Dizer

Foto de Aparecida Apaixonada Melo

AS MÚSICAS FALAM: COMO É GRANDE O MEU AMOR POR VOCÊ

Quando estamos nos sentindo sozinhos
Sempre queremos um pouco de carinho
E, por sentir uma ausência, lembramos saudosos os Detalhes
De quem amamos, do que sonhamos, dos famosos olhares...
Que traduziam mimicamente e falavam por si:
Como é grande o meu amor por você
E em cada instante bate uma forte emoção em mim
Que envolta na saudade que o peito invade
E por mais que eu faça, o coração cobra e insiste,
Que Não quero ver você triste.
Espero que algum dia possa te abrigar
Debaixo dos caracóis dos meus cabelos
E tranqüilamente contemplarmos juntos o mar
E carinhosamente eu possa afagar teus cabelos
Como num apelo abrir O Portão e te deixar entrar
Quero ser tudo para você
Porém quando te fazes indiferente
Sou a Fera Ferida que te encara de frente
E embora não dê o braço a torcer
Quero sempre saber: Como vai você?
E num rompante de ousadia
Saio da monotonia e te faço uma Proposta
Para juntos nos perdermos numa Cavalgada
E esperarei por você para ser amada.
Quero lhe falar do meu amor
E num Desabafo mostrar o que sou
Falar do que sinto ao te ver, das Emoções
De tudo o que sinto por você
E mostrar que todas estas canções
Apenas traduzem o meu desejo de te ver
Falando sério, quero te dizer Outra vez que você foi
E continua sendo o meu Assunto Predileto
O meu Café da manhã completo
Enfim, você será Para sempre
O meu Amor sem limites...
O meu Amor perfeito!

Foto de Felipe-Mazza

Uma Verdade

Na vida existe erros e verdades. Dizer que te AMO pode ter sido meu maior erro, mas tambèm foi minha maior verdade.

Foto de Cido Zil

UMA ORAÇÃO AO FINDAR DO DIA.

Busquei a Deus em oração, para que Ele me desse as palavras certas, pois queria orar por você e não sabia o que pedir a Ele e como agradecê-Lo. Precisava também orar por mim, então encontrei nesta oração, grande inspiração e tudo o que eu precisava dizer na minha conversa com Deus. Ela não é minha originalmente, mas faço dela as minhas palavras.
“Senhor Deus dono do tempo e da eternidade, Teu é o hoje, o amanhã, o passado e o futuro. Ao acabar mais um dia, quero dizer obrigado por tudo aquilo que recebi de Ti. Obrigado pela vida e pelo amor, pelas flores, pelo ar e pelo sol, pela alegria e pela dor, pelo o que foi possível e pelo o que não foi. Ofereço-Te tudo o que fiz, o trabalho que pude realizar, as coisas que passaram pelas minhas mãos e o que com elas pude construir. Apresento-Te as pessoas amigas, as amizades novas e os amigos mais antigos. Os que estão perto de mim e os que pude ajudar, as com quem compartilhei a vida, o trabalho, a dor e a alegria. Mas também , Senhor, hoje quero te pedir perdão. Perdão pelo tempo perdido, pelo dinheiro mal gasto, pela palavra inútil e o amor desperdiçado. Perdão pelas obras vazias e pelo trabalho mal feito, perdão por viver sem entusiasmo. Também pela oração que aos poucos fui adiando e que agora venho apresentar-Te, por tudo que olvidei, descuidei e silenciei, novamente Te peço perdão. Que os próximos dias sejam sempre abençoados. Paro a minha vida diante do calendário, te apresento meus dias, que somente Tu sabes se chegarei a vivê-los. Hoje, Te peço para mim, meus parentes e amigos, a paz e a alegria, a fortaleza e a prudência, a lucidez e a sabedoria. Quero viver cada dia com otimismo e bondade, levando a toda parte um coração cheio de compreensão e bondade. Fecha meus ouvidos a toda a falsidade e meus lábios a palavras mentirosas, egoístas ou que magoem. Abre sim meu ser a tudo o que é bom. Que meu espírito seja repleto somente de bênçãos, para que as derrame por onde passar. Senhor, os amigos que estão lendo esta oração, enche-os de sabedoria, paz e amor. E que nossa amizade dure para sempre em nossos corações. Enche-me também de bondade e alegria, para que todas as pessoas que eu encontrar em meu caminho, possam descobrir em mim, um pouquinho de Ti. Dá-nos sempre dias felizes, e ensina-nos a repartir a felicidade. Com a benção do Teu Filho que intercede sempre por nós.
Amém.

Foto de Romulo Rodriguez

Tempo Ao Tempo

Quando te conheci meu amor,vi que você era totalmente especial
Mesmo com o pouco tempo que eu te conhecia mas eu te queria e te desejava da melhor maneira possível
Você me seduziu da forma que jamais ninguém havia feito comigo ,com o seu jogo de sedução
Cheguei a uma conclusão de que queria você para está ao meu lado
Sobre o céu estrelado te dei o meu primeiro beijo foi onde tudo começou
Mas com o passar do tempo você me abandonou se tornando ausente na minha vida
Essa sua ausência que se transformou em indecisão ..
Ausência cheia de mistérios ,foi quando te coloquei a prova e perguntei-lhe
O quanto me amas?
Você disse que amava muito ,ai foi quando eu disse se me amavas tanto largava tudo pra ficar comigo por que quem ama faz de tudo pra ta perto.
Foi quando você me desprezou me ignorando e me deixando pra trás como se nada estivesse acontecido com a gente o que aconteceu com o amor?
Mas eu sofri muito uma saudade me apertava loucamente me deixando insanamente alucinado tudo ao perceber que eu tinha te perdido .vou sofrer e como eu vou sofrer ..
Mas resolvi dar o tempo parei de sofrer por você,resolvi dar TEMPO AO TEMPO.
O tempo nos mostra quem realmente e a pessoa ideal pra gente amar ,o tempo nos põem a provar
Sei que o tempo vai te mostrar que amor verdadeiro e igual ao meu você nunca vai ter e nunca mais vai ter aquele amor insano e devorador que você chegou a ter um dia comigo,nunca mais vai descobrir o amor gigantesco que eu tinha pra te dar
Sei se eu não te amasse tanto assim hoje eu não estaria chorando aos quatro ventos por você
Em pensar que se algum dia alguém me amou?por que você me desprezou eu te amo tanto que nem ser dizer o que cinto por você
Pois o que eu cinto por você ,não é o que você sente por mim que pena!
Mas o tempo vai te dizer e te mostra que amor igual ao meu não há !
E hoje tenho a certeza que esse novo amor que você encontrou não e a pessoa ideal pra você pois cinto que a mesma ilusão e decepção que você meu causou você causará nela também
Apesar das declarações feitas pra essa pessoa como um poema que você faz pra ela não a verdadeira prova de amor que você pode dar há uma pessoa amada ,mas o tempo vai passar mas espero que você não faça outra pessoa sofrer como eu ,que estou aqui sozinho triste sem você ..morrendo aos poucos alucinado com a vontade de ter ver de novo pois o que eu cinto vai além das palavras
Mais sei de uma coisa que o tempo vai me dar força para lutar por você
Por que é tão triste te perde que a todo tipo de coisa vou me submeter para tela novamente em meus braços e poder mergulhar no lago da paixão
Vou parar o tempo por que eu vou te esperar a onde quer que eu vá te levo comigo
Não importa o tempo que passar mas esse amor não há de se apagar ...
O tempo vai te mostrar que eu sou a pessoa que te ama de verdade e quer somente que você seja feliz mas tenho a certeza pois sei que o mundo vai girar e eu espero a minha vez...
Rômulo Rodriguez!

Foto de Romulo Rodriguez

Por que escolhi você?

As vezes fico a pensar ,por que escolhi você ,me apaixonei de um modo que não soube explicar
Desde de quando vi você ,foi só um simples olhar para mim escolher você pra vida inteira
O amor tomou conta de mim e eu fiquei alucinadamente a imaginar que você era o grande amor da minha vida.
Sobre o céu estrelado você me deu o seu mais belo sorriso e olhou no fundo do meus olho e disse: TE AMAREI PRA VIDA INTERIRA
Ao tom suave da sua voz ao dizer a frase , mergulhei alucinadamente em seus beijos quentes e apaixonados. Mas vi que talvez esse amor poderia ser mais um caso de decepção.
Em toda manhã ao ver o sol brilhar na janela do meu quarto fico a me perguntar por que escolhi você? mas essa resposta foi se encaixando na minha cabeça ai percebi o motivo de ter escolhido.
Pelas belas frases de amor que você me diz a cada encontro
Pelo sorriso de alegria que você tem quando está ao meu lado
Por todas a declarações de amor feitas
Pelo grande carinho e amor que você me dar.
E por isso que escolhi você ! minha grande e eterna paixão!

Rômulo Rodriguez!

Foto de Romulo Rodriguez

Doce emoção

Doce emoção
Que lindas são a declarações de amor...

Mais lindo ainda e a doce emoção de te olhar nos olhos e dizer-te te amo

A pressão sobe,o coração começa a bater mais forte ,o sangue bombeia
Tudo isso faz com que eu me cinta emocionado ao dizer que te amo.

Como descrever o que realmente cinto?o que é essa doce emoção? que toma conta de mim na hora de me declara pra você.

Só sei descrever que o que cinto e puro , que todas a palavras que saem da minha boca são tiradas do fundo do meu coração .

E por isso que eu te faço essa declaração de amor feito com esse sentimento puro que se chama “DOCE EMOÇÃO”!

Romulo Rodriguez!

Foto de Romulo Rodriguez

Doce emoção

Doce emoção
Que lindas são a declarações de amor...

Mais lindo ainda e a doce emoção de te olhar nos olhos e dizer-te te amo

A pressão sobe,o coração começa a bater mais forte ,o sangue bombeia
Tudo isso faz com que eu me cinta emocionado ao dizer que te amo.

Como descrever o que realmente cinto?o que é essa doce emoção? que toma conta de mim na hora de me declara pra você.

Só sei descrever que o que cinto e puro , que todas a palavras que saem da minha boca são tiradas do fundo do meu coração .

E por isso que eu te faço essa declaração de amor feito com esse sentimento puro que se chama “DOCE EMOÇÃO”!

Romulo Rodriguez !

Foto de Ayslan

Mais um capitulo sem você

Hoje a noite é fria o céu escuro é chegada minha hora de te escrever... Estou esperando o telefone tocar... Sabe a algo sombrio na distancia algo que só os corações podem dizer algo além da saudade uma dor sem lagrimas externa... Dor de alguém que sempre te esperar dor de um amor que precisar do seu calo. Hoje quero olhar fora do meu quarto... Vejo as pessoas todas com propósitos desenhados em balões em cima de suas cabeças todos então indo há algum lugar... Eu preciso voltar estou longe do meu destino preciso começar a escrever naquele caderno frio e triste preciso chegar ate você. Hoje percebo que não importa o dia do ano tão pouco a horas que o relógio marque não vou poder está com você... Minhas palavras foram tocadas pela escuridão do céu as linhas deste caderno dês de então ficaram desordenadas as palavras de paixão não existe apenas dor saudade e solidão. Eu repeti durante noites um único nome frente e verso em todas as folhas (Priscila) Lembro-me de suas palavras “Nem que seja em sonho, mas vou está com você hoje”
Dês de então eu te espero... Todas as noites...
Eu continuo recordando todas as noites a todo instante nossa historia e hoje eu escrevo mais um capitulo sem você mesmo assim em todas as paginas eu escrevo dizendo pra você “Eu te amo Priscila”

Para: Priscila

Foto de Lou Poulit

UM INCENTIVO À REFLEXÃO DE TODOS OS PROSADORES TÍMIDOS

Continuando uma conversa, esquecida noutro lugar...

Dei-me conta de um outro conceito integrante do curso, que também tem tudo a ver com essa reflexão sobre os nossos personagens na vida. E avança sobre fazer arte, sobre percorrer um trajeto evolutivo, lucidamente. O que inclui escrever prosa (a arte da palavra fluída) de modo mais artisticamente pretensioso, e não exatamente presunçoso...

Depois de entrar no ateliê, com a coragem e a desenvoltura de quem entrasse no castelo de Drácula, e tentar compreender alguma coisa da parafernália que havia ali, que equivalia a uma avalanche de informações visuais e olfativas nem sempre esperada, pinturas e esculturas por toda a parte, rascunhos espalhados como que por alguma ventania, uma infinidade de miudezas, coisas difíceis de imaginar e fáceis de fazer perguntar "pra que serve isso?"... O aluno iniciante dizia, como se ainda procurasse reencaixar a própria língua: eu não sei desenhar nada, sou uma negação, um zero à esquerda, nem sei direito o que estou fazendo aqui...

Eu tentava ser simpático, e sorria sem caninos, para provar que não era o Drácula. Depois pedia ao rapaz espinhento (convenhamos que o fosse neste momento) que desenhasse aquilo que melhor soubesse desenhar, entregando-lhe uma prancha em formato A2 e um lápis. A velha senhora (agora convenhamos assim) procurava uma mesa como se houvesse esquecido a sua bússula, e a muito custo conseguia fazer a maior flor que já fizera, de uns 15 cm numa prancha daquele tamanhão, e muito distante do centro da prancha. Claro, eu não conseguia evitar de interromper, se deixasse ela passaria a tarde toda ali improdutivamente. Aquele desenho já era o bastante para que eu pudesse explicar o que pretendia.

O executivo que arrancara o paletó e a gravata para a primeira aula, depois do expediente, com a gana de quem subiria num ringue para enfrentar um Mike Tison no maior barato e cheio de sangue no álcool, olhava pra mim, a interrompê-lo, como quem implorasse deixá-lo continuar! Queria mostrar talvez que eu deveria investir nele, que estava disposto a tudo, e que ele estava ali para que eu fizesse com ele o que bem quisesse. E eu finalmente explicava: não é necessário, já vi que você pode fazer. Me diga, quantas vezes você estima que já tenha desenhado esse mesmo Homem-Aranha que acabou de rascunhar?... Ah, não contei, mestre... Claro que não, mas talvez possa fazer uma estimativa, em ordem de grandeza. Uma vez? Uma dezena? Uma centena? Mil vezes?...

O velhote, com jeitão de militar reformado, pôs a mão no queixo. Mas em vez de estar fazendo alguma conta para responder, na verdade tentava avaliar (com a astúcia que custa tantos cabelos brancos) que imagem a sua resposta produziria, na cabeça do jovem mestre. Afastou as pernas uma da outra e naquele momento eu pensei que ele pretendia bater continência para mim, mas não, aquilo era um código comportamental. Sempre fui antimilitarista, mas procurei entender o seu personagem íntimo. Afinal, ele resolveu arriscar: Mais para mil vezes... Alguém poderia acreditar nisso – perguntei a mim mesmo? Se o velhote houvesse desenhado Marilyn Monroe, vá lá que fosse. Ou a bandeira do Brasil, um obuz, uma bomba atômica, ao menos um pequeno porém honroso canivete suíço!... Mas não. Um militar que estimava ter desenhado quase mil vezes o Papa-Léguas – antigo personagem de quadrinhos e desenhos de televisão – ou tinha algum grave desvio (talvez culpa do canivete) ou estava construindo naquele momento um personagem específico para a sua insegurança, o que mais convinha deduzir. Antes que ele dissesse “Bip-bip” e tentasse correr pelo ateliê, eu tratei de prosseguir com a minha aula.

Mas qualquer que fosse o aluno, eu pedia então que sentasse nas almofadas que ficavam pelos cantos do espaço, e em seguida me sentava no chão, sem almofada. E perguntava: você já ouviu falar no Maurício de Souza, o “pai” da Mônica?... Sim, das revistas... Isso mesmo. Sabe que ele é capaz de desenhar a Mônica (mas talvez não outro dos vários personagens que assina) de olhos vendados?... O aluno tentava refletir, mas eu não esperava pela resposta. Garanto a você que ele faz isso. Sabe por que?... Acho que não, assim de surpres... Por um motivo muito simples e óbvio: ele já fez tantos desenhos semelhantes, que não precisa mais se preocupar em construir nenhuma imagem do desenhista que ele é. Muito menos com o desenho que vai fazer.

Eu não estou pretendendo estabelecer nenhuma comparação com a sua pessoa, mas somente adiantando para você uma espécie de chave para quase todas as perguntas inerentes a aprendizados. Você pode achar até que é um zero à esquerda, quer diga isso ou não. Não é. Mas a sua memória técnica é. E essa seria a principal razão de você achar que não sabe desenhar, ou não ser capaz de ver-se como artista. Todo mundo nasce com alguma sensibilidade, percepção para o belo, capacidade de fazer associações psíquicas, afetivas, emocionais e tal. Isso tudo é inato, intrínseco à natureza humana. Contudo para transpor o que está dentro de você (imaterial) para fora, de modo que outros, além de você próprio, possam compreender através de alguma sensorialidade, é preciso usar um meio físico, também chamado de veículo. Para fazer essa materialização você terá que lançar mão de uma técnica, e a técnica não é inata (salvo em raros casos).

Essa é razão mais elementar pela qual está me pagando. Mas eu não fabrico desenhistas. Apenas, com base na minha própria experiência e na minha memória técnica, vou traçar um atalho para você chegar ao que definiu como suas preferências, na nossa conversa inicial. Bastará que você faça apenas algumas coisas simples, mas que podem exigir alguma disciplina: que não faça os exercícios como faria um robô, que preste atenção com intuito de memorizar o que vou lhe dizer (como se fôsse um robô!) e que não jogue fora nem mesmo o pior dos seus resultados, pelo menos até que termine o curso. Os seus resultados de exercício, em ordem cronológica ou pelo menos lógica, por mais que pareça entulhar a sua vida, serão como os frames de um filme que só existe na sua memória, e que serve para estruturar a sua memória sensorial. Será a mais eficiente forma de avaliar o processo de aprendizado, e poderá estar sempre disponível para reavaliações.

Sua verdadeira obra, será construir um arcabouço de informações técnicas. Muito naturalmente e sem começar pelo fim ou pelo meio, você irá armazenando o conjunto da sua sensorialidade ao exercitar. Não irá memorizar tão somente o desenho em si, mas a interação entre os materiais, os sons, o cheiro, a impressão tátil de manusear e pressionar, enfim, tudo será memorizado, e a partir de certo ponto, além de saber, você estará compreendendo o que faz. Contudo, não tem que esperar o fim do curso para estabelecer uma relação mais madura consigo próprio, enquanto artista. Poderá começar a amadurecer (e reorientar) desde logo o seu foco preferencial, a sua linguagem e estilo próprios, seus conceitos e o seu próprio personagem de artista...

Isso mesmo, o artista, seja pintor, músico ou escritor, tem um personagem próprio. Para as pessoas que só podem conhecer a sua arte a partir do veículo e não a sua pessoa, será inevitável eleger atributos para agregar referencialmente ao seu nome, ou para humanizar o seu nome, e torná-lo mais compreensível. As pessoas “tocam” o produto artístico como se tocassem a pessoa do artista subconscientemente. Por isso, se você não quiser criar lucidamente o seu personagem e torná-lo compreensível para eles, os admiradores da sua arte o farão instintivamente e você só saberá depois, ou talvez passe pela vida sem saber como é visto, ou pior ainda, imaginando o que não corresponda nem de longe à realidade.

Não importa muito a linguagem artística que se escolhe. O processo evolutivo é muito semelhante. E todo aquele que reluta em mostrar seu trabalho e predispor-se a um julgamento que não se submete ao seu próprio, apenas retarda a sua própria evolução.

Foto de Lou Poulit

O CRONÔMETRO

Há alguns anos, acordei na cama de não sei quem. Eu não sabia o que estava fazendo ali, mas não tinha a menor dúvida sobre o que estava fazendo até adormecer, ou talvez devesse dizer desmaiar. A verdade pode ser muito crua para pessoas que nos amem, e tenham construído uma imagem nossa bem "cozidinha".

Eu não estava seguramente na minha casa, e não havia mais ninguém naquele apartamento. Tomei um banho morno para ganhar algum tempo e por as idéias em ordem, vesti-me, e como ainda não havia chegado ninguém que eu pudesse ver, além das estatuetas de ciganos, bruxas, gnomos e mais uma multidão de sapinhos espalhados (e todos pareciam olhar pra mim!) que acabara de descobrir ali, resolvi ir-me embora. Estranho isso. Ir embora de um apartamento desconhecido, sem despedir-me de alguém, ao menos dizer obrigado...

Na saída, uma espécie diferente de saci (de uma perna e meia, e com dois gorros vermelhos) próximo à porta me estendia a mão. Mais desconfiado do que generoso, eu arrisquei deitar cinquentinha. Mas caí na asneira de olhar mais uma vez para o seu semblante. E acabei deitando cem paus. Antes de bater a porta por fora, olhei pela fresta e, tal como se o moleque fosse eu, vinguei-me: Explorador!... No elevador desconfiei, pelo perfume fortíssimo que dois travecos deixaram ao sair, mas chegando à calçada acabaram-se as dúvidas. Eu estava na avenida Princesa Isabel, a larga entrada de Copacabana (coincidência?), para meu fugaz alívio fora do túnel dito do Pasmado! "Oh, my God! Oh my God... I more don’t want to be fucked"…

À certa distância, na confluência da avenida com o calçadão da praia, uma pequena multidão olhava para um out-door que não estava ali até a última vez. Aproximando-me vi que era um cronômetro eletrônico retroativo, comemorativo dos 500 anos da descoberta do Brasil. Fora inaugurado muito recentemente, deduzi. E eu repeti para dentro, balbuciando: Oh, my God... Em poucos minutos a multidão já não era pequena, e depois de mais algum tempo já me parecia assustadora. Mas não propriamente a multidão. Aquela gente toda, incluindo-se muitos turistas (estes por motivos bem mais óbvios) masturbava-se promiscuamente, para comemorar meio milênio de exploração.

Vagamente eu me lembrava de que alguém se dispusera a fazer algo assim comigo. E o fizera com requintes. Porém a bruma etílica não me permitia lembrar desta mulher mais do que uma meia dúzia de nomes. Afinal, que diferença faria o nome? O fato a moer-me a lucidez que restara, era saber que eu explorara e fora explorado. E ali estava eu cercado de pessoas tão festivas e presumivelmente tão pouco lúcidas, tendo por referência a lucidez que me restara.

Por um quase desespero, vire-me e fui me reencontrar no balcão de um bar. Pedi um café bem preto, alienado, como se estivesse num café expresso. Antes de servirem o café, porém, surgiu, não sei de onde, um negrinho cheio de dentes, com duas pernas normais, e com um pequeno caixote sob o braço, que apontando para os meus chinelos de dedo me pediu para engraxá-los. Lógico, escusei-me polidamente. Então ele fez gestos para que eu lhe pagasse um salgado (com suco). À minha recusa ele aceitaria só o salgado. A seguir disse que aceitaria um trocado mesmo... E para o meu desespero definitivo, a uma nova recusa ele pôs a mão na cintura acintosamente, olhou dentro do bolso da minha camisa, e me pediu um cigarro...

Eu deixei o bar para trás, retomei o caminho da minha casa com quatro certezas: primeira, de que para o negrinho não importava o que me tirasse, desde que tirasse alguma coisa; segunda, de que ele achava que eu era um turista e que tinha medo dele; terceira (oh my God!), aquele cidadão brasileiro aprendera, em no máximo 10 anos, a explorar o medo de um suspeito explorador comemorando os seus 500 anos; e quarta, que me esqueci de tomar o café. Afinal, eu achei que somos poucos, porque nossa população se reproduz a esmo, mas em vez de dias a contagem regressiva devia, ao menos estimadamente, contar as pessoas que se recusam a se abster de votar. Qualquer que seja o voto em algum nome, o sistema se reproduz! Se apossará dos votos branquinhos e dirá que os negrinhos é que se reproduzem como ratos.

(Lou Poulit, 2010)

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