Poemas

Foto de mariana benchimol

Martírio

Desejo
que não morras
sem sentir, por um instante sequer,
amor igual a este que sinto.

Desejo
que saibas
deste sentimento nostálgico
que me fascina e
me magoa,
mas que eu, sob hipótese alguma, abriria mão.

Desejo
que sejas parte
desse sentimento mal recompensado
estagnado na minha retina,
semblante de um bem inatingido.

Mas se, por acaso,
desencarnares sem senti-lo
lembra-te que serás sempre
o estopim deste meu amor insano.
Lembra-te que apesar de seguirmos
para lados opostos
nossos caminhos serão sempre adjacentes.

E lembra-te que quando minhas cinzas
estiverem voando nos ares
nos encontraremos de novo.

Foto de mariana benchimol

Cemitério

Jardim de flores mortas
soterrado de corpos de cera
jogados pelo meio do caminho,
como embalagem de bala jogada no chão.

Jardim de almas perdidas
pecados imperdoáveis,
mentiras sem fim.

Labirinto sem saída
cheio de truques, armadilhas,
e paredes que se movem.

Vejo coisas que não existem,
ouço vozes do além
me chamando,
me convidando para ser mais uma
[flor morta.

Foto de mariana benchimol

Inanizada

Eu ouço vozes
e não entendo
o que elas querem
[dizer.

Vejo você tentando expressar algo,
mas não ouço nada
e não entendo o que você quer
[dizer.

Eu tento decifrar
a expressão nos seus olhos,
mas eles estão cerrados.

Eu ouço vozes e mesmo sem entendê-las
eu grito bem alto:

“Sou eu o Eu Lírico
dos meus poemas !”
E eles riem.
Riem por quê?

Você se aproxima,
Fato inédito que me desperta curiosidade.
O que seria tão engraçado?

E quando você finalmente
chega perto, diz:

“Autenticou-os?”
E numa prece muda eu nego.
“Então sou eu o Eu Lírico
dos seus poemas”

E eu me calo,
Concordando com a minha submissão a você.

Foto de mariana benchimol

O segredo

Miro-te,
remoendo o passado,
memorando as palavras não ditas,
amedrontada com o pudor das confissões tardias.

Encaro-te,
calculando se vale a pena
manter esse segredo
visando que pior não pode ser.

Velo-te,
lamentando o tempo perdido,
culpando-me pelo tempo perdido,
vivendo uma ilusão do que poderia ter sido.

Invejo-te,
pois por todo tempo
mantiveste o segredo
que eu não consegui conter dentro de mim.

E por todo o tempo
fingiste que não tinhas ciência do meu segredo,
ao passo que eu
[ (e todos à nossa volta)
contatávamos que você sabia de todo o enredo.

Iludo-me
vivendo a fantasia
de que continua segredo
o amor que eu nunca quis revelar.

Foto de mariana benchimol

Idoneidade

No intervalo
desse lusco-fusco
eu me questiono
a respeito dessa realidade
[masoquista.

Ponho-me em ignição
na tentativa de deturpar tua imagem,
mas acabo eu entrando em combustão.

E na esperança
de dar fim a este sentimento mal-recompensado,
eu me calo
e deixo-me queimar.

Sofro em silêncio.
Sofro no silêncio.
Sofro por causa do silêncio.

E no paroxismo da minha dor,
eu percebo que nada ali é real.

Tu não és real.
És apenas um fantoche alucinógeno
da minha perturbada mente apaixonada.

És a antítese
de tudo aquilo que eu queria
[que fosses.

Mas a realidade é imutável.
Morreste na minha
e eu jamais existi na tua.

És o fantasma que me persegue
quando tento fugir,
quando não aceito
[essa realidade.

Por isso migro de realidade
[em realidade
procurando uma cujo enredo
não me desperte vontade
[de mudar o que é imutável,
de colorir o que é preto e branco.

Mas eu não encontro lugar para ancorar
pois estás a toda minha volta,
lembrando-me do rastro desse amor fantasiado.

Sempre vejo a sombra
do teu invólucro inane.
E eu sempre memorarei
a dor de ver meu invólucro inanizado por você.

Foto de mariana benchimol

Sonhos de uma noite de verão

As luzes se apagaram.

No intervalo desta dança das cadeiras,
te procuro,
[em vão.
É como se você quisesse
[se esconder,
e eu me cansei
[de procurar.
Falando assim,
até soa como se eu tivesse enfim me libertado.
Só que quando você se aproxima,
te ouço sussurrando,
e mesmo sabendo que você está mentindo,
me deslumbro.
Por que te amo.
Por que te amo?

Não posso continuar assim.
Pois em meio a tantos sussurros,
basta que ela apareça,
[para que você suma de novo.
E eu fico no meio do salão,
[sozinha.

A musica pára.
O salão todo me olha.
Olham para aquela que foi deixada
[no meio da dança.

Ao jurar-lhe amor eterno,
não tinha eu senso.
E ao deixar de-lo, menos.
É o que penso.

Foto de mariana benchimol

Eu te amo

Nunca que eu quis
dizer palavras tão insanas.
Mas um vento bateu
levou-as aos teus ouvidos
e cerrou-te os olhos,
impedindo-o que me visse
[estrepitando minha neurose por ti.

E o vento nunca para de ventar.
As palavras ficaram voando
sem sentido,
porque o sentindo está solitário
no rosto que te mira,
mas que tu não podes mais ver,
pois os olhos estão cerrados.

O sentido esta perdido
num suspiro
que busca-te incansável,
mas, ao finalmente encontrar-te,
desespera-se ao constatar que tu não tens
a intenção de ouvi-lo.
E, assim, ele se dissipa em meio ao vento.

Nunca se ouviu de ninguém que sofresse
tanto por simples palavras.
Palavras que eu nunca quis dizer,
mas, uma vez ditas,
estarão sempre voando ao vento,
até encontrar quem se candidate a ouvi-las.

Foto de mariana benchimol

Martírio

Desejo
que não morras
sem sentir, por um instante sequer,
amor igual a este que sinto.

Desejo
que saibas
deste sentimento nostálgico
que me fascina e
me magoa,
mas que eu, sob hipótese alguma, abriria mão.

Desejo
que sejas parte
desse sentimento mal recompensado
estagnado na minha retina,
semblante de um bem inatingido.

Mas se, por acaso,
desencarnares sem senti-lo
lembra-te que serás sempre
o estopim deste meu amor insano.
Lembra-te que apesar de seguirmos
para lados opostos
nossos caminhos serão sempre adjacentes.

E lembra-te que quando minhas cinzas
estiverem voando nos ares
nos encontraremos de novo.

Foto de mariana benchimol

Fatos e retratos

Jamais eu tivera querido
sentir o que sinto.
Jamais eu tivera querido
olhar nos teus olhos.
Quem sabe assim jamais eu tivera, querido,
apaixonado-me por ti.

Percorro minhas lembranças,
e nunca eu tivera tanto querido esquecer
o que é , de fato, inesquecível.
Mas a vontade de ignorar seus rastros
caiu no ostracismo.

Retratos semblantes
Do que eu nunca tivera querido fazer,
cegam-me destarte que vejo os erros que cometi
e condeno-os como se não fossem meus.

De fato, não são.
Meus erros designaram dos seus
e iniciaram uma reação em cadeia
que implode em mim.

Submeter-me a isto é masoquismo.
É gostar de absorver a ojeriza que emanas a mim.

Amar sem ser amada
É a dádiva de reconhecer
que as melhores coisas da vida, conquistamos.

Foto de Débora Ennes

Fora de orbita ...

Me sinto morta em um abismo
enterrada em um outro mundo
preciso acordar recomeçar e ainda
enchergar a vida de um outro lugar.

Me sinto como se estivesse voando
em algum lugar do espaço ou da atmosfera
mas ninguém é capaz de me trazer de volta
olho a minha volta me sinto totalmente morta.

Com o coração deixando de bater
com a alma deixando meu corpo
sinto-me um desgosto que é viver
não quero mas, preciso de você.

Me tira desse abismo e me leva
para seu paraíso me mostra o mundo
tira minha alma desse poço profundo
faz meu coração bater, deixa eu amar você.

Débora Enes.

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