Imagem

Foto de Helder Duarte

Minha mulher

O amor conjugal

Flor do meu campo és
Tu minha irmã do jardim,
Onde nasceste naquele dia enfim!

Onde ambos fomos formados,
à imagem de pessoas três.

Por ele fomos amados,
E assim em amor criados.

Para estar no Éden jardim.
Do meu lado foste tomada,
Sim minha esposa amada.
A quem eu tanto amo,
E por ti tanto clamo.

Porque me és tão querida,
De valor tanto e tanta vida.

Tu mulher valorosa.
Mais rica és que o ouro,
Deste mundo inteiro sim.

Tu minha pomba branca,
A quem eu tanto adoro.

Estás sempre do meu lado.
Contigo minha alma canta.
A canção eterna assim...

De modo que os dois,
Vamos voando mais alto,
Que a terra de hoje.

Tu és linda como a rosa,
Da qual emana um perfume...

Naquele alto planalto. ..
E vais subindo, subindo...
Ao céu de uma forma maravilhosa.
Que a nós aos dois une.

Teu corpo e um navio,
Que em maravilhosas águas,
Nos leva às mais altas terras do amor,
Que neste mundo já se viu...

Sim tu flor da madrugada. ..
Mulher muito amada!

Foto de carlos alberto soares

BRUMADINHO

Ela descia lamacenta
Forte e lenta
Destruindo tudo em frente
Em sua volúpia demente

Matava gente
Que inocente matava a mata
Matava os bichos, que morriam com sua morte

Na matança
Provocada por ganância
Morriam sonhos como os meus
Morriam outros definhados por perderem entes seus

Descia dinheiro sujo,
Cujo custo mata o rio
Morre o peixe, morre a margem
Como é triste tal imagem

Morre eu, morre você, morre quem de fato morreu
Neste crime ambiental
Morrem eles de morte e morro eu de desalento

Morre quem falou e não foi ouvido
Morre também quem não escutou
Morre quem trabalhava pra buscar vida
Sem saber que levava morte

Morre o rio que eu amo
Sempre lá estava pescando
Já não tinha muito peixe
Por matarem suas águas

Morre a toca e a alegria em sua volta
Morre o dourado e o Surubim,
O piau e o mandi
O pacu e a piranha
Morrem por insaciável sanha

Morre aos poucos Brumadinho
Com a riqueza que vem das montanhas
Pouco a pouco... Semana a semana
Lhe arrancam as entranhas

Ironia do destino (será?)
O vale hoje é de morte
A morte é da Vale
Diante cifras a vida pouco vale

No choro que faz perder o sono
Choro o triste abandono
Da vida em favor do lucro
Onde a lama fez sepulcro

Chora Brumadinho, chora eu
Chora o mundo,
Choro de compaixão
Desce a lama pelo córrego do feijão
A riqueza retirada das montanhas
Se desfaz em cada queda
Que segue rumo a Paraopeba

E que Deus proteja Brumadinho e seu povo amado
Seu Rio, sua cultura e sua vida
Proteja o vale, destruído inconsequente pela vale
Deus tende piedade!

Foto de Rosamares da Maia

CARTA A FERNANDO PESSOA

Rio de Janeiro, 26 de maio de 2015.

Meu Caríssimo Fernando,

Nesta manhã como em tantas outras estou solitária e feliz por desfrutar da minha própria companhia. Sim, pois pretensiosamente ou não, estar acompanhada de mim mesma é o que hoje me faz feliz. Principalmente porque estar comigo, mesmo que transitoriamente, me conduz a você.
Nesta manhã, enquanto vejo a fumaça do café galopar o ar, aguço todos os meus sentidos e lembro-me de você, como se estivéssemos compartilhando a mesma mesa, as fatias do mesmo pão. Na realidade já não como, mas, continuo alimentando-me das tuas lembranças.
Fernando,
O que seria da minha vida sem conhecer-te, sem sorver das páginas cada gota dos teus escritos? Que seria de mim se não sentisse as tuas angustias, o teu amor para além dos lusitanos mares? Se não tivesse como tu compreendido os vaticínios de D. Sebastião.
Também tenho muitas personas aprisionadas dentro de mim e, ao contrário de ti, não consigo exteriorizá-los, derramá-los no tapete do quarto e depois abrir a janela, para que voem. Fecho os meus olhos e sou como Maria José – a feia, corcunda e doente. Coitada! Sempre presa à cama, diante da janela, colhendo no orvalho da manhã as pequenas gotas dos sonhos, de seu amor platônico por Antônio.
Escrevo a você cartas, como ela – As cartas que Ele jamais leu. Maria José motivo de riso ou invisível, desabrochando na exteriorização da tua solidão e tão acompanhada de tantos outros Fernandos igualmente solitários.
O que seria de mim sem refletir como Bernardo Soares:
-" Aprender a desligar as ideias de voluptuosidade e de prazer. Aprender a gozar em tudo, não o que ele é, mas as ideias e os sonhos que provoca.
Por que nada é o que é e os sonhos sempre são os sonhos.
Para isso precisa não tocar em nada. Se tocares o teu sonho morrerá, o objeto tocado ocupara tua sensação."
"Ver e ouvir são as únicas cousas nobres que a vida contém. Os outros sentidos são plebeus e carnais."
"A única aristocracia é nunca tocar. Não se aproximar – eis o que é fidalgo"
Bernardo Soares /Fernando Pessoa – 1888-1935 – in Livro do Desassossego.

Eu como Bernardo, sou fragmento do meu primeiro eu, que diariamente vem à tona para cumprir muitos papeis que a vida impõe e cobra, mas, aqui nesta pouca solidão com a qual a manhã me privilegia, consigo fechar os meus olhos e desfrutar da tua companhia, me aproprio de ti e te ouço soprar em meu ouvido esquerdo. Meu coração se contrai e expande dentro do meu peito e uma profunda saudade se apodera dele, me levando ao mergulho em um tempo que não vivi – o tempo de te encontrar.
Vamos a Livraria Lelo & Irmão, sentamo-nos a tua mesa preferida para tomar café, comer bolinhos e pensar no Mar Português – “Ó mar salgado, quanto do teu sal / são lágrimas de Portugal!” / Valeu a pena? Tudo vale a pena / Se a alma não é pequena.”
Meu pensamento associa-se a fumaça da xícara fumegante, tomadas em dimensões de tempo e espaço tão distintas e, Maria José fecha os olhos para vida com a certeza do seu amor, porque ele foi tudo que fez valer a sua insólita passagem por este mundo; Bernardo olha e se vê em ti, a mesma imagem, mas o seu reflexo no espelho tem um olhar arguto, mais crítico e menos emocional. E é assim, cada um é o que é mesmo sendo somente a derivação de uma só “Pessoa”.
E eu te escrevo esta carta, esperando que nossa conexão de espírito não seja apenas um delírio matinal de quem ainda não acordou direito e, como tu mesmo disseste, - “ Acordaste-me, mas o sentido de ser humano é dormir.”. Mas o que escrevo-te neste momento, é para agradecer-te.
Obrigado Fernando. O que seria de mim se você não tivesse existido?
Obrigado Pessoa pelo café compartilhado aqui, na minha mesa da cozinha.

Rosamares da Maia.

Foto de Wilson Numa

Insensível

Ao lhe ver sorrir acende no meu peito uma chama que me permite ver e preencher uma parte de mim
Perfeição não procuro porque também não ofereço
Cada um é imagem das suas crenças, das suas vivências e da sua atitude
Perdão ou arrependimento cada um o tem a sua maneira de pedir ou conceder
Só não quero que duvide daquilo que sinto cada um mostra de forma diferente ou cada um vive de forma diferente dia a realidade que lhe aparece a frente
Eu prefiro não levar a vida a pensar em problemas, a não pensar futuro distante, prefiro divertir-me, sem esquecer as minhas responsabilidades
Não me arrependo de nada, não creio ter ferido os teus sentimentos ou a ti
Daí que não passo tempo a me desculpar, a sensibilidade de cada um é para ser respeitada
Talvez seja eu o insensível, e não perceber aquilo que faça de errado
Então deixo a última palavra para si, seja o que você quiser

Foto de Jardim

suave, reluzente

suave, reluzente; era assim que guardava
tua imagem sob o mármore negro da noite.
dias e quilômetros nos separavam,
restaram inquietações no horizonte oblíquo
das interrogações, limites projetados
nas minhas mais arrogantes ambições.
muita coisa mudara, delicadas esperanças,
inexplicáveis emoções, minha paz desaparecia,
minha calma se dissolvia, calculava tempo,
distâncias, particularidades, horas a fio
te imaginava sob o céu sedoso cor de cobre.
a ansiedade tem nome de mulher
e preta é a tarja da caixa que guarda
o sono dos anestesiados.
sonhos se confundem com fragmentos
da realidade confusa e resquícios
de amnésia, reticências do inefável.
vestia-me, olhava o espelho, nas mãos
as chaves, o cotidiano, a procrastinação.

Poema do livro Diários do Desassossego
A venda em http://sergioprof.wordpress.com
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Foto de Jardim

MARTA

nos olhos vermelhos de marta
as frases do seu discurso sem nexo,
a lembrança de que a vida é breve,
seu querer não querendo, seu sexo.

no riso histérico e romântico
de marta a dor, a revolta e a coragem.
a certeza de que suave é a noite
e nos espelhos a sua imagem.

nas mãos geladas de marta
o tempo de que já não dispomos,
a urgência de que um deus venha
e que não lembremos mais de quem somos.

Poema do livro Filhas do Segundo Sexo
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Foto de Minha_Historia

Seus cabelos vermelhos (Criado em 22 de junho de 2016)

O vermelho simboliza a paixão
Em seus lábios esse batom vermelho afloram meus instintos
Só penso em beija lá
Seus cabelos vermelhos reluzem como a chama que arde em peito
Já não tem mais jeito
Não tem como voltar atrás
Sou capaz de cometer loucuras inimagináveis
Pra sentir o calor do seu corpo
Em um abraço bem demorado
O inverno chegou trazendo o frio
Deito pra dormir pensando em nós
Ao acordar me encanta com sua imagem
Num áudio, ouço o som da sua voz me chamar
Seu sorriso maravilhoso ilumina minhas manhãs
Oh dama de vermelho
Me olho no espelho e ja me vejo em seus braços
Ganhando os mais doces beijos
Repletos de carinho
Já não estou sozinho
Você já faz parte de mim
E nôs completamos
Em todos os sentidos

Foto de Minha_Historia

Conflito de ideias ( Criado 17 de julho de 2016)

Bom dia meu amor
Que esse dia seja de paz e harmonia
Minhas manhãs se tornaram mais alegres
Desde que entrou em minha vida

Se as vezes não sei me expressar com palavras
Quando me olha nos olhos acaba a confusão
Sou direto e verdadeiro quando digo
Que é por você que meu coração bate

As vezes me falta paciência
Mais me sobra segurança
Seus gestos e palavras
São de esperança que teremos um futuro melhor

Já passou da hora de eu retribuir
Tanto amor e carinho que tem me dado
O fardo não é pesado e farei de tudo
Pra apagar a falsa imagem que eu te passei

Vem pra perto
Sinta meu coração palpitar
Vem deixa eu te abraçar e beijar
Vou te mostra que ao meu lado é seu lugar

Foto de Arnault L. D.

Infinitésima

Amor, somente a palavra
já abre uma luz... e é luz.
Uma brisa a soprar nuvens,
que naco de céu já livra
do não azul, que não fez jus
e nos sequestra de reféns.

Mas, foge apenas a menção,
e incide um lusco-fusco,
hiato entre sol e lua,
à vida e morte, faz seção.
No infinitésimo busco
o ar da palavra sua...

Amor, intangível fato,
que contrasta de nuança
o imaginário na imagem,
no retrato o abstrato.
Verbo que ao falar se lança,
e muda os ventos que agem.

Foto de Ivone Boechat

À mulher

Mulher, nunca desista
de ser campeã na olimpíada
dessa correria,
amanhã tudo será melhor:
os filhos crescem,
as lutas rejuvenescem,
você está cada dia
mais linda e maior.
Mulher, vai de cabeça erguida,
porque o Senhor não erra,
tinha que honrar sua imagem,
primeiro fez o rascunho
de um ser superior,
refez o projeto,
fez seu veto divino,
retocou,
multiplicou
a dosagem de amor,
refez a embalagem:
no modelo anterior
não cabia
esse gigante
interior.

Ivone Boechat

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