O sol estava se pondo...
Tarde de outono.
Observo minha mãe
num denso sono...
Nem percebe as folhas que caem
e amareladas se esvaem,
tocando seu inexpressivo rosto.
Parece querer de pleno gosto
ir de encontro ao sol se pondo,
sem resistência, sem confronto...
Espera que a leve a luz tênue da tarde,
sem barulho, sem aviso, sem alarde.
Frágil como a pluma a dançar no ar.
Logo ela, que se lançava aos desafios,
entrega-se agora...Nem luta, nem chora.
Desiste a cada dia, definha a cada hora...
Espera ver o pôr-do-sol levá-la embora.
Triste saber que ela desiste...
Oscila entre o existe e o inexiste.
Tão triste vê-la
triste...
_Carmen Lúcia_