Dois

Foto de Maria Mamede

NÃO DIGAS...

Não digas ao ouvido
que me amas
o coração tem escutas
pelas veias
não digas amor
das marés cheias
da longa solidão
que desvanece
ao tocares a boca
que anseias
com sofreguidão
e que fenece
sem a tua boca, a tua mão...
não digas ao ouvido
beija apenas
e as horas nos serão
pequenas
para matar saudades
já sentidas
nesta nossa espera
em tantas vidas
neste eterno desejo
sempre em flor...
mas se acaso
não puderes calar
esse amor que sentes
e lateja
não fales, beija
e seremos dois
num só amor!...

Maria Mamede

Foto de Sonia Delsin

AH, COMO ISTO É DISTANTE!

AH, COMO ISTO É DISTANTE!

Um dia eu estava tão triste, mas tão triste que disse à minha mãe.
-- Mãe, eu queria ser um urubu.
Apontei um bem no alto dos céus a voar.
-- Aquele eu queria ser.
Minha mãe me estreitou nos braços e me beijou.
Ela sabia que eu nem sequer naqueles dias podia andar.
Imagine voar!
Mas eu voava de outra forma. De um outro jeito eu voava.
E meu vôo me curava.
Porque quando nele eu entrava com outra realidade eu deparava.
É uma história tão longínqua esta. A lembrança faz parte de mim.
Mas parece que se passou com outra pessoa.
Não parece que fui eu que fiquei presa a uma cadeira de rodas por anos.
Presa a um leito.
Parece mentira que a enfermidade fez-me conhecer a verdade.
Sim, a verdade da vida.
Depois de tudo aquilo eu passei a ser outra pessoa.
Uma lutadora.
Vinham os reveses da vida e eu estava no momento seguinte me erguendo.
Fui me fortalecendo.
Algumas pessoas me julgaram tão frágil que quiseram estender tapetes para eu pisar.
Não entendiam que eu conhecia os espinhos.
Que eu tanta coisa podia suportar.
Aqui lembro meu pai dizendo.
-- Filha, você é muita delicada.
Ele estava certo.
Sou delicada, sensível.
Mas existe em mim uma força, uma coragem.
Não sei. Tem dias que eu penso que tanta coisa nesta vida eu precisei provar.
Talvez fosse necessário me testar.
Ou contas acertar.
Eu com a dor sempre fui aprendendo.
Um amigo me disse um dia.
-- Não acredito que o sofrimento seja necessário.
Não vou dizer que é. Foi para mim.
Hoje em dia me considero uma mulher feliz.
Realizada.
Plantei árvores, editei livro, tenho dois filhos lindos que adoro.
Se algumas coisas não saíram a contento é que tinha que ser assim.
Esta lembrança que me chegou do vôo do urubu é que hoje fiquei olhando um...
Olhando, olhando...e pensando.
Voei tanto. Tanto conheci, tanto aprendi.
E estou aqui.
Ainda aprendendo.
Ainda...

Foto de Carlos Donizeti

Carta para mim mesmo.

Carta para mim mesmo.

Meu amigo, Carlos Donizeti, espero que esta carta possa encontrá-lo gozando das mais perfeitas bênçãos, embora a mim não possa dizer o mesmo. Como sentimos a falta da tua presença e das tuas falas, não deste homem culto e formado, mas daquela criança, aquele moço companheiro que não saia aqui desta casa. Às vezes quando penso em ti, tuas palavras de conforto para os jovens necessitados, os cantos de meus olhos lagrimejam, merda de vida... Não sei o que aconteceu que de repente tu olhaste para o céu, como me disse que ouviu: O que eu faço aqui. Isso foi o suficiente para que num dado momento seus olhos faiscassem, e tu não ouvisse mais nenhuma pessoa, e partiste. No inicio procuramos ser fortes, mais aos poucos fomos aos pouco rendendo as fraquezas e por fim surgiram as lágrimas. Teus amigos mais estimados não suportaram tua partida e foram, somente alguns poucos ainda moribundam esperanças de tua volta. Não sei onde estás realmente se és feliz, talvez esquecesse quantas vezes nós e uns grupos de meninas aos finais de semana iam numa pequena lagoa aqui bem pertinho, só bastava uma garrafa de licor para sermos felizes, talvez se esquecesse das noites enluaradas, dos bailinhos nas casas de nossos amigos e das pescarias. Meu amigo quando os pés de laranjas brotam em flores isso aqui parece um paraíso, vem as mais lindas borboletas a beijar em flor em flor, sei que talvez nem se importe mais. Às vezes passos na casa de seus pais, que mesmos cansados ainda sentam na varanda da casa, sua mãe e teu pai já de cabelos bem branquinhos como dois anjinhos colados não te esqueceram. Às vezes nos anoiteceres de natal e véspera de ano novo me reúno com tua família, e sinto que falta faz tua presença.

Foto de psicomelissa

Inicio de ano

Maria Eduarda inicia o ano entristecida, pois sabe que o seu companheiro ideal talvez não exista...
Na virada o Sr. Café lhe abraçou e perguntou: - o que você deseja pra este ano Duda?
Duda respondeu: - um grande amor, que dure a minha vida inteira... E chorou.
Depois os dois grandes e velhos amigos sentaram e conversaram sobre os planos de Duda pra 2008.
Mas como sempre o Sr. Café teve que puxar a orelha de sua amiga, ela se apresenta como narradora da própria vida, sem colocar a sentimentos e emoções no que vive, como se ela estivesse anestesiada.
Após esta conversa o Sr. Café ficou extremamente preocupado com sua amiga, que foi ao encontro de uma amiga em comum, que Duda tem um carinho muito grande e admiração desmedida, Maria Elisa.
E para nossa surpresa o Sr. Café e Maria Elisa também tinham ficado muito preocupados com Maria Eduarda, lógico que pelos mesmos motivos, pois quem conheceu Duda, tão cheia de vida, expectativas mil, sempre de alto astral, dura na queda. Assusta-se quando encontra Duda (atualmente) sem motivação nenhuma, sua característica que lhe eram singulares e que fazia com que todos se encantassem com ela, parece que estão perdidas dentro de um vazio gigantesco.
Como se a vida de Duda não fizesse mais sentido, sem motivação.
E Maria Elisa saiu da conversa com o Sr. Café muito aborrecida, pois sabe que Duda teve uma grande paixão em 2007 e o individuo não teve a menor decência para com ela, uma pessoa extremamente honesta e transparente, sem contar dos desaforos vividos por Duda, que fez tudo para que Mrs Jones se tornasse alguém e este cometeu o pior crime: não soube ser grato.
A ingratidão foi o grande erro deste projeto de ser humano, mas Maria Elisa já havia dito que ele nada valia – pura intuição.
O mais incrível é que Mrs Jones hoje prosperou e sabemos que tem os dedos de Duda, e que ele não terá como se manter sempre assim afinal Duda e ele cortaram qualquer tipo de relacionamento.
Mas o que Maria Elisa se questiona e questiona o Sr. Café é se o acumulo de frustrações amorosas e depois este banho de água fria (ingratidão) junto com uma cobrança pessoal da própria Maria Eduarda que se questiona: pra que eu trabalho? Quem me espera de noite?
Diria que Maria Eduarda vive um vazio existencial, pois passou boa parte da sua vida se dedicando a sua vida profissional e hoje só isso não lhe basta, o vazio ainda existe, por que Duda desejaria ter uma família, um companheiro que preenchesse este outro lado de sua vida que por mais que ela o sublime, tem momentos que ele surge, trazendo uma tristeza sem tamanho tudo por conta do VAZIO.
Maria Eduarda que é tão determinada e ousada tem tido reações que não eram esperada, se almeja ter uma família um grande amor, deveria (ou os seus amigos mais íntimos acreditavam) que ela fosse ir a busca dos seus sonhos.
Porém ela se mostra apática, sem muita esperança com uma descrença sobre os outros indivíduos que deixa seus amigos extremamente preocupados.
A vida de Maria Eduarda parece que foi pausada... Tanta determinação, ousadia, cadê aquela mulher destemida que nada lhe abalava, inteligente.
O que podemos fazer pra ajudá-la?
Será que ela irá sair desta?

Foto de Paulo Gondim

Se você ficar

Se você ficar
Paulo Gondim
15/01/2008

Eu vejo nos seus olhos
Que você chora há muito tempo
E as estrelas do céu choram com você
E que suas lágrimas enchem mais o mar
E regam de orvalho o amanhecer

Mas se você ficar aqui, comigo, eu prometo
Enxugarei suas lágrimas , uma a uma
No aconchego de meu coração
E aí, não haverá mais choro
Sairá para sempre dessa desilusão

Eu vejo nos seus olhos vermelhos
A revolta da perda, a decepção
O medo da vida, o recolhimento
Como animal ferido
Na forma mais cruel do sofrimento

Mas se você ficar comigo, eu prometo
As estrelas do céu não chorarão mais
Vão brilhar nos teus olhos limpos
As lágrimas serão diamantes
E seremos dois amantes
Prontos para a vida
Abertos ao mundo
Numa paixão incontida

Foto de Carmen Lúcia

Ainda te espero...

Ainda te espero...
Como as manhãs chamam pelo sol,
Que inunda de cores o arrebol,
Ou como a natureza, o toque de amor...
E a tristeza...o que carregue a dor!

Ainda te espero...
Sei que hás de estar em algum lugar...
Lugar que um ponto comum será
Para nós dois...nosso depois...

Te espero tanto...
Sem me importar em qual tempo,
Em que estação ou dimensão ...
(Te encontrarei em qualquer canto),
Surpreendente e desejado,
Sei que temos encontro marcado...

Ainda te espero...
Resignadamente, incansavelmente...
Sem planos ou trajetórias traçadas...
Apenas carícias indescritíveis, improvisadas...
Cenas explícitas e liberadas...
Sem páginas arquivadas ou lacradas...
Nosso amor será sempre assim...
História de amor sem fim.

Foto de felipao

N vivo sem ti....te amo ''AMANDA'' minha gostosinha

Aexencia do amor,alem do carinho e do afeto é o PERDAO...Para se ter certeza do sentimento q mora no coracao de alguem,deve se olhar nos olhos da pessoa...Entao olhe nos meus olhos e veja que...
TE AMO...Perdoe meus erros e veja o que sinto por vc...Termino dizendo o seguinte: o sentimento dentro do coracao nao se apaga facilmente ,pois isso sabia que...TE AMO para sempre..Os momentos mais felizes do meu DIA...se faz quando estou...em seus bracos..TE amando...Te tocando...Te sentindo...sao momentos unicos que so vc tem dom de me proporcionar...De alegria...carinho..e uma paz ETERMINAVEL..Q fazem pequenos getos...Lembrancas inesqueciveis...E q so aumenta mais a vontade de eu ser...Completamente...Sua..TE AMO...Tanto q ja e dificl te imaginar...Uma vida sem vc !!! Junto somos...So uma >coracao...Juntos venceremos..Qualquer barreira...Eu preciso tanto de vc...O seu amor e o que me faz crescer..e conhece como a propia mao...Cada medo do meu coracao..hoje pensei tanto em nois dois...Que n podeia deixar pra depois...E eu vim aki so pra te dizer...Que eu sou louco por vc...

Foto de Paulo Zamora

Círculos / Pedido de Amor

Círculos
Corro em círculos, sempre em volta de você. O ciúme me controla, tudo parece traição, tudo parece escuridão enquanto está dando tanto amor...
Assumo a culpa e que devo mudar, já que você me ama, me respeita, mesmo assim; com minhas desconfianças, procura ser branda, calma até demais; foi Deus quem lhe deu essa paciência...
Em círculos pelo mundo, olhando você, cuidando além do limite, é obsessão, a qual não preciso, não serve de abrigo, não acalenta. Estou em volta de você, meu planeta, minha lua em casa, meu mundo inteiro...
Sei que não é normal, não entendo porque sou assim, eu quero você pra mim, mas esqueço que nunca fui, nem serei seu dono.
A flor que seca fora do vaso, este sou eu...
A planta que se queimou com sol, este sou eu.
O apaixonado obcecado, também sou eu...
Em volta do mundo teu, correndo como louco, indo para lugar nenhum, ciumento, dono de um sentimento que somente atrapalha nossa relação. Vou sendo como não devo, em volta de você, em círculos... rodando... caindo sem perceber. Desculpe meu amor, você não faz por merecer, sou eu quem idolatra, sou eu o culpado, me dê uma chance, porque somente agora percebi toda verdade, que correr em círculos nunca me levará a lugar nenhum... somente me afastará de você.
(Escrito por Paulo Zamora em 11 de janeiro de 2008)
www.pensamentodeamor.zip.net

Pedido de amor
Ouça simplesmente meu pedido de amor, me encontre como ontem; o que senti foi tão forte que vieram outras lembranças, de um outro tempo na minha vida, tempo que amei perdidamente e pensei que nunca mais voltaria a amar alguém, mas foi engano; minha vida mudou quando conheci você.
Por favor, não se afaste; não pense em adeus se agora já me apaixonei, e deixei você contendo por mim uma paixão; quando nasce sentimento não tem como voltar atrás.
Pense naqueles bons momentos, ainda mais quando apagamos a luz e sentimos apenas o toque de peles que se sujeitavam por amar o amor...
Simplesmente dois adolescentes...
Esse é meu pedido de amor; que não se vá para longe de quem se apaixonou e sonha viver ao seu lado, foi você quem me fez esquecer aquele amor do passado, mudou meu conceito, me fez outro...
Ontem não pode ter sido o fim, você já precisa de mim, procure se conter e viver a realidade, sabe? A escola da vida nos ensina todo instante, e confesso; que aprendi a viver quando conheci você, ainda mais quando nos beijamos...
(Escrito por Paulo Zamora em 10 de janeiro de 2008)
www.pensamentodeamor.zip.net

Foto de psicomelissa

momento surreal

este blog contém reflexões sobre o cotidiano , onde utilizo apenas dois personagens : maria eduarda (duda) e o seu amigo o sr. café.
os textos são possiveis díálogos que estes amigos inseparáveis frequentenmente têm e os temas são os mais variados desde o que contêm numa bolsa feminina ou sobre intimidade (fazendo um paralelo com escova de dentes) entre outras histórias (sendo que algumas são veridícas, mas que não necessariamente tenham sido vividas pela autora)
em geral eu tenho acesso a um número grande de situações e fatos dignos de serem escritos e partilhados com quem gosta de uma boa história.
sejam bem vindos ... ao mundo interno de MARIA EDUARDA , minha "filha" - digamos que eu seja a criadora e duda( e o sr. café )sejam minhas criações mais precisosas.

BOA LEITURA !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

(GOSTARIA QUE VCS PARTILHEM COMIGO VOSSA OPINIÃO SOBRE MEUS TEXTOS )

ATÉ BREVE !!!!!!!!!

Foto de Sonia Delsin

O SEMEADOR E O VENTO

O SEMEADOR E O VENTO

O nome do sujeito era João. João ia com um saco na mão, um saco de sementes.
Ventava forte naquela manhã e ele se encaminhava para um terreno íngreme e ia assoviando.
Usava um roto chapéu de palha e na mão carregava um cigarro que de vez em quando rolava entre os dedos.
Ele o enrolara ao cair da tarde do dia anterior, quando seu coração era puro amor.
Levava um bornal dependurado no ombro.
Ali por certo ele carregava a bóia.
João parecia contente, mas o vento soprava forte e os dois ficavam brigando.
Pronto, o cigarro caiu quando ele tentava segurar o chapéu.
Entredentes um resmungo.
Abaixar e pegar o cigarro e deixar o chapéu voar? João optou pelo chapéu, pois faria falta quando o sol esquentasse.
Ele chegara ao tal terreno íngreme e sabia que jamais alcançaria o chapéu se saísse voando.
Virgem Santa! Aquilo parecia uma escada pro céu e o rapaz seguia com dificuldade.
Um arbusto. Pronto. Dependurou o bornal e pegou a ferramenta que ficara guardada, pois na véspera estivera trabalhando ali por várias horas.
A terra não era das melhores não e até dava pena de jogar o grão, mas era seu o chão.
Plantar o milho. Esperar crescer. E colher.
João assoviava.
Sementes jogava e com o vento brigava.
__ Vento dos diabos.
Uma ave de rapina passava voando e ele se distraia olhando.
O chapéu da cabeça escapava, pelo morro rolava.
João com o vento gritava.
Sol escaldante, cabeça exposta.
Um olhar pro céu. Cadê resposta?
Duas horas depois João ia até o arbusto, abria a marmita gelada. Parecia até piada.
Um arroz oleoso, um pedacinho de carne seca, esturricada. Num saquinho à parte uma laranja descascada. Amargara... coitada! Há horas que tinha sido cortada.
João lembrava de Tereza à mesa. De Tereza ao tanque, de Tereza na cama.
Tudo é lindo quando a gente ama.

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