mim, o ser mais feliz do mundo!

http://catarinacamacho.blogspot.com/
http://recantodasletras.uol.com.br/poesiasdeamor/1194331

Foto de Marcos Oliveira

Amor sem fim

Vem você pra me dizer que tudo sentimento acabou
Vem dizer que o sentimento que existia terminou
E sem se despedir foi embora e nem pra trás olhou
Levou meu coração e simplesmente me deixou aqui

Como pode o nosso grande amor ter chegado ao fim
Como pode um grande amor me machucar tanto assim
E se é um grande o amor, por que dói tanto em mim?
É como se tivesse arrancado do meu peito o coração.

O tempo passou por mim e não consigo te esquecer
As marcas no meu peito dilaceram e me fazem sofrer
O coração ainda bate e o meu corpo ainda te quer
Como pode um grande amor me machucar tanto assim?

Foto de Carmen Vervloet

GESTAÇÃO

Gestação

Bendita és tu Mulher,
cheia de graça!
Bendito é o fruto do teu ventre!
Fértil semente da vida...
Amor que germinou
um novo ser!
Fonte luminosa que irradia
magia prenhe de alegria,
na gestação do feto,
abençoado e coberto
por túnica macia de rosa,
sangue misturando sangue
bombeado do coração.
Vivenciada emoção
na formação do outro ser,
essência indivisível,
eterna,
presença de Deus...
Motivo de felicidade,
vínculo sangüíneo,
descendência,
posteridade!
Botão a se abrir
em flor
nessa selva de concreto
tingindo o cinza,
no verde-esperança
na evolução do feto-criança!

Carmen Vervloet
Todos os direitos reservados à autora.

Foto de Sonia Delsin

RASGASTES

RASGASTES

Rasgastes meu coração.
Em tiras o deixaste.
E ele coitado ficou como trapo desfraldado.
Balançando ao vento.
Vinha uma luz e o beijava.
E ele um pouco se animava.
Mas logo desanimava.
A luz chegava e o abandonava.
Vieram manhãs e tardes.
Vieram noites.
Frias, vazias.
E meu coração ali dependurado.
Querendo ser consertado.
Temendo outras dores como no passado.
O tempo tem este dom de tudo ir consertando.
Vejo muitas vezes meu coração cantando.
Por uma luz que insiste em continuar beijando-o.
A luz do teu olhar.

Foto de Sonia Delsin

A CASA MISTERIOSA

A CASA MISTERIOSA

Aquela casa a assustava. Diziam que era assombrada.
Ela dormia no quarto do meio e ele era imenso àquela hora e tão frio. A casa estava gelada.
Tantas lembranças ela guardara daquela casa e agora estava lá. Quem diria que um dia voltaria?
Na parede os quadros ainda eram os mesmos de sua meninice. Os vasos agora vazios estiveram cheios outrora sobre móveis escuros e tristes. Pesadas cortinas também foram conservadas.
O tempo parara ali?
Precisava levantar-se um pouco.
Em dois tempos ganhava o corredor. O longo corredor onde corria com seu irmãozinho Marcos e Paulina, a prima que vivia com eles.
Lentamente Clarice descia as escadas. Degrau a degrau e respirava fundo.
A sala guardaria aquele aconchego? Poderia ainda acender a lareira?
Tropeçou num degrau e respirou ainda mais profundamente.
Um barulho no andar superior fez seu coração disparar.
Sabia que estava só. Seria o vento? Mas a noite parecia tão quieta lá fora.
Lentamente colocou o pé noutro degrau e a tabua rangeu.
Nada demais. O cunhado sempre dizia que casas antigas são cheias de sons.
Ela perdera Bruno numa noite tão chuvosa. Treze longos anos tinham se passado. Exatamente treze anos.
Parecia ter o seu lindo sorriso ali à sua frente. Bruno fora um esposo maravilhoso. O homem que toda mulher deseja encontrar. E ela o encontrara num daqueles bailes de fazenda que se promoviam por ali. Será que ainda existiam aqueles bailes?
Não tiveram filhos. Pena. Se tivessem tido poderia ter o sorriso do pai.
Quando colocou o pé no penúltimo degrau viu uma sombra na parede. Seria uma ilusão de óptica?
Poderia estar impressionada por estar sozinha naquela casa onde vivera toda sua infância e parte da mocidade.
Estalou outra madeira.
Não devia se impressionar já que pretendia passar uns dez dias naquela casa.
O irmão desejava vender a propriedade e ela era contra. Oferecera-se para comprar sua parte e se instalara na casa.
Uma mulher cuidaria da limpeza e das refeições. Florinda não podia passar a noite ali e ela a dispensara disso.
-- Não vejo necessidade. Desta vez vou ficar só uns dias aqui. Ainda vou pensar se vou me instalar de vez neste lugar. Então sim pensarei no assunto.
-- Se a senhora desejar posso encontrar alguém da vila para lhe fazer companhia. Penso que não lhe fará bem ficar aqui sozinha.
-- Não se preocupe. Ficarei bem. Obrigada.
A sala guardava ainda o ar de aconchego, mas estava tão gelada. A lareira apagada e completamente abandonada. Não era usada há anos.
Ela poderia pedir que alguém a reativasse no dia seguinte.
Sentiu uns arrepios quando se aproximou da poltrona azul. Era ali que o pai se sentava.
Olhou na parede o quadro do avô. O avô com seus bigodes retorcidos e os olhos que recordavam Paulina.
Punha-se a pensar em Paulina. Paulina menina.
Correndo pela casa e aprontando das suas.
Paulina no caixão. Tão linda e pálida na imobilidade absoluta dos mortos. A inquieta Paulina só assim pararia e não completara ainda dezesseis anos. Fora velada naquela mesma sala.
Marco chorava tanto e ela se escabelara. A mãe dizia que a prima querida fora encontrar os pais. Por que tinham todos que partir? Os pais de Paulina a queriam?
Ela não entendia ainda a morte. Ia completar quatorze anos.
Marco dizia que a casa ficaria sempre triste sem a linda prima e ficara mesmo.
Ela fora estudar na cidade e morar com uma tia. Acontece que nas férias, num dos passeios à casa dos pais conhecera Bruno. Casaram-se, mudaram-se para o Rio de Janeiro e viajavam muito para o exterior. Ela pouco visitara a casa naqueles anos todos já que os pais morreram alguns anos após seu casamento e Marco se mudara para o Paraná com a esposa. A casa ficara aos cuidados de uma senhora que agora estava velha demais para cuidar dela e o irmão lhe ligara dizendo que seria melhor que vendessem. Ela era contra a venda e por esta razão é que estava ali.
Os arrepios se intensificavam. Parecia ouvir o riso de Paulina, do pai. As zangas da mãe e os gritos de Marco. Marco estava vivo e por isso concluía que estava se deixando levar pela imaginação. Não havia nada ali.
Uma porta bateu forte no andar de cima e ela estremeceu. Um gato desceu correndo as escadas.
Esfregando uma mão na outra ela foi abrir a porta para o bichano.
Estivera fantasiando coisas.
Foi até a cozinha e saboreou lentamente um copo de água. Era deliciosa sempre a água daquele lugar.
Arrastando as chinelas foi subindo a escadaria.
Que tola! Era só um gato. Quando subia a escadaria o barulho recomeçava no andar de cima e isto a assustava. Arrependia-se de ter dito a dona Florinda que ficaria bem sozinha.
Com o coração aos pulos chegou ao quarto e descobriu que as janelas estavam abertas e ela estava certa que as fechara muito bem. Foi fechá-las e pensou que era melhor esquecer aquela estória de comprar a parte do irmão. No dia seguinte partiria para o Rio e colocariam a casa à venda.

Foto de Sentimento sublime

Poetas ou loucos? Osvania_souza

Poetas ou loucos? Osvania_Souza

Uns dizem que somos loucos
Outros dizem que somos poetas
Prefiro ser uma poetisa louca
Que abre seu coração
Demonstra seus sentimentos
Digo o que sinto no peito
Viajo em fantasias, aventuras.
Delírios e devaneios, alegrias.
Loucuras!
Ah! Mil loucuras
Não tenho medo e nem receio
De dizer na poesia o que penso
Porque nelas eu relato.
Nosso paraíso encantado
Guiado pela emoção
Ao som de um PC teclado
Poemas e poesias digitados
Às vezes no meio da noite
Escrevo sonhando acordada
Quero continuar a ser
De poetiza louca chamada
E ouvir um dia minhas poesias
Em várias bocas soletradas.
Osvania

Foto de Sonia Delsin

MEU CORAÇÃO É UM BUMBO

MEU CORAÇÃO É UM BUMBO

Meu coração é um bumbo no peito quando vejo teu nome no visor do meu telefone.
Meu coração é um bumbo no peito quando ouço tua voz.
Mas a vida é algoz.
Ela me rouba tua presença amada.
Ela parece que faz caçoada,
Ri de meus sentimentos.
Meu coração é um bumbo quando te vejo chegando.
Quando tua boca fico olhando.
Teu beijo imaginando.
De repente tu me tomas nos braços.
Me esmaga. Me aperta.
A manhã me desperta.
Estive sonhando.
Ainda assim meu coração que desconhece o que é sonho e realidade bate com muita vontade.

Foto de Sonia Delsin

EM ALGUM LUGAR

EM ALGUM LUGAR

Em algum lugar deste universo lindo,
gosto de pensar,
que meu amor está sorrindo.
Nada o fere.
Seu coração não se machuca com espinhos.
Foram todos retirados.
Ele sorri sossegado.
Talvez caminhe numa praia deserta.
Talvez chute a água que o acaricia a canela.
Talvez ele esteja dizendo agora.
Como a natureza é bela!
Eu o imagino assim.
Levemente caminhando.
Talvez pensando...
Em mim.
No que representamos um para o outro no passado.
O que ele ignora é que continua sendo eternamente o meu amado.

Foto de Paulo Marcelo Braga

IDAS E VOLTAS

“Vai com Deus, se o amor ainda está aqui,
vai com Deus... (Roberta Miranda).

Quando vais, tudo se transforma
em nada, a poesia se quieta,
sonhando atrás de alguma norma
inspirada na fantasia dileta...
Meu sonho vem e não se realiza.
Tudo sempre parece conspirar contra mim.
Eu me recomponho dessa ojeriza,
faço minha prece, e te espero voltar, enfim...
Ah! E quando tu voltas, eu esqueço
de todo o meu tormento saudoso,
vou harmonizando notas de apreço,
decanto nosso sentimento glorioso...
Com meu sonho realizado,
eu vejo nossa paixão fluindo,
componho verso inspirado
e te beijo o coração, sorrindo...

Paulo Marcelo Braga
Belém, 12/09/2008
(16 horas e 43 minutos).
Foto de ANACAROLINALOIRAMAR

" PRECISO TE ESQUECER!"

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##..."Preciso te esquecer!"
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Venho pela a noite adentro,
Caminhando ao relento,
Vagando com meus pensamentos,
Sem você meu sustento.

Acabaram-se minhas forças.
Acabaram-se meus sonhos.
Acabou minha fantasia.
Você levou minha alegria.

Preciso te esquecer!
Sem você não da para viver,
Não da para escrever,
É muito forte meu sofrer.

Meu coração sangra,
Minha alma chora,
Aquele que me desprezou,
E foi embora!

Queria ter o poder nas mãos,
E tirar você do meu coração,
Do que viver dessa ilusão,
Que é sustentar sua falsa
Presença em meu coração.

Preciso uma decisão tomar,
Nem que para isso tenha,
Que colocar outro em seu lugar.

O meu amor só se põe a crescer
Você se, pois a desaparecer,
E como não quero de farsa viver
Achei melhor,
Esquecer você!

*-* Anna A Flor de Lis.

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