Alegria

Foto de Gideon

A Solidão e o Celular

Bip do celular. A Solidão tomou um susto.

- Afinal, quem ousa invadir a minha guarda. Pensou ela, rapidamente
Outro bip no celular. Ele, o celular, está lá, sempre bem perto de mim. Não sei pra quê. Não toca nunca. Vazio, feio, sem graça e sem capa. Bateria já meio fraca, mas está lá. Ganhei de presente de amigo que queria me achar. Reclamava que nunca me encontrava. A bem da verdade, ele já estava na estrada de ida, mas era amigo de coração.. Cruzou por mim e se tornou amigo, mas o seu destino era lá pro outro lado… bom amigo.

Bip novamente. Outro susto na Solidão. Ameaço atender o celular. Ela fica ali, olhando e tentando ouvir. Má educada. Que coisa!. Apanho o celular. Ela se apressa em chamar sua irmã, a Decepção. Esta, cheia de liberdade, arranca-o de minha mão.

Ah sim, deixa-me contar. A Decepção é irmã mais velha da Solidão. No início eu a estranhava. Tinha cara feia e jeito de debochada. Não ia muito com a sua cara. Mas, enfim, a Solidão, minha velha e boa companheira de longos anos, queria, que queria me apresentá-la. Enfim, um dia cheguei cansado e desesperado. Lá estavam elas. A Solidão ao lado da Decepção me esperando para dar-lhes um pouquinho de atenção. Disse-me ela, mais tarde, que desde cedo estava ansiosa para a minha chegada. Já vinha insistindo com a sua irmã, há tempo para vir morar conosco.

Neste dia, lembro bem, eu estava me despedindo de coisas que tanto acreditava. Que tanto me fizeram feliz. E que, agora, ruíam, acabavam e transformariam profundamente a minha rotina. Meu coração estava ferido. Não tanto como hoje, mas era o início de uma ferida profunda...

Bem, mas como eu ia dizendo, sentei-me no sofá, como sempre fazia quando chegava em casa pra acolher a Solidão। Levantei os olhos, assim meio sem vontade de cumprimentá-las. Não queria mesmo me tornar íntimo da Decepção. A Solidão me bastava e já fora difícil aceitá-la na minha vida. Já havíamos conversado longamente sobre este assunto. Estava vivendo um momento que parecia feliz, e na minha vida não teria espaço para mais ninguém. A Solidão, sim, esta eu já me convencera que jamais me deixaria apesar de várias tentativas frustradas no passado. Ela é muito insistente, e parece um carrapato. Quando gruda não quer sair nunca mais, mas pra dizer a verdade, uma grande companheira.

Eu estava muito pra baixo naquele dia, somente queria o aconchego da Solidão. Queria estender-me no sofá, com a roupa do trabalho mesmo. Pegar uma coberta bem pesada, ligar a Tv, abraçar-me com a minha Solidão e ficar ali, esquentando da tarde fria, quieto, durante horas e horas, até dá fome e ter que levantar pra comer alguma coisa…

Mas lá estavam as duas. Não tive escolha, estendi a mão direita, torcendo para que o peso do meu antebraço logo fizesse a minha mão escorregar do cumprimento indesejado, mas a danada da Solidão, deu pulinhos de alegria e também agarrou a minha mão. Agora as duas sacudiam o meu braço como adolescentes brincalhonas.

Enfim, a Decepção estava devidamente apresentada a mim. Besteira minha, essa indisposição de fazer novos amigos. A Decepção se mostraria, mais tarde, uma grande amiga e companheira. Ciumenta que só ela, mas enfim, amigona do peito. Agora eu teria de acomodar as duas. Imaginem, duas criaturas na minha vida. Bem, mas dizem que pra tudo na vida tem um jeito. E tem mesmo. Hoje já não a estranho mais. Até me acostumei com elas. E quando elas não estão por perto sinto muita falta.

Bem, mas voltando para a história do celular, que eu já ia esquecendo, ameacei resgatá-lo das mãos da Decepção. Mas aí desisti e pedi, com um gesto no rosto, para ela me ajudar. Ela, feliz e com cara de vencedora e debochada, que insiste em fazer nessas situações, agora já super íntima, claro, riu no canto da boca.
Sabe aquela cara que dá ódio quando alguém a faz para a gente? Pois é, ela é especialista nisto. Estendeu o celular para eu ver. Olhei. Não consegui distinguir bem quem era.Ela, com aquela postura desengonçada de debochada. Pezinho esquerdo batendo no chão. Braço esticado na minha direção, e com o celular em riste. A outra mão na altura da cintura, ria, mas não muito, ria com aquela carinha de debochada mesmo, como eu disse. Ela já tinha olhado, meio de soslaio, para ver quem era, ciumenta do jeito que sempre foi..

Como eu disse, não consegui enxergar bem, mas fingi que não me importava em saber quem era, e continuei fazendo a minha partitura no Encore. Ela, chata e insistente do jeito que sempre foi e sempre será, levantou mais ainda o celular para eu ver, virando o rosto ligeiramente para o lado...

A Solidão se intrometeu, esticou o rosto e apressou-se em me dizer com a voz pausada e de deboche.

- É a Te-le-mar… Men-sa-gem da Te-le-mar…

Era mesmo a Telemar. Sabe aquelas mensagens chatas que ela insiste em nos enviar, como se tivéssemos tempo e dinheiro para ficar entrando em seus joguinhos idiotas, feitos por programadores idiotas, e concebidos por analistas mal pagos da Telemar… idiotas também!!?.

Calma, calma, calma e calma… É isso, ufa! Sempre que a Telemar subestima a minha inteligência e importância eu fico assim. Irritado.

Espera aí! Eu disse Inteligência? Importância? Não, não disse, ainda bem, só pensei. Senão as duas, iriam me chavecar a tarde inteira. Bem, mas enfim, era a Telemar! Fingi que não via a Solidão ali, parada, pertinho de mim e esperando alguma reação.. Mas a danada, sei lá como, conseguiu perceber a minha cara irritada, e fez questão de dizer em voz alta para eu ouvir…

- Você não tem amigos, seu bobo… quem poderia ser?

Ameacei, com raiva, sem olhá-la, dar-lhe um peteleco.! Ela deu dois pulinhos para trás, se juntou à Decepção, que já tinha se afastado para recolocar o celular no lugar, e ficaram repetindo…

- Você não tem amigos, seu bobo..
- Você não tem amigos, seu bobo..

Fiquei em silêncio, fingindo não ligar. Com um sorriso sem graça, e sem graxa, no canto da boca. Teclava o “j” repetidamente na partitura do Encore, meio esperando elas se irem para continuar o meu trabalho.
Veio-me a lembrança um quase amigo que fizera, dias desses. Deu vontade contar para elas, só para matá-las de raiva.…

Até conversei uns minutos com ele, lembrei. E, p-e-l-o c-e-l-u-l-a-r… Deu vontade falar assim, soletrando mesmo. Para deixá-las morrendo de raiva…
Acho que elas perceberam que eu não estava bem, e então a Solidão se aproximou devagarinho, com medo de outro peteleco, e.chegou bem pertinho. A Decepção também veio, me olhando pelos ombros da Solidão. É sempre assim, quando uma se aproxima, a outra acha que tem o direito de participar, e para piorar tudo, sempre combinam as coisas contra mim. Ufa, que raiva que tenho delas, nunca se desentendem por nada. Enfim, a Solidão me perguntou..

- O que foi Gimago, você quer dizer alguma coisa e não está conseguindo?
Então eu disse. Tomei coragem e contei..

- Vocês são umas idiotas mesmo. Dia desses quase fiz um amigo, suas bobas...

Elas recuaram olhando uma para a outra sem acreditarem. A Decepção ainda com aquela cara de deboche, e a Solidão com a cara de espanto exagerada que sempre faz.. Perguntaram-me, quase em coro…

- Quando foi isso. Qual o nome dele?

Eu, relutei, gaguejei, mas tinha de dizer, senão iria passar por mentiroso. Disse meio que enrolando as palavras, para elas não entenderem…

- Foi um tal de E-n-g-a-n-o…

Elas ficaram sem ação e em silêncio. A Solidão quebrou o gelo, olhou para os lados, e disse para a Decepção..

- Acho bom a gente deixar ele um pouco só…

E se foram, não para muito longe, pois sabem que eu preciso delas em todos os momentos.

Foto de Cecília Santos

MEU LADO CONSOLADOR

MEU LADO CONSOLADOR
#
#
#
Queria poder me dizer,
tantas coisas.
Tirar essa angústia do meu peito.
Tirar toda dor do meu coração.
Queria me devolver a alegria.
Queria ver o sorriso bailando
em meu rosto novamente.
Ah! Como eu queria me devolver.
o amor perdido.
A paz já esquecida.
Queria me devolver o
brilho do sol.
Me fazer ver que o arco-íris
é mais lindo.
Depois que passa as tempestades.
Que o balanço do mar, continua
embalando todos os sonhos.
Com suas vestes de renda,
e seu perfume salitrado.
Queria me dar a calmaria
de um dia feliz.
Como a areia branca sempre pronta
pra receber as ondas do mar.
Ah! Como eu queria ser eu novamente...!

Direitos reservados*
Cecília-SP/02/2008*

Foto de Sonia Delsin

AH, VENTO! AH, VENTO!

AH, VENTO! AH, VENTO!

Por você eu sofro.
Sofro.
Tem horas assim...
Que o vento o traz pra mim...
Noutras o vento o leva.
Carrega o meu amado.
Me pergunto.
É pecado?
É um acerto do passado?
Ah, vento!
Ontem eu cantava e ria.
Hoje meu peito está apertado.
Sinto uma agonia.
Sempre pensei que o amor só trouxesse alegria.
Por que não posso ficar em sua companhia?

Foto de hadhja awalian

MEU DIÁRIO

COMO O MUNDO É ENGRAÇADO DEU TANTAS VOLTAS, E EU AQUI OUTRA VEZ... FALANDO DE TUDO O QUE UM DIA JA FALEI... ENCONTRANDO OS MESMOS QUE ENCONTREI... VENDO QUEM UM DIA JULGUEI, AMEI... SENTINDO A MESMA ALEGRIA DE VER... ABRAÇAR , TOCAR... E HOJE É PASSADO O FUTURO QUE INVENTEI...NÃO POSSO ACEITAR ENQUANTO NÃO VER O QUE SOU ... QUE FAZ, PENSA OU DIZ DE MIM ...NÃO MUDA O QUE SOU... APENAS O QUE PENSAS DE MIM.
POSSO CORRER, FINGIR ...MAIS O QUE FOI NÃO POSSO MUDAR... APENAS COMEÇAR E RENASCER... O QUE SINTO NÃO POSSO APAGAR... MAS TENHO DIREITO DE RECOMECAR ASSIM COMO VC O FEZ...

Foto de Carmen Vervloet

QUANDO EXISTE AMOR

QUANDO EXISTE AMOR

Os ouvidos se alimentam
com o silêncio da cumplicidade...
Os olhos se cumprimentam...
A alegria nos invade...

Os corpos se entendem
e conversam sem falar...
As mãos se estendem
como raios de luar...

Os sonhos tão pertinentes
neste conjugar do amar
decifram sons envolventes
que se espalham pelo ar...

Sons de desejos velados
revelados pelo olhar...
Cheiro de suor exalado,
Sal que tempera este mar...

Mar de ondas oscilantes...
Branca espuma a se espalhar...
Corpos que se entregam ondulantes
No navegar deste amar...

Carmen Vervloet
Todos os direitos reservados ao autor

Foto de Mentiroso Compulsivo

Hoje Foi o Dia

Foi Hoje o dia,
Em que sorri e senti alegria,
Por tudo o que existe escrito aqui.

Voltarei outro dia.
Irei sorrir e sentir, tal como hoje,
Quando eu conseguir voltar a existir aqui.

Mas a partir deste dia,
Eu só irei ficar com o sorriso e o sentir
Na minha memória, pois por algum tempo vou sair daqui.

Um dia mais eu queria,
Só que minha vida agora, não me permite escrever,
Mas sempre quando poder virei sentir e comentar com alegria
Um ou outro poema daqui.

A poesia, como qualquer outra arte, requer tempo, inspiração e dedicação e só pode ser concebida quando temos o espírito livre para o fazer.

O trabalho é algo que nos rouba o espírito pela falta de tempo, não deixando, muitas das vezes, espaço para ele se manifestar na arte, mas sempre nos permite, contemplar as obras.

Eu tenho um trabalho assim no verão e só, se Deus quiser, em Dezembro o meu espírito volta a estar livre para escrever, como gosto, de o fazer.

Talvez consiga, de vez enquanto escrever algo, isso não prometo, no entanto, prometo que irei sempre ler os poemas deste site.

Com Amizade aos Membros e Staff deste fabuloso site.

Jorge Oliveira

Foto de madim_shakur

poemas soltos do sentimento

A realidade da vida
é que tudo têm um preço
Nada é oferecido
nada é garantido.

É cruel ser vítima
da infelicidade
ser um ser sem valor
algum.
É duro perceber a
realidade,
que mata qualquer um.

ha quem tema o fim
da vida,
o medo da luz que
não é querida.
Mas como eu,
que ja não teme
tremendo fim,
vivo preso no sofrimento,
desse não acabar.

Não temo a loucura
ela que me perdura.
Sou um ser imaculado,
sempre o mesmo em
qualquer lado.

À procura da sanidade
esqueço o ego que vive
em mim.
Começo a sonhar acordado
Não vivendo chegando ao
fim.

Como doi o pensamento
invadido de tantas sensaçoes.
é pouca a alegria,
mas abunda a hipocrisia.
É dor sem cura alguma,
doi até a urna.

Agora até a escrever
doi no coração
Cada letra que escrevo
é um pico
cada palavra um
apagão
Ao fim de um verso
ja não bate,
no fim da obra
jaz pela arte.

Foto de Mentiroso Compulsivo

ESPÍRITO DO MAR

.
.
.

Até longe vaguei a minha alma
Com o espírito pesado de mágoa,
O meu barco fustigado pela água
Fez dolorosa a vigília sobre a proa
Quando à noite ouvia rochedos falar
Meu corpo encrespado de frio gelado
A fome impiedosa, a comida se havia esgotado,
Sentia o sabor quente do mar glaciar
Defrontado e gasto pelas tempestades
Esmagando o meu coração com o peso da dor
Amargo destino condenado a esperar
Um amor de mulher ausente lá na cidade
Onde amantes podem viver seu amor
Consolo de amigos a festejar a agradável noite
Na mesa o vinho e o pão em risadas de alegria
Gozo e barulho na balbúrdia da cidade
Luzes na ribalta da noite em rebeldia
Não oiço nenhum som, apenas o rugido do mar
Não! Oiço um eco, um gritante gemido
Parecia vindo de um leito em voz de mulher
Mas que me trouxe de volta a realidade do mar
É o choro agudo da tempestade que se aproxima
O grito de uma criatura que é ave inocente
Tão pequena e ténue, de nítida voz de água transparente
Por entre o lamento do vento cruel e insensível
Trazido na noite branca escurecida de neve
Pelas sombras de granizo que caía no mastro
Ondas violentas a querer o seu grande ego
Da sua maior monstruosa grandiosidade
A caírem como turbilhões de lágrimas salgadas
Que o meu bartedouro não consegue vazar
E no meu barco sozinho andava perdido
Não havia gaivotas que me pudessem guiar
Ansiava só pela voz que me pudesse ouvir
Aprisionado naquele mar imenso, sem fim
Desejei lançar-me ao caminho do mar
Naquele instante vi portos distantes
Perto dos meus parentes aquém, para lá do além
Um romper de uma nova aurora de luz
Trazendo o rumor de uma nova terra
E vagueei com os amigos a caminho de casa
Esperando minha amada, ansiosa porque tardava
Livre do medo eu fiquei da longa viagem
Senti a voz que me dava a esperança terrena
E o meu coração ficou apaixonado pelo espírito do mar
Arvores verdes floresceram nas águas
A cidade bela que tanto ansiava, ergue-se no mar
Campos de flores, planícies verdejantes de amarelo
O meu espírito pairou sobre a extensão dos oceanos
Ansioso e desejoso de mergulhar em suas águas profundas.

© Jorge Oliveira

Foto de Sonia Delsin

SOU POESIA

SOU POESIA

Posso ser.
Sim. Claro que sim.
O balanço da rede me põe a
pensar.
Eu sei voar...
Sou parte desta brisa.
Um pedaço deste céu que vejo.
Posso ser os galhos a se balançar.
É só desejar.
Posso ser a música
que o tempo carrega.
Os dias de trégua.
Sou sorrisos, lágrimas.
Sou rio, mar.
Cachoeiras a despencar.
Sou festa, alegria.
Eu sou poesia.

Foto de Sonia Delsin

ALEGRIA DE VIVER

ALEGRIA DE VIVER

Não deixe que a ferrugem
corroa sua alma.
O efeito do tempo...
Aprenda a ver o sol nascendo.
Ele se levanta majestoso.
É pura beleza e promessa.
Não deixe que as dores do viver lhe tirem
o encanto.
Esqueça o pranto.
Sorria.
Abra os braços.
Gire, rodopie.
Com a vida se contagie.
Embriague-se com a simples beleza
da natureza.
Os pássaros são tão livres
na amplidão.
Nossa alma na imaginação.
Procure alegrar seu coração.

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