Foto de Diario de uma bruxa

Viajando em minha mente

Esta sou eu
Livre em sonhos
Doce em pensamentos

Prisioneira de meus desejos
Afetada por desafetos
Triste na solidão
Esta que eu mesma crio

Sou surfista em minhas lagrimas
Lagrimas que descem e deságuam no rio
Confusões de pensamentos
Orgia fugaz de risos

Constantemente distraída
Vivo sem saída
Presa na fantasia do meu único
Universo.

“Estrelas cintilam em minha mente
É único é mágico
Sou eu viajando novamente.”

Poema as Bruxas

Foto de Marilene Anacleto

Andaaaanças - Feitiço

Um feitiço bravo feito
Há quase quarenta anos
Aparece de repente
No correr da regressão.

Há pessoas que preferem
Um “amor” bem amarrado
E viver toda uma vida
Com um estranho ao seu lado.

Quem quer separar dois amados
Vai uni-los cada vez mais
Porque interrompe uma história
Que ainda não tem um final.

Se queria separar mesmo
Porque não me enviar um amor?
Eu seria muito amada e feliz
E iria para o exterior.

Mas falta a inteligência
Se a paixão é de posse
Assume qualquer encrenca
Para que a sua presa volte.

Foto de Carmen Lúcia

Eu serei com você

Em qualquer tempo, qualquer momento,
sopro do vento, piores tormentos,
brisa leve, calor que se atreve,
eu serei com você...

E serei pra você...
O caminho que falta,
o torpor que ressalta,
o pranto que alivia,
o lirismo da poesia,
o sorriso do rosto,
a delícia de um gosto,
o braço que segura,
a mão que se aventura,
parte de sua jornada.

E juntos seremos...
O amor a se expandir
na imensidão, a luz a invadir...
Seremos lua, prata do luar,
nosso sol a despontar
aos olhos das manhãs,
escoltando travessias,
sugerindo recomeços,
divulgando o direito do avesso
e a incrível arte de amar...

(Carmen Lúcia)

Foto de cnicolau

Dias, Semanas e Meses

Outro entardecer frio, e a vontade de
escrever toma-me por completo.

Minha mão roga pelo papel...

Dias
Semanas
Meses

Vividos, passados, entregues,
e que muito sentirei...

Dias
Semanas
Meses

Vão-se passando, vão-se indo,
e pouco ou muito vou sentindo...

Os sentimentos estão embaralhados,
jogados a mesa como cartas, prestes
a serem virados a uma pessoa,
ou a um destino qualquer.

Qual destino será pertence a mim?
Que peça ainda me será mostrada?
Que dados ainda terei que jogar?

Dias
Semanas
Meses

Ainda virão, chegarão,
e pouco ou muito irei sentir...

Minha mente espero estar segura,
Meu coração curado,
E meu corpo descansado.

Cura-me ó Pai, é só o que te peço.

"O passado não pode ser reescrito,
O futuro não pode ser previsto.
Então vivo o presente, como se fosse
o último de meus dias..."

Uma semana longe, apenas mais uma semana
longe de tudo...

O tempo tenta cicatrizar a dor que a
mente teima em deixar aberta e exposta...

Deus, todos os dias fala comigo, me
mostrando o quanto a vida é maravilhosa,
porém a mente teima em continuar escrava...

Coisas boas acontecem, muito boas...

Velhos amigos retornam, novos nascem,
e alguns se vão sem deixar rastro...

O que era bom torna-se maravilhoso, porém,
parece que por mais que tente, falta algo,
falta alguma coisa, simplesmente falta...

Penso em pessoas que ressurgiram em minha
vida, me fazendo sorrir novamente.

Mas porque será que as coisas ruins sempre
sobrepõe as coisas boas?

Porque???

Respiro fundo pra tentar responder...

Não consigo. Meu coração ainda sofre,
ainda tremula, e é por estar assim
que eu não poderei responder essa pergunta.

Cleverson Luiz Nicolau
15/06/2011

Foto de João Victor Tavares Sampaio

O Orfanato

- O Orfanato

No orfanato
Toda linhagem de enjeitado
Toma a forma de legião

Todo o povo da região
Passa-nos com o ego apontado
Acusando nossa rejeição

E a sombra que aqui relato
Desnuda a treva em ebulição
Sonho irrealizado

Presente desembrulhado
Futuro em suspensão
A humilhação em seu recato
Frio, destrato

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O Sol é falso, losango angular.

Umas poucas crianças cantam.

Outras tantas crianças gritam.

A volta da escola é lenta e singular,
Pois não há ninguém há esperar.

O vento espalhar seu vento, e a folhagem.

Uma nuvem nos faz pajem.

Nosso ritmo é policial e folhetinesco.

Reside o medo do grotesco.

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Os moleques do orfanato são feios e não têm receio em admiti-lo, já que no verso de sua condição morava o adverso, o ridículo dos corações partidos, a brevidade de sua relevância.

Um deles riu-se automaticamente:
- Somos completos desgraçados!

Esta frase correu sem gírias ou incorreções.

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Os moleques
Sabendo serem desgarrados
Destravavam seus breques
Em serem desencontrados

Faltava-lhes o saber da identidade
Descobri-se em um passado plausível
Ver-se na evolução da mocidade
Em um lar compreensível

Mas não lhes foi dada explicação
Nem sentido da clemência
Nem pedido, nem razão
Para sua permanência

Viviam por viver
Por invencionice
Viviam por nascer
Sem que alguém os permitisse

Abandonados
No porão de um orfanato
Sendo assim desfigurados
No humano e seu retrato

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Os moleques eram órfãos
E eu estava no meio deles sem me envergonhar!
Minha vida é curta
Dura, diante dos comerciais contrários!
Meu cárcere é espesso, grosseiro, não derrete nem sob mil graus!
Subo mil degraus e não encontro o final da escada
E a realidade é tão séria como o circo ao incêndio dos palhaços,
Pois nem meu hip-hop consola mais a sombra da minha insignificância
E nem toda a ostentação suporta o peso da veracidade

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O mundo me usa
Ao agrado parnasiano
E me recusa
O verso camoniano
Não tenho honra nem musa
Não tenho templo nem plano
A vida é pouca e Severina
Louca e madrasta carnificina

Solidão
No meu retiro na multidão

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Somos uma falange
Outrora negada pelo sistema
Zunido como abelhas de um enxame
Invadindo os isolamentos propositais;
Nação sem cara
Homericamente mostrando seu rosto
Olhando a palidez da polidez
Sendo enfim mortos de fome.

Sendo enfim cheios de vida!
O braço que nos impede a pedir banha-nos com seu sangue;
Nós somos encharcados
Havendo assim a benção que ignoraram em prestar
A afirmativa de um futuro inevitável;
Matamos e nutrimos
O pavor que nos atira para a vida;
Somos assim não só uma falange como uma visão intransponível.

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Em esperar ter condições
Só restaria estacionar
Ao choro das lamentações

E logo quando o meu lugar
For definido às lotações
Na margem sem quem se importar

Ou mantenho insurreições
Ou vou me colocar
Abaixo das aspirações

Se calar minhas intenções
Alguém vai me sacanear
E se buscar santas missões
Cair no desenganar

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Estamos descontrolados!

- Foi ele, tia, eu vi!
- Não, eu não fiz nada!

- Cala a boca molecada!
Ou vai entrar na porrada
Cambada de desajustados!

Nem suas mães os quiseram
Desde o dia que vieram
E ainda bem que não nasci
No mesmo mal em que estiveram

Enquanto existir distração
Restrito será seu contato:
Problemas não chamam a atenção
Ao veio da escuridão
Silêncio do assassinato

Eu me calo e penso então
Em como o mundo é ingrato
Por sobras ajoelhadas
Firmo-me em concubinato
Em estruturas niveladas
Para minha exploração

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A noite chega aos esquecidos
E com ela sonhos contidos
De um sono forçado

Sinto-me encarcerado
No meu instinto debelado
Pelo pânico dos inibidos

E os olhares entristecidos
Cerram-se em luto fechado
Da morte sem celibato

Estamos envelhecidos
Tão jovens e tão cansados
Estamos aprisionados
Na cela de um orfanato

Foto de XandaoCM

Recíproco amor

Sei que você também me quer
Vem logo pra mim
Vem ser a minha mulher
Só quero ouvir você dizer siim

Fico aqui parado
Chorando sozinho em pranto
Sonhando acordado
Com seu doce encanto

Ainda queima em minhas veias o desejo
Ainda continua em minha boca seu sabor
Saiba que ainda penso naquele nosso beijo
E isso me faz morrer de amor

Mas eu sei que o amor que eu sinto você também sente
E eu sei que você pensa em im como mais que um amigo
O meu beijo continuará em sua mente
E os seus sonhos serão só comigo

Eu não te esquecerei jamais
Espero que não me esqueça também
Você sabe que eu te amo demais
E eu sei que o amor que tenho você também tem

As memórias ficarão como heranças
Levarei comigo essa dor
Pois guardarei as lembranças
Desse nosso recíproco amor

Foto de XandaoCM

Me deixe te amar

Versos jogados ao vento
Um poema sem sentido
Porém carregado de sentimento
E de lembranças que tenho contigo

Estou confuso, sem saber para onde ir
Querendo apenas tê-la do meu lado
Esperança vã de não vê-la partir
E de ser para sempre seu amado

Pense em mim
E se lembre dos bons momentos
Apenas diga sim
E deixe para trás os tristes lamentos

Se entregue ao amor
Não deixe tudo isso acabar
Estou cansado dessa dor
Me ame, e me deixe te amar

Foto de Brito

Coser (Descosturar)

A chuva a tinha deixado encharcada.
Sua blusa formava uma segunda pele,
só que esta felizmente poderia arrancar.
O tecido de algodão
a protegia de lembranças,
retirá-lo
era reler
o passado.
Há leituras
necessárias única vez.
E às vezes nenhuma.

Foto de Brito

Fissura

Mãos dadas...
os dedos entrelaçados
não se apertam mais.

Nas frestas que os separam,
eu
escorrego
devagarzinho
me
perdendo
de
você.

Foto de Brito

Parafraseando

Sufocada de dor,
Fui tragada pela linha da tua poesia
...
Nela permaneço
Para expurgar um novo amanhã.

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