Noite

Foto de Fernando Vieira

Teresina ou Lisboa

Teresina ou Lisboa
(Fernando Vieira)

A chuva que cai pela manhã
Não te deixa sair de casa
Varou a noite e até agora
Eita chuvinha que não passa

Molhei meus pés sem opção
Nem pude escolher enfim
Chuva que chove de montão
Porquê me molhaste assim?

Um cheiro bom de terra fresca
Proporcionado pela água
Fenômenos da Natureza
Que vão lavando a minha Alma

Aos poucos ela vai cessando
Se escoando sem ter pressa
Eu fico aqui observando
O Sol se abrindo em uma fresta

Seus raios agora são visíveis
Tão graciosos a formar
Um imenso e belo arco-íris
No céu se pode contemplar

Caneta e papel na mão
Estou aqui a escrever
Não importa a sua região
A chuva chega até você

Teresina ou Lisboa
Brasil ou Portugal
Vou escrevendo numa boa
Criando um verso bem legal

Foto de Lucélia Lima

Eu sou assim...

Eu sou como a luz
Que você olha e ilumina
Eu sou como o vento
Que toca seus cabelos
Eu sou como a noite
Que guarda teu sonho
Eu sou seus lábios
Que fala palavras doces
Eu sou o sopro da boca
Que leva o vento
Eu sou os olhos
Que você teima não olhar
Eu sou o sorriso
Que você sabe mostrar
Eu sou a mão
Que delicadamente segurou
Eu sou o vazio
Que só você me deixou!

Lucélia Lima
29/01/2007

Foto de raziasantos

Para meu anjo!

No calor do verão preparei nosso lar.
Arrumei sua cama com finos lençóis.
Arrumei a mesa com seus pratos preferidos,
Aromatizados com finas ervas.
Tirei suas roupas do armário para lavá-las,
E perfumá-las.
Sentei-me a mesa e te esperei para almoçarmos...
Você não veio, fui para janela e com olhos ansiosos
Procurava-te, mas você não apareceu:

Desfiz a mesa, e esperei pelo outono:
Colhia as mais belas e exóticas frutas.
Preparei-te uma linda cesta, novamente troquei os seus lençóis.
Convidei seus amigos para te recepcionar tudo em vão você não veio.

A saudade apertava, nossos amigos dividiam comigo minha dor.
As tardes eu ia para o jardim e ficava olhando os pássaros voltarem para seu ninho.
Eles nunca estavam sozinhos, sempre em bando, catavam felizes enquanto nas arvores se ajeitavam.
Eu ali solitária te esperava...

Eu sabia que chegaria o inverno, que você viria!
Entoa ascendi à lareira, para aquecer teu quarto.
Troquei os lençóis coloquei seu cobertor preferido, abri as janelas, e lavei as cortinas.
Fiz uma mesa com guloseimas de sua preferência, sem esquecer-se do chocolate...
O inverno passou e contínuo te esperar.

Eis que chega a primavera, os pássaros voltam a cantar, as os arvoredos florescem.
Tudo se faz novo,
Pela manhã ainda cedo eu colho as flores molhadas pela brisa da noite.
Enfeito toda casa coloco em seu quarto lírio que são sua flor preferida.
No suave perfume da primavera e na alegria dos cânticos dos pássaros, espero-te!
Ao findar a primavera, ficam um rastro de folhas secas espalhadas por todo jardim.

Eu ali no vazio dessa longa espera continuo a te esperar.
Entre as folhas secas minhas lagrimas de saudade.
Que dor insana me esmaga! Ando pelas ruas vejo fome e miséria.
Penso onde meu filho esta.
Estarão entre os anjos da rua, anjos que não podem voar...
Estará vendendo seu corpo, entre choros rangidos da alma sem paz!
Meu coração dilacerado, uma dor que nada se pode comparar.

Jamais deixarei de te procurar, sei filho amado um dia há de voltar!
Nesta espera passa-se primavera, verão outono, inverno.
meu anjo estarei sempre a te esperar até que meus olhos
fechem estarei á tua espera.

Dos meus olhos as lagrimas secaram de tanto chorar.
Filho onde você esta?

Foto de betimartins

Desenhei-te amor.

Desenhei-te amor.

No meu leito de lençóis brancos
Onde o calor do amor e da paixão
Eu desenhei-te com as cores do amor
Entre beijos e palavras sussurradas
Entre o silêncio da noite, observei-te
Vi cada pedacinho teu, teu peito inquieto
Teu olhar, que quer arrancar de mim
Todo que o tenho e toda a minha alma
Senti cada demonstração do teu amor
Levou-me ao mais belo mundo, um mundo
Que é só nosso, numa cama perfumada
Deixas-te sem rumo, perdida em ti
E perdida eu quis desenhar-te a ti
Desenhar o amor que eu senti
Foi buscar as cores do arco-íris
Trouxe comigo a natureza em bruto
Foi buscar os perfumes do mar
E trouxe o som dos rios a correm
E na minha tela eu, te desenhei feliz!
Pintei estrelas que brilham em mim
No mais belo rasto de luz. Vivo e nosso.
Entre explosões de amor eu descrevi
Aquele que só tu eu podemos sentir
No nosso quadro pintado e único
Bem guardado no nosso coração
Que cada dia continua mais apaixonado...

Foto de Crucruzinha

Amo-te

Amo-te!

Um dia deitei-me, lavada em lágrimas e transtornada, sem paixão e sem esperança. Nesse dia jurei que não mais me declararia a ninguém, que não mais amaria ninguém porque não existiria alguém digno do meu amor. Essa noite, todos os meus sentimentos de amor, loucura, desejo e ardor apagaram-se sem saberem se algum dia voltariam a reacender-se.
Não mais me esquecerei dessa noite, da minha dor, da minha mágoa e do meu desejo de me tornar frívola e impenetrável para qualquer pessoa.
Dias depois voltei a viver. Sempre calma, sempre calada e dorida no meu interior. Contentei-me com o meu canto sem chamar à atenção, sem chamar o coração à razão. E assim fui vivendo. Como um robô, como um objecto sem sentimentos a mostrar.
Meses depois, no momento em que decidira que viveria sem amor na minha vida, tu surgiste vindo do nada. Olhaste-me nos olhos e vi que me desejavas e não querendo admiti-lo também eu te desejava. Queria que me pegasses e abalasses o meu mundo, que me levasses para o local mais alto e profundo que alguma vez poderia existir no universo. Mas sabia que não poderia ser assim, que os nossos desejos eram diferentes. Mas envolvi-me. Entreguei-me ao fervor do teu corpo e fundimo-nos como uma primeira vez deve ser. Amamo-nos de maneira apaixonada como se nos conhecesse-mos desde sempre e durante horas adorei a sensação.
No final, pensei "Este é o fim. Diz adeus e vai-te embora.", mas nesse momento tu tocaste-me de forma diferente. Abraçaste-me e beijaste-me na testa. E por longos momentos ficámos abraçados. Eu não sabia o que fazer, nem mesmo o que dizer porque não entendia o que se estava a passar.
Quando cheguei a casa chorei porque aquela sensação de segurança e carinho tinha desaparecido. E depois sorri ao recordar os nossos momentos picantes e tão doces. Mas eu sabia que devia impor um limite e não mais me aproximar. Tu serias um perigo para mim. Tanto poderias ser a minha salvação como a minha desgraça total e por isso quando me pediste para estar contigo de novo eu recusei e comecei a inventar desculpas, tanto a ti como a mim para não cair em tentação. De pouco me serviu porque em menos de um mês voltei a encontrar-me contigo e a reviver momentos fogosos e calorosos, seguidos de carinho. Como eu adorava esses momentos!
Assim continuámos até que os meus sentimentos apagados começaram a querer reacender. Não podia deixar que tal acontecesse e então comecei a planear a minha fuga à tua pessoa mas aí tu surpreendeste-me de novo e mostraste-me que também querias estar comigo, não só fisicamente como emocionalmente, por assim dizer. Levaste-me ao meu primeiro encontro e demonstraste-me o que eu ainda não tinha visto, conhecido, entendido e que no entanto sempre desejei ter. Deste-me a conhecer o meu valor e ajudaste-me a reconstruir o meu coração partido. E assim fomos indo até chegarmos ao "hoje", em que já estamos juntos por 10 meses e que como tu dizes "Passou tão rápido que nem parece verdade" e neste tempo conseguimos formar algo muito importante e especial para mim. Temos uma amizade, paixão, fervor, amor... Temos o que ambos queremos e algo que eu sempre sonhei.
Por isso digo que te amo. Amo-te de verdade. Como nunca amei e como nunca julguei ser-me possível amar. Amo o teu corpo e a tua personalidade. Amo o facto de que me ajudaste a crescer, a melhorar, a "abrir-me", a comunicar. Amo o facto de estares sempre presente para me ouvires, aconselhares ou simplesmente fazeres-me rir. Amo que tenhas feito com que eu aprendesse a gostar de abraços e beijinhos a toda a hora. Amo a forma como me conheces e me fazes sentir tão bem mas o que mais amo em ti é o teu sorriso e o teu olhar tão profundos e sinceros, o teu abraço tão seguro, o teu beijo tão reconfortante e quando dizes que me adoras de maneira tão doce.
Por isso, mesmo que um dia o que construímos como namorados terminar, quero que saibas que te amei de verdade e que nunca esquecerei o que tivemos e quem tu foste. E quero que saibas também que me terás sempre como uma amiga seja para desabafar, chorar ou mesmo só passar tempo.

Foto de Lemour

Tenho uma árvore

TENHO UMA ÁRVORE

No meu jardim, há uma árvore que fala.
- Ah! Estou a sentir um ventinho fresco, o cheiro da terra está a ficar diferente.
Os seus ramos cheios de folhas abanam, uns da direita para a esquerda, outros de cima para baixo.
A minha árvore não sabe bem o que se passa, olhando para a frente e para trás escuta os sons vindos do céu.
- Ah, as andorinhas estão a passear no céu e… desaparecem. As formigas estão a recolher às suas casas. Esta noite não ouvi os grilos e as cigarras hoje não cantam.
Pensando no que via e ouvia, os ramos pareciam dançar ao som do vento que corria no ar.
- Oh! Tenho umas folhas amarelas, sinto-as leves, será que estão doentes?
Uma aragem mais forte fez soltar umas folhas. Rodopiando no ar cairam na janela do meu quarto.
E… as folhas da minha árvore iam-se soltando, rodopiavam e caiam no jardim
- Já sei o que está a acontecer, gritou a árvore, é o Outono que chegou. Pensava que estava a ficar doente.
Encostada à janela eu observava e ouvia a minha árvore, mas estava sem perceber , não sabia bem o que era o Outono.
- Pois é, daqui a dias vou ficar sem folhas, vou começar a adormecer, sem folhas vou ficar mais forte para aguentar os ventos, as chuvas, os frios, quando os dias voltarem a ficar mais quentinhos eu vou ficar maior, vão nascer mais folhas verdinhas e os meus ramos fortes vão fazer sombra.
A minha árvore virou os ramos na direcção da janela do meu quarto.
- Debaixo da minha sombra aquela menina vai brincar ouvindo ao longe as cigarras.

Lena Mourinho

Foto de Vágner Dias

Caderno Rabiscado

Procura-se um caderno.
Eu perdi um pequeno caderno, ele é muito importante pra mim.

É um caderno pequeno de capa dura, cor azul. De 96 folhas a marca é Jandaia e suas dimensões são 140 por 200 mm.

Não terá muito valor pra quem o encontrar, mas para mim tem valor inestimável.

Em sua pequena capa azul está escrito em letras grandes e pretas: dois mil e dez, seguido dos números 2010, indicando o ano. Quase todas as 96 folhas estão escritas, o caderno está quase todo rabiscado. Cada um daqueles rabiscos é importante pra mim.

O caderno todo mais parece um rascunho que foi descartado, eles também contem alguns números de telefone anotados, alguns desenhos. As maiorias das coisas que estão escritas são pensamento meus, mas ele também está cheio de citações. Como por exemplo, logo na primeira pagina tem um trecho de um poema de Vinicius de Morais, a parte transcrita é a seguinte:

Gravíssimo é porém o problema das saboneteiras: uma mulher sem saboneteiras
É como um rio sem pontes. Indispensável.
Que haja uma hipótese de barriguinha, e em seguida
A mulher se alteie em cálice, e que seus seios
Sejam uma expressão greco-romana, mas que gótica ou barroca
E possam iluminar o escuro com uma capacidade mínima de cinco velas.
Sobremodo pertinaz é estarem a caveira e a coluna vertebral
Levemente à mostra; e que exista um grande latifúndio dorsal!
Os menbros que terminem como hastes, mas que haja um certo volume de coxas
E que elas sejam lisas, lisas como a pétala e cobertas de suavíssima penugem
No entanto, sensível à carícia em sentido contrário.

O mais triste é que havia um conto, que eu não salvei em nenhum outro lugar, eu já estava passando a limpo, ele estava quase terminado. Era um bom conto de Amor que falava sobre meus versos simples.

Eu vou comprar outro caderno igual, tentar reescrever o conto, mas já não é mais a mesma coisa. Estou realmente triste, o sentimento de perda é muito grande. Eu nunca pensei que iria me ver triste por algo assim. Mas eu acabei enchendo os olhos de lágrimas pelo caderno quando minhas esperanças de encontrá-lo acabaram. Voltei a todos os lugares possíveis, refiz meus passos tentando encontrá-lo, mas foi complicado, porque eu o levava para todo lugar, tirava-o da mochila como num ritual e começava a escrever, às vezes passava horas. Quando não tenha nada para fazer no meu estagio. Eu nem sentia, meu caderno era tudo.

Eu estava me imaginando um dia, daqui algum tempo, folheando um livro qualquer e reconhecer o meu conto, ou alguma frase minha. Que agonia que sinto, principalmente pelo fato que alguém possa terminar o meu conto da maneira como eu não gostaria que ele terminasse. O conto que eu estava escrevendo, e quase terminando, falava sobre meu amor por uma pessoa atualmente. É narrado em primeira pessoa e trata de alguém que às vezes passar a noite inteira sentando na minha cama ou na sala com um papel e uma caneta na mão, entre lembranças e devaneios, decidindo que rumo tomar para sua vida a partir dali.

Então, peço que, se alguém encontrar meu caderno, trate-o com o mesmo carinho que eu o tratava e se resolver usar de má fé, se utilizando das coisas que já escrevi, por favor, não dê um final triste ao meu conto, pois não foi o que eu pensei pra ele.

Um final feliz é tudo o que peço.

Foto de Carmen Lúcia

Demo-nos uma pausa...

Inspiremo-nos no descanso divino,
sétimo dia da Criação...
Uma pequena e indispensável pausa
tão fundamental quanto
equilibrar razão e emoção
ou amar até perder a noção...

Ainda que a velocidade do tempo
nos conduza à contramão do vento
e nos permita driblar os contratempos,
pausas se interpõem nos caminhos
e se fazem taxativas, obrigatórias.
A noite é pausa para o silêncio,
a madrugada, para os sonhos,
o frio, pausa infiltrada pelo inverno,
a própria morte, pausa para o descanso eterno.

Sem intervalos a vida corre o risco de extinção.
Porém o desejo de não parar
faz do hoje, alienação,
e do amanhã, frustração,
onde o próprio ser não mais suporta
a falta de tempo e o vazio dos dias
a serem esquecidos,
não fossem os retratos a revelar
lembranças de uma espera malograda,
não relatada, pra não se humilhar ao próximo.
Pausas são preenchidas pela internet e tevê,
que fazem companhia à insônia,
deixando solitário quem dorme.

Sem uma parada a vida corre rápida,
hábil e eficiente,
porém sem perceber a paisagem que passa
e o futuro a se confundir com o presente.

No descanso do sétimo dia
Eis a pergunta que estribilha:
“O que vamos fazer hoje?”
E com certa ansiedade,
sonhamos com uma longevidade
de muitos e muitos anos...
sem nos conscientizarmos com os danos
de quem não sabe o que fazer
numa tarde de domingo...

_Carmen Lúcia_

Foto de Marilene Anacleto

Danças - 1 - Minha Alma Dançarina

Minha alma dançarina, feito dama de espadas,
Saiu a quebrar preconceitos, pôs-se a bater as asas.

Com a espada em punho repassou a vida, em fases,
Quebrou altares firmados, fez, com o corpo, as pazes.

Com movimentos sutis acordou a minha criança
E, nas danças, roda a roda, revivi muitas lembranças,

Dos tempos que ouvia a Alma sem o “outro” por fantasma,
A ditar regras instáveis, passíveis de enormes falhas.

As rodas e rodas dançantes acolhem o corpo, tal qual é,
Pequeno, grande cansado, com pouca ou nenhuma fé.

Do olhar do “outro vigilante”, entrego-me à alegria dos versos,
Dos tons e dos passos bailantes, que são o meu universo.

Ao desfazer-se da roda, todo e qualquer dançarino,
Sem idade, raça ou cor, vai pra casa feito menino.

Parte com a alma florida, a dançar com beija-flores
E, antes de deitar, à noite, estrelas são as lembranças
Da eternidade do agora, de infindos e eternos amores.

Marilene Anacleto

Publicado em: http://rotadaalma.spaces.live.com/
Publicado no site http://www.itajaionline.com.br/colunas/marilene/marilene.htm, em 31/08/05

Foto de raziasantos

Poderia ser diferente...

Poderia ser diferente.
No dia 13 de outubro de dois mil dez, por volta das dez horas da manhã.
Recebi um telefonema, era minha filha me avisando que o irmão de minha cunhada tinha sido assassinado.
Noticias como estas nunca são agradáveis, principalmente quando se trata de alguém próximo a nós.
A separação sempre e dolorosa, mesmo quando já esperada.
Então ao receber esta triste e trágica noticia sentei-me e fiquei meditando.
Eu o conheci quando meu irmão se casou com a irmã dele.
Nando era um jovem alto, moreno corpo bem malhado, um homem sedutor, educado, e muito prestativo.
Nesta época meu irmão era recém casado e foi quando ficou gravemente doente, ele tinha câncer no estomago, ainda muito jovem, mas...
Não se escolhe o nosso destino.
Foi neste período difícil que passamos que passei a conhecer Nando melhor.
Ele estava estudando enfermagem e se dedicou meu irmão com muito amor,
Nos últimos dias de vida de meu irmão a ajuda de Nando foi crucial, ele o levava para o banho trocava suas roupas, revezava com a família no hospital.
Nando era um ser de luz uma pessoa com alma caridosa.
Infelizmente se autodestruía era usuário de drogas, no inicio, maconha...
Considerada droga leve...
Meu irmão partiu, mas a gratidão pela força e ajuda em geral que Nando nos prestou jamais será esquecida.
Só que uma amizade não se constrói por gratidão.
Em cada, gesto, cada, ato, uma verdadeira amizade se constrói com pequenas
Partícula de amor ate que se transforme em amigo.
E era assim que eu o via como amigo.
Com o passar do tempo ele foi se afundando cada dia mais nas drogas.
Era casado tinha duas filhinhas lindas, mais tarde teve um filho.
O qual hoje tem três aninhos.
A família cansada de lutar desistiu dele, eu por vez poderia ter feito algo, mas
Não sei por que não fiz.
Ou talvez tenha tentado, não sei eu sempre conversei muito com ele tentei encaminhá-lo á uma clinica, mas não dependia de mim e sim dele.
Assim ele se perdeu de vez, abandonado, pela família, vendeu tudo que tinha pra comprar craque, vivia como um zumbi rondando a cidade, sem expectativas, de um novo amanhecer.
Ali sentada comecei a me perguntar o que poderia ter feito por ele.
O que deixei de fazer, como seria se ao invés de tentar tivesse obrigado ele
A ir para uma clinica:
Perguntei-me ate onde a família é responsável, como conseguir ajuda?
Não encontrei resposta, mas tenho certeza que podemos acreditar na recuperação desse pobre coitado, engolido pelas drogas, adotados por
Por traficantes que corroem a sociedade.
Eu acredito que o apoio da família é fundamental, pois meu filho era um usuário, e hoje esta limpo, veio pela dor, mas esta livre.
Infelizmente Nando não teve a mesma sorte, cavou e encontrou sua morte.
À noite fui para o velório, e encontrei toda família reunida, também os amigos da família dele também, eles choravam a perda do menino que fora criado juntos deles, eram vizinhos, que viram crescer.
Tudo estava normal como todos os velórios choro, olhares curiosos, flores que chegam amigos dando os pêsames velas...
O silencio da morte foi quebrado quando, uma das irmãs dele começou a montar uma mesa com lanches para os amigos que iriam virar a noite no velório.
Eu olhava o rosto dele no caixão estava tão sereno que nem parecia ter morrido de forma tão brutal.
Esta imagem ficou gravada em minha mente, agora ele encontrou paz.
Quando sua irmã terminou de montar a mesa, com as guloseimas, as crianças que circulavam pra, lá e pra cá inocentes sem saber do que se tratava.
Foram as primeiras a se servirem...
Mas o que mais tocou a todos foi o filho dele com dois anos e meio, ele correu pegou nas mãos da tia e pergunto dando pulinho de felicidade:
É agora que vamos cantar parabéns titia?
No silencio da morte á dor mais forte dos pobres anjinhos inocentes, seguem
Em seus caminhos incertos do dia do amanhã...
Que em teu último suspiro Deus possa ter tido misericórdia de ti.

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