Poemas

Foto de Lou Poulit

Heresia

Tingidos de cio gritam
nos vazios do leito santo,
profanos, silenciados versos meus,
desmaiados, ébrios de tanto voltar
desse amor incandescente,
aquarelado por anjos dos céus.

Plenos de luz, penitentes,
deserdados versos nos escuros
do meu gozo sempre iminente,
vertente, transpassando muros,
excomungados da própria crença
precisam muito se confessar...

Precisam se armar de perdão!...
Mas quem os levaria ao próprio deserto?
Quem ousaria lhes desarmar?
Quem chegaria tão perto
e aceitaria o tanger dos gestos
e recolheria seus restos?...

Quem ungiria seu corpo, antes,
seguindo pegadas quentes, depois,
legadas ao passado por indulto?
Quem lhe perdoaria a poesia
e lhe exultaria a pura heresia
de ser uma criança... e um adulto?

(Parceria Lou Poulit e Norma Martins)

Foto de Lou Poulit

Túrgida Lua

Túrgida lua que amamenta
Meu amor de homem em seus vagares;
No epicentro de calamares,
Nas calmarias me acalenta.
Nos pântanos no quais atraco,
Pobre Baco, bêbado e fraco
Pelas paredes fundas do céu
rosna, como o mármore ao cinzel.

Túrgida lua dessedenta
Essa sede isenta de apego;
Esse cego desassossego
De me verter aos solavancos,
Pelos sulcos que ao rocio apraz.
Luares liquefeitos, francos,
sobre peitos acesos de paz,
pacificam-me os versos brancos.

Túrgida lua que assim tenta
dentre estrelas minha alforria,
arrebata-me a noite e o dia
para que esse amor jamais cesse;
e então minha alma seja a messe
fulva, espalmada à tarde morna
e, à noite, à estrela que me adorna.
Ah, túrgida lua, vem... desce.

Foto de Lou Poulit

Por Que Veio Súbita Essa Estrela?

Por que veio súbita essa estrela
dançar aos meus pés cansados?
Pois, alheio, nem penso em vê-la,
tantos séculos assim depois
de passarem tantos passados,
que nenhum deles compôs,
espelhada sobre o silêncio meu,
a quietude que esse lago me deu?

Que seio seu ainda me sustenta,
sem ao menos dizer a que veio,
a morbidez terçã de querê-lo
e de deitar nele o branco do cabelo?
Que horizonte ainda acalenta
como destino de tão vagos penares,
se em meus vagares nunca o vejo,
por que tanto me tenta o desejo?

Volte, estrela, às tuas profundezas.
Tua galáxia já te espera aflita.
E leva de mim as tuas tristezas.
Anda, vai... E pelo caminho reflita.
Ou tirarei meus pés e pronto!
Espero (a tona ao repouso reverte)
a ver-te a agonia ao ponto
de ser mais uma estrela inerte.

Mas não me tomes por ingrato...
De fato tivemos nossos momentos...
Mas folhas secas só se alardeiam
quando passam ventos e se esbatem;
pelo caminho do perdão, rodeiam.
O estranho passa, os cães latem...
Mas não há mais do que vingar-me.
Poesia, só da paz de dar-me me arme!

Porque uma outra estrela me verte
e ver-te vinho, vinagre amargo
sem embargo de mim vazado,
não me apraz, nem envaidece.
Hoje ledo, o velho lagar pisado,
legado ao momento não envelhece
o peito, ao tato do relento no convés.
E conhece a sua estrela... Pelos pés.

Foto de Lou Poulit

A Luz Que Me Desperta

A luz que me desperta cedo
Antes expulsa as sombras minhas
(Trazidas por tudo que antes fui).

Então flui a alma à própria tona,
No afã de achar uma janela,
Um vau por onde possa passar
Ao tempo destinado a ela,
Em que suas ânsias se calem,
Em que falem respostas claras
Suas malas sempre vazias.

A luz que me toca a espátula,
Antes lava cada mácula
E me desarma, e me veste.

Então flui a alma forte e creste,
Do ardor do próprio amor à vida,
Luzidia e de novo em brios,
Legada a amigos e inimigos;
À sorte, ao azar, ao dia!
Mouro alcazar grato ao nascente
Fulvo, louro... incandescente.

A luz que em meus olhos espelha
(Irrompe a centelha à cadeia)
Liberta o abraço mais aberto.

Então aperta o passo firme
Vazando a casca a alma tão plena,
Que engrena as órbitas dos astros,
Que umedece as lonas nos mastros;
E os bastos ventos fluem turvas
Curvas tuas, mosaico do mar...
Lembranças... Da luz do seu olhar.

Foto de Lou Poulit

Mulher de Verdade

Essa mulher de imagem pública,
Cúbica pintura, me implora
Despir-lhe muito mais que roupas,
Rotas de tão despidas.

Essa personagem em nossas vidas,
Que nega o que me importa,
Nem mesmo morta me interessa,
Não me excita, não me apressa
E se me apanho numa cantiga
É de falo fanho, sem prumo certo,
Sem as estrelas que sempre oferto
Ao ventre escuro que me ilumina.

Não é uma menina... Uma menina...
Não é uma promessa... Uma promessa.
Não é um prato de louça fina
Mas é uma travessa... Uma travessa.

Queria que fosse de verdade!
Desperta, de mentiras deserta,
De sabor curtida, mas nem tão pura!
De cheiro e da vida madura,
Moldura dos meus parcos segundos,
Eternos e tão gratos segundos.
Que em minhas mordidas se leia:
Um homem ama essa mulher!

E num momento, deserta de sanhas,
Quando o tempo chegasse a pesar,
Eu a sentisse nas minhas entranhas
Como a selva sente o rio passar.

Foto de Lou Poulit

Alma Límpida e Esgalga

A alma límpida e esgalga
Paira sobre meu ventre
E me ordena que eu entre,
Que um amálgama espera...
Desde outra era, espera.

Como um buraco negro
Despencado do espaço,
Todo o passado abraço;
Ao passo que o poço quer
Nem ser homem nem mulher.
Bem, como a poesia.

E que o canto de cada
Uma célula minha,
Libélula liberta
Liberte essa cativa,
Minha alma desaberta
Que só assim caminha
Caminhos de pássaro.

E abra o meu velho e ávaro
Peito de homem doído,
De rangentes comportas
E de escombros, ruído
Pela própria insensatez
De negligenciá-las:
A poesia e a nudez
De não ser só para si.

A alma límpida e esgalga
Que cavalga os luares
E olhares meus, profundos,
Nos pântanos escuros
Do amor leviano,
Desse vão amor humano
De ter para si e ser só,
Quer que de mim levite
Sóbrio, de amor ébrio
O verso, minha alforria.
Em que comigo habite.

Ah, minha poesia...
Minha criança alada,
No chão, de luz vasada
Por meu próprio desleixo...
Cada verso meu, seixo
De um absurdo castelo,
Há de aos homens erguer-te,
Pelas valas perdidas
Que lhe vasaram vidas.

Ah, minha amada esquece
E me perdoa, apenas
Para então assim fazermos
Alçar vôo dos ermos
Dos lençóis, testemunhas
Das unhas contundentes
Da minha covardia,
Dos meus versos de dentes...
Brancos, emersos fluidos
Para sempre perdidos.

Foto de ivaneti

14/03 Liberdade a POESIA...

Liberdade

Um sol de liberdade para aqueles que deixaram o capitalismo e os preconceitos... e disseram sim ao amor... mesmo quando o sofrimento pesava forte em suas costas, tiveram razões pela decisão.
Para aqueles que na hora do prazer souberam dividir a alegria na mesma proporção... trazendo na sua outra metade um belo sorriso! Tornando-a mais bela e feliz das mulheres... fazendo se sentir como se fosse única.
Para aqueles que adotaram pelo menos um coração abandonado e aprenderam a ser um fiel dono enchendo somente de luz e calor... O meu abraço.
Para aquelas almas iluminadas que são tocadas pelos lábios do amor... deixando a febre tomar conta... fazendo nascer dentro apenas a labareda humana.
O meu beijo!
A vocês meus amigos Poetas que estão sempre em viagem!
UM SOL DE LIBERDADE!
A NOSSAS INSPIRAÇÕES!

Foto de Patricia.Capelo

Nossa história!

Eu conheço nossa história na palma da mão..
Sempre que se irrita, perde a razão, e bate o arrependimento..
Sei também que exagerei, mas vou me acalmar; qualquer dia, a gente vai se separar por uma briga, coisa de momento...
Eu não quero te perder, pois te amo d+...
Você diz que sem mim, nem sabe o que faz..
Mas se não tem remédio, o amor fica doente..
Os motivos são banais, mas ninguém quer ceder..
O que será de nós, se esse amor morrer..??
Por que a gente bate se nós mesmos sentimos que já não importa saber quem errou..??
Para que maltratar desse jeito..??
O amor da gente é sempre essa história de ficar de mal..
Espero que um dia...não seja fatal..!!

Foto de andrepiui

Mamifero Noturno

Ouço as batidas do meu coração
que palpita tão rapido
que mais parece um vulcão
entrando em erupção.
Um casal se esbofeteia
em plena madrugada
no meio da rua
em frente a minha casa.
ligo a caixa amplificada
e ouço sair várias
melodias da minha guitarra.
Melodias de amor
paz revolta tristeza
e muito rock n roll.
Fecho os meus olhos
e muitas imagens
me aparecem como visão.
Imagens de um mundo melhor
sem guerras preconceito
miseria fome e descriminação.
Mais enquanto não
nos ver-mos como irmãos
jamais sairemos desta situação.
Chaos total
espalhados por todo este mundão...

Morcego, mamifero noturno
nos veste como soldados
e nos ajuda a fazer
com que o sol venha a brilhar
no meio de todo esse escuro...
Pois a escuridão
que está assolando a tudo
está escondendo a beleza da Lua
que encanta a todos
neste imenso mundo...

Chove e não molha
o Sol que parece Lua cheia
entre as nuvens.
Faz aparecer nas estradas
um calor que transborda,
transborda em fervor.
Como um grande amor
perdido no tempo e no espaço
mais que nunca se acabou.
Transborda em um grande caldeirão
desmascarando tudo e a todos
estarrando de vez a corrrupção.
Que assola a mente
de todos neste imenso mundão.
Precisamos nos unir
sentir de vez
a energia positiva fluir.
Pois verdadeiros soldados
realmente nós temos que ser,
se esse quadro podre e imundo
quiser-mos de uma vez reverter...

Morcego, mamifero noturno
vem mostrar a todos
o Sol que brilha
no meio deste imenso mundo...
Morcego doce sanguinário
vem nos ensinar
como ser-mos todos loucos
mesmo não estando chapado...
(André dos Santos Pestana)

Foto de andrepiui

Bem e o Mal

as pessoas tentam se esconder
atrás de uma maskará
que não conseguem descrever
mentem umas prás outras
mas entre o bem e o mal
não sabem escolher
o caminho das trevas e o da luz
nos aparece e jorra
como um puiz
de uma ferida aberta
e mal cuidada
entre um coração partido
e cortado por uma espada
o sol que ilumina esquenta
minha cabeça atormentada
tento fugir
mais minha alma está ancorada
trancafiada a sete chaves
na beira de uma estrada
ela está enterrada...

quem é você
que me aparece
no meio dessa fusão
transformando o dia em noite
acelerando as batidas do meu coração
sugando de uma vez por todas
a falta de sossêgo
que atormenta minha mente
cheia de pensamentos
quem é você
que me aparece
nesse imenso azul
trazendo a paz
transformando o red em blue...

olho para os lados
mas não consiguo ver
estão todos amargurados
enganam a si próprios
mas não conseguem perceber
todos olham para o céu
mas não conseguem perceber
dentro de nós há um Deus
que todo esse vazio quer preencher
a natureza é uma grande prova de amor
mais trocam essas belezas
por uma maquina chamada computador
o céu o mar as flores
tudo isso foi Deus quem criou
morte mentiras roubos
muitas juras de amor
palavras perdidas no espaço
um tempo que já se passou
crianças mortas puberdades roubadas
o mundo que o homem inventou...
(André dos Santos Pestana)

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