Foto de Gleisson Brito

Luz da Fresta

A luz apagou-se ao fundo.
Pingos invasores choravam...ressoavam...
Preta velha, colchão velho, jornal novo,
fitava o teto do barraco, do seu mundo

A noite a luz entra, pela fresta
Da janela, da porta, do telhado
Compõe vultos ignóbeis, tão igênuos...
desses filhos dessas pretas, incorretas

Ja vai longe a lembrança (la no fundo)
do café, do trigo, da colheita
Fazem parte de um passado, do seu mundo

Luz da noite. Luz do dia, Luz da fresta
Acompanham o martírio insolúvel
Dessa gente, a luz do mundo, incorreta.

Foto de Gleisson Brito

Bracelete

Meus olhos, quando encontram os teus
não teem certeza
divagam, se perdem, são seus

Num sorriso, se meu
sou presa
me perco, divago, só seu

Minha boca, e os lábios teus
esqueça
nunca mais me acho, tão seu

Foto de Gleisson Brito

Incerteza

Queria ter certeza
Mas a certeza é que me tem

Queria estar bem longe
Mas o longe é que me vem

Queria só querer
Mas o querer já me detem

Queria dizer-lhe mais
Mas por si só já vais além

Foto de Gleisson Brito

A atemporalidade poemática poética

Hoje é o futuro do ontem...
Mas o passado do amanhã...

Talvez seja o presente deste verso...
e nada disso será...depois de amanhã...

O passado e o futuro confundem-se...
se você olhar o album de fotografias...

É preciso concentrar-se...
pra seber o que vês...e o que vias...

Mas o poema é atemporal...
pode ser triste na páscoa...e feliz no natal...

És pra ti o presente de hoje...
Para mim o futuro de ontem...
Será pra nós o passado...do amanhã...de hoje...de ontem?

não importa...

do passado...ninguém lembra datas...

ninguém guarda as atas...

Foto de Carmen Lúcia

Um olhar...

Optei pelo silêncio...
Não disse nada...
Mantive-me calada.
Mas, quem cala consente,
E jamais consenti
O seu pré- julgamento,
As palavras que ouvi,
O que tanto sofri
Sem direito à defesa,
Sentindo-me tão indefesa,
Sem poder reagir...
Preferi me calar
E falar com o olhar...
Que falou sobre tudo,
Sem palavras lançadas,
Embaraçadas, cortadas,
Apenas um olhar mudo...
Que disse tudo
E você nem notou,
Nem sequer se calou,
Nem sequer percebeu
O que aconteceu...
E que tudo acabou,
Que foi melhor assim,
Que meu olhar disse:Fim!

Foto de CINTIA LOURENÇO DA MATA

Nosso amor....

Nosso amor é como a chuva mansa que cai
É a flor a desabrochar
É o sol a resplandecer no céu
Nosso amor é a lingua que somente nós entendemos
É o silêncio que procuramos
É o sabor de mel adocicado
Nosso amor é a pele pedindo toque
Os lábios querendo beijo
O corpo querendo abraço
É o meu olhar pedindo o brilho do teu
Meu segredo pedindo revelação
É o meu sorriso ao ver o seu
É a minha lágrima ao ver o seu pranto
É o meu sonhar
Meu acreditar
Meu querer mais profundo
É o meu peito a gritar de dor
Minha respiração em conjunto com a sua
Meu desejo de ter você
É o meu tudo, meu nada
É o meu coração apertado, dolorido, triste e solitário
É minha fé que me transporta até você
É a minha esperança
É a minha certeza de que nós seremos o nosso amor..
Meu marido, nosso bebê e eu...

Nosso amor....

Foto de Sonia Delsin

ORGASMO

ORGASMO

Eu teço uma manta
com as palavras.
Uma manta para
me abrigar.
Um abrigo onde sempre
adorei estar.
Quando estou escrevendo
é como se
eu estivesse fazendo amor...
E conseguindo
um orgasmo espetacular.
Pode estranho
soar.
Mas todo poeta
gosta de sonhar.
Todo poeta
é louco para amar...

Foto de Minnie Sevla

Pedaços de sonhos

Pedaços de sonhos

Nas águas mansas e cristalinas de um lago, descanso minha esperança.
Minha sombra refletida na água
não oculta a tristeza errante.

Um cisne como testemunha navega calmo,
lamentando cada lágrima que dança no azul incomparável das águas onde um único ser se faz navegante.

As lágrimas vão esculpindo imagens que desaparecem em segundos.
Nuvens, sol, pedras, um resquício de areia, cabelos avermelhados como deusa
e toda a natureza se rende a dor de uma sereia.

Na exuberância do dia, um ser inanimado
recolhe seus pedaços, seus sonhos mais ternos
as margens de um lago.

Ramgad/Minnie Sevla

Foto de ivaneti

Liberdade

MINHA LIBERDADE...

Sou eu, nesta gaiola
Com a porta aberta, olho para fora,
Preciso de ir embora!
Não tenho coragem…
Quando amanhece, bate forte o sol da liberdade!
Procuro o "EU" para voar,
Mas o peito parece falhar,
É tudo uma triste ilusão!
A garganta sufoca o medo de ser livre!
É o medo de ser feliz!...
Quando anoitece, o luar é meu companheiro.
vejo a energia da terra, mas a do ar.
Me faz fraquejar...
Fico aqui cabisbaixo... pensando na vida...
Enquanto muitos correm em busca da sua…
Amada... vejo a felicidade lá fora indo embora...
E minha gaiola livre com a porta aberta...
O sonho fica preso aqui dentro do peito.
Enquanto a coragem é a única chave da minha liberdade...
Vejo a solidão minha eterna companheira...
Porque as minha asa não têm vida para voar...
Sou mais um canarinho triste a cantar...

Foto de ivaneti

Desejo...

Desejo

Foi você que mudou a direção do meu destino
Em seus beijos... senti teus lábios...
Tive medo da paixão... seu amor me deixou zonza.
Se pudesse transcrever minha dor, fazia uma canção!
A lembrança do seu corpo, faz meu sangue ferver.
Te procurei com vontade de te ver,
Querendo apenas encostar em teu ser,
A cada momento que penso em você...
Uma dor atravessa meu peito, como o arco íris no céu...
O corpo fica agonizando, suspirando querendo você!
Rastreei sua pele pelo seu cheiro...
Deixei minha febre te sentir...
Em sua cama... busquei a luz de teu olhar
Um encontro... dois corpos, tomados no desejo
Gritei no silêncio da noite!
Perguntava e eu respondia…
Numa explosão de alegria...
Pois enquanto houver dia...
Meus desejos serão teus...

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