De vez em quando a realidade nua
A surge e trancafia em brutal mágoa
É a incômoda e marcante falta d’agua
Que às vezes na amplidão muito acentua.
Em um lugar tosco, surge, deságua
A natureza ali se faz bem crua
Mas quando se precisa não se flutua,
Queres a tal bendita? Que vos trago-a.
Servíamos desta, sim. Mesmo na aurora
Ou em tardios momentos, nos entranhos,
Quando o sol tombava o queimado facho...
Estando lá ou não, sempre lembro outrora,
Quando criança, divertia-me em banhos,
Buscava água no saudoso riacho!
Esta é uma história
De um cupido
Que adorava o sem sentido.
Porém, não tinha memória.
Flechaços solitários
Eram seus preferidos.
Achava-os hilários,
Amores não correspondidos.
Uma vez
Flechou três.
O primeiro coração
Apaixonou-se pelo segundo
Que por sua vez gostou do terceiro
E este pelo primeiro perdeu a razão.
Não havia reciprocidade.
Não havia felicidade.
Num parque,
Espalhou suas setas.
E os que não estavam alertas,
Sentiram um baque.
Da confusão, rolava de rir.
As pessoas ali ficaram , embora não queriam ir.
As vezes atirava para o céu.
Hoje novamente acordei só.
O meu travesseiro pendurei
Ao sol para que secasse.
Do seu, tirei
o pó,
Esperando que você retornasse.
Foi uma noite fria.
Somente a lua
Da janela me fazia companhia.
Pensando se a culpa era sua,
Ou se era minha.
Esperei de você demais?
Não sei ser
Tanto fez
Como tanto faz.
Na sala
Fico dando voltas,
Destilando minhas revoltas,
Ao som da angústia que não se cala.
Foi um sonho
Ou um pesadelo
Em que a mim mesmo proponho?
De ter alguém que no fundo não tenho?
Nunca houveram algemas.
O meu melhor compartilhei.
Nada mais temo, nada que me aflige,
O carinho, antes terno, agora não vive.
Pôde ouvir o silente apelo do coração,
Que retumbava ágil ante a escuridão.
Já chorei sangue, já estive perdida
Nunca antes, tanto, desejei fim à vida!
Submundo, subversidade que enoja,
No sagrado véu, esconde o que forja.
Não podem ouvir meu grito. Clemência!
Alguém que recupere minha inocência...
Insuportável ver assassinada a esperança,
Apenas não quero deixar de ser criança!
______________________________________________
Thamires Nayara.copyright © 2007 proib
Amizade pura, protege-me, em outrora
Tomar toda a minha dor, tu quiseste
Compreendo o imenso carinho que deste
O represento nos versos, escrevo agora
Em toda minha vida se fez companhia
Como se, em mim, lê meus pensamentos
Demonstras o mais bonito sentimento
Mesmo triste, para me acalmar, sorria
Agora à minha companheira de jornada
Quero prestar singular homenagem
Que faltem as palavras, o digo no nada
Você, meu quadro de límpida imagem
Nas atribulações tua doçura me acalma
Mais que irmãs, somos amigas de alma!
Thamires Nayara.copyright © 2007 proibida cópi
percorro o teu rosto com os meus dedos.
descubro todos os traços no escuro.
a tua forma já não tem segredos
e o sentimento é cada vez mais puro.
preparo a cada dia o meu futuro
afastando de mim todos os medos.
é contigo que nele estou seguro
mesmo sem saber todos os enredos.
o teu corpo paira em minha memória
e o teu futuro será minha história
de alegrias, prazeres e paixões.
não me int’ressa longe de ti a glória
mas bem perto p’ra sempre as emoções.
basta p’ra isso unirmos corações.
Sempre que o sol ardente
Se afoga lento neste mar
A Terra vira as costas
E rende-se ao luar.
Mas nasce o dia
A cada noite.
Rompe-se a luz, da escuridão.
E nem o Sol escurece o teu brilho,
Nem a Lua me deixa tranquilo.
Deixa a luz entrar e reflectir em teu corpo;
Deixa-a dançar na tua pele que reluz;
Deixa a tua pele mostrar que é bela;
Deixa-a ser o corpo de luz que me seduz...
Hoje não estou triste nem estou acordado,
Sinto-me apenas desligado...
Uma sensação de queda perpétua...
Este desamparo consciente
É uma incerteza concreta
Que ilumina a minha mente...
Só quando o cérebro me sente só
É que sinto o que me falta.
E o que me falta é um sonho de pó
Que na minha alma a exalta.
E a calma salta de euforia em riste
Por ter enfim um lugar
Que pertence ao mundo, lá onde existe
Tua presença no ar.
A distância é amiga da saudade.
Uma afasta outra aproxima.
Mas estares bem perto é mais verdade
Neste tu por mim a cima.
Por mim a cima esta chama
Que é mais minha que o meu reflexo ao ‘spelho.
Alastra-se a cada grama,
Como p’la rosa se espalha o vermelho.
E na manhã do nosso abraço eterno
O tempo há-de nos dizer
Que a manhã seguinte será o Inverno
São horas de te querer,
horas do tempo
parar,
de nos termos
no trespasse dum olhar perdido,
na vaga vontade
de te tocar os dedos.
Já são horas
de esquecer o sabor doce
dos teus seios,
de me perder no meio das tuas coxas,
de beber dos teus olhos marejados,
quando por fim
explodes
no amor que sempre acontecia.
Já são horas
de erguer meu alforge
de carregar no meu ombro
a tristeza
de um adeus imenso.
São as horas
dos dias que nascem
para aliviar o passado
de caminhar por ti
sem te ter,
de te amar ao longe,
como fosses mar onde não estive.
Já são horas
de te voltar a querer.
Ah... esse menino que dentro de mim vive
Gostaria de escolher o que quer sem receios
E, dessa maneira, diminuir seus anseios.
Ah... esse homem que dentro de mim vive
Precisa decidir o que quer, mas a decisão é delicada
Poderá exigir renúncias e angústias, e isso é complicado.
Ah... esse homem que pensa que sabe tudo.
Um dia chora; no outro, ri - mas nem sabe pra onde ir...
Ah... esse menino que não sabe o que faz.
Um dia arrisca; no outro, recua - mas sabe que precisa ir...
Ambos sabem que precisam um do outro.
O menino sabe que precisa ensinar ao homem...
O homem sabe que precisa ensinar ao menino...
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