Sol

Foto de Ricardo felipe

FALTA

Ando a ver-te, ando a perder-te andando.
Ti vejo nos rostos alheios,
ti roubo em outros olhos,
como será sentir teus olhares?
Como será derramar-me, escrever-me em ti?
Os momentos se foram e nós nos perdemos.
As luzes se apagaram e nos permanecemos alheios na escuridão,
na ilusão em que se deita a alma e o sonho,
na fuga deste enfadonho viver,
na palavra que ao correr mareia e inebria.

Ao sol a palavra ardia
e as memórias se derramavam como cera,
um pranto, uma vela à cabeceira trêmula.
O suspiro de que já não somos nada
que a verdade cala,
que a história esquece.
Somos um momento apenas,
um amor perdido revivendo-se.
Uma dor que não o sei o que é,
não saberia dizer nunca,
mas a sinto como oração e pranto,
como o desejo de ser feliz
sem realizar-se nunca.

Ah! do amor que nunca tive e nunca terei.
Só o explicaria pela falta, pela ânsia,
pela dor da idéia de não o ter.
Que meu querer é uma nau desgovernada,
sem rumo, sem proa, sem nada que o impeça.

Foto de rodmar49

Amor que morre!

Amor que morre...
momento triste...
quando olho para ti...
e o tempo ainda existe.

Lua Nova no céu...
Sol que escurece...
Mares de macaréu...
coração que endurece.

Veias de sangue lento...
sangue escuro de dor...
coração que bate sonolento...
pelo findar deste amor.

correm por meu corpo tormentos,
como turbulentos rios...
agitam todos meus sentimentos...
em ondas de cerrados frios.

Só ficaram recordações...
daquele amor arfante...
dois doridos corações...
de paixão agonizante.

Foto de Lou Poulit

REQUERIMENTO PARA TOLOS

Tolos que a brisa dos amores tange, possuem o instante. Tolos, algo mais tolos, que ofertam o brilho agônico de estrelas já consumidas por si próprias, possuem mentiras. Tolos que vaticinam o gozo apoteótico no leito incerto do sol, possuem uma tola eternidade. Mas quem lhes atiraria a primeira não-tolice? Quem jamais se sentiu tolo por amor, sem que antes, ou depois, ou mesmo durante, em algum tempo tenha sido possuído e gostado disso?... Ao sol, senhor de todos os tempos, as nossas vênias... Ao amor humano, grão-senhor de todas as tolices, lambamos as suas mãos generosas... Porque nem a transitoriedade de tudo pode nos derrubar dos trançados neurônios, onde balouça como pêndulo nossa auto-estima, tangida pela própria brisa, molestando-se a si própria, por todos os tolos requeiro...

No comezinho lar do tolo, uma mulher ocupa-se dos seus afazeres, imersa no seu sagrado silêncio. Ao tolo, mais parece uma extensão dos seus domínios, mas tudo em volta dela está semi-nu, tanto quanto ela. As sombras de cada recanto seguem-na, como a pervertê-la à luz da manhã, tenazmente disposta a revelar arrepios nos insuspeitos recônditos da sua pele pudica. Os seios dela esvoaçam de alças baldias da seda dormida, e dançam com simetria um tango ousado, ainda com cheiro de amor ressacado. Nádegas sorridentes tremelicam e, ingenuamente, espalham um sismo pela casa. Por onde ela passa soberana (e ela passa muitas vezes), arrasta um pedaço de céu que convida o tolo ao inferno. Mas entre as suas penugens, uma fauna carnívora e dissimulada a protege da insensatez do tolo. E lá vem ela de volta... Vê-se que ela possui tudo ao seu redor. O que possui o tolo?

E os seus pés? Ah, os pés da mulher amada... Nem os seus pés ele possui... Não são apenas os pés do corpo. Com eles caminham a sua identidade e a sua auto-estima, os seus ideais e o seu silêncio, sua sabedoria ancestral crida submetida. Com eles ela refaz todo dia o caminho da sua escolha tola e descrente, e atrás deles caminham as tolices de muitos tolos crentes. Ao ser apresentado à mulher da sua vida, o tolo é também um injusto por beijar a sua mão. E para mantê-la sob sacro juramento de fidelidade, antes algum dedo do pé recebesse a aliança. Pois mesmo com as plantas altas, e por mais que estejam distantes, e ainda que apontem para direções opostas, eles não crêem. Eles sabem. E dissimulados vagueiam no peito do tolo ancorado, que assim não pode ver suas pegadas, prova mais indelével, endosso insofismável do seu amor. Com as patas silenciosas da fêmea, sobre o barro vermelho do sangue da manhã que se anuncia, caminha a vida que tem fome e sede da mônada, caminho da criatura única, de volta à nudez do lar.

O tolo penitente é de todos o mais desapegado. Em certo momento, distribui as suas tolices e crê que assim poderá seguir leve e ileso, porém não pode distribuir a solidão que o segue. Suas tolices pesam na alma como... um jardim, entre o corpo e o espírito. Ele o cultiva como cultivasse o seu amor e o defende como um cão raivoso. Mas não pode trazê-los para dentro de casa como gostaria, nem o jardim nem o cão. E noutras tantas vezes, o seu amor prefere ficar do lado de fora também. Antes de viajar, o tolo o rega, e ao passar por ele se despede já sentindo o peso da sua ausência. E quando retorna da viajem (nos tolos pesa a compulsão por retornar), encontrando-o do mesmo jeito ele reconhece a sua lealdade. Então o jardim, repleto e perfumado de belas tolices, fica sempre além das paredes, erguidas pelo lado de dentro para que possam se reconhecer, sem se confundir com as suas obras e tolices.

No entanto, não são as tão diversificadas tolices particulares que caracterizam o tolo-medium, mas a maior de todas as tolices, a mais geneticamente generalizada, a mais sustentada por ideologias hoje dominantes no mundo como o capitalismo e o consumismo, e por tantas razões a mais maquiada: o insaciável sentimento de posse. Alcunhado de amor-objeto por dificuldade lingüística, seria mais conciso dizê-lo amor por objetos. Sim, no plural, e isso é facilmente explicável. O primeiro amor de qualquer tolo são na verdade dois. Basta apenas alguma manha para que um deles lhe seja disponibilizado, ficando o outro para depois. Com o passar dos anos, o pequeno tolo desenvolverá muitos tipos diferentes de manha, porém, ao longo de toda a sua vida e mesmo quando já for um tolo-velho (talvez desdentado) ele dará preferência a objetos de aparência dupla... E macia...

Portanto, não se deixem iludir as tolas pelas deliciosas tolices maquiadas dos tolos, nem vice-versa. Sejam tolos novos e inexperientes demais, ou muito velhos e canalhas, sejam enormes ou apenas tímidos tolinhos, bem pressurizados com pouca irrigação celebral ou escassos de sangue com muitos sonhos na cabeça... Se já é tão difícil ter posse de alguma coisa nos amores, imaginem a tamanha tolice de querer exclusividade de coisas de aparência dupla! Posse das suas respectivas portadoras? Sem chance... Sustentar financeiramente as suas fartas e socializadas tolices? Como investimento, certamente será a alternativa mais segura... Garantia de uma aposentadoria tola e miserável.

Ora, o amor humano tem sobrevivido a tolices milenares. Mas teria se perpetuado sem elas? A brisa que tange os tolos, assim como as estrelas que podem ver, não são mais que um instante fugaz, a própria vida é um instante fugaz! Mas é tudo que podem possuir, tolos ou não... Por que então se deveria descartar as tolices? Não são elas mesmas as melhores referências para que se reconheça o tipo de amor insosso e inócuo? As tolices e o sexo se alternam enquanto o amor sobrevive, mas ele só será feliz se ambos ocorrerem simultaneamente de vez em quando. Apenas algumas vezes, e isso tornará cada amor inesquecível. Se alguém cultiva um amor por muito tempo, provavelmente cultiva alguma tolice. E se alguém se recorda de um amor passado, com muita certeza tem alguma tolice para contar. Talvez ambos sejam tolos e tenham seus próprios jardins particulares... Assim como eu, que sequer tenho uma carteirinha de estudante para pagar meia-entrada, em algum pulgueiro da cidade, e ser tolo o bastante para assistir o filme! Não, chega... Sejamos tolos, até sejamos convictos, mas nunca mais sejamos tolos-anônimos...

Eu, Lou Poulit, vulgo Passarinho-tolo (*), artista plástico, poeta e contista, por meio desta tolice crônica venho reclamar de volta todas as minhas tolices antes distribuídas, por equívoco desapego, declarando-as doravante reintegradas ao meu acervo sentimental, inalienáveis e insucessórias.

Por seu justo reconhecimento, venho requerer à minha própria auto-estima de tolo do amor humano, registro definitivo e carteira de identificação de tolo-aprendiz, com foto de passarinho.

Outrossim, declaro, por ter declarado “de rua” meu cão raivoso, que meu jardim desde já está aberto à visitação de tolas, loiras ou não, desde que portadoras de coisas de aparência dupla apreciáveis (a critério do declarante) e queiram nele amanhecer.

Para dirimir quaisquer dúvidas, elejo como fórum privilegiado a subjetividade coletiva de todas as beneficiárias das minhas tolices, destas desapropriadas sem “chorumelas”, digo, sem querelas, bastando que seja sediada em algum lugar entre o corpo e o espírito.

Sem mais para reclamar...

(*) – Em sites e comunidades de poesia da Internet, o autor também é reconhecido pelo pseudônimo de Passarinho.

Lou Poulit

Foto de opoeta josé carlos martins de lima

lagrimas

caminho ao lado da solidão.e a tristeza me espera com lagrimas ,o tempo em minha vida se faz em angustia. eu me alimento da dor,e ela me da um enorme vazio na alma . amei e fui despresado e o que restou foi um olhar perdido.sinto a falta de carinho e amor sentimentos que foram traidos pelo desejo e o prazer. tentei fugir mas terminei escravo a minha historia é de esperança em olhar um por do sol sem nenhuma nuven de chuva no céu.vivo a minha vida em meus sonhos e tenho pesadelos em minha vida acredito tambem na eternidade de minha alma e tenho medo que a dor tambem nela acredite.sinto um gosto amargo em meus labios por falto do seu nectar abandonei tudo por você e você me deixou por tudo em que acreditava lhe dei todo o meu tempo e você me deu a saudade falo seu nome em gritos no silencio estou morrendo a cada dia em dor por sentir a falta do seu amor.

Foto de opoeta josé carlos martins de lima

não há um dia novo

tudo se repete pode passar o tempo e o vento vai e vem a chuva cai no mesmo lugar a vida morre e se renova a flor não perde a beleza e o cheiro tem sorriso em labios e lagrimas nos olhos tem o perdão e a magoa a atitude e a timides o sol é a lua no mesmo céu as ondas na mesma praia mas descobrir que as coisas que foi importante nessa vida em que tudo no passar do tempo se faz o mesmo na dor de um coração é sempre a mesma dor que se repete no meu no seu sempre havera uma dor e um novo amor .

Foto de elcio josé de moraes

POR AI

De mãos dadas,
Vamos caminhar
Sem destino e sem direção.

Vamos por ai afora,
Onde o vento nos levar,
Aproveitar este verão.

Quero lhe mostrar o sol,
Se pondo lá no horizonte.
Uma flor ainda em botão...

Quero aproveitar a vida,
Com voce minha querida,
Minha vida, minha paixão!

Escrito por elciomoraes

Foto de Cecília Santos

SE EU FOSSE VOCE...!

SE EU FOSSE VOCÊ...!
*
*
*
Se eu fosse você...!
Repensaria a vida,
Sorriria mais, choraria menos.
Amaria mais, sofreria menos.
Se eu fosse você...!
Escalaria montanhas,
descobriria o que há,
no topo escondido.
Voaria feito passarinho,
livre pelo céu,
Sentiria a brisa,
conheceria a carícia.
Se eu fosse você...!
Emprestaria os raios do sol,
pra colorir, as manhãs tristes.
Com as estrelas,
salpicaria de luz os caminhos.
Se eu fosse você...!
Eu me daria uma chance.
Derreteria o gelo entre nós.
Desataria as amarras.
Abriria o coração.
Deixaria o amor,
entrar novamente.
Se eu fosse você...!
Eu me amaria eternamente...
Se eu fosse você...!
Eu voltaria pra mim...

Direitos reservados
Cecília-SP/06/2007*

Foto de Logan Apaixonado

Renovado sejas tu, Amor

Renovado sejas tu
Sentimento dourado
Atinge-me em cheio
Esperança surgida
Renasce das cinzas
Fenix tão bela
Vejo agora a aquarela
Vibrante da vida
Agora sentida
Tão claramente
O Sol tão bondoso
Aquece meu corpo
Pois meu espírito
Arde em fulgor
Pois tenho amor
Vivendo em mim

Foto de Cecília Santos

QUERO...

QUERO
*
*
*
Quero ser o sorriso.
Quero ser a paz.
Quero ser o amor.
Pra poder te amar.

Quero ser o sol, a te iluminar.
A água a te saciar.
Caminhos de flores, pra você pisar.
Braços abertos, pra te abraçar.

Quero ser o lado bom da vida.
A paz que te tranqüiliza.
O sono que te acalenta.
A palavra que te consola.
Ser o amor eterno.
E morar no teu coração.

Direitos reservados*
Cecília-SP/05/2007*

Foto de Gaivota

** COM 100 GRAMAS DE SOL **

*

COM 100 GRAMAS DE SOL

De meu cérebro desgovernado fugiram as imagens poéticas! Os grãos de areia escaparam-me dos pés, vida sólida e cruel! Rouba idéias e sonhos. Da tinta que pintava o papel branco sobrou o nada da cor. Desce a lágrima sem tilintar, escorre límpida sem brilho, estremecida borra estrelas, que antes brincavam em minha cabeça empapada de risos.
Vida sem cor, pálida, eternizada nas pinturas descascadas! O tempo roubou, pegou o pedaço de mundo carregado de cor. Apagou sorrisos, escondeu a música da chuva e deixou-me na calçada vazia, fria, escura e triste.
Voltarei amanhã, jogarei tudo no lixo, comprarei 100 gramas de sol, planto no jardim, semeio, arranco ervas daninhas que insistem em danificar o sonho. Rasgo o coração, flecho a dor que não conheço, viro-lhe as costas, ponho-me a conversar com o primeiro reflexo de serenidade. Sei que é leve, suave e azul. Abrirei o sorriso guardado na caixa angustiante e um novo dia há de surgir.

RJ – 02/09/2005
** Gaivota **

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