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Foto de Sonia Delsin

TODAS AS ESTRADAS

TODAS AS ESTRADAS

Todas as estradas me levavam a ti.
Eu ia como teleguiada.
Ia, ia...
Ia a olhar as flores.
A contar de amores.
Ia.
Nem sabia ao certo ao encontro de que estava indo.
Mas ia.
Voava nos trechos mais difíceis.
Ia...
E no meu ir me deixei fluir.
Te encontrei.
Pensei.
Amor tão grande nem a eternidade consegue destruir.

Foto de Sonia Delsin

SEUS FANTASMAS

SEUS FANTASMAS
(para uma amiga)

Eles chegam quando a noite se faz mais calada.
É triste a madrugada.
Durante o dia ela sorri.
Disfarça.
Não que seja uma dissimulada.
Mas finge ser feliz na sua estrada.
Como ser feliz com tantas perdas?
O que lhe sobrou?
O silêncio, o vazio.
A cama está gelada.
Ela vai até a janela e olha a calçada.
Tantos sonhos!
Tantos.
Os sorrisos chegam.
Primeiro da filha amada.
Também seu amado vem chegando.
Parece que vai lhe abraçando.
Depois chega a serviçal.
Igual a ela ninguém faz o serviço da casa igual.
Chega o filho ausente.
Ele está ausente, mas é presente.
E a netinha.
Então ela consegue retribuir o sorriso para seus fantasmas.
Alguma coisa lhe sobrou do mundo que desmoronou.

sonia delsin

Foto de lialins

"Tenta Esquecer-me"

*
*
*
*

Tenta esquecer-me...
Ser lembrado é como evocar
Um fantasma... Deixa-me ser o que sou,
O que sempre fui, um rio que vai fluindo...
Em vão, em minhas margens cantarão as horas,
Me recamarei de estrelas como um manto real,
Me bordarei de nuvens e de asas,
Às vezes virão a mim as crianças banhar-se...
Um espelho não guarda as coisas refletidas!
E o meu destino é seguir... é seguir para o Mar,
As imagens perdendo no caminho...
Deixa-me fluir, passar, cantar...
Toda a tristeza dos rios
É não poder parar!

Mário Quintana

Lialins eterna apaixonada pela vida

Foto de lialins

Esperança

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA.

Mário Quintana
Texto extraído do livro
"Nova Antologia Poética",
Editora Globo - São Paulo,
1998, pág. 118

Lialins eterna apaixonada
pela vida

Foto de pttuii

Tira-cheiros

Pedaço de palavra mastigado,
Deglutido no sangue do silêncio...

É para calar o desbocado,
Aliviar a dor da inocência,
E fechar uma vida inundada...

A palavra tem de sair,
Salada de frutas ácidas,
E no fim o tira-cheiros...

Foto de Sonia Delsin

OLHE NOS MEUS OLHOS

OLHE NOS MEUS OLHOS

Olhe nos meus olhos.
Profundamente.
Adentres.
Vá entrando.
O que vais encontrando?
Todo amor que sinto.
No olhar não minto.
Conto tudo.
Me exponho.
Conto que tu és meu maior sonho.
Olhe.
Eu te convido a entrar.
Tenho prazer de mostrar.
O amor que sinto por ti.
Está tudo escrito aqui.

Foto de Dirceu Marcelino

COLCHA DE RETALHOS - DUETO = DIRCEU & LU LENA

COLCHA DE RETALHOS

Soneto de LU LENA

Pensamentos, recordações oscilam
num destino desfiado de renúncias
grilhões que me prendem num exílio
enleada em ti a tua e a minha vida.

Indeléveis cicatrizes em minha memória
em carretéis e linhas opacas e sem cor
na caixa de costura toda nossa história
alfinetes agulhas ludibriando nosso amor.

Cerzindo versos, exalando nossa essência
assim vou tecendo estática nossos pedaços
entre gotículas de lágrimas em reticências...

Vozes, murmúrios, sem viços e transparências
bordando prolixa nossa colcha de retalhos...
Aguardando o tempo esvair nossa existência.

***
Soneto de Dirceu Marcelino

Ainda em minha tenra e singela adolescência
Sonhava com ti e minha vontade era tecer
Com os parcos fragmentos de minha inocência
A colcha que te cobriria em teu adormecer

Hoje recordo com fragmentos de consciência
Dos belos sonhos e então deixo me esvanecer
Em devaneios poéticos que com insistência
Injetas-me com teu lume e em mim faz nascer

A inspiração que surge da tua proficiência
Em belos versos que estimulam meu alvorecer
Fazendo com que encontre nas regras da ciência

Poética esta arte que me faz rejuvenescer
E encontre nos retalhos de minha inconsciência
Os pedaços da colcha que tu estas a cerzir.

Foto de Izaura N. Soares

Educação

Educação
Izaura N. Soares

Ter-se uma boa educação é o ponto positivo
No currículo de um cidadão!

Foto de Sonia Delsin

LEVES COMO PLUMAS

LEVES COMO PLUMAS

Sou leve...
Sou uma pluma ao vento.
N’água...flutuo.
No tempo também posso flutuar.
Basta saber se soltar pra voar...
Sou leve...sou uma folha solta que o vento caprichosamente carrega de lá pra cá.
O que nos prende ao solo somos nós mesmos.
Os limites nós nos damos...
Por que não experimentar se soltar?
É tão fácil... basta começar...

Foto de Sonia Delsin

AQUELE DIA...

AQUELE DIA...

Nem que eu viva cem anos vou me esquecer.
Aquele dia pra sempre vou ter...

Seus olhos me explorando...sua boca me buscando...
Seus braços me apertando...

Você me amando...
Suas mãos no meu corpo deslizando...

Aquela luz mortiça do abajur nunca vai se apagar.
Ainda sinto o cheiro que ficou no ar...
Jamais vou esquecer o nosso amar...

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