Solidão

Foto de NiKKo

O vento da saudade.

O vento me trouxe uma canção diferente essa manha
pois me fez lhe acordar, sentindo na cama o frio da solidão.
Sussurrou em meu ouvido as frases da tristeza
banhando meu rosto com as lagrimas da emoção.

O vento hoje quando tocou meus cabelos desalinhando-os
me fez lembrar suas mãos suaves tocando meu rosto.
Minhas vistas se turvaram pelas lagrimas que caíram
marcando o chão de terra com o fruto do meu desgosto.

O vento passando ligeiro, sem trégua ou piedade
arrancou flores mortas que jaziam em um velho jardim.
Minha visão tornou-se nublada e acreditei estar sonhando
por não crer que tantos sonhos pudessem ter fim.

Mas o vento não deixava que eu duvidasse de sua força
pois em meu ouvido continuava a triste melodia a cantar.
Falando seu nome como prece sentida no mais alto dos céus
ofertou aos meus olhos a uma nova forma para se expressar.

Assim minhas lagrimas correram soltas ao sabor do vento
fazendo meu peito acompanhar a melodia com tal intensidade,
que o mundo ouviu os soluços do meu pobre coração
quando este entoava os seus versos de amor, ao deus da saudade.

Foto de Rosinéri

SOMENTE ONTEM

Após tempo suficiente de estar sozinho,
Todos devem enfrentar sua cota de solidão.
Na minha própria vez, ninguém soube
A dor que eu estava passando,
E esperar era tudo que meu coração podia fazer
Esperança era tudo que eu tinha até que você chegou,
Talvez você não possa entender o quanto significa para mim:
Você foi a aurora rompendo a noite,
A promessa da luz da manhã
Preenchendo o mundo, me envolvendo.
Quando eu te abraço
Baby, baby, parece como se talvez as coisas fiquem bem.
Baby, baby, seu amor me tornou
Livre como uma canção, entoando eternamente
Somente ontem quando eu estava triste e estava solitária,
Você me mostrou o caminho para deixar
O passado e todas as suas lágrimas para trás de mim.
Amanhã talvez seja ainda mais radiante do que hoje,
Já que eu joguei fora minha tristeza.
Somente ontem
Eu encontrei meu lar aqui, nos seus braços,
Em nenhum outro lugar na terra eu realmente preferia estar.
A vida espera por nós, partilhe-a comigo.
O melhor está a ponto de acontecer,
Tanta coisa restou para nós vermos.
Quanto eu te abraço
, parece como se talvez as coisas fiquem bem.
seu amor me tornou
Livre como uma canção, entoando eternamente

Foto de Minnie Sevla

Mulheres afegãs

Mulheres afegãs
Lábios famintos se escondem
por trás da burqa.
Omiti a alma sofrida,
que no vão da esperança despida
acompanha o medo da morte.
Mulheres entregues a sorte.
Rainha ou escrava do lar.
Sonhos dissolvidos e lançados no ar
ausência de amor,
cúmplices da dor,
da guerra, da solidão
dos corpos destroçados,
das bombas, das perdas
da separação...
dos estilhaços voando com o vento,
nas asas da ingratidão do tempo,
mulheres de burqa choram na escuridão da noite...

Minnie Sevla

Foto de Minnie Sevla

Refúgio

Refugio-me nas curvas sinuosas da palavra amor
Nos olhos famintos, nos corpos tombados, na dor
No tiro perdido, na justiça não vista
Refugio-me nos perigos incrédulos de uma pista
Na solidão da multidão
Perdida, sofrida
Refugio-me nos versos que não fiz
Na canção que não cantei
Nos irmãos que não amei
Refugio-me, em cada canto
No espanto de uma dançarina
Nas madeixas que não se ajeitam
Na beleza perfeita
Na sensualidade da cabocla “sendeira”
Refugio-me no semblante de uma mulher
Enfim, refugio-me em um canto qualquer...

Minnie Sevla

Foto de manoel pereira da silva

FUGA

FUGA (Zé Polinômio)

Não choro, não falo e não canto
A solidão ri de mim com gestos obscenos
As paredes me cercam (são quatro)
Estão armadas. (com concreto armado)
A fala não sai.
O choro não vem.
Nesta noite pretendo fugir pra São Luis;
Embora saiba que lá a poesia casou-se
E que o ultimo poeta enforcou-se.
Mas disseram-me que ainda resta o mar
E meu coração pintado de azulejos

O choro que prometeu vir
Não veio.
E o riso? Nada. (no mar de São Luís)
E a solidão? Continua a debochar de mim.
O silencio é tão silencio
Que não me deixa falar do presente
Sei apenas que existe
É real como essa luz
E como essa dor que persiste
Fugirei ainda nesta noite
Depois de subornar as paredes
E denunciar a solidão

Foto de Sonia Delsin

ESTENDO O OLHAR

ESTENDO O OLHAR

Quando aqui eu chego estendo o olhar.
Não para as pastagens de agora.
Eu olho para o outrora.
Meus líquidos olhos se derramam no lago.
Afundam.
Buscam.
O quê?
Um anel.
Estendo ainda mais o olhar.
Encontro uma linda árvore.
No caule dela dois nomes grudadinhos.
Dentro de um coração.
Estendo a mão.
Para o vazio.
Sinto um frio.
Não é o vento que vem do sul.
É um frio tão intenso.
Sinto mais frio quando mais eu penso.
Então pego uma pedra no chão.
Eu a olho, examino bastante.
E atiro.
O som da pedra indo...
Fico rindo.
De quê?
Desta solidão.

Foto de HenriqueCardoso

Solidão

Frio amanhecer sem a tua presença, a cama vazia, desfeita e despida da tua essencia e do teu calor na imperdoavel lembrança de noites de amor, rasgando o meu peito com a tua cruel saudade.

Nos amamos no espaço deste quarto e entre os muros desta casa, eu tantas vezes perdido na tua sensualidade e na insana paixão existente desde aquele nosso primeiro olhar quando o mundo deixo de existir e de fingir.

Você foi a minha mais perfeita decisão, a minha mais bela canção e meu mais doce amar, um amor que nasceu para ser meu complemento neste puro sentimento que hoje somente é solidão a dois.

*

Henrique M. Cardoso
Ret. dos Versos *Encontro*

Foto de Sonia Delsin

TRANSPORTADA

TRANSPORTADA

Transpus uma porta e cheguei num mundo encantado.
Cachoeiras?
As imagináveis e não imagináveis. E ainda por cima coloridas.
Arco-íris?
Vários. Também insonháveis.

Transpus muros e encontrei um mundo ainda mais inquietante.
Cheguei num mirante.
Eu podia voar até ele.
Sabia que podia.
Coragem não me faltaria, mas as asas feridas não me permitiam.

Então um anjo chegou.
Me olhou.
Me admirou e falou.
A voz me penetrou.
Era a mais cálida das vozes.

Ele me convidou a pegar uma carona nas suas asas.
Eu as olhei... eram azuis.
Os olhos do anjo eram incomuns.
Aceitei.

Com ele eu voei, voei...
E chegamos.
O país era algo deslumbrante, cativante.

Nele nós dois não andávamos. O anjo tinha suas poderosas asas e eu
descobria que durante o percurso as minhas tinham se recuperado.
Lá longe tinha ficado o passado e aceitei ficar morando neste lugar.

Mas como o tempo não pára, ele continuou a passar.
O anjo retornou ao mundo antigo e eu me deixei ficar.
Só que um dia descobri que a solidão ia me matar.
Resolvi voltar, ou procurar outro canto pra morar.

O recurso de minhas asas eu tinha.
Mas algo me prendia a este mundo. Talvez fosse o profundo que ele me
fazia enxergar.
O profundo que habitava o meu próprio olhar.

Foto de Sonia Delsin

O CALOR DE OUTRO CORPO...

O CALOR DE OUTRO CORPO...

Meu coração era um cavalo no peito quando acordei.
Um cavalo selvagem a correr, a correr...
Me perguntei: em busca do quê?
Por que este bater acelerado num coração tão magoado?
Minhas mãos em meu corpo começaram a caminhar.
Eram outras que eu me punha a imaginar.
Eram uns dedos marotos que vinham meus cabelos acariciar.
Uma boca bonita que a minha vinha beijar.
E palavras de amor em meu ouvido alguém vinha falar.
Eu podia sonhar...
E asas à imaginação resolvi dar.
A madrugada tão fria chegava a me assustar.
As lembranças podiam me bastar?
Se eu fizesse menção de me levantar a magia por certo ia acabar.
Então resolvi lá ficar.
Na cama solitária continuei a divagar.
Deixei minha alma viajar.
Mas meu corpo começou a cobrar.
Queria o calor que um outro corpo podia me ofertar.
Comecei a chorar.
De solidão... Dessa vida fora da realidade.
E até de saudade...

Foto de Carmen Lúcia

Não venha me falar...

Não venha me falar do amor...
Daquele amor acabado, desabado,
que me deixou vazia,
extremamente fria...
sombria...
Descrente, carente,
beijando a solidão...

Não venha me falar das flores
que semearam dores
a germinar pelos jardins...
Inférteis, inúteis, inertes,
refletindo, ao invés de cor,
o triste retrato da dor.

Não venha me falar do tempo
que me antecipou o fim...
Que se perdeu, morreu
e me deixou assim...
olhando pela janela
o mundo se afastar de mim.

(Carmen Lúcia)

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