Foto de Fernanda Queiroz

Voar...

Voar...

A paisagem passa depressa
Patas velozes rasgam o caminho com flecha
Diminuindo a distância entre mim e o mundo
Meu corpo se eleva em ritmado balanço
Pés firmes desprovidos de açoite
Mãos apertadas junto ao cabresto livre
Desprovido de freios
Ganhando liberdade
Correndo para o mundo
Ou do mundo fugindo
Correndo contra o tempo
Ou do tempo fugindo
Fugindo de mim
Ou do que restou de mim
Apenas vultos em minha paisagem
Cores se confundem
Cinzentas se agitam ou gritam
Como se tivesse vozes na cor
Como se entendesse de dor
A velocidade aumenta
Voar é minha meta
Mais depressa
Tenho pressa de chegar
Mesmo que seja o abismo
Meu destino certo
Onde tudo é incerto
O ar que foi brisa
Tornou-se vento
Que mesmo em tormento
Calça-me de coragem
Tira a dor de minha bagagem
Preciso continuar
Fugindo de mim
Ou do você que existe em mim
Do meu passado presente
Ou do meu presente passado
Do meu vazio intenso
Onde transborda solidão
Apenas por um momento
Senti a sensação
Que seguravas em minha mão
Mas eram as rédeas do destino
Que se encarregou de atá-las
Que fecundas como as marcas
Batentes cravadas no solo
Impõe-me o peso real
Da realidade mortal.
Eu não posso voar.....

Fernanda Queiroz
Direitoa Autorais reservados

Foto de Fernanda Queiroz

Eu... Você...

Eu... Você...

Eu
Você
No sonho
Ou realidade
No abstrato
Ou no fato
No calar
No relato
No sol
Na chuva
Na brisa
No ciclone
No riso
No pranto
No doce
No amargo
Do dia
Da noite
De magia
De medo
De sonhos
De pesadelos
No grito
No silencio
Na vida
Ou na morte
No verso
Ou reverso
Por um momento
Ou pela eternidade
Eu e você.
Juntos.....

Fernanda Queiroz
Direitos Autorais Reservados

Foto de Fernanda Queiroz

Apenas por um momento II

Apenas por um momento II

Estou só....
Perdida em momentos
Mais que fragmentos
Momentos de tormentos
Que jamais serão lamentos

Chegou de mansinho
Mesmo sem querer ser ninho
Com a mais bela canção
Despertou meu coração
Plantou em quantidade
Regou com profundidade
Colhendo eternidade
Mesmo que seja em saudade

Não importa com certeza
Se foi ou não realidade
Pois muito mais que tristeza
Vivi amor de verdade
Guardo junto a minha dor
Muito mais que um lamento
Que foi mais que amor
Apenas por um momento

E neste “Apenas por um momento”
Para provar meu juramento
Fez nascer no firmamento
O Dom da pontuação
Que não foi exclamação
Nem jamais interrogação
Levando minha estrela brilhante
Fez nascer lua minguante
Que uma vírgula simboliza
Deixando o ponto final distante
Para que meu sonho se realize
Além de mim... além da minha mente....

Fernanda Queiroz
Direitos Autorais Reservados

Foto de Fernanda Queiroz

Qual estação?

Qual estação?
Que me deixastes?
Em qual das estações perfurastes meu peito
Ou em qual foi que me abandonastes?
Meu corpo esquecido e inerte
Não sabe dizer se é inverno
Pois o tremor de antes habita o agora
Sem que eu saiba do tempo ou da hora.
Ou seria o verão?
Que nem a calma agita
Nem o vermelho em profusão
Que trás a brisa suave
Em forma de rendição
Mas não!
Se o meu corpo transpira
É de pura insolação
Que aloja minha solidão
A procura de outra estação.
Quem me dera que a primavera
Despontasse meu mundo colorido
E provar que poderia ter sido
Tudo que a gente espera
Da beleza da estação
Mas você pintou de cinza
Por onde podia passar
E depois deixou o verde
Talvez para fazer sonhar.
E quem sabe ao outono chegar
E este poder declarar
O que eu tenho que enxergar
Que mesmo sem folhas mortas
A realidade é imposta
Tal qual este meu abrigo
Que totalmente indefinido
Não me dá nenhuma razão
Para acreditar que me deixou
Qualquer de uma estação.

Fernanda Queiroz
Direitos Autorais Reservados.

Foto de Lu Oliveira

Ausência

Ausência
Companhia ingrata
M
.... A
...... L
........ T
.......... R
............ A
.............. T
................ A
Este coração
Que só quer te amar...
Ausência
Triste presença
M
.... A
...... C
........ H
.......... U
............ C
.............. A
este coração
que não agüenta mais
te esperar
Ausência
Presença constante
Ânsia latente
Desejo de te encontrar...

Lu Oliveira
2006

Foto de Lu Oliveira

Quando nasci

Quando eu nasci
Um anjo retrucou
Menina maluca,
Em que mundo
você se enfiou?
Neste exato momento
Senti um desejo profundo
De me apoderar deste mundo
Saber o que havia por lá.
Subi montanhas e barreiras
Flutuei na lua cheia
Mergulhei no rio e no mar
Encontrei gente de todo jeito
Animal pra lá de perfeito
Natureza pra se admirar
Então meu anjo sabido
Veio até mim, aflito
Pedindo pra eu lhe contar.
O mundo é uma beleza!
Então deixe de moleza...
O que vale aqui é amar!

Lu Oliveira
2006

Foto de NiKKo

Amantes eternos

Não importa o lugar, dia ou hora
dois olhares com certeza se encontrarão
E por um instante eternizado
Os espíritos se reconhecerão.

E por se reconhecerem como amores antigos
Como ébrios se entregarão a caricias guardadas
Revivendo momentos mágicos por eras escondidas.
Em uma forma única e jamais revelada.

Serão momentos infinitos
Cheios de ternura e emoção
E por estarem a tanto tempo adormecidos
Lágrimas dos olhos escorrerão.

E os corações irão se tocar
De forma única, real e verdadeira
Que como espíritos eternos e livres
Serão um só, quebrando toda e qualquer barreira.

E num redemoinho mágico e multicolorido
Os corpos envoltos num abraço carinhoso
Romperão a tristeza que hoje sentem
Sorrindo pelo universo colorido e silencioso.

E uma chuva de cometas no céu vai surgir
E se tornará visível a todo olho humano
Que com medo acompanharam todo o feito
Sem saber é se divino ou profano.

Mas nesse instante supremo e secreto
Dois amantes estão a se reencontrar
E a própria natureza se calará silenciosa
Diante de um amor que nem a morte pode calar.

Foto de Sirlei Passolongo

Engano

Quando você chegou
Meu coração fez festa
Sonhou dias iluminados
Sorriu tudo que havia desejado

Quando você chegou
Meu coração fez planos
Fantasiou felicidade por anos
Fez me flutuar junto aos anjos

Agora,
Tudo que um dia foi festa
Os sonhos que iluminou
Não se vê nem pela fresta
Os planos que desenhou
Contigo partiu...
e nada mais resta.

(Sirlei L. Passolongo)

Direitos Reservados a Autora

Foto de Carmen Lúcia

Reminiscências

De repente bateu-me a saudade.
Viajei pelo túnel do tempo e me vi criança.Feliz, esperançosa, risonha, saudável.
Andava por um caminho ladeado de frondosas árvores.Altas, tão altas que alcançavam o céu.Circundavam-nas florinhas de todas as cores, todos os tamanhos, todas as fragrâncias.
O ranger de um carro-de-boi...e a expectativa de um passeio diferente para mim.Sonho realizado!Acomodei-me nele como se fora um carro-de-boi-alado.
Um riacho murmurava lânguidas canções que pareciam apaziguar o gado, que bem pertinho dali, pastava serenamente.Uma cachoeira despencava pelas montanhas, num festival de águas cristalinas, qual grinalda de noiva.
Pássaros, em grande profusão, ornamentavam o pequeno rincão e faziam algazarra; festa para os corações.Pousavam nos galhos e voavam pra todos os lugares, como se brincassem de esconde-esconde.
Quando passava por uma casinha branca de telhado quase grená, eu não resistia.O cheirinho de doce de cidra e de abóbora, anunciado pela fumacinha de uma chaminé, me fazia descer do carro-de-boi e pedir uma porção à doceira, pessoa que sempre me encantava com suas
histórias fantásticas de duendes,fadas e assombrações.Ali eu permanecia, deslumbrada pela magia de seus contos e saciada da vontade de seus deliciosos doces.
Ao soar o sino de uma capelinha de arquitetura rústica, construída no alto de uma colina, eu e todos os que habitavam o lugar, íamos, como em romaria, fazer nossas orações, pedir alento e agradecer a Deus por tudo que nos havia concedido.Eram momentos de graça.Hora da Ave-Maria.
Antes do sol se pôr, um berrante chamava o gado, que obedecia docilmente, parecendo estar cônscio de ter desempenhado sua função diária.E ia descansar lá no estábulo.
À noitinha, da janela de meu quarto, eu me sentia pertinho das estrelas, vendo-as mudar de lugar, chamando a atenção da lua, que sorria de suas traquinagens.
Na varanda, verdejante por samambaias em xaxins, sentados numa namoradeira, meus pais trocavam juras de eterno amor, iluminados pelo prata do luar.
Volto ao hoje.Tais lembranças adocicaram minha alma,apesar da realidade triste que reina no local do lindo rincão.
A tecnologia acabou com tudo, dando lugar à modernidade de fábricas poluentes,barulhos incessantes,pessoas irritadas, subordinadas a horários, regras, burocracias e competições descabidas.A luta desleal pelo poder.
A auto-destruição do homem.

Foto de NiKKo

Vem pra mim.

Vem, me sente! Me enlace
com suas pernas me abrace.
Faça-me tua sem preconceito.

Vem e me tire a sensatez,
porque não quero apenas uma vez
perder-me em você.

Não me diga que não devo,
o seu desejo eu percebo
no brilho desse seu olhar.

Quero do seu beijo, o sabor.
Quero mil noites de delírio e amor
A seu lado poder desfrutar.

Então não tente me enganar
Pois você como eu, está a desejar.
que esse nosso desejo se consuma.

Não me importa se não posso e não devo
pois os carinhos que de ti recebo
fazem-me acreditar

que o dia pode ser de céu noturno
que a brisa do mar por seu turno
pode um rosa desfolhar.

Mas que tudo hoje é diferente
porque você me desperta e me sente
com todos os meus anseios de mulher.

E nossos momentos são tão especiais
nos fazem dois seres irreais
que rompem a distancia como um véu

E por se encontrarem assim tão ligados
Como eternos namorados
brilham como sol, no infinito azul do céu.

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