Noite

Foto de Carmen Vervloet

ROSA DESFOLHADA

Desnudo minh’alma nestes versos...
Triste e angustiada desfolho
minhas pétalas na noite vazia,
sou rosa pálida que murcha a cada dia...
Perco o viço, a maciez, a energia,
murcho, murcho, murcho
e solto minhas pétalas sobre selvas de pedras,
ou desertas pradarias...
Múltiplos pensamentos, tristes sentimentos,
sem sol, sem brisa, orvalho e hospedaria!
Vago inquieta por entre correntes de vento,
em lamento!
Volto ao meu jardim e
grito, grito, grito por um naco de afeição...
Morro sem carinho como quem morre de fome,
à míngua, sem um pedaço de pão!...

Carmen Vervloet

Foto de Nailde Barreto

"Dublê de mim".

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Dublê de mim

Novembro de um ano qualquer, manhã de um dia normal, marcado pelas cenas ousadas, pré-meditadas, calculado a rigor todo o risco para sair da rotina.
Então, de preto e lilás florido, decotado, dando forma às nuances das costas, caminhei para fora... E, o traço fino que delineava o meu olhar, ajudou disfarçar a ansiedade, fragilidade que fez o coração disparar. Mas, por entre a pequena multidão, ao longe, pude ver com precisão, a pinta preta, do lado esquerdo de uma face, até então, desconhecida!
Igual, diferente, surreal, loucura, pipoca sem sal, wisk puro com gelo, derrete a euforia – falsidade, simpatia – alegrando o momento, cujo efeito faz despir o corpo de um coração blindado.
Quem ouve falar, logo pensa: esse filme é lindo! Mas, basta refletir no contexto do emaranhado do novelo para entender que o principal é apenas um dublê de mim, de você. Principiantes, atuando numa trama com roteiro de palavras invisíveis...
Findou à tarde, adentrou a noite, e, o filme da vida real continua a ser produzido, mocinho e bandido, parte do sonho quebrado, e, mesmo blindado, coração pode ser violado, sem chave, segredo visível no seu olhar, preocupado!
Outrora, pensei que a felicidade pudesse acontecer...
Estranho a metafórica confusão, frases bonitas, paisagens, tudo lindo, afinidades, “feira-livre” de emoção. Terá sido isso, negócio de amor?
A priori, não há o que corrigir, pois, tudo agora é paisagem, pendurada na parede da sala, TV ligada, replay do filme, quer seja profissional ou amador, parte da vida que passou, entra em cena o dublê de mim, para não chorar e sufocar a dor.

Nailde Barreto.
25/04/2011

Foto de Carmen Lúcia

Um dia, em outro tempo...

Sei que um dia me amarás, enfim...
Nem que seja tarde e o longe não tenha fim.
Tarde? Longe? Fim?
Palavras insignificantes pra mim.
O que são meses, anos, séculos,
para um amor que não desiste
e persiste mesmo camuflado,
resguardado, ignorado...
resistindo às mutações do tempo,
frio, calor, chuva ou vento,
ao relento...
ou mesmo aos furacões,
às incisivas paixões,
sem ter onde ancorar,
sem teu abraço... Só, a te amar?

Ver mudarem as estações,
movimento de translação,
a rotação do planeta,
que o dia e a noite fomenta,
aumentando a nostalgia,
vendo o tempo passar veloz,
redemoinhos girar emoções,
multiplicar sensações
que se enroscam ao vento
e não se deixam levar
querendo comigo ficar.
E eu, num triste lamento,
vendo a vida, sozinha, passar...
Que importa que a vida passe?
Meu amor resistirá a esse impasse
até que o infinito ultrapasse
e te alcance do lado de lá...

(Carmen Lúcia)

Foto de Carmen Lúcia

Amor sem fim...

Não creio que tenha tido fim...
Tua presença está eternizada na saudade que ficou.
Sinto-te em cada canto de mim,
a luz de teu sorriso ilumina meu amanhecer...

És o olhar da noite escura , intérprete do luar,
o vento fala tua voz e teu hálito vem me soprar...
És a brisa que me beija, canção a me embalar,
vejo-te Deus em minhas preces a me escutar,
a desvendar caminhos
sendo ponte para eu passar.

És as cores a bailar nos horizontes,
o matiz de onde surgem os amores...
encontro-te nas águas dos mares,
no ápice das montanhas,
sobre os santificados altares,
no frêmito de minhas entranhas...

Sei que me esperas...
Mesmo em outra esfera, nova era.
Amor assim é infinito,
lavra a alma... inferno e paraíso,
misto de divino e profano,
certeza a superar enganos...
Sentimento que vai se aprofundando
e pelo universo se perpetuando...

Amor assim
é princípio e meio...Sem fim.

Carmen Lúcia

Foto de Marilene Anacleto

Sono

*
*
*
*
O sono derruba a cabeça
Que quer escrever mais um pouco.
De dia não dá mais tempo
Nesse mundo torpe e louco.

Nada pára no tempo.
Os rios, as flores, o mar
Amanhecem diferentes.
Mas eu? Preciso descansar.

Dormir é morrer.
Não é certo que se vai amanhecer.
Por isso as plantas não dormem
E pela manhã, novos brotos e flores.

O Ser, numa infinita graça,
De dia põe-se a labutar.
À noite, numa esplêndida aventura,
Passeia idéias, sonha momentos de amar.

A mente cala e o corpo se entrega,
Muita luz agora o corpo habita.
Traz à tona mãos, e talentos e venturas
De um encontro são, rico e infinito.

Marilene Anacleto

Foto de KAUE DUARTE

Quando a alma se divide

Foi como as nuvens
Que se juntam para fazer chover
Regar a terra
Criar raizes
Ser apoio ao arco-íres
E depois se separar
O bom motivo é quando as nuvens se disperçam
Raia o sol quando é dia
E aparecem as estrelas quando é noite
Somos como as nuvens
Ora negras
Outrora de algodão
pois nasceram para serem levadas
pelo vento chamado DEUS
Uma lágrima não pode
Mudar ou inverter um quadro crítco
Nem retroceder um placar desanimado
Mais ensina que a derrota
É um segundo lugar num jogo à dois
A unica derrota é nunca ter amado
É nunca ter tentado amar
Mais nisso não erramos
Nos amamos
Só foi no tempo errado
Nas expectativas de novidades
Procurando amor e felicidade
Nos destroços de uma devastação
Encontrei a semente da alma
Que fez nascer em mim
Vida...

Foto de Diario de uma bruxa

Eclipse

Não pela escrita
E sim pelo nome
Entrego-lhe minha vida
Estrela do horizonte

Aquece-me o dia
Estrela distante
E quando é de noitinha
É no poente que se esconde

Deixa-me sozinha
No céu brilho toda noite
Em quatro fases eu vivo
Sou mulher
Compreenda-me eu te amo

Não posso mais ficar sozinha
Estrela do horizonte
Venha faça-me companhia
Aqui no céu
Venha sol... Visite-me esta noite

Poema as Bruxas

Foto de Cesar Jardim

Despedida

Nesta noite eu posso ver as estrelas,
nesta noite eu posso te ver brilhar,
Escute o que eu tenho a lhe dizer,
para talvez depois me perdoar.

O tempo pasa tão depressa,
o tempo voa e corre em suas mãos,
O que será que estamos esperando,
pra decidir o que nos diz a razão.

Olhe agora dentro de sí,
sinta o seu coração bater,
Pense em nós dois e volte a sorrir,
nunca é tarde para deixar de sonhar sem fim.

Não faça a escolha errada,
pra se arrepender depois,
Siga apenas,
O que o seu coração lhe diz.

Mesmo estando tão distante,
ainda ouço a sua voz.
Ainda olho o seu retrato,
mesmo estando tão longe,
sei que ainda espera por mim.

Meus dias custam a passar,
Só consigo pensar em você e nada mais.
E nada mais me alegra mais,
em saber que você ainda me ama.

Foto de Lorenzo

Nóis é pobre e nós somos "ricos"

Comu teim genti bura
Resorveno os póbrema
Enquanto, nós poetas
Enfrentamos nossos dilemas

Nossas criança se mata di estudá
Dimanhã iscola, di tardi trabalhá
Nós na faculdade nos instruindo
Para mais tarde a esses explorar

As pele tem manxa, os dente tem cári
U cabelo é cri-cri e o corti custa um vaule
Nossas mulheres com perfumes importados
E os seus filhos fazendo pegas de carro

Eles falu tudu errado
Iscrevi ainda pió
Você ri da ignorância deles
Por que você seria melhor?

As rôpa é di mal gostu, pele preta e o cabelo lôro
Os pescoço vive enfeitado, cheio de folhado de ôro
Nós temos montblanc, rolex e armani, tudo do mais caro
E gastamos numa noite o que lhes leva um mês de salário

Eles xama baiano, paraíba, cabeção
Xinga eles que eles num liga não
Nós somos superiores então?
Só porque tivemos mais "educação"

Eles são pobre, burro não sabe se arrumá
Mas eles aprende no barraco que se deve respeitá
Enquanto nossas crianças lá no play a brincar
De como se faz o filho de uma empregada chorar

Nóis é simples, não tem curtura e nem foi letrado
A gente quer oportunidadi di sê bem tratado
Nós queremos ser mais que eles, humilhá-los
Cultos tem de ser os bons. Pobres: jamais educa-los!

E nóis paga tanto imposto que nóis nem sabe de onde é
E bota a cupa nu guverno, o feijão tá caro púquê eles qué
Nós rimos fazendo riqueza com o suor de seus rostos
Sonegando do governo o que eles pagam em dobro

Meu filho pidiu um sapato de natal, mas tá caru dimaís
Num vô dá não, foi assim que meu pai mi tratô
O meu quer um novo computador, que droga!
Nem tem aqui, mas pelo e-bay vem do exterior

As palavra eu num sei como arruma pra ficarem bunita
Mas eu digo que amo minha nêga lá em casa
Meu vocabulário é perfeito, tenho perfeição na gramática
Mas só trato minha mulher na base da pancada

Ganho pôco, mas pago tudim o qui eu devo
Até devôvi a cartêra dum dotô que incontrei
Eu passo a perna em quem posso
Achado não é roubado e eu achei

No meu verório têvi muita gente choranu em vôta do caxão
Imagina como fico]ô meus filho qui amo di coração?
No meu enterro lápide de granito, letras em ouro na oração
Mas pra se despedir do corpo, só o coveiro, porque é sua profissão.

Lorenzo Petillo.

Foto de Anderson Maciel

SEM QUERER QUERENDO

Sem querer querendo entrei aqui
demasiado em loucura, me perdi
teus braços sedutores me movem
não vá embora... preciso de você

Durante a noite os passos são vazios
e a dor afroxa a minha alma
com gemidos inespremiveis
de um coração estraçalhado

Não vá embora mas fique aqui
preciso de você para continuar
não viverei neste mundo sozinho
sem ter você como motivo para amar. Anderson Poeta

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