Olhos

Foto de Sirlei Passolongo

Natal Sem Papai Noel

O natal
Que ilumina festas nos lares
Mundo afora
Mas há dor em muitos
Lugares...
nos olhos da criança
que inda chora
ao ouvir os sinos
Do natal
Uma lágrima em seu
Coração rola.

Chora a falta de um lar
De uma mãe para lhe abraçar
Chora a fome e a miséria
Por não poder se alimentar
Chora o brinquedo sonhado
O tênis para calçar
Chora o carrinho de plástico
A boneca para ninar.

Quanta contradição nesse dia
Brindam o nascer do Menino
E elas esquecidas ao relento
Nas mesas,
Lindos banquetes enfeitam.
Nas casas,
as luzes de natal brilham
Elas nas praças e ruas
Só possuem
A luz do sol e a lua
E apenas o lixo
Sobra-lhes como sustento
E num sofrido lamento
Choram o mundo cruel
Jamais ganharam em
Suas vidas...
Um presente de Papai Noel!

(Sirlei L. Passolongo)

.

Foto de Carmen Lúcia

Esperança

Ter esperança é não descrer,
É esperar que possa acontecer,
Probabilidade!...Possibilidade!
É andar na corda bamba sem saber...

É crer no que os olhos não vêem..
E o que vêem, só me faz descrer,
É apostar tudo o que tem, na fé
E esperar pelo que der e vier...

Esperança, realidade irreal...ou virtual,
E perdê-la?Nunca!Porque não convém...
Pois perdê-la é trucidar os sonhos
É não ter mais como viver também.

Foto de Marcella vicente

http://br.youtube.com/watch?v=m9O99Symfwg

http://br.youtube.com/watch?v=m9O99Symfwg

marcella.vicente@bol.com.br

Poema da Raivane de Oliveira Sales

Nus...
Olhos
Carne
E alma...
Entregues
Ao desejo
Perverso
Crime confesso
Delicado
Prisioneiros
Dos mais
Loucos devaneios
Que em segredo
Anseiam...
Passageiros
Dos sonhos
Mais devassos...
Sem laços
Se entrelaçam
E o amor nasce
Em um segundo
Nos olhos nus
Abismo dos amantes
De onde se atiram
Para a viagem
Mais delirante
Sem rota
Sem volta
Se misturam ao infinito
E o universo todo goza....

(Raiblue)

Foto de carlosmustang

O DEVORADOR DAS PALAVRAS...

O poeta tem um grande defeito
Tende acreditar que o mundo é perfeito!
Talves o nosso, talves o meu!
Mas o mundo do poeta, é particularmente seu.

O sonho de encontrar a musa perfeita!
A amada ideál.
"Hei amigo poeta! Não existe tal,
Assim como eu e você, ela é mortal."

Então o poeta se prende
Na sela da ansiedade!
E de passo em passo, lento
Segue no seu cavalo, o firmamento!

Sempre em lamento
Devorá as palavras!
O maior amor do mundo
Está no coração do poeta.

Ele chora e ri, através dos versos e prosas
Não tem escada pra subir...
Num jardim cheio de rosas!
E ele espera pacientemente, o prometido deleite!

O poeta não tem sombras nos olhos
Por isso o litigio em viver!
Precisa do fogo dos sonhos
Para a fria existência aquecer.

Foto de NiKKo

É natural te amar.

Hoje a saudade me acordou de mansinho
Fazendo lágrimas pelo meu rosto rolar.
Ela sussurrou seu nome em meu ouvido
e me disse baixinho: ela não vai mais voltar.

O sol que nascia colorindo azul do infinito
Com pena de mim, seu brilho escondeu.
Grossas nuvens escuras se formaram no céu
e junto com meu pranto, a chuva verteu.

O vento que estava calmo e suave
vendo como era grande a minha amargura,
forçou as arvores arrancando suas folhas,
varrendo a terra, tornou a paisagem escura.

As aves que saudavam o dia que nascia alegre,
Refugiaram-se, apressadas em seus ninhos.
Guardaram sob suas asas seus filhotes e pelo medo
a aflição dava para ver em seus olhinhos.

A flor que banhada de orvalho desabrochou,
com o peso das gotas da chuva que sobre ela caiu,
deixou que suas pétalas maltratadas e feridas
fossem levadas pelo vento forte que a terra cobriu.

O dia então retratou a minha amargura
e fez que meu coração, no pranto se acalmasse.
E eu fiquei olhando a chuva que batia na janela
até que de meus olhos nenhuma lágrima restasse.

No entanto meu coração no fim se acalmou
Por reconhecer que teu amor minha vida preencheu
Ele devolveu-me a esperança que eu já não possuía
Por isso eu reconheço, viver esse amor, muito valeu.

E assim como a tempestade que se foi
Minha alma encontra a paz após tanto chorar.
Eu te amo e não me envergonho desse sentimento
e mesmo que você não volte, eu continuarei a te amar.

Foto de Sonia Delsin

DIVAGAR

DIVAGAR

Me acalma
a alma
fantasiar, voar.
De olhos fechados viajo.
Que bom viajar!
Cortar o céu, o ar.
Sou gaivota.
Ave planando.
Sou flores do campo.
O pó da estrada.
Aquela manga madura.
Sou roupa secando ao vento...
Aquela folha morta rolando...
Sou uma chuva tão leve.
Sou o chuá-chuá
das cachoeiras.
O luar cobrindo o mundo
de prata.
O sol tingindo de
ouro
a imensidão do mar.
Sou o ontem, o hoje
e o agora.
Sou poeta.
Parte integrante do mundo
onde amo viver.
Amo pensar e voar e me
sentir um pouco gaivota,
pouco mar, pouco luar...
é só fechar os meus olhos...
e viajar.

Foto de PoderRosa

Teu Olhar...

Teu olhar me encanta, me acalanta
me seduz, me conduz
me devora, me despe
me enaltece, me enobrece
me enfeitiça, me arrepia
me acalma, me acaricia...
me encaminha para os loucos sonhos
que por vezes eu perdi e que agora, com calma,
diante do teus olhos, adormeci
e tive sonhos lindos, cheios de estrelas cadentes
onde todas só apontavam para um único lugar...
Era para seus olhos que eu preciso olhar
para que minha vida tenha mais cor e brilho,
pois é no teu olhar que sinto o abrigo
é nele que se encontra o sentido que eu havia perdido...
É no brilho deste olhar que encontro amor e paixão
e que deve seguir o meu coração...
É no teu olhar...

Os olhos são o espelho da alma, mas é com o coração que conseguimos enxergar a sua essência...

Foto de noturno_alfa

a mensagem

traço estas linhas sobre a unica das mulheres que me faz delirar de amor.
a mulher mais linda,e a mais delicada das rosas.sempre que fecho os olhos vejo-a linda,a cada dia,a cada noite.
ela e a mais brilhante das estrelas.
o meu amor por ela e tao grande,acho que morreria se deixa-me,a solidao iria
matar-me,porque o amor dela motiva-me a viver,mas a morte seria um consolo,preferia morrer ao sofrer de amor.
sei que tudo terminara um dia e ate a lembrança e a memoria terminariam se eu nao tivesse o poder de traçar estas linhas em uma mensagem.
a perenidade das coisas que no futuro serao somente ruinas esta na escrita.
a majestade dos templos ficara so na palavra,o brilho do ouro ficara so na palavra,o sangue correra so na palavra,o principe ressuscitara so na palavra.o homen volta quando seu nome fica gravado para sempre,mesmo que seu corpo seja somente cinzas.
esta e a primeira de muitas cartas e mensagens sobre esta mulher que tanto amo.

Foto de Civana

Vídeo-poema "Você"

Você

Pensar em você
é poder ouvir o mar,
sentir a areia molhada nos pés,
o vento batendo no rosto,
tirar som do silêncio...

Pensar em você
é dançar nas estrelas,
brincar com os anjos,
caminhar na luz,
cavalgar incansável no sol...

Pensar em você
é sentir o coração disparar,
os olhos incendiarem,
as mãos gelarem,
o corpo tremer...

Pensar em você
é poder amar,
sonhar,
brilhar...

Pensar em você
é saber que estou viva!

(Civana)

Foto de Lou Poulit

O CONDE GAGUINHO

CONTO: O CONDE GAGUINHO
AUTOR: LOU POULIT

Quando chegou a sua vez de jogar, o Bacalhau bateu a pedra marfim na mesa de cimento armado, das que haviam na calçada da praça, e disse espargindo saliva e cerveja para todos os lados: A minha mulher é a melhor. Sabe porque eu sempre ganho? Porque ela é falófaga ...— E desatou sua gargalhada mais destrambelhada. A estranha palavra feriu os ouvidos de todos que a escutaram, despertando curiosidade e calando o burburinho dos que jogavam em outras mesas. Todos queriam saber o que poderia significar aquela palavra, mas como todos já conheciam o jeito do Bacalhau, limitaram-se a rir, vindo alguns em seguida fazer uma roda em torno da sua mesa. Ainda restavam pedras nas mãos dos demais jogadores de dominó, mas eles sabiam que a partida estava selada. O velho Baca tinha a última quina e fecharia aquela partida na próxima rodada, sem que os adversários o pudessem fazer algo para impedir.

À sua direita, o Herculano Fraga apoiou o cotovelo mais à frente sobre a mesa, erguendo um pouco o traseiro suado da cerâmica que espelhava o assento dos bancos da praça, e coçou largamente a sua genitália, num típico gesto de auto-afirmação machista. Como não conseguiu atrair a atenção dos demais, que ainda olhavam para o Bacalhau como se houvessem sido ludibriados no jogo, em seguida o Herculano ajeitou os fios grossos do bigode sobre os lábios e levantou o braço para o garçom, enquanto asseverava em tom de brincadeira para o Bacalhau: Se a dona Marilda sabe disso você ta morto, Baca... A dona Marilda era a mulher do Bacalhau. Era uma mulata peituda, nova ainda mas surrada da vida difícil de criar oito filhos. Era uma mulher forte e tinha fama de valente e de mão pesada, que não havia por ali quem não o soubesse. Do outro lado da rua, um negrinho acenou da calçada do bar, confirmando que já levaria para eles mais duas cervejas. Depois, o Herculano falou com impaciência, mostrando que também nas suas veias o sangue já derrapava nas curvas: Acabou senhores, não adianta chorar o leite derramado. A quina com o terno está com o Baca... É, tem jeito não, mas na próxima vou estar de olho em você, Bacalhau — O “seu” Charuto acrescentou, do alto dos seus mais de oitenta anos... Ô, Cha-charuto, vê se, se não começa aí, o meu parceiro ta be-bêbo, já nem tem, já nem tem condição de roubar no, no jooo-jôgo.

O parceiro do Bacalhau era o Conde Gaguinho, que só bebia uns goles e no copo dos outros, para que sua mulher não visse ou fossem lhe contar. Mas noutros tempos bebera muito e de tudo que contivesse álcool, “menos perfume, não gosto não” dizia sempre. Até que depois de uma bebedeira despretensiosa foi parar no hospital, de onde saiu 45 dias e noites depois, muito pálido, todo de branquinho, parecia um defunto, apoiado no braço companheiro da sua esposa e enfermeira, Josefina. Ficara manco, meio lento e gago, porém ainda estava vivo! Razão da sua contumaz alegria. Era mesmo descendente de um conde argentino, que recebera o título pelo casamento com uma alemã, mas o Gaguinho fazia o tipo canalha-engraçado sem a menor cerimônia, e quando queria fazer com que todos rissem se passava por enfezado, falando palavrões gaguejados. A despeito da piedade carinhosa que despertava, era o mais ladino de todos.

As pedras foram embaralhadas e redistribuídas para uma nova partida. Olhando as pedras que escolheu e fazendo cara de desgosto, o negro velho e malandro, que parecia mesmo um charuto, coçou a calva dos cabelos crespos e brancos e tornou a implicar com o Bacalhau: Mas peralá, voltando à vaca-fria, ô Bacalhau, a gente estava falando de mulher boa, né? — O outro confirmou com a cabeça — Então você disse que a sua era a melhor, mas não explicou o porque... Mas eu disse, “seu” Charuto... Não, você usou de propósito uma palavra que, pelo jeito, ninguém entendeu, ou fez que entendeu... — O Herculano sorriu e o Gaguinho também queria entender, o Charuto insistiu — Vamos logo, Baca, explica isso aí que ela é, que agora todo mundo quer saber...

O Bacalhau se fez de rogado e, aproveitando a passagem por perto do garçon pediu mais cerveja. O Gaguinho arriscou: Ele qui-quis dizer que ela é fa, fa-fa-ladeira... Nem pode, Gaguinho — Replicou o Herculano com um risinho sarcástico — Nem tem como... As jogadas se sucediam e, alheio ao falatório, o velho Charuto não tirava os olhos do Bacalhau, cismou que o pegaria de gato ainda naquela tarde. O Gaguinho arriscou outra: Então só, só pode ser pó-porque na hora a, ‘aaaa-ga’ ela fa-falha – Disse escondendo o olhar por detrás das pedras que tinha nas mãos... Dessa vez todos os demais acharam que não podia ser e caíram juntos numa grande gargalhada. O velho negro fechou o jogo, mas foi o Gaguinho quem anotou numa papeleta o traço correspondente àquela partida (ou pelo menos fez que estava anotando), porque todos riam muito ainda. Enxugando as próprias lágrimas com o dorso da mão, o Herculano explica: Não, senhor conde, nesse caso ela seria ‘fa-falhófaga’ – Mais risadas... E voltaram a uma nova partida. No momento mais decisivo desta partida, na sua vez de jogar o Bacalhau pôs seu dominó na mesa com algum barulho, fazendo um gesto discreto, mas que não escapou ao olhar e aos ouvidos atentos do Charuto. Ó, ‘seu’ Baca, pode parar... Que foi Charuto?... Eu vi, tu ta fazendo sinal com a pedra pro Gaguinho, ta pedindo o carroção do terno pra tu ficar batido... Eeeeuuu? Ocê ta bebo, eu nem to vendo terno aqui... Ah, não né. Então eu vou esperar até esse terno aparecer, porque se o terno com a ás não ta na mesa tem que estar na mão de alguém, e se estiver na tua eu vou te botar no lixo – Prometeu o negro, convicto de que dessa vez pegaria o Bacalhau de jeito. Compreendendo o verdadeiro sentido da expressão usada pelo Charuto, o Herculano completou com sarcasmo: Baca, meu camarada, vai abrindo o teu olho, porque o Charutão aqui escolheu você pra botar no lixo, e eu acho que você não está em condições de sair correndo não...

Novamente foi a vez do Bacalhau, mas ele não se mexeu. Os segundos passam e ele não se decide, olha para o jogo e para as pedras na sua mão diversas vezes, porém nada de colocar uma pedra na mesa. O charuto se esforçou para parecer irritado, coisa impossível de se imaginar para quem o conhecesse, e exigiu que o outro deixasse os demais jogarem. O Bacalhau ouviu impassivelmente. Sabendo que a dupla que perdessem mais uma partida perderiam também o jogo e teriam que sair da mesa, Herculano pôs lenha na falsa fogueira do seu parceiro, aproveitando-se do seu potente timbre de voz: Ta fugindo da charutada, né. Mas não vai adiantar, ou você joga ou levanta da mesa e deixa os outros jogarem... Pressionado, o Bacalhau acabou por ceder, mas não sem antes fazer também a sua cena, olhando desafiadoramente com os seus olhos baços e estreitos para os dois adversários, tentando fazê-los crer que tinha duas pedras válidas naquele momento. Mal o Bacalhau acabara de deixar a sua pedra na mesa, imediatamente e com um sorriso largo, cheio de dentes amarelados sob o bigode grosseiro, o Herculano Fraga fechou as duas pontas em ternos, e o Charuto deu um tapa na mesa de satisfação. Agora era a vez do Gaguinho, e ele tinha a impressão de que todos os olhares da praça e das janelas dos edifícios em volta estavam esperando impacientemente pela sua jogada. Tentou pensar em uma saída para impedir que jogassem seu parceiro aos urubus. Mas não havia. Estavam todos prestando atenção e, naquele momento, não seria possível usar uma trapaça sem que a percebessem. Expirou todo o ar do seu pulmão frágil e num gesto de desânimo jogou o tão esperado carroção de ternos sobre a mesa, sem a gentileza de encaixá-lo em uma das pontas. Na sua vez, o velho negro apontou o dedo indicador grande e cheio de nós para o Bacalhau, “Sua hora ta chegando, meu neném...”, e estendeu a mão para encaixar a sua pedra. A chegada do garçom com a cerveja não interrompeu a risada geral provocada pelo alerta do negro, mas quando o rapaz estava servindo Bacalhau fingiu se acomodar no banco, e assim fez com que o garçom derramasse cerveja no colo do Charuto. O negro deu um pulo ágil mas inútil para trás, reclamou, chamou o adversário de desastrado, porém não demorou para que voltassem ao jogo, que estava no seu clímax. Mas assim que recomeçaram chegou a vez do Bacalhau, que disse apenas “passo”. O Herculano foi o primeiro a escapar da surpresa: Como “passo”? A gente sabe que você pediu o terno, agora vem com essa de “passo”...
Mas eu não tenho terno aqui, uai. O que você quer que eu faça, Herculano?... – O Bacalhau tentou se justificar. Todos se entreolharam, procurando uma pista para entender o que estava acontecendo ali.
Determinado a pegar o Bacalhau, o negro levantou-se e fez com que ele abrisse as mãos. Todos viram que nelas faltava uma pedra. Então, afastando as pessoas da roda para procurar a pedra que faltava pelo chão da praça, para sua surpresa e dúvida o Charuto se viu diante da Marilda, e aos pés desta a tal pedra. Sem saber ainda o que estava acontecendo no jogo, a mulata respeitosamente agachou-se para pegar a pedra e entregá-la ao velho negro, que assim sentiu-se embaraçado. Até um segundo antes queria provar que o marido dela era um trapaceiro safado, mas agora já não tinha certeza de que devia fazer isso. Sentindo a tensão provocada pela chegada inesperada da Marilda, o Gaguinho quis fazer uma graça para descontrair: Ó, “se-seu” Baca, chegou a fa, fa-falófaga... A mulher não entendeu, mas sentiu-se convencida de que não devia ser coisa boa e foi logo dando a cara emburrada: Quem é o que aqui, “seu” moço?... O Bacalhau não movia nem um dedo, quietinho, com o pescoço já enterrado no tronco. E o conde, deveras assustado, quis se eximir de qualquer culpa: Sei não, dona Maaa-marilda. Quem fa-falou foi aqui o seu, ma-marido Baaa-baca!

A Marilda até costumava dar uns tapas no Bacalhau, de vez em quando. Porém achava que isso fazia parte da privacidade deles, e não julgava aceitável que sequer o tratassem de “babaca”, ou de qualquer outra forma pejorativa. A perder tempo explicando a sua intenção inocente, o Gaguinho preferiu levantar-se, e se preparar para correr o quanto pudesse. E a mulata já ia dando a volta na mesa, na sua direção. Peraí, dona Marilda. O seu marido aqui ta roubando no jogo. Essa pedra que a senhora pegou no chão bem ali, foi ele mesmo que deixou cair de propósito... – O Charuto argumentou. Conhecendo bem o próprio marido e sentido-se na condição de ser respeitosa para com a severidade do negro octogenário, a mulata estancou por um instante, até decidir o que fazer. Herculano tentou dar um jeito no aperto do amigo Bacalhau: Pode deixar, a gente já conhece esse pilantra e gosta dele assim mesmo... Mas a Marilda não quis saber de conversa, pegou o marido pelo cotovelo e foi puxando aos trancos, dizendo que queria ver se a pilantragem dele funcionava em casa. Não houve quem conseguisse ficar sério.

Fim de confusão, o Charuto pediu ao Gaguinho a papeleta de marcação dos pontos: Gaguinho, passa a papeleta e deixa a outra dupla sentar na mesa... Mas a paaa-partida não te-terminou! -- O conde protestou. Como não? – Herculano quis ver o rasgo de papel – Só faltava uma, o seu parceiro roubou, o ponto é nosso... Pooo-pode ver bem aí na, na paaa-pa-pa-peleta que ainda fa-falta uma paaa-partida!... Falta nada não, seu conde canalha! Eu estou contando desde o início. Você deixou de anotar aqui a batida do Charuto... Eee-euuuu?... Você mesmo, com esse seu jeitinho de pobre coitadinho, seu Gaguinho, sei que é o maior larápio... O Gaguinho pretendia rechaçar a acusação do Herculano, mas como todos em volta riam com certeza concordavam, e o jeito foi rir também. Para não perder a dignidade ponderou, para delírio dos demais: Ora, aaamigo, se eu não tenta-tasse, como podia saaa-saber se você presta aaa-tenção no jo-jogo?

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