Noite

Foto de Anderson Maciel

A SUA NOVA HISTÓRIA

Durante uma noite fria e escura
meu ser está fraco novamente
te peço não vá embora, mas fique
sem você perderia o compasso...

Indo em lacunas de guerra interior
sem você é como uma dor fertil
que abala meu temido e terno ser
de uma vida fútil sem argumento

Fique comigo nesta noite escura
abra seus braços e beije-me
me toque com seu negro poder
e faça de mim a sua nova história. Anderson Poeta

Foto de Zoom onyx sthakklowsky kachelovsky kacetovisk

Alvorecer.

Acordei com o canto de um bem-te-vi, que mais parecia gritar meu nome. Sono tempestuoso, conturbado feito concerto dos Sex Pistols. Mas ao despertar, percebi que havia sido apenas mais uma noite mal dormida, assim como tantas outras.
Diante dessa certeza, verdes montanhas emergiram do Céu ao meu redor. Me apressei a encher minha atmosfera com paisagens distantes que ainda não contemplei. Visualizei um lago sereno e sete verões, toquei a terra e me senti um grão daqueles grãos em minha mão.
"Colei" todo o gabarito com as respostas das questões que ainda não foram proferidas ao coração. Na sala escura da Lua, revelei um alvorecer em preto e branco, enquanto o tempo rodopiava sem controle.,

Foto de Diario de uma bruxa

Feitiço de Bruxa

Loucura fascinante
Poder tocar seu corpo inteiro
Sobre a luz da lua
Nos campos incendeio

Meu corpo... Toda nua
Seduzo e causo devaneio
É feitiço de bruxa
Sobre a minha conduta
Vou te afogar com meus beijos

Agora não fuja
Junto com a luz da lua
Transformarei sua noite
Em um louco, mas gostoso
Pesadelo

Poema as Bruxas

Foto de Marilene Anacleto

Sonhos Dourados

*
*
*
*
Quando estou muito saudosa
Invadem meu quarto, as rosas
Trazem-me inebriante perfume
De Maria e Seu lume.

Então cubro-o com Seu manto,
Embora a grande distância,
Azul de estrelas salpicado
Trazem-lhe sonhos dourados.

Música inaudível dispara
No coração, peça rara
Quando sua alma lhe toca
Terno manto feito ponte.

Chega a mente racional
‘Não vês que não és normal?
Ele não saberá deveras
As horas que lhe devotas.’

Invade-me a dúvida assassina
De mensagens tão divinas
Retorno a mim com as rosas
Que ainda pairam no ar.

Se ele sentirá, não sei
É certo que lhe enviei.
Com o manto feito ponte
Cubro-me durante a noite.

Abençoam-me sonhos dourados
No coração extasiado
Creio que do outro lado
Sonha também meu amado.

Marilene Anacleto
02/07/00 – 23:35

Foto de betimartins

O jovem lenhador e o ancião

O jovem lenhador e o ancião

Durante meses e farto de maus tratos um filho de um lenhador ainda novo, resolveu sair de casa e caminhar pelo mundo fora. Era um rapaz robusto, forte, sempre gentil e educado, apenas com uma muda de roupa, um velho cobertor, um prato de barro, dois talheres, uma panela pequena, e um copo de lata já tão torto que nem se reconhecia.
Tudo isso eram as suas posses, dinheiro ele não tinha, mas pensava que seus dois braços eram fortes e sua vontade de trabalhar era grande também.
Logo ele caminhou por caminhos nunca antes vistos por ele, tudo era completamente novo e até a saudade dos irmãos ficava para trás, apenas lembrava-se de sua mãe cansada e desgastada e sentia compaixão de ter a deixado, respirando fundo desviou os seus pensamentos e seguiu em frente. Sorrindo sempre, ele ia lembrando-se dos bons momentos passados e parecia que estava também se despedindo deles também. Por momentos a dor dos maus tratos do seu pai veio à mente e apertou seu coração, era melhor ter vindo embora que lhe faltar ao respeito.
Tudo que sua vista visualizava era algo que ele nem podia descrever, a paisagem estava mudando, logo estaria perto de uma cidade coisa que ele nunca viu na sua vida apenas numa folha de um jornal velho que achou pelo bosque e que teve que esconder, pois seu pai proibia tudo que fosse livros ou algo ligado a eles, dizia que era coisa do diabo e das tentações.
Passados dias de caminhar, dormir em locais variados, comer o que dava a natureza ele sentia um homem feliz e liberto da escravidão, tudo valia a pena por novos horizontes afinal ele tinha sonhos e o seu maior sonho era aprender a ler. Aquele bocado de jornal sempre o deixava ansioso, que queria dizer todas aquelas letras se ele nem o seu próprio nome saberiam escrever.
Apenas sabia que se chamava João Rodrigues, era o nome do seu avô que morreu muito novo era ele ainda um menino com tuberculose apenas lembrasse-se da tosse compulsiva nada mais.
Ele sabia o que queria e logo chegou à cidade, cheio de esperança, ele procurou trabalho e logo achou numa estalagem que veio mesmo a cair bem, os donos o deixavam dormir nos estábulos dos cavalos. Não era muito pior que sua casa, ele aprendeu a trabalhar com ferro, o velho da estalagem ensinou a tratar dos cavalos, ver e reparar as ferraduras e fazer novas também.
Como ele era educado e gentil depressa aprendeu o novo oficio logo todos gostaram dele até a filha mais nova dos donos da estalagem, logo ele descobriu os encantos do amor, entregando-se aos desejos da luxuria e depois conheceu o ciúme e afagou suas dores em copos de vinho retardado e azedo. Deixou-se afundar por mais de cinco anos, entre bebedeiras, brigas, até seu trato com as pessoas piorou ao ponto de ser despedido.
De novo ele pegou nas suas coisas que eram ainda mais leves, pois perdeu tudo e até a sua dignidade e voltou a caminhar pelo mundo fora.
O ar frio, do inverno gelava suas veias, as poucas vestes pareciam colar em seu corpo magro e maltratado pelo álcool e má nutrição. A sede secava sua boca e a fome era pouca, apenas queria um copo que aquecesse a alma e fizesse esquecer a vida sofrida.
Caminhou por montanhas, pensando na sua vida, nunca parava, aprendeu a comer o que a natureza dava, seja o pouco que para ele, era muito.
Cansado de mais um dia a caminhar, a tarde estava indo embora e ele tinha que arranjar lenha e um lugar abrigado para ficar. Estava no alto de uma grande montanha, não resistiu e sentou-se bem no pico ela, olhando para o horizonte.
Por instantes ele pareceu ver sua família, por instantes ele parecia ter saudades dos maus tratos do seu pai, era tudo tão estranho, parecia que estava sonhando, caiu uma lágrima pelo rosto e chorando ele sabia que tinha perdido tantos anos sem alcançar seu sonho.
Adormeceu ali, quase que poderia cair, bastava ele desequilibrar, sentiu uma mão quente em seu ombro abanando-o suavemente, uma voz doce e segura seria que estava a sonhar.
Depressa abre seus olhos inchados, assustado, olhando-o o homem que ali estava, era estranho, tinha umas vestes estranhas um pano enrolado no seu corpo e que deixando entrar frio. Lentamente saiu do lugar com muita calma para não cair, escuta a voz do homem estranho:
- Vamos para minha caverna que lá estará quentinho e mais confortável.
Acenando com a cabeça se deixa conduzir, mas seu corpo estava cansado, muito cansado e sua alma doente e triste.
Calado apenas observava o velho que estava a sua frente, magro de cabeça rapada, seus olhos grandes e um sorriso amplo. Observou a caverna, ampla, cheia de pedra, tinha uns desenhos estranhos tipo sinais, ele não compreendia era tudo estranho.
O velho ancião leva-lhe um pouco de sopa quente, era uma magra sopa, mas quente confortava a alma e suas energias. Tudo estava no mais repleto silencio apenas se escutava o crepitar da lenha e olhava para suas chamas, logo o sono fazia suas pálpebras fecharem contra a sua vontade.
Entendendo tudo isso o velho ancião ajuda-o a levantar e leva-o para um canto que estava repleto de folhas secas e dá ordem que se deite ali. Já há muito que não se sentia tão bem tratado e adormeceu.
A noite foi estranha, sonhos e sonhos, sonhava com seus pais e irmão sonhava com a vida que teve na estalagem, parecia que tudo estava a flor da pele, assustado ele voltou a sonhar, mas ai viu a sua mãe morta num caixão, acordou a gritar.
O velho ancião tranqüilizou dizendo que era só um pesadelo que estava com muita febre, dando de beber e colocando compressas frias da única camisa que ele tinha ganhado com o seu suor.
Ali ele travou a sua luta entre a vida e morte, sabia-o, ele sentia que era tudo estranho muito estranho, apenas pedia desculpa pelos seus erros, o velho ancião sorria e dizia, teremos tempo para falar de tudo isso com calma, agora vês se dormes e sossegas.
Logo se recuperou, agradecendo ao ancião a sua ajuda, pensando voltar a colocar a caminho para novo rumo.
O velho ancião o chamou e pelo seu nome João, pedindo-lhe que o escutasse por momentos:
- João na vida não existe acasos, não te encontrei por acaso, tu foste enviado por Deus para que fosses preparado, educado e aprendesses o que eu sei. Sei que teu sonho é aprender a ler e vais aprender a ler e escrever, deixar que tu aprendas tudo o que eu aprendi e assim estarei pronto a partir daqui em breve.
João por momentos ficou quieto, pasmo, sem saber que falar que pensar, ele tanto queria aprender, mas que seria que aquele velho poderia ensinar. Olha para o céu furtivamente afinal ele queria saber mais da vida e porque não arriscar afinal ele se importou com ele ali quase morrendo. Pensou será a minha forma de agradecer o que ele fez por mim.
O velho ancião leu seu pensamento e olhando em seus olhos e em voz forma exclama:
- João se for assim por agradecimento parte e vai embora. Apenas te quero aqui por vontade própria, para que possas receber os meus ensinamentos.
De repente algo acontece, parecia um sonho o João teve uma visão, clara como água cristalina, viu a sua mãe, orando ajoelhada nos pés de sua antiga cama, pedindo pelo seu filho, com as lagrimas caindo de seu rosto. Ele viu que era ali que deviria ficar Deus a ouviu e o conduziu até ali o salvando dos pecados mundanos.
Agradeceu ao seu ancião ajoelhando-se e beijando suas mãos com sinal de respeito e amor.
Assim João aprendeu a escrever e rapidamente assimilou todos os conhecimentos do seu amigo ancião. Tornando-se um conhecedor da natureza e aprendendo a ligar-se com seu maior mestre Deus.Aprendendo que agradecer é a maior maravilha do homem terreno.

Foto de Elias Akhenaton

ALMA CIGANA

Ter alma cigana
É ser um pássaro solto,
Liberto, viajando sem destino
Sem lugar certo p’ra pousar.

Ter alma cigana
É adaptar-se a qualquer lugar,
É encantar com suas cantigas
À bela noite de luar.

Ter alma cigana
É ter música em seu interior,
É bailar em volta da fogueira
Com seu amor.

Ter alma cigana
É admirar a natureza
Concebida com louvor
Pelo grande Pai Criador.

Ter alma cigana
É amar a Mãe Terra
E com gana no coração,
Desbravar cada pedaço de chão.

Ter alma cigana
É deixar a sensualidade aflorar
Como uma rubra flor,
Seduzir, amar.

Ter alma cigana
Enfim, é ser do mundo,
Ter no peito amor fecundo,
Irradiar alegria, suaves poesias.

-**-Elias Akhenaton-**-
http://poetaeliasakhenaton.blogspot.com/

Foto de Marilene Anacleto

Aqui nos Beirais da Praia

*
*
*
*
Aqui nos beirais da praia,
Onde a ganância devasta,
Cresce a música mecânica,
Desaparece a passarada.

Junto dela, outros seres:
Gambás, lagartos, raposas,
O grande coral das chuvas
O canto dos grilos da noite.

A grande árvore centenária
E o seu Natal de vaga-lumes
Deu lugar a luminárias
Que não exalam perfumes.

O cheiro das madrugadas
A fluírem seus orvalhos
São agora noites tensas
Em grandes quartos fechados.

Mas quando reina o amor
Nesses quartos, em encanto,
A vida ainda vale à pena
Pelo celebrado instante.

Marilene Anacleto

Foto de Elias Akhenaton

MINHA CIGANA FACEIRA

Minha cigana faceira,
És minha feiticeira,
Àquela que encanta meu coração.
Com vestes vermelhas,
Saia rodada a rodopiar
Faz-me amar.

Sabes ler os meus pensamentos
Conheces meus sentimentos,
Minhas emoções,
Meus intentos
Minha paixão.

À noite em nossa tsara
Sob o luar,
Cantamos o mais belo canto
Ritmado pelo toque do
Amor e da paixão.

Assim, nesse perfeito dueto
Sou teu amado gitano a explorar
Tua silhueta como se estivesse
Ponteando uma guitarra
Me fazendo enloquecer.

Não viveria sem você,
Minha faceira,
Feiticeira gitana,
És minha força, minha gana
Àquela que me incentiva
Na colheita da vida,
És meu sol, minha estrela da manhã
E minha lua,
Minha amada, minha querida,
És minha vida.

Elias Akhenaton
http://poetaeliasakhenaton.blogspot.com/

Foto de fisko

Dias-conta

Vendi a modéstia à tua deficiência emocional, ridícula e quase matemática. Não me vejo ao espelho e se volto a sonhar contigo dou em maluco. Parvo amor, roubaste-me o tempo, o sentimento e a ciência de mim mesmo. Não sou ciente de mim há precisamente 56 dias e algumas horas. Sabes, por acaso, o preço disso? Um recomeçar do zero; pegar no inimaginável e torná-lo agradável, mesmo que não seja nada de nada; atirar-me aos leões dentro de um circo fechado em círculo de mim mesmo e carregar-me com as mordidelas dos animais ferozes e calar-me com as feridas; ausentar o meu nome em plateias às gargalhadas com o espectáculo “A Vida” e fazer depender a minha presença num pequeno sonho, inútil e gasto, velho e estúpido, apagado e esquecido. És desprezível agora, meu amor.
Tivesse eu palavras para te descrever o amor que sinto por ti: tão baixo e de má fé.
Tivesse eu as palavras que me roubaste: oferecia-as a um mendigo qualquer, o mais nojento e fedorento dos mendigos.
Não te quero para nada. Não te quero na minha recordação ridícula e pateta. Não te quero nos meus sonhos que já não posso sonhar mais contigo. Não te quero de maneira nenhuma.

E a saudade das tuas palavras mata-me a cada dia neste frio de verão irónico. Não havia verão sem ti há alguns anos; não havia noite sem ti há alguns anos.

Não havia eu sem ti, há 56 dias.

Foto de Edigar Da Cruz

À noite, ao luar

À noite, ao luar
Enquanto no meu colo você se aninha,
No céu a lua caminha
Com o seu brilho a querer nos ofuscar.

Respira-se romantismo e sedução,
Na terra e no ar.
Do seu sorriso, do seu olhar,
Brota amor, brota emoção.

Tudo acontece em meio a árvores e flores,
Num jardim perfumado, cheio de cores,
Tendo como testemunha o luar que nos permeia.

Ali nos amamos, nos deixamos envolver!
Abraçados, você a mim e eu a você,
Curtimos o amor e trocamos juras,
inspirados pela lua cheia!

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