Blogs

Foto de Lu Lena

COLCHA DE RETALHOS

*
*
*

Pensamentos, recordações oscilam
num destino desfiado de renúncias
grilhões que me prendem num exílio
enleada em ti a tua e a minha vida.

indeléveis cicatrizes em minha memória
em carretéis e linhas opacas e sem cor
na caixa de costura toda nossa história
alfinetes agulhas ludibriando nosso amor.

cerzindo versos, exalando nossa essência
assim vou tecendo estática nossos pedaços
entre gotículas de lágrimas em reticências...

vozes, murmúrios, sem viços e transparências
bordando prolixa nossa colcha de retalhos...
Aguardando o tempo esvair nossa existência.

Foto de Sonia Delsin

LUA DE NAMORAR

LUA DE NAMORAR

Hoje está uma lua.
Uma lua de arrasar.
Lua de namorar.
Vim pela rua olhando.
A lua namorando.
No meu amado pensando.
Pensei.
Será que ele viu a lua?
Ele anda em que rua?
Oh, lua! Oh! Se estivesse aqui meu amado.
Bem do meu lado.
Tantos beijos seriam dados.
Tantos abraços apertados.
Sozinha eu só posso a lua admirar.
E sonhar...

Foto de Rosinéri

SORRISO

Foi num belo dia de verão ao entardecer
Que lindos olhos um sorriso me recusaram
Meu coração começou logo a entristecer
Pela magoa que ali mesmo começou

A dor sentida foi tão forte
Que sem forças ali fiquei
Sofrendo impune duma lenta morte
Mas com um bálsamo apliquei

Em silêncio esperei um ano inteiro
Crescendo em mim uma triste paixão
Fruto verde deste amor primeiro
Que poderia ter-me levado ao caixão

Foi então que esse sorriso veio
Suave e lento como uma folha caída
Meu coração quedou-se num doce enlevo
Vivendo nesse minuto toda uma vida comprimida

Foi um enlace tão terno e de minuto
Culminado por sorriso tão singelo
Foi uma vida inteira num minuto
Vivida tão intensamente e em segredo
Sim! com o esquecimento um bálsamo apliquei
Durante três longos anos de sobrevivência
Nessa luta mais mulher assim fiquei
Foi um sorriso que aconteceu na adolescência.

Foto de Rosinéri

CONCLUSÃO

As varandas já não têm vasos.
Os vasos já não têm flores.
As flores já não têm pétalas.
As pétalas já não têm cores.
As praias já não têm gente.
A gente já não tem esperança.
A esperança já não espera.
Quem espera já não alcança.
O sol já não tem brilho.
O brilho já não tem magia.
A magia já não tem ilusão.
A ilusão já não traz nostalgia.
A justiça já não tem seguidores,
Os seguidores já não têm razão,
A razão já não tem certeza,
A certeza já não é tida em consideração.
Os humanos já não têm amor.
O amor já não tem felicidade.
A felicidade já não tem orgulho.
O orgulho já não tem vaidade.

Foto de Rosinéri

EU

Quero escrever versos,
Versos de amor, de ironia,
Quero preencher todos os espaços,
Desta folha vazia.

Quero, ao escrever,
Ser completamente livre,
Lembrar-me do que quis ter,
Mas que nunca tive.

Quero com estas tantas palavras,
Que escrevo sem encontrar fim
Encher além destas folhas brancas,
Os espaços imensos que há em mim.

Lembrar, esquecer
Dormir, acordar,
Desejar morrer,
E depois lamentar.

Senti a presença da solidão,
Ri as lágrimas que não chorei,
Agindo com o coração,
Sempre errei.

Escrevo partes do que sou,
E dedico-tas a ti,
Mas só eu o sei,
Não sairá daqui.

Todas as lágrimas foram enxutas,
Neste pedaço de papel, que agora é um pouco de mim,
As minhas palavras sentidas, doces ou brutas,
Assim como eu chegaram ao fim.

Foto de Rosinéri

ESTRADAS DO PENSAMENTO

Imerso num mar de idéias, em silêncio
No escuro do quarto, não consigo dormir
Ouço ao longe o som de uma estrada, o movimento
O zumbido, rugido de veículos num ir e vir

Cerrando os olhos, submergindo em mim, tento
Deslocar-me ao tempo que vivi a sorrir
Reativar lugares e gentes, um momento
de felicidade , de vida, de sentir

A vida é sim uma via em sentido único
Ficam-nos nos olhos as lágrimas, o desejo
De se nunca chegar ao fim da viagem

Viver é um passar, seguir um certo rumo
Com os nossos sentidos, nossa alma mesmo
--Cada dia vivido, parte da paisagem

Foto de Rosinéri

EXILADA

Foi como um exílio voluntário
Que me aconteceu na despedida
E o meu coração depositou
as amarguras desta vida

Fugi de mim naquilo que era
Para não chegar a ser aquilo que sou
Mas não sendo o que eu queria
Ao menos sei para onde vou

Fugi do que não estava bem
E não vim para melhor
Mesmo sem ter chegado mais além
Já sei, aqui agora é pior

Tenho corrido os quatro ventos
Levando no peito a solidão
Para afagar os meus lamentos
E não desesperar com tudo isto

Aqui estou eu bem desterrada
Fingindo que faço turismo
Por terras malditas desenraizada
E tudo por culpa do fascismo

Foto de Rosinéri

É SÓ HOJE

Não tem importância, é só hoje;
Amanhã o Sol vai brilhar e aquecer,
Enquanto esta agonia de mim foge,
Prometo que não voltarei a entristecer.

Sim, é só hoje que chove.
Amanhã o Sol brilhará com fulgor
Iluminando nossas almas ao de leve
Como se fosse à abertura duma flor.

É só hoje, e vai passar depressa
Este frio danado que nos fere a alma.
Esperemos que o vento não se esqueça
De mudar para o quadrante da calma.

Hoje cai chuva, e bem grossa.
Amanhã soprará uma briza morna
Para compensar esta amargura bem nossa
Que este inverno bem malditos nos torna.

Sim! Amanhã, amanhã será o dia
Em que o Sol vai brilhar e aquecer,
Suave, o perfume das flores irradia
Nestas encostas e vales, quando o Sol nascer.

Amanhã é o dia reservado ao Amor,
E a fragrância das flores confunde-se na maresia.
Amemo-nos pois, e com todo o ardor.
Que felizes seremos, sim amanhã é o Dia.

...EM QUE HAVERÁ MAIS CALOR...

Foto de SulekhaVargas

Poema escavizado

POEMA ESCRAVIZADO

Era uma vez um pai e uma mãe
Que queriam tanto amar,
Mas nada podiam fazer, nem mal nem bem,
Pois, para a vida teriam que lutar…

Os pais ali estavam e a guerra decorria
Com uma pena imensa, por sua Criança que estava a sofrer;
Pelos braços abaixo, sangue escorria
E imensas dores tinham por verem sua filha morrer…

Seu Mundo escravizado,
Para toda a eternidade;
Seu sonho estava estragado
Que era toda a fraternidade…

Olhares tristes como a morte,
Rostos descaídos como a revolta,
Lábios silenciosos como um deserto,
Pele arrepiada como o medo…

A alma de pequena porte
E a esperança que nunca mais volta,
O tempo que é incerto
Com a vida que causava tal tropeço…

O ódio que brilhava no olhar frio dos vencedores,
Que esmagaram na passagem, os vencidos…

Ao longe, pais a chorar;
Maldição de vida…!
Que a vida era só de ida,
E continuavam suas filhas adorar…

Enquanto à Criança,
Seus pais exclamavam:
“Pobre e querida Criança,
Quem nos dera teres mais uma esperança”…!

Foto de SulekhaVargas

Poema escavizado

POEMA ESCRAVIZADO

Era uma vez um pai e uma mãe
Que queriam tanto amar,
Mas nada podiam fazer, nem mal nem bem,
Pois, para a vida teriam que lutar…

Os pais ali estavam e a guerra decorria
Com uma pena imensa, por sua Criança que estava a sofrer;
Pelos braços abaixo, sangue escorria
E imensas dores tinham por verem sua filha morrer…

Seu Mundo escravizado,
Para toda a eternidade;
Seu sonho estava estragado
Que era toda a fraternidade…

Olhares tristes como a morte,
Rostos descaídos como a revolta,
Lábios silenciosos como um deserto,
Pele arrepiada como o medo…

A alma de pequena porte
E a esperança que nunca mais volta,
O tempo que é incerto
Com a vida que causava tal tropeço…

O ódio que brilhava no olhar frio dos vencedores,
Que esmagaram na passagem, os vencidos…

Ao longe, pais a chorar;
Maldição de vida…!
Que a vida era só de ida,
E continuavam suas filhas adorar…

Enquanto à Criança,
Seus pais exclamavam:
“Pobre e querida Criança,
Quem nos dera teres mais uma esperança”…!

Páginas

Subscrever RSS - blogs

anadolu yakası escort

bursa escort görükle escort bayan

bursa escort görükle escort

güvenilir bahis siteleri canlı bahis siteleri kaçak iddaa siteleri kaçak iddaa kaçak bahis siteleri perabet

görükle escort bursa eskort bayanlar bursa eskort bursa vip escort bursa elit escort escort vip escort alanya escort bayan antalya escort bayan bodrum escort

alanya transfer
alanya transfer
bursa kanalizasyon açma