Eis o poeta em seu esplendor, sublimado por amor, doado à própria criatura. Eis o amor que falta ao mundo humano e que por isso envergonha: está na contra-mão do conceito, não tem abrigo na instituição familiar e nem se aprende na rua. Não é consumista.
Eis o amor do poeta, sobre um jornal na calçada. Aos olhares da multidão, que não lê na cartolina: "PROMOÇÃO!! - Funcionando Perfeitamente".
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SONETO DO AMÉM
No infinito o sol orbita
Arrastando o seu harém
O olho do universo imita
E o meu verso diz amém.
Porque o meu amor quer dar-se
Sai do centro, pertencido
Numa lírica catarse
Tece o gozo ao ser tecido.
Fálico, tangendo hemácias
No curral do abatedouro
Dálias, lises e acácias
Crestam como em Creta o touro.
Súbito golpe em alturas
O golfo, crido carmim
Faz-se alvo e sem perjuras:
- Rosas, escuras de mim!...
Jardim de minha amada, vem
Ao meu verso e diz... Amém.