Poemas

Foto de Sonia Delsin

“Ainda não aprendi”

“Ainda não aprendi”

Aprendi tanta coisa nesta vida.
Tanta coisa aprendi.
Perguntaram-me um dia destes se te esqueci.
Eu menti.
Disse que apaguei tua imagem de minha retina.
Que meu coração não te guarda.
Mentiras.
Ainda guardo teus olhos, tuas mãos, teu sorriso...
Te esquecer é preciso.
Mas vá dizer isto à minha alma.
Esta tola alma apaixonada.
Mesmo chorando por dentro eu dou risada.
Levo a vida assim.
Andando nesta minha outra estrada.
Onde falta ainda... te esquecer.

Foto de Sonia Delsin

UMA ROSA ESQUECIDA

UMA ROSA ESQUECIDA

Ali ela chorava tão abandonada .
Chorava copiosamente.
Lágrimas caiam de suas pétalas abundantemente.
Quem visse poderia pensar que era só uma rosa orvalhada.
Que nada!
Eram lágrimas mesmo.
Daquelas que vem do fundo d'alma.
Rosa linda, esquecida.
Quem lhe feriu tanto? Foi a vida?

Foto de pttuii

Um homem contra o céu

disseram-lhe que
pequenas pedras de
toque eram
as estrelas do céu que
o queria matar todas as noites,
via sonhos desfeitos onde
apareciam pintados homens
indecisos,
e com tudo jogado na
defesa de um forte
revestido de brechas
tautológicas,
atirou ao infinito que
morrer,
é esperar sentado pela
deflorestação do lado de cá
da floresta de existir.....

Foto de Jonas Melo

Seria pecado

Seria pecado, amar-te esfomeado;
Lamber-te como um animal no cio;
Seria pecado, sugar-te, com a mais louca e divina paixão;
Beijar-te intensamente, com carinho e pura devoção;
Seria pecado, possuir-te com intenso e louco desejo;
Tentando alcançar, através do teu corpo a essência do prazer;
Seria pecado, sufocar-te de beijos, abraçar-te freneticamente;
Acariciando teu corpo, sentindo alucinadamente o pulsar do teu coração;
Seria pecado, envolver-te em meu carinho;
Usando meu corpo como manto para cobrir a tua “vergonha”;
Seria pecado, despir-te com minha boca,
Extraindo do teu corpo as sensações mais loucas, já vividas pelos mortais;
Seria pecado, ser tão pervertido, alucinado de desejo, por um amor não correspondido.
Seria pecado, deixar alguém assim enlouquecido, entre sussurros e gemidos,
Incendiado com um louco desejo abrasador,
Seria pecado, amar-te desse jeito e ser seu único e eterno amor.

Jonas Melo !!!

Foto de Luís César Padilha

Noites abismais

.
.
.
.
Estou triste,
fechado no círculo de mim
e não encontro a porta.
Estou assim,
sem entender por onde
a estrada corta.
Estou tal
qual no escuro intenso
quem encontra a fenda torta.

Sem perder de mim,
absorvo o inóspito,
para que, em uma curva qualquer,
eu permaneça nos trilhos.
E, com passos firmes,
entenda onde a estrada corta,
esfaqueie a fenda torta,
detone a desejada porta.

Foto de betatattoo

Só me ame

Só me ame

Só me olhe
Só me beije
Só me sinta
Só me abrace
Só deixe eu sentir sua respiração
Só me deixe sonhar
Só me deixe pensar que és só meu
Só deixe-se guiar pelo coração
Só me ame.

Foto de Luís César Padilha

Destino

.
.
.
.
Rios ao mar!
Corredeiras ao mar!
Enxurradas ao mar!
Mananciais ao mar!
Desaguadouros ao mar!

Toda água quer ser salgada...

Foto de Osmar Fernandes

Quem sabe?

Quem sabe amanhã de manhã
eu volte a sonhar...
Quem sabe logo depois
Eu volte a sorrir.
Se o meu livro não conspirar,
e o sopro não se perder,
o caminho é viver.
Quem sabe?
Não sei dar tempo ao tempo.
Não sei morrer por morrer.
Não sei essperar o vento passar.
Nem quero consagração.
Quem sabe o que será?
Espero sem esperar.
Não vivo por viver.
Preciso desvendar
o ponto de interrogação...
Quem sabe?
Se o sonho sonhado
já viveu.
Se a realidade molhada
não aconteceu.
Quem sabe?

Foto de Joaninhavoa

MINGUINHO!

*
MINGUINHO
*
*
Meu minguinho* despertou
me beijou! Beijou

Um dia
confronteio-o
- Agora ou nunca!

E entre a espada
e a parede
Minguinho, optou
Abriu a porta
E nunca mais me deixou!

*queridinho

Joaninhavoa
(helenafarias)
03/02/2009

Publicado no Recanto das Letras em 03/02/2009
Código do texto: T1420286

Foto de pttuii

Trigonometria

Não há água feita de sorrisos,
Há vento que escorre lamentos,
E há esquinas com mel azedo,
Existo eu a trigonometrizar um caminho,
Para te ver sentada num trovão,
Denso,
com forro de lambrim,
Já acabei o desnorte,
Agora ouve-me,
Tenho um dia para contar-te...

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